terça-feira, 15 de junho de 2021

Luto - Eduardo Halfon [Opinião]

 

Título: Luto
Autor: Eduardo Halfon
Editor: Dom Quixote
N.º de Páginas: 112

Sinopse: 
Prémio do Melhor Livro Estrangeiro (França)
Prémio Edward Lewis Wallant (EUA)
Prémio Internacional do Livro Latino (EUA)
Prémio das Livrarias de Navarra (Espanha)

Halfon viaja até à velha casa dos avós, nas margens do lago de Amatitlán, onde em criança costumava passar os fins de semana antes de a família se transferir para a Florida, devido à violenta situação política vivida na Guatemala em princípios da década de 1980. A partir do momento em que pisa o Amatitlán, tudo aquilo que o cerca desencadeia um turbilhão de memórias de infância — algumas ligadas à sua infância na Guatemala, outras dos primeiros anos passados nos Estados Unidos.

Em subtis mas magistrais pinceladas, as recordações de Halfon vão-se conjugando aos poucos para desvendar segredos familiares profundos: a história de Salomón ou, talvez mais rigorosamente, a ausência dessa história, uma vez que ninguém na família falava abertamente dele. E aos poucos começamos a ver as informações dispersas que Halfon conseguiu reunir em criança.

Com Luto, traduzido por José Teixeira de Aguilar, Eduardo Halfon regressa ao universo que tem vindo a construir há anos em torno da personagem chamada Eduardo Halfon — que pode ou não ser o autor — e da história da sua família. Desta feita, centra-se no lado paterno da família: emigrantes judeus libaneses que se radicaram nos Estados Unidos e na Guatemala.

A minha opinião: 
Este multipremiado romance foi para mim uma desilusão. Achei o livro confuso e pouco atrativo, apesar da sinopse e da capa tentadoras.
 
Vamos acompanhar Halfon ao local onde, em criança, costumava passar os fins de semana. O Lago Amatitlan, na Guatemala, desencadeia um sem número de recordações ao protagonista, que teve de sair do país, ainda em pequeno, devido à situação política vivida no início da década de 80.



 
O segredo que a família guarda sobre a morte do seu tio Salomón vai fazer com que Halfon viaje até ao seu país Natal e, em pequenos fragmentos, comece a recordar a sua infância, mas também toda a situação pela qual passaram os judeus libaneses na Guatemala que tiveram de fugir para os Estados Unidos.




segunda-feira, 14 de junho de 2021

Os Passageiros - John Marrs [Opinião]

 

Título: Os Passageiros
Autor: John Marrs
Editor: TopSeller
N.º de Páginas: 416

Sinopse: 
Seria capaz de escolher que vida salvar?

Num futuro próximo, em que os veículos sem condutor já são comuns e considerados muito seguros, um pirata informático apodera-se do sistema operativo de oito carros, altera o destino programado e avisa os seus passageiros de que irão morrer dentro de horas.

A comissão constituída para avaliar acidentes com este tipo de veículos automáticos vê-se agora confrontada com uma missão muito mais difícil: seguindo as instruções do Hacker, terá de entrevistar cada um dos passageiros e decidir qual deles salvar. Câmaras ocultas nos carros asseguram uma transmissão mundial através das redes sociais e permitem acompanhar em direto o terror dos passageiros.

O Hacker parece saber tudo sobre os intervenientes, e, à medida que mais informações são reveladas sobre cada um deles, esta decisão difícil parece tornar-se impossível. Afinal, até que ponto permitimos que as primeiras impressões determinem o que pensamos acerca de alguém?

A minha opinião: 
Almas Gémeas foi uma das melhores leituras que tive recentemente pelo que a curiosidade por outros livros de John Marrs era muito grande.

O autor tem a particularidade de nos fazer pensar nas vantagens e desvantagens do avanço tecnológico e de como o mesmo pode controlar as nossas vidas.

Se em Almas Gémeas uma empresa consegue saber quem é o nosso par ideal, a nossa alma gémea, através da análise do nosso ADN com um conjunto de outros fatores, neste caso Mars cria um automóvel controlado por um computador em que o condutor é mero passageiro, tendo apenas de dizer qual o local para onde se quer dirigir.

