sexta-feira, 7 de maio de 2021

O Livro dos Dois Caminhos - Jodi Picoult [Opinião]

Título: O Livro dos Dois Caminhos
Autor: Jodi Picoult
Editor: Editorial Presença
N.º de Páginas: 472

Sinopse:
Dawn é um anjo da morte: a sua vida é ajudar pessoas a fazerem a transição final em paz. Mas quando o avião em que se encontra se despenha, ela dá por si a pensar não na vida perfeita que tem, mas na vida que foi forçada a abandonar quinze anos antes, quando deixou para trás uma carreira em Egiptologia e um homem que amava.

Contra todas as probabilidades, Dawn sobrevive, e a companhia aérea oferece-lhe um bilhete para onde ela queira ir - mas a resposta a essa pergunta parece-lhe de súbito incerta. Dawn enfrenta agora questões que nunca se fez: O que é uma vida bem vivida? O que deixamos para trás quando partimos? E somos nós que fazemos as nossas escolhas, ou são as nossas escolhas que nos fazem?

Dawn tem pela frente dois futuros possíveis e uma escolha… impossível.

A minha opinião: 
Quando está para sair um novo livro de Jodi Picoult sei que serei uma das primeiras pessoas a lê-lo. Sou uma verdadeira fã da autora e tenho aconselhado a sua leitura a muita gente, tanto pessoas que me seguem nas redes como próprios clientes, no meu local de trabalho. 

Jodi Picoult é sinónimo de um bom livro, apesar de estar conotada por quem não a conhece, como literatura light. Não podia estar mais em desacordo. Jodi é exímia em pegar temas polémicos e trazê-los para o papel, transformando-os numa boa história. 

Por isso mesmo, estava expectante com mais um livro, até porque o tema despertou-me muita curiosidade. Já tinha conhecimento de doulas gestacionais, mas não sabia da existência de doulas da morte. E é isso que Dawn é. No fundo, o seu trabalho é ajudar as pessoas nos últimos momentos de vida. 

A história, que até estava a ser bastante interessante, muda de rumo quando Dawn evoca a sua anterior vida, e põe tudo em causa. Quando sobrevive a uma acidente de aviação Dawn começa a pensar em todas as escolhas que fez. Das coisas mais importantes estão um amor perdido e numa profissão de sonho. Tudo Dawn deixou para trás quinze anos antes e nunca mais pensou nisso. Até agora... 

Todos sabemos que a vida é feita de escolhas e que as nossas escolhas irão condicionar para sempre o nosso futuro. Mas se começamos a questionar-nos nas escolhas que teríamos feito noutras circunstâncias, vamos começar a questionar tudo. 

E é nessa altura que a mulher decide recuperar o tempo perdido e sem dizer nada a ninguém parte para o Egipto. Essa foi a parte que menos gostei. O livro começa a ser bastante parado, com situações que não me entusiasmaram, apesar da parte histórica que até costumo gostar, e fez com que andasse a arrastar o livro e a sua leitura durante dias. 








segunda-feira, 26 de abril de 2021

Pedro Garcia Rosado está de volta com O Último Refúgio

O Último Refúgio

É, sem dúvida, um turnpage na linha dos melhores thrillers internacionais. O ritmo da história é avassaldor e o enredo é verdadeiramente viciante. Ora espreitem a sinopse. Eu, que gosto imenso dos livros de Pedro Garcia Rosado, estou em pulgas para ler este livro. 

O detetive James Castello, da Secção de Homicídios do Departamento de Polícia de Baltimore, sofre uma tragédia pessoal que vai mudar o seu destino. A noiva, também polícia, morre numa troca de tiros com outro agente, na sequência de uma armadilha.

Castello conhece então a advogada luso-americana Maria DeMeira, cuja família tem uma relação privilegiada com o mais importante clã das Cinco Famílias da Máfia nova-iorquina. Castello apaixona-se por Maria começa a deixar atrás de si um rasto de cadáveres. Quem é esta mulher fascinante e misteriosa? Precisa realmente de ajuda ou Castello não passa de um peão nas suas mãos?

O idílio termina em casamento, apenas perturbado pela irrupção de um rival da família DeMeira, Joe Sequera. Depois de um negócio dramático, Maria convence Castello a matar o rival mafioso. O plano de vingança é posto em cena em Lisboa, numa cidade fechada pela declaração do estado de emergência. Castello não consegue matar Sequera e torna-se um alvo a abater. O último refúgio é uma casa isolada na praia das Bruxas, no litoral atlântico, onde vai de ter de desfazer a teia em que foi enredado para escapar a uma morte certa.




quarta-feira, 21 de abril de 2021

O Lugar das Árvores Tristes - Lénia Rufino [Opinião]

Título: O Lugar das Árvores Tristes
Autor: Lénia Rufino
Editor: Manuscrito Editora
N.º de Páginas: 224

Sinopse: 
Isabel não tinha medo dos mortos. Gostava de passear por entre as campas do cemitério, a recuperar as histórias da morte daquelas pessoas. Quando a falta de alguma informação lhe acicatava a curiosidade, perguntava à mãe...