O pior é quando o sistema do carro é pirateado e o Hacker altera o destino de oito passageiros, informando-os que vão morrer dentro de duas horas.

A missão de salvar os passageiros e escolher quais irão morrer cabe, sobretudo à comissão constituída para avaliar acidentes de veículos automáticos, que acaba por se ver envolvida numa grande responsabilidade.

Entre os passageiros encontra-se uma mulher grávida, uma atriz veterana, uma mãe de cinco crianças, um veterano de guerra, entre outros cujas vidas, à primeira impressão, podem levar a comissão a optar pelo destino trágico de uns.

Apesar de não me ter arrebatado quanto o primeiro livro que li do autor, só posso recomendar a sua leitura.




Antes que o Café Arrefeça - Toshikazu Kawaguchi [Opinião]

 

Título: Antes que o Café Arrefeça
Autor: Toshikazu Kawaguchi
Editor: Editorial Presença
N.º de Páginas: 184

Sinopse: 
O que faria se pudesse voltar atrás no tempo?
Um romance tocante e inspirador.

Um rumor circula por Tóquio. Escondido num pequeno beco da cidade, dentro de uma cave, há um café com mais de cem anos. Com uma chávena bem quente, se nos sentarmos no lugar certo, oferecem-nos algo mais: a hipótese de voltar ao passado. Em Antes Que o Café Arrefeça, acompanhamos as viagens de quatro mulheres que procuram regressar a momentos determinantes das suas vidas para os mudar: falar com o namorado que partiu, ler a carta do marido com Alzheimer, ver a irmã pela última vez e conhecer a filha que nunca viu. Mas as viagens no tempo têm condições e riscos… e nada do que façam vai alterar o presente.

Uma mesa, um café e uma decisão.
Uma história sobre o amor, o tempo perdido e as oportunidades que o futuro nos reserva.

A minha opinião: 
O que faria se pudesse voltar atrás no tempo? Todos nós, em algumas alturas da vida, nos questionamos sobre isso.

Baseado nesta premissa vamos conhecer quatro pessoas, cada uma com um motivo diferente de regressar, por breves instantes, ao passado.

Um café com mais de 100 anos tem a particularidade ou o dom de teletransportar os clientes para uma ocasião do passado. Mas, para isso, têm de fazê-lo antes que o café arrefeça, caso contrário, ficarão presos no tempo, como é o caso de um fantasma que lá se encontra.

Nem tudo é fácil para regressar ao passado, mas estas pessoas estão prontas para alcançar os vários obstáculos que possam surgir.

Assim vamos conhecer uma mulher que deseja regressar ao dia em que o namorado se despede dela para abarcar um novo projecto profissional, noutro país. Uma outra que deseja poder ler uma carta que o marido tinha consigo antes de lhe ser diagnosticado Alzheimer. E outras duas, interligadas, que passam pelo desejo de uma mulher estar pela última vez com a sua irmã e ver uma filha que nunca teve oportunidade de conhecer. Talvez por isso, foram as histórias que mais me marcaram.

Se a capa e o título chamativo já fazem com que queiramos trazer este livro para casa, as histórias e a questão que todos nos fazemos um dia, levam a uma leitura magnífica e inesquecível.




A Quinta dos Animais - Odyr [Opinião]

 

Título: A Quinta dos Animais
Autor: Odyr
Editor: Relógio D'Água
N.º de Páginas: 180

Sinopse: 
Uma sátira mordaz sobre uma sociedade oprimida que caminha para o totalitarismo.

Alegórico e intemporal, o livro de George Orwell, agora em romance gráfico, adaptado e ilustrado por Odyr.