Quando esta se recusa a dar-lhe uma resposta sobre uma mulher chamada Eulália, Isabel inicia uma busca por esclarecimentos. Só que ninguém quer falar sobre o assunto e, inesperadamente, Isabel vê-se confrontada com uma teia de mentiras, maldade, enganos e crimes que a levam a compreender o passado misterioso da mãe e a forma quase anestesiada da sua existência.

Um romance de estreia profundamente sagaz e envolvente que faz um retrato do interior português preso na tradição religiosa da década de 1970.

A minha opinião: 
Isabel vive numa pequena aldeia no Alentejo onde todos se conhecem e todos sabem da vida uns dos outros. O seu passatempo favorito era passear pelo cemitério e tentar saber algo mais das histórias daquelas pessoas que lá estavam. Como foi a vida delas? Do que é que morreram? 
Até que chega à campa de Eulália, uma mulher que todos parecem não querer falar. O facto de todos se recusarem a dizer o que se passou com a morte dela, aguça a curiosidade da jovem, que não para até descobrir tudo. 

E é aqui que surge uma segunda história... aquela que seria a história principal do livro e que traria toda a verdade à tona. 

Léna Rufino faz-nos recuar ao século passado, ao ano de 1969, a um Alentejo profundo que poderia muito bem ser qualquer aldeia do país. Um local onde a cuscuvilhice impera e onde a moral e os bons costumes estão acima de tudo. Gente humilde, mas que se quer honrada e que vê no padre da aldeia o símbolo da autoridade e de Deus. 

A autora escreve bem. Mas escrever bem pode não ser suficiente para cativar o leitor.
 Aí é que entra a história envolvente que criou. Fiquei rendida desde a primeira página. Parece um cliché, mas garanto-vos que não. Consegui sentir os cheiros daquela aldeia, do sol a bater nas árvores, dos caminhos sinuosos e por vezes desertos, das suas gentes e da autoridade da igreja. Isto porque também eu, durante uma parte da minha infância, também vivi na aldeia, o que me fez enriquecer enquanto pessoa. As aldeias são mágicas. 

Engraçado como me identifiquei com Isabel na tentativa de querer conhecer mais sobre os mortos. Também eu, quando ia com a minha avó ao cemitério, percorria as campas e gostava de ver quem lá estava. Ficava chocada quando percebia que havia pessoas novas que morreram de forma trágica, mas a minha curiosidade não passava daí. 

O final em aberto pode trazer um amargo de boca aos leitores que gostam de ver uma história com final feliz, mas comigo fez o inverso.

Gostei imenso. 










sexta-feira, 16 de abril de 2021

A Rapariga do Fim - Leslie Wolfe [Opinião]

Título: A Rapariga do Fim
Autor: Leslie Wolfe
Editor: Alma dos Livros
N.º de Páginas: 328

Sinopse: 
Depois de o corpo de uma modelo famosa ter sido encontrado sem vida, Tess Winnett recusa-se a aceitar a tese de suicídio e inicia uma investigação para descobrir os verdadeiros motivos daquela morte. Não pode ser de ânimo leve que alguém decide pôr termo à própria vida e ainda menos quando parece ter o mundo aos seus pés.

À medida que se propaga uma onda de crimes assustadora, muitas questões se vão colocando, mas poucas são as respostas concretas. Ninguém sabe que existe um serial killer à solta. Ninguém, exceto Tess. A sua investigação revela mistérios há muito enterrados e mostra uma relação entre as diversas mortes. A agente especial do FBI retira apenas uma conclusão: alguém tem o controlo deste jogo perigoso. E não é ela. Com pouca informação e ainda menos pistas, Tess Winnett tenta encaixar todas as peças de um cenário mortal com um grande número de vítimas em potência. Quanto mais tempo se atrasa, mais uma belíssima jovem se prepara para morrer. Há um plano macabro em execução e a próxima vítima está a ser atraída para um labirinto sem paz nem retorno. Afinal, como se pode fugir de um assassino que não se sabe que existe?