A minha opinião: 
A primeira vez que li O Triunfo dos Porcos foi há 20 anos, pelo que adorei reviver toda esta revolta dos animais da quinta.
Após ter lido 1984 em formato BD e tendo sido uma experiência fantástica, não hesitei em ler este novo livro, também em BD, baseado no outro famoso livro de George Orwell.
Belissimamente adaptado, com excelentes ilustrações, esta foi uma boa forma de revisitar uma obra que gostei muito de ler no passado.




sábado, 12 de junho de 2021

O Último Refúgio - Pedro Garcia Rosado [Opinião]

 

Título: O Último Refúgio
Autor: Pedro Garcia Rosado
Editor: Clube do Autor
N.º de Páginas: 316

Sinopse: 
Pedro Garcia Rosado, com um turnpage arrasta o leitor para o interior do submundo da máfia, da violência e do crime. De Nova Iorque a Lisboa, o autor transporta nos através de uma espiral de reviravoltas até ao surpreendente final.

Tudo começa quando o detetive Castello conhece Maria DeMeira advogada luso americana, cuja família tem uma relação privilegiada com a máfia nova iorquina, e se apaixona por ela. Quem é, afinal, esta mulher fascinante e misteriosa, que deixa atrás de si um rasto de cadáveres? Será que precisa realmente de ajuda ou Castello não passa de um peão nas suas mãos?

Sem dar conta, Castello vê se enredeado numa complexa teia e tem de matar para não morrer. O plano de vingança é posto em cena em Lisboa, numa cidade fechada pela declaração do estado de emergência. O último refúgio é uma casa isolada na praia das Bruxas, no litoral atlântico, onde Castello terá de enfrentar uma morte (quase) certa...

A minha opinião: 
Foi com grande expetativa que peguei no novo livro de Pedro Garcia Rosado. O autor já há alguns anos que não publicava, mas os seus livros tornaram-se nos meus favoritos, dentro do género policial/thriller.
Se nos anteriores livros Pedro Garcia Rosado se centrou nos policiais, com mortes por investigar, em O Último Refúgio vamos mergulhar nos meandros da Máfia que nos transportam entre Nova Iorque e Lisboa, onde o amor pode esconder muita coisa perigosa.

Castello, detective em Nova Iorque, encontra-se a braços com um grave problema. O seu enteado está acusado de um crime e a sua companheira tenta de tudo para o ilibar, o que acaba por esfriar a relação de ambos.
 
Até que Castello conhece a advogada Maria DeMeira, uma luso-descendente que muda completamente a sua vida. Por amor Castello é capaz de tudo, até de se tornar um polícia corrupto, acabando enredado numa espiral descendente que o leva ao mundo do crime.
 
Gosto imenso da escrita de Pedro Garcia Rosado e dos seus enredos, embora a temática da Máfia não seja a parte do thriller que mais goste.
 
Contudo, só posso ficar feliz pelo seu regresso. Venham mais livros!




quarta-feira, 2 de junho de 2021

A Livraria dos Finais Felizes - Jenny Colgan [Opinião]

 

Título: A Livraria dos Finais Felizes
Autor: Jenny Colgan
Editor: Edições Chá das Cinco
N.º de Páginas: 320

Sinopse: 
Nina Redmond é literalmente uma casamenteira. Encontrar o livro perfeito para cada leitor é a sua paixão... e também o seu trabalho. Ou pelo menos era, até a biblioteca pública onde trabalhava fechar as portas. Determinada a encontrar um novo rumo, Nina muda-se para uma pacata vila na Escócia, onde compra uma carrinha e a transforma numa livraria itinerante, viajando pelas Terras Altas e transformando as vidas daqueles com quem se cruza com o poder da literatura. É então que descobre um mundo de aventura, magia e romance num lugar que aos poucos se vai tornando no seu lar… um lugar onde ela poderá escrever o seu final feliz para sempre.

A minha opinião: 
Tendo como pano de fundo uma pequena localidade escocesa, este livro encheu-me completamente as medidas.
 
Depois de ter sido despedida do seu cargo de bibliotecária, Nina decide realizar o sonho de ter a sua própria livraria. Mas não uma livraria comum.
 
O que desejava era ter uma livraria itinerante, numa camioneta antiga que a levaria à Escócia.
Muito sabedora de literatura, Nina tinha o dom de aconselhar os livros certos aos seus clientes, fazendo com que a sua leitura os deixasse apaixonados pelos livros.



 
Nina vai mudar completamente a sua vida, mas também a vida dos habitantes daquela localidade, que tanto almejavam por caras novas.
 