A minha opinião: 
Tess Winnett, já conhecida dos leitores portugueses, vai deparar-se com um caso peculiar. Uma modelo famosa aparece sem vida, num caso aparente de suicídio. Mas a detective é perspicaz e acha aquela morte estranha, sobretudo porque na mesma altura foram publicadas fotos da mesma jovem com o intuito de prejudicarem a sua carreira. Por isso mesmo, contra todas as possibilidades, Tess começa a tratar a sua morte com um caso de homicídio. 

À medida que ainvestigação avança as provas vão dar razão a Tess que se vê parente um assassino em série completamente implacável. 

As vítimas são todas elas famosas, sobretudo através das redes sociais, o que torna a história bastante atual. Numa altura em que a população dá demasiada importância àquilo que se passa nas redes, "colocando" uma pessoa anónima e, muitas vezes, sem grande valor, numa celebridade, Leslie mostra como uma mente completamente distorcida e alucinada pode mudar completamente as vidas destas jovens. 

O Ladrão de Vidas, assim é designado pela polícia, intriga os investigadores, que não conseguem perceber qual o móbil dos crimes. Isso faz com que seja mais difícil de identificar o assassino, que se mostra atrás das câmaras com um fato de latex que lhe muda completamente as formas. 

Gostei desta leitura, embora não se fosse um livro que me empolgasse sobremaneira. Pode ter-se devido ao método utilizado pelo assassino para matar as suas vítimas, que foi um tanto semelhante a outro livro que li anteriormente do autor Chris Carter, Um por Um. No entanto, é uma leitura que vale a pena. 






Porto Editora e Correntes D’Escritas anunciam Prémio Literário Luis Sepúlveda



Homenagem ao escritor chileno em reconhecimento pelo contributo ao estímulo à leitura junto dos mais novos. Luis Sepúlveda faleceu a 16 de abril de 2020, vítima de COVID-19.

O prémio literário criado pela Porto Editora e pelo Correntes D’Escritas em 2008, até agora designado Prémio Conto Infantil Ilustrado Correntes D’Escritas | Porto Editora, passa a ser denominado Prémio Literário Luis Sepúlveda.

A proposta foi feita pela Porto Editora e imediatamente aceite pela organização do Correntes D’Escritas, onde Luis Sepúlveda era presença habitual e a quem foi dedicada a edição deste ano, realizada em fevereiro passado. O objetivo é o de homenagear o escritor e o seu legado literário, reconhecendo o enorme contributo para o estímulo, nos mais novos, do gosto pelo livro e pela leitura, um propósito que está na origem do prémio literário. Obras como História de uma Gaivota e do Gato que a Ensinou a Voar, História de um gato e de um rato que se tornaram amigos e outras fábulas fazem parte do imaginário de várias gerações de leitores, estando inclusive reconhecidas e recomendadas no âmbito do Plano Nacional de Leitura.

Preservando as características que o tornam único no nosso país, o Prémio Literário Luis Sepúlveda continuará a premiar, anualmente, contos infantis ilustrados inéditos, conto e ilustração, em língua portuguesa, realizados por alunos de todo o país - e de escolas portuguesas espalhadas pelo mundo - que frequentem o 4.º ano de escolaridade do 1.º Ciclo do Ensino Básico, privilegiando os textos que veiculem as principais ideias que sempre estiveram presentes na obra de Luis Sepúlveda: a defesa do ambiente, o respeito pelo outro, a amizade, a solidariedade social e a liberdade.


"Garra" de Cecelia Ahern traz-nos 30 histórias singulares e poderosas em torno da experiência feminina | Suma de Letras

GARRA são 30 histórias interligadas, que capturam as diferentes facetas da vida das mulheres. Divertidas, comoventes, surreais e instigantes, as histórias capturam os momentos em que as personagens são dominadas pela culpa, a confusão, a frustração, a intimidação, a exaustão - aqueles momentos em que sentem a necessidade de mostrar a garra.

«Uma coleção impressionante, oportuna e divertida.» Observer

«Interessante e inteligente.» The Times

«Fantástico ... Ahern combina realismo mágico com observações perspicazes sobre a dinâmica de gênero contemporânea, oferecendo aos leitores uma seleção afiada de parábolas com nuances encorajando valentia, compaixão e autoconfiança.» Publishers Weekly

Nas livrarias a 20 de Abril.

Sinopse: 
A autora bestseller Cecelia Ahern, traz-nos uma coleção ferozmente feminista de histórias que iluminam, às vezes de maneira fantástica, como as mulheres navegam o mundo hoje. Ahern assume os aspectos familiares da vida das mulheres - as rotinas, os constrangimentos e os desejos - e os eleva com a sua mistura astuta de realismo mágico e percepção social.