Deixa o seu apartamento e parte à aventura. Corre riscos por causa de um sonho e prova que a vontade e a perseverança podem tudo.
 
Este é um livro delicioso que nos prende às suas páginas e fez com que desejemos nunca terminá-lo.
No início do livro a autora brinda-nos com vários momentos para aproveitarmos a leitura: no banho, no trânsito, em pequenas pausas. Curiosamente todos esses momentos são aproveitados por mim para ler, querendo com isto mostrar que há sempre tempo para a leitura, desde que se pretenda e deseja fazê-lo.




domingo, 30 de maio de 2021

Os Sete Maridos de Evelyn Hugo - Taylor Jenkins Reid [Opinião]

 

Título: Os Sete Maridos de Evelyn Hugo
Autor: Taylor Jenkins Reid
Editor: TopSeller
N.º de Páginas: 432

Sinopse: 
Evelyn Hugo, uma das maiores estrelas de Hollywood, agora a aproximar-se dos 80 anos, decide finalmente contar tudo sobre a sua vida recheada de glamour e de uma boa dose de escândalos. Quando escolhe a desconhecida Monique Grant para escrever a sua história, todos ficam surpreendidos, incluindo a própria jornalista. Porquê ela? Porquê agora?

Determinada a aproveitar a oportunidade para impulsionar a sua carreira, Monique regista o relato de Evelyn com fascínio e admiração. Da chegada a Hollywood no início da década de 1950 à decisão de abandonar o mundo do espetáculo 30 anos depois, incluindo, claro está, os seus sete casamentos, a vida de Evelyn é repleta de ambição desmedida, amizades improváveis e um grande amor proibido.

À medida que a história de Evelyn se aproxima do final, torna-se claro que a sua vida está ligada à de Monique de uma forma trágica e irreversível.

A minha opinião: 
A capa lindíssima e as óptimas opiniões em torno deste livro fizeram com que passasse praticamente tudo para começar a lê-lo.

Evelyn Hugo é uma atriz famosa que, após ter vivido uma vida pródiga, decide contratar os serviços de uma jornalista em início de carreira com o intuito de que esta escreva a sua biografia.




Apesar de muito ter sido dito na imprensa sobre a atriz, sobretudo quando esta estava no auge da sua carreira (entre os anos 50 e 70), pouco se sabe realmente sobre a sua vida, o que vamos percebendo ao longo do livro. A sua vida inicial, muito semelhante a grandes estrelas dea época, pouco teve de glamour.

Evelyn teve de trabalhar muito para chegar onde chegou, incluindo usar os homens a seu bel-prazer.
O machismo, a homofobia e a violência doméstica são bem retratados neste livro, mostrando que nem tudo são rosas neste meio.

Mais do que a história da personagem principal, o mais importante é os vários temas que aborda.







Uma Aventura Numa Noite de Tempestade - Ana Maria Magalhães e Isabel Alçada [Opinião]

 

Título: Uma Aventura Numa Noite de Tempestade
Autoras: Ana Maria Magalhães e Isabel Alçada
Editor: Editorial Caminho
N.º de Páginas: 200

Sinopse: 
Os nossos amigos vão desta vez até uma aldeia, que parece fantasma, muito perto com da fronteira, ajudar o proprietário na sua recuperação para turismo rural.

Empenham-se então na recuperação de um antigo teatro, onde, nessa tarefa, se tinha também proposto para ajudar um meliante de um grupo de malfeitores que planeava roubar umas peças muito valiosas numa propriedade do lado de lá da fronteira.

O objetivo do meliante era encontrar um local onde guardar as peças roubadas para depois as transacionar. O assalto corre bem e conseguem guardar as peças roubadas numa casa abandonada na serra, mas uma valente enxurrada vai deixá-los isolados.

Os nossos heróis descobrem aquelas pessoas em perigo e tentam ajudar: chamam os bombeiros e a polícia. É então que descobrem a grande tramoia dos assaltantes.

A minha opinião: 
Sempre que sai um livro da colecção Uma Aventura remete-me para a minha pré adolescência, uma altura em que devorava estes livros. Juntava todo o dinheiro que me davam para os ir comprando e fui ficando com a colecção completa até muito tarde.

A tentação de lê-lo foi forte e tirei alguns momentos para descobrir a nova história criada por Ana Maria Magalhães e Isabel Alçada.



Os personagens adaptaram-se bem às novas tecnologias, embora continuem as mesmas, com a mesma idade e os mesmos feitios. Quase nada mudou desde os tempos em que os lia.

As autoras criam sempre uma história que prende, tendo o cuidado de dar sempre uma lição de história ou geografia o que torna a sua leitura ainda mais interessante e didáctica.

Nesta nova aventura os nossos amigos vão passar um fim de semana a uma aldeia praticamente vazia e acabam se deparar com um antigo teatro em ruínas que vão ajudar a erguer. Mas há alguém que não parece muito contente com os visitantes...




O Quanto Amei - Sara Rodi [Opinião]

 

Título: O Quanto Amei
Autor: Sara Rodi
Editor: Editorial Planeta
N.º de Páginas: 456

Sinopse: 
28 de novembro de 1935. Fernando Pessoa dá entrada no Hospital de São Luís dos Franceses, em Lisboa, acometido de fortes dores no abdómen. A cumprir o seu turno, a enfermeira Alice procura tratar-lhe não só das dores físicas, mas também das maleitas da alma, desafiando-o a recordar a sua história, tão marcada pela presença de tantas figuras femininas.
Fernando Pessoa viveu a vida inteira rodeado de mulheres — e, ainda assim, reclamando da sua inabilidade para lidar com elas. As mulheres da família, como a mãe Maria, que parecia carregar o mundo às costas; as irmãs, que devolviam a Fernando Pessoa a sua infância perdida; Dionísia, a avó louca; as tias-avós «generalas»; a tia Anica e as sessões espíritas que organizava na sua casa... Também as mulheres com quem podia ter casado, como a eterna namorada Ofélia ou a inglesa Madge. As mulheres que o influenciaram, entre as figuras mais místicas do teu tempo e as escritoras que tentavam, tantas vezes em vão, afirmar-se. E as mulheres que o rodeavam: as empregadas, as vizinhas, as mulheres por quem morriam de amores os amigos...
Num tempo em que tanto se discutia o papel da mulher na vida pública e privada —, discussão que se arrasta até aos dias de hoje —, Fernando Pessoa é levado a questionar-se sobre a forma como cada uma das mulheres com quem se cruzou terá influenciado o seu percurso. A sua obra. O seu destino.

A minha opinião: 
Como apaixonada que sou por Fernando Pessoa, vida e obra, não consegui resistir em ler o último livro de @sararodi.oficial.

Muito bem escrito e com personagens reais apaixonantes, Sara Rodi criou um livro fabuloso que me deixou completamente viciada na sua leitura.




Para quem ama o que considero o maior poeta português não pode perder esta obra que, apesar de ficcionada em muitos aspetos tem o condão de nos impressonar.

A autora não se esquece de referir a importância que a mãe do poeta teve para ele, assim como todas as mulhres da família que se soube rodear. Desde a avó já demente, até a tia Anica, tia essa que acabou por cuidar dele quando acaba por vir viver para Portugal. 

E Ofélia, a tão amada Ofélia, que teve de atura o génio do poeta... 






Margarida Espantada - Rodrigo Guedes de Carvalho [Opinião]

 

Título: Margarida Espantada
Autor: Rodrigo Guedes de Carvalho
Editor: Dom Quixote~
N.º de Páginas: 284

Sinopse: 
Margarida Espantada é sobre família. Sobre irmãos. É sobre violência doméstica e doença mental. É um efeito dominó sobre a dor.

A literatura é um jogo do avesso. Os bons romances são sempre sobre amor, e os melhores são os que fingem que não são.
Não devemos recear livros duros. As histórias que mais nos prendem trazem uma catarse que nos carrega as mágoas, personagens que apresentam as suas semelhanças connosco.
Gosto da ficção que é número arriscado de circo, com fogo e espadas, que nos faz chegar muito perto da queimadura que não vamos realmente sentir. Mas reconhecemos.