Uma mulher é engolida pelo chão durante uma apresentação mortificante; outra resolve trocar o marido na loja onde o adquiriu originalmente. As mulheres no centro deste curioso universo aprendem que as suas realidades são moldadas não apenas por como os outros as percebem, mas também por como elas percebem o poder dentro de si. Por vezes astutas, caprichosas e comoventes, as trinta histórias podem ser lidas independentemente, mas juntas têm a capacidade de criar uma GARRA com várias mãos que não pode ser ignorada

Sobre a autora: 
Cecelia Ahern, depois de se licenciar em Jornalismo e Comunicação, escreveu o seu primeiro romance aos 21 anos PS – Eu amo-te. Foi um sucesso internacional sem precedentes, tendo sido levado ao grande ecrã, o que acrescentou ainda mais fãs a esta história de amor, que é um clássico dos nossos tempos. Desde então, Cecelia publica, com grande sucesso, um romance por ano. Até ao momento, os seus livros venderam 25 milhões de exemplares, foram publicados em mais de 40 países, em 30 línguas.



domingo, 11 de abril de 2021

Tudo o que Ficou por Dizer - Celeste Ng [Opinião]

Título: Tudo o que Ficou por Dizer

Autor: Celeste Ng
Editor: Edições Asa
N.º de Páginas: 248

Sinopse: 
"Lydia morreu. Mas eles ainda não sabem."
Começa assim o avassalador romance de Celeste Ng. É de manhã, a família desperta para o pequeno-almoço. O pai, a mãe, o filho mais velho e a filha mais nova. Há porém um lugar vago à mesa e um silêncio que pesa. A filha do meio, a favorita dos pais, está ausente.
Como morreu, ou porque morreu, é para já um enigma. Há um inquérito, dúvidas, suspeitas e acusações. E uma teia delicada de dramas antigos, de segredos, que se vão desvendando pela voz (e pelo olhar) de cada um dos elementos da família. Apaixonamo-nos por eles, tão expostos (e tão frágeis) nesse momento de perda. Conhecemos a mãe, loura e de olhos azuis, que abandonou o sonho de uma vida pela filha - a quem depois virá a exigir o impossível. O pai, de ascendência chinesa, que projecta na única filha de traços ocidentais a sua própria integração na América. E conhecemos os irmãos de Lydia, a quem foram dadas apenas as sobras do amor - mas que nem por isso deixaram de a amar.

Tudo o que Ficou por Dizer é um romance pungente, narrado numa voz terna, por vezes poética, sempre precisa. É uma obra sobre os não-ditos, os abismos que se abrem nas famílias, os esquecimentos do amor. E sobre esse enorme mistério chamado Lydia, que na hora da sua morte ofereceu à família, por fim, uma hipótese de redenção.

A minha opinião: 
No ano passado estreei-me na leitura de Celeste Ng com o livro que lhe deu notariedade "Pequenos fogos em todo o lado" e gostei imenso.Por isso mesmo, logo que surgiu a oportunidade peguei no livro de estreia da autora com grandes expectativas.
Felizmente não foram goradas.

A autora norte-americana traz a lume o tema da xenofobia nos anos 70, numa altura em que os casais de etnias diferentes eram olhados de lado. James Lee, apesar de nascido na América, era ostracizado na escola por ser chinês. Nunca se integrou e nunca fez amigos. Marilyn, por seu lado, era uma jovem obstinada e tinha o sonho em tornar-se médica, mesmo indo contra a vontade da mãe que desejava que a sua única filha fosse uma dona de casa exemplar.

Tudo isto é importantíssimo para o desenrolar da história que vai andar em torno do desaparecimento de Lydia, a filha do meio do casal, e que vai devastar toda esta família.

O isolamento, a predilecção por parte dos pais em relação a um dos filhos, o desejo que os pais em relação ao futuro dos filhos de forma a condicionar as suas próprias opções, a decepção em relação ao rumo que a vida toma vai sendo mostrado em exaustão ao longo de toda a história.

Gostei imenso da temática retratada, mas sobretudo da forma como Celeste Ng a contou demonstrando o sofrimento de todos os intervenientes. Isso fez com que tivesse odiado todas as personagens e ao mesmo tempo gostado de todos, até porque todos eles foram mostrados de todas formas, virados do avesso o que nos faz conhecê-los ao pormenor.

Muito bom. 




O Tempo Entre Costuras - María Dueñas [Opinião]

Título: O Tempo Entre Costuras

Autor: María Dueñas
Editor: Porto Editora
N.º de Páginas: 624

Sinopse: 
«O Tempo entre Costuras» é a história de Sira Quiroga, uma jovem modista empurrada pelo destino para um arriscado compromisso; sem aviso, os pespontos e alinhavos do seu ofício convertem-se na fachada para missões obscuras que a enleiam num mundo de glamour e paixões, riqueza e miséria mas também de vitórias e derrotas, de conspirações históricas e políticas, de espias.

Um romance de ritmo imparável, costurado de encontros e desencontros, que nos transporta, em descrições fiéis, pelos cenários de uma Madrid pró-Alemanha, dos enclaves de Tânger e Tetuán e de uma Lisboa cosmopolita repleta de oportunistas e refugiados sem rumo.

A minha opinião: 
As leituras em conjunto têm muitas vantagens. Uma delas é fazer-nos ler livros que estão há algum tempo na estante, mas que vão ficando para trás. Estava para ler há muito O Tempo entre Costuras, mas fui sempre adiando, sem qualquer razão. Graças ao Clube de Leitura Manta de Histórias agarrei neste grande livro e nunca mais o larguei até o terminar. Confesso que fiz batota e terminei antes do tempo, mas não consegui mesmo resistir.
 
É um romance histórico e, apesar da história de Sira não ser verídica, podia muito bem ser. Maria Duenas traz-nos como palco para a sua história a Guerra Civil Espanhola e a 2.ª Guerra Mundial que a história pode detrás destes grandes acontecimentos históricos podia muito bem encaixar-se nele e ser verdadeira.

Quem melhor que uma rapariga vulgar, costureira em Madrid, que se torna numa espia ainda em Marrocos, local para onde parte por causa de um grande amor que a deixa completamente destroçada.
Sim, os grandes amores têm o poder de nos arrebatar, mas, ao mesmo tempo, de nos deixar completamente sem chão quando é destruído. Quem nunca sentiu isso?

Sira passa de uma rapariga frágil e ingénua para uma mulher forte, capaz de tudo para conseguir sobreviver num país que não conhece. Marrocos está cheia de espanhóis, que fugiram da guerra civil e aí fizeram vida, tornando a pequena localidade de Tetuan bastante cosmopolita e moderna. Sem dinheiro e sem ninguém familiar para ajudar, Sira volta-se novamente para a costura e aí estabelece relações com a alta esfera espanhola e britância, o que a leva a mudar novamente de vida, mas nunca deixando as linhas e os tecidos.

Em pouco mais de 600 páginas vi-me embrenhada na história de Sira, mas igualmente nos factos históricos que afectaram todos nós. Desde a Guerra Civil Espanhola até à Segunda Guerra que trouxeram refugiados para o nosso país sobretudo para a zona do Estoril que foi palco para muita espionagem, entre britânicos e alemães.

Este é o primeiro livro que leio de Maria Duenas e, certamente, não será o último. Adorei.




domingo, 4 de abril de 2021

Almas Gémeas - John Marrs [Opinião]

Título: Almas Gémeas
Autor: John Marrs
Editor: TopSeller
N.º de Páginas: 416

Sinopse: 
Basta um simples teste de ADN para se encontrar o amor.

Esta é a promessa da aplicação Match Your DNA, que apresenta aos seus utilizadores o parceiro que a genética lhes destinou. Desde que este novo sistema surgiu, milhões de pessoas em todo o mundo já encontraram a sua cara-metade.

Mas as consequências não se fizeram esperar: os resultados da aplicação ditaram o fim de inúmeros relacionamentos e muitos casais começaram a pôr em causa as ideias tradicionais de amor, romance e compromisso.

Christopher, Jade, Mandy, Nick e Ellie acabaram de saber os resultados dos seus testes e estão prestes a descobrir, nesta demanda pelo amor, que nem sempre o final feliz está garantido… mesmo quando encontram o seu par ideal. Afinal, até as almas gémeas escondem segredos, uns mais chocantes do que outros.

A minha opinião: 
Após ter visto a série The One na Netflix fiquei ainda mais curiosa em ler este Almas Gémeas, a minha estreia com o autor John Marrs. A minha curiosidade ainda aumentou mais ao saber que que a série apenas foi baseada na premissa do livro e não nas suas histórias.



John Marrs teve uma ideia brilhante. Com o avançar dos experimentos científicos, uma empresa descobre como encontrarmos a nossa Alma Gémea, aquela pessoa que nos fará feliz para sempre, sem qualquer dúvida. Este "match" é descoberto através de uma série de factores que tem com o DNA a base de tudo.

Isto vai fazer com que muitos casais se questionem se estão com a pessoa certa, se a pessoa que está ao seu lado é a sua Alma Gémea ou se a mesma se encontra do outro lado do planeta ou se vive na mesma rua.
 