(Rodrigo Guedes de Carvalho)

A minha opinião: 
Estreei-me nos audiolivros com o novo livro de Rodrigo Guedes de Carvalho e em grande. 
Narrado pelo próprio autor, esta é uma história viciante que nos leva a conhecer uma família rica, mas com muitos esqueletos no armário. 

Quatro irmãos completamente diferentes entre si fogem de tudo aquilo que os pais sonharam para eles. Uns mais fortes que outros acabam por levar a deles avante contra as imposições de um pai austero que chegou onde chegou fruto do seu trabalho e ambição...




sexta-feira, 7 de maio de 2021

O Livro dos Dois Caminhos - Jodi Picoult [Opinião]

Título: O Livro dos Dois Caminhos
Autor: Jodi Picoult
Editor: Editorial Presença
N.º de Páginas: 472

Sinopse:
Dawn é um anjo da morte: a sua vida é ajudar pessoas a fazerem a transição final em paz. Mas quando o avião em que se encontra se despenha, ela dá por si a pensar não na vida perfeita que tem, mas na vida que foi forçada a abandonar quinze anos antes, quando deixou para trás uma carreira em Egiptologia e um homem que amava.

Contra todas as probabilidades, Dawn sobrevive, e a companhia aérea oferece-lhe um bilhete para onde ela queira ir - mas a resposta a essa pergunta parece-lhe de súbito incerta. Dawn enfrenta agora questões que nunca se fez: O que é uma vida bem vivida? O que deixamos para trás quando partimos? E somos nós que fazemos as nossas escolhas, ou são as nossas escolhas que nos fazem?

Dawn tem pela frente dois futuros possíveis e uma escolha… impossível.

A minha opinião: 
Quando está para sair um novo livro de Jodi Picoult sei que serei uma das primeiras pessoas a lê-lo. Sou uma verdadeira fã da autora e tenho aconselhado a sua leitura a muita gente, tanto pessoas que me seguem nas redes como próprios clientes, no meu local de trabalho. 

Jodi Picoult é sinónimo de um bom livro, apesar de estar conotada por quem não a conhece, como literatura light. Não podia estar mais em desacordo. Jodi é exímia em pegar temas polémicos e trazê-los para o papel, transformando-os numa boa história. 

Por isso mesmo, estava expectante com mais um livro, até porque o tema despertou-me muita curiosidade. Já tinha conhecimento de doulas gestacionais, mas não sabia da existência de doulas da morte. E é isso que Dawn é. No fundo, o seu trabalho é ajudar as pessoas nos últimos momentos de vida. 

A história, que até estava a ser bastante interessante, muda de rumo quando Dawn evoca a sua anterior vida, e põe tudo em causa. Quando sobrevive a uma acidente de aviação Dawn começa a pensar em todas as escolhas que fez. Das coisas mais importantes estão um amor perdido e numa profissão de sonho. Tudo Dawn deixou para trás quinze anos antes e nunca mais pensou nisso. Até agora... 

Todos sabemos que a vida é feita de escolhas e que as nossas escolhas irão condicionar para sempre o nosso futuro. Mas se começamos a questionar-nos nas escolhas que teríamos feito noutras circunstâncias, vamos começar a questionar tudo. 

E é nessa altura que a mulher decide recuperar o tempo perdido e sem dizer nada a ninguém parte para o Egipto. Essa foi a parte que menos gostei. O livro começa a ser bastante parado, com situações que não me entusiasmaram, apesar da parte histórica que até costumo gostar, e fez com que andasse a arrastar o livro e a sua leitura durante dias. 








segunda-feira, 26 de abril de 2021

Pedro Garcia Rosado está de volta com O Último Refúgio

O Último Refúgio

É, sem dúvida, um turnpage na linha dos melhores thrillers internacionais. O ritmo da história é avassaldor e o enredo é verdadeiramente viciante. Ora espreitem a sinopse. Eu, que gosto imenso dos livros de Pedro Garcia Rosado, estou em pulgas para ler este livro. 

O detetive James Castello, da Secção de Homicídios do Departamento de Polícia de Baltimore, sofre uma tragédia pessoal que vai mudar o seu destino. A noiva, também polícia, morre numa troca de tiros com outro agente, na sequência de uma armadilha.