Conseguiam resistir à tentação? Acabar-se-iam as más relações, os atritos, as incertezas. Os divórcios diminuiriam ou até deixaríam de existir e todos seriam felizes. Será tudo assim tão linear?
Ao longo do livro vamos vendo esses aspectos, com os prós e contras de descobrirmos o nosso match.
Adorei esta leitura, não estava à espera que fosse tão bom. Adorei a história dos cinco casais protagonistas que focaram vários aspectos de estar com a alma gémea correta. Bem superior à série este é um livro a não perder.



 




sábado, 3 de abril de 2021

Fui Roubada Aos Meus Pais - Céline Giraud [Opinião]

Título: Fui Roubada Aos Meus Pais
Autor: Céline Giraud
Editor: Editorial Presença
N.º de Páginas: 184

Sinopse: 
A vida de Céline Giraud, 27 anos, desabou a 22 de Fevereiro de 2004, o dia em que tomou conhecimento de que não tinha sido abandonada em criança mas roubada à sua mãe biológica com alguns dias de vida. Roubada para ser vendida por 3000 dólares a um casal francês que desconhecia o processo de tráfico de que Céline tinha sido alvo. Só quando tentou contactar a mãe biológica conseguiu descobrir a verdade, procurando a partir deste momento, com a ajuda dos pais de Fernando, o seu namorado, pistas para o seu rapto, conseguindo localizar mais de vinte crianças também de origem peruana que tinham sido raptadas. Os seus pais adoptivos, alheios à ilegalidade, tinham contactado uma organização francesa que lhes tinha conseguido uma menina com apenas duas semanas em tempo recorde. Quando se apercebeu da situação dos outros bebés, Céline tentou contactar as suas famílias criando a Associação La Voix des Adoptés, que procura dar apoio a crianças adoptadas. Um livro de memórias, escrito na primeira pessoa com um tom quase detectivesco, informativo e que pode servir de base a uma análise social.

A minha opinião: 
Este é um livro perturbador de uma história verídica de roubo de bebés e crianças.
Nos anos 80 foram muitas as crianças roubadas a famílias carenciadas no Peru por um grupo de pessoas com alguma influência, desde juízes a médicos.
 
As famílias adoptantes, a maior parte oriunda de França, nada sabiam e o dinheiro que tinham de pagar seria para cobrir todas as despesas com o processo de adopção.

Depois de ter sido mãe e começado a apaixonar-se pela cultura peruana Céline decide partir para a descoberta das suas origens e é aqui que tudo se desmorona. Afinal a sua mãe não a tinha abandonado, mas que por culpa da sua ingenuidade e pobreza Célia tinha-lhe sido retirada sem qualquer pena e "vendida" a um casal francês que não conseguia ter filhos biológicos.
 
O livro é um relato impressionante sobre o que dezenas de famílias passaram quando lhes foi retirado o bem mais precioso, mas também as condições com que essas mesmas famílias vivem. Aquando da visita de Céline à sua terra natal, esta descreve a forma com estas pessoas vivem, num autêntico bairro de lata, sem luz, água, sem chão.
 
Uma das coisas que mais me impressionou foi quando a autora do livro decide dar uma estadia de um noite a uma das suas irmãs, que fica impressionada com uma grande tina na casa de banho. A sua irmã nunca tinha visto uma banheira em toda a sua vida!

Através da sua experiência e investigação cria uma associação "La voix des Adoptés" com o intuito de ajudar outros jovens que tenham ou estejam a passar pelo mesmo. De referir ainda que quando Céline investigava a sua própria adopção descobriu que, no mesmo período em que foi roubada, mais 22 crianças tinham sido sequestradas pelo mesmo grupo.




As impertinências do Cupido - Ana Gil Campos [Opinião]

Título: As impertinências do Cupido
Autor: Ana Gil Campos
Editor: Coolbooks
N.º de Páginas: 112

Sinopse: 
No Itaim Bibi, um bairro nobre de São Paulo, tudo parece sereno, entregue às rotinas diárias. Sob esta aparência tranquila, porém, as vidas íntimas dos seus moradores são atravessadas por inúmeras aventuras.

Ao longo deste livro, somos convidados a espreitar à janela de cada personagem, partilhando os seus segredos e confidências, sorrindo com as suas conquistas e suspirando com as suas frustrações.

Num registo divertido, Ana Gil Campos traça um retrato plausível e cru do que são as relações amorosas nos dias de hoje, bem mais complexas e problemáticas do que um olhar menos atento consegue captar.

A minha opinião: 
Num bairro nobre de São Paulo somos convidados a conhecer uma alguns casais, com as suas particularidades.