Castello conhece então a advogada luso-americana Maria DeMeira, cuja família tem uma relação privilegiada com o mais importante clã das Cinco Famílias da Máfia nova-iorquina. Castello apaixona-se por Maria começa a deixar atrás de si um rasto de cadáveres. Quem é esta mulher fascinante e misteriosa? Precisa realmente de ajuda ou Castello não passa de um peão nas suas mãos?

O idílio termina em casamento, apenas perturbado pela irrupção de um rival da família DeMeira, Joe Sequera. Depois de um negócio dramático, Maria convence Castello a matar o rival mafioso. O plano de vingança é posto em cena em Lisboa, numa cidade fechada pela declaração do estado de emergência. Castello não consegue matar Sequera e torna-se um alvo a abater. O último refúgio é uma casa isolada na praia das Bruxas, no litoral atlântico, onde vai de ter de desfazer a teia em que foi enredado para escapar a uma morte certa.




quarta-feira, 21 de abril de 2021

O Lugar das Árvores Tristes - Lénia Rufino [Opinião]

Título: O Lugar das Árvores Tristes
Autor: Lénia Rufino
Editor: Manuscrito Editora
N.º de Páginas: 224

Sinopse: 
Isabel não tinha medo dos mortos. Gostava de passear por entre as campas do cemitério, a recuperar as histórias da morte daquelas pessoas. Quando a falta de alguma informação lhe acicatava a curiosidade, perguntava à mãe...

Quando esta se recusa a dar-lhe uma resposta sobre uma mulher chamada Eulália, Isabel inicia uma busca por esclarecimentos. Só que ninguém quer falar sobre o assunto e, inesperadamente, Isabel vê-se confrontada com uma teia de mentiras, maldade, enganos e crimes que a levam a compreender o passado misterioso da mãe e a forma quase anestesiada da sua existência.

Um romance de estreia profundamente sagaz e envolvente que faz um retrato do interior português preso na tradição religiosa da década de 1970.

A minha opinião: 
Isabel vive numa pequena aldeia no Alentejo onde todos se conhecem e todos sabem da vida uns dos outros. O seu passatempo favorito era passear pelo cemitério e tentar saber algo mais das histórias daquelas pessoas que lá estavam. Como foi a vida delas? Do que é que morreram? 
Até que chega à campa de Eulália, uma mulher que todos parecem não querer falar. O facto de todos se recusarem a dizer o que se passou com a morte dela, aguça a curiosidade da jovem, que não para até descobrir tudo. 

E é aqui que surge uma segunda história... aquela que seria a história principal do livro e que traria toda a verdade à tona. 

Léna Rufino faz-nos recuar ao século passado, ao ano de 1969, a um Alentejo profundo que poderia muito bem ser qualquer aldeia do país. Um local onde a cuscuvilhice impera e onde a moral e os bons costumes estão acima de tudo. Gente humilde, mas que se quer honrada e que vê no padre da aldeia o símbolo da autoridade e de Deus. 

A autora escreve bem. Mas escrever bem pode não ser suficiente para cativar o leitor.
 Aí é que entra a história envolvente que criou. Fiquei rendida desde a primeira página. Parece um cliché, mas garanto-vos que não. Consegui sentir os cheiros daquela aldeia, do sol a bater nas árvores, dos caminhos sinuosos e por vezes desertos, das suas gentes e da autoridade da igreja. Isto porque também eu, durante uma parte da minha infância, também vivi na aldeia, o que me fez enriquecer enquanto pessoa. As aldeias são mágicas. 

Engraçado como me identifiquei com Isabel na tentativa de querer conhecer mais sobre os mortos. Também eu, quando ia com a minha avó ao cemitério, percorria as campas e gostava de ver quem lá estava. Ficava chocada quando percebia que havia pessoas novas que morreram de forma trágica, mas a minha curiosidade não passava daí. 

O final em aberto pode trazer um amargo de boca aos leitores que gostam de ver uma história com final feliz, mas comigo fez o inverso.

Gostei imenso.