Todos se conhecem e, por um ou outra razão, alguns invejam o relacionamento dos outros, embora desconheçam o que se passa entre quatro paredes.

Almas Gémeas que não o sãom inseguranças no primeiro dia de casados, traições, a segurança de um casamento que não nos satisfaz, as rotinas... tudo é abordado por Ana Gil Campos de uma forma despreocupada e leve, não aprofundando qualquer uma das personagens.

Talvez por isso seja complicado criar empatia com qualquer uma das diversas personagens, mas penso que também não seja isso que a autora pretende.





O Rapaz do Bosque - Harlan Coben [Opinião]

Título: O Rapaz do Bosque
Autor: Harlan Coben
Editor: Editorial Presença
N.º de Páginas: 352

Sinopse: 
Um homem com um passado misterioso tem de encontrar uma adolescente desaparecida. Um thriller emocionante.

Há trinta anos, Wilde foi encontrado a viver no bosque, sem qualquer recordação do seu passado. Agora, adulto, ainda não conhece a sua origem. e outra criança está desaparecida.

Ninguém parece levar a sério o desaparecimento de Naomi Pine, nem sequer o seu pai. Mas há uma exceção. Hester Crimstein, advogada criminal televisiva, sabe pelo seu neto que Naomi era constantemente vítima de bullying na escola. Hester pede a Wilde - com quem partilha uma ligação trágica - para usar a sua capacidade única para encontrar Naomi.

Wilde não pode ignorar o desaparecimento daquela adolescente mas, para conseguir encontrar Naomi, tem de aventurar-se de novo no seio da comunidade, um lugar onde os poderosos são protegidos, mesmo quando guardam segredos que podem destruir a vida de milhões - segredos que Wilde tem de desvendar antes que seja demasiado tarde.

A minha opinião: 
Gosto imenso de Harlan Coben e, normalmente, os seus livros são sinónimo de uma boa leitura. Infelizmente, não foi isso que aconteceu com esta novidade.

Colocando o autor num patamar elevado é normal que aconteça haver uma leitura que não nos encha as medidas tal como estávamos à espera.

Wilde desconhece o seu passado. Conhecido como Rapaz do Bosque porque foi encontrado sozinho numa floresta, aparentando ter vivido alguns anos assim, sem que ninguém o tivesse reclamado. Por isso mesmo Wilde é uma alma solitária.

Mantém relações com os habitantes de uma pequena localidade, sobretudo com uma família influente.
E é aqui que a história começa.

Mathew, o filho do seu falecido amigo David, procura-o para que este o ajude a encontrar a sua colega de escola Naomi. Vítima de bullying por parte de todos os colegas, Naomi desaparece sem deixar rasto e parece que ninguém se importa com tal facto.

O que terá acontecido com a jovem?

Wilde depressa consegue perceber o que se passa, mas num instante outra história se sobrepõe, com o desaparecimento de um outro jovem. E se pensava que a história iria melhorar, acabou por enfraquecer devido ao ritmo que a narrativa levou. A história e o motivo que leva ao desaparecimento de Crash, um rapaz bastante rico e mimado, não foi nada de surpreendente, tirando um momento ou outro que me fez gostar um bocadinho mais do livro. No entanto, não serviu para ter adorado a sua leitura tendo que atribuir 3,5*





domingo, 28 de março de 2021

Segredo Mortal - Bruno M. Franco [Opinião]

Título: Segredo Mortal
Autor: Bruno M. Franco
Editor: Cultura Editora
N.º de Páginas: 488

Sinopse: 
Na véspera de Natal, cheias massivas submergem o centro de Lisboa, causando danos incalculáveis e centenas de mortes. Designada por Desastre de Lisboa, a catástrofe é atribuída ao aquecimento global. Mas terá resultado realmente das alterações climáticas?
Um cenário aterrador é descoberto numa praia. Chamados a intervir, Leonardo Rosa e Marta Mateus, inspetores da Polícia Judiciária, deparam-se com a mais tortuosa perversidade: Um puzzle humano.
Iniciando uma caça ao homem, descobrem o perfil de um assassino, perigoso e inteligente, que desafia as capacidades dos inspetores. Assombrado pelos seus próprios fantasmas, Leonardo Rosa terá de ultrapassar barreiras para conseguir chegar à verdade: A descoberta de um segredo incrível.

Entretanto, um jovem recém-licenciado é acusado de dois crimes que ele jura não ter cometido. Encurralado, decide fugir e provar a sua inocência, mas logo se envolve numa teia de acontecimentos que o leva a uma conclusão terrível: Matar é a única forma de sobreviver. Em busca de justiça e da verdade, vários acontecimentos sangrentos levam os inspetores e o jovem a embrenharem-se na maior conspiração de todas. Conseguirão sair dela vivos?

A minha opinião: 
Na véspera de Natal cheias massivas assolam a cidade de Lisboa causando mais de 800 mortes e levando a um rasto de destruição. 

A par disso, uma outra tragédia está prestes a ser descoberta. Numa praia não muito distante é descoberto um corpo desmembrado que rapidamente se percebe ser constituído por partes do corpo de diferentes pessoas.

É aqui que entra a dupla Leonardo Rosa e Marta Mateus (que espero ver em livros futuros) mostrando ser bastante eficientes a descobrir as diversas pistas deixadas pelo assassino. 

Este não é um assassino qualquer. Sádico e sem quaisquer remorsos, vai deixar as mentes mais sensíveis bastante impressionadas. Portanto, este não é um livro para todos já que tem descrições bastante impressionáveis, bem ao jeito de assassinos em série norte-americanos ou da Europa de Leste. 

Portanto, estamos perante dois mistérios. Quem são as vítimas e quem está por detrás das suas mortes e a tempestade que assolou apenas Lisboa causando um rasto de destruição. O último é um mistério que faz o leitor pensar no futuro e no poder da ciência. Este é um tema que não me é desconhecido, mas que julgo estar cada vez mais próximo de acontecer, caso caia nas mãos erradas. 

Bruno Franco escreve bem, cria bons enredos, mas senti, por vezes, que se estendeu em demasia, criando diversas situações desnecessárias para o desenrolar da história. 

No entanto, os diversos twist's agradam o leitor, que acaba por se ver enganado e surpreendido pelo desenvolvimento da investigação. E isso é que faz com que este livro seja fantástico. Os capítulos curtos também imprimem ritmo à acção e a dupla de detectives também funciona bastante bem. As quesílias e atritos com polícias de outra jurisdição também são engraçadas, causando um cenário mais real. 

Bruno Franco não me é de todo desconhecido. Em 2015 li Contagem Decrescente que me deixou muito surpreendida pela maturidade da escrita para um escritor tão jovem. Infelizmente este livro não teve continuação deixando-me um amargo de boca. Gostei tanto da história que desejava que este fosse virar série. Portanto, foi com agrado que soube que o autor ia publicar novamente, criando imensas expetativas que não foram defraudadas. 

É importante escrever em Portugal, mas também é importante dar voz e oportunidade a novos autores e aí o mérito cabe à Cultura Editora que tem feito um excelente trabalho nesse sentido. É só ver os autores do seu catálogo que o comprovam.











sexta-feira, 26 de março de 2021

Regresso a Casa - José Luís Peixoto [Opinião]

Título: Regresso a Casa
Autor: José Luís Peixoto
Editor: Quetzal Editores
N.º de Páginas: 120

Sinopse: 
Intimidade, confissões, família, memória e pacificação: assim é o novo livro de poemas de José Luís Peixoto.

O novo livro de José Luís Peixoto fala-nos das quatro paredes de uma casa - e de todas as suas recordações em tempo de pandemia. Evoca a solidão, o isolamento, as portas fechadas, mas também a solidariedade das recordações: a mãe, o pai, os aromas, a família, a aldeia, o amor. Há espaço para a recordação da infância como para a peregrinação pelo mundo inteiro, como um Ulisses em viagem perpétua, rodeado de objetos próximos e voltado para dentro, para o lugar onde se regressa sempre: a casa.

«As estantes são ruas. Os livros são casas onde podemos entrar ou que podemos imaginar a partir de fora. Há livros que visitámos e há livros onde vivemos durante certas idades, conhecemos cada uma das suas divisões, trancámo-nos por dentro.
Fomos jovens durante tantos capítulos mas, de repente, um dia, apercebemo-nos de que restavam cada vez menos páginas entre o polegar e o indicador.»

A minha opinião:
José Luís Peixoto, um dos meus autores favoritos, fala-nos através das quatro paredes de uma casa. Recorda o tempo em que era livre para viajar, do tempo com o seu pai, da sua família, dos tradutores, do amor. 

Este é um livro aberto sobre o que pensa, sobre a solidão, sobre o confinamento. 

Comecei a leitura deste livro ainda no ano passado e a minha vontade era não terminá-lo. Não porque não estivesse a gostar, mas sobretudo por isso, porque estava a gostar muito. Cada página era uma descoberta. Este é, pois, um livro de poesia que agardará a muitos, onde muitos outros se irão rever. Um livro para se ir lendo, saboreando como se fosse a nossa própria vida ali explanada. 

Leiam. Leiam mais poesia. Leiam boa poesia.