quarta-feira, 14 de julho de 2021

Beartown - Fredrik Backman [Opinião]

 

Título: Beartown
Autor: Fredrik Backman
Editor: Porto Editora 
N.º de Páginas: 424

Sinopse: 
As pessoas dizem que Björnstad, a Cidade do Urso, está acabada. A pequena localidade aninhada nas profundezas da floresta tem vindo lentamente a perder terreno para as árvores, sempre invasoras. Mas junto ao lago existe um velho rinque, construído há gerações pelos trabalhadores que fundaram a cidade. E esse rinque é o motivo pelo qual as pessoas acreditam que o dia de amanhã será melhor do que o de hoje. A equipa de juniores de hóquei no gelo está prestes a competir nas meias-finais nacionais e tem realmente hipóteses de vencer. Todas as esperanças e sonhos deste lugar repousam agora sobre os ombros de uma mão-cheia de rapazes adolescentes.

Mas ser o responsável pelas ambições da povoação inteira é um fardo pesado, e o jogo das meias-finais torna-se o catalisador de um ato violento, que traumatizará uma rapariga e deixará Björnstad em pé de guerra. São feitas acusações que, como uma pedrada no charco, percorrem a cidade, afetando todos.

Beartown explora os grandes desejos que unem uma comunidade pequena, os segredos que a separam e a coragem necessária para um indivíduo lutar contra a corrente.






Desde que li A Minha Avó Pede Desculpas há uns três anos que fiquei fã da escrita e das personagens peculiares criadas por Fredrik Backman. 

E era isso que estava à espera quando peguei em Beartown, mas, apesar de não ter encontrado nada disso no mais recente livro do autor sueco, encontrei muito mais. Backman dá-nos a conhecer uma cidade que vive para uma única modalidade desportiva. E não, não é o futebol. 

Em Björnstad todos são aficionados pelo hóquei no gelo, ao ponto de serem completamente fanáticos. Esta é a modalidade que une a pequena comunidade existente no local e todos vivem para o hóquei, de tal forma que tudo gira à volta do torneio das meias-finais nacionais que se vão realizar. 

Mas como bem sabemos e vamos constatando ao longo do livro, tudo o que vira um obsessão e fanatismo pode trazer outros dissabores e um acontecimento dramático vai colocar em causa tudo aquilo em que acreditam. 

Um ato violento vai chocar e dividir a pequena comunidade que vai começar a tirar partidos mesmo sem saber ao certo o que se passou. 

Björnstad é uma pequena localidade, cuja maioria da população é idosa, com ideias fixas e com tradições muito vincadas. A juntar a isso famílias influentes, que abusam do poder instituído achando que estão acima de tudo, o racismo e homofobia, a violência sobre as mulheres, tudo isso será vivenciado pelo leitor ao longo de mais de 400 páginas e isso vai incomodando. 
Isto porque à primeira vista, ou primeira leitura estamos a achar que vamos ler um romance sobre o hóquei no gelo, e vai-nos sendo apresentado muito mais que isso, que nos coloca numa dualidade: espectador e juíz. 

Mais uma vez um livro soberbo. 










sexta-feira, 9 de julho de 2021

Rapariga A - Abigail Dean [Opinião]

 

Título: Rapariga A
Autor: Abigail Dean
Editor: Editorial Presença
N.º de Páginas: 336

Sinopse: 
«- a Rapariga a - disse ela. - a rapariga que conseguiu fugir. Se havia alguém capaz de singrar, esse alguém eras tu.»

Lex Gracie não quer pensar na família. Não quer pensar no que foi crescer na Casa dos Horrores dos seus pais. E não quer pensar na sua identidade como Rapariga A: a rapariga que conseguiu fugir. Mas quando a mãe morre na prisão, deixando-lhe a ela e aos irmãos a casa de família, Lex não tem como continuar a fugir do passado. Juntamente com a sua irmã Evie, está decidida a transformar a Casa dos Horrores numa força do bem. Mas primeiro tem de se reconciliar com os seis irmãos - e com a infância que partilharam.

O que começa por ser uma impressionante história de fuga transforma-se num thriller psicológico e familiar que nos envolve completamente: pelas traições e alianças entre os irmãos, o periclitante equilíbrio de forças que regula os laços entre eles e os segredos que guardam uns dos outros e escondem de si próprios.

Quem são estes irmãos agora?
De que forma as suas memórias desafiam e alimentam as memórias de Lex, a Rapariga A?
À medida que avançamos para o final, a força, os tentáculos e o mistério da mitologia familiar revelam a sua verdadeira natureza e descobrimos, com Lex, quem pode realmente… libertar-se.








Logo que li a sinopse constatei que este era livro para mim. Imaginem um Casa de Horrores, cujos pais têm em cativeiro os seus sete filhos. Uma história muito recente depressa nos vem à memória: David e Louise Turpin e os seus 13 filhos. 
Abigail Dean baseou-se nesta e noutras histórias semelhantes para escrever este livro, e apesar de bastante conhecidas, posso dizer que fiquei chocada com algumas partes do livro. Mesmo sabendo ser ficção. 

Quem, pai ou mãe, come descansado, deixando os filhos morrer praticamente à fome? Quem, em nome de uma crença qualquer, os coloca em cativeiro, não os deixando conviver com ninguém, nem com eles próprios? É que além de estar presos nos quartos, o pai também os acorrentava com medo que tentassem a fuga. 
E mais não adianto. 

Lex, ou Rapariga A, dá voz e rosto a muitas raparigas que foram e continuam a ser vítimas de homens (na sua maioria) pérfidos e desumanos, que as aprisionam.
E quando esses homens fazem parte da nossa família, como os nossos pais, a história é ainda mais macabra. 

No começo, somos brindados com a notícia de que a mãe de Lex morreu na prisão. Pouco nos é dado a conhecer a não ser que tanto Lex como os irmãos não querem reclamar o corpo. 

Mas é quando Lex decide visitar um a um para lhes falar sobre o testamento, que vamos percebendo o que é que estes sete elementos padeceram sob o teto deste casal muito estranho. 

E caso, não fosse a força e vontade de Lex em querer sair daquela situação, todos poderiam ter um desfecho bem mais triste. 

Depois, há ainda a parte da redescoberta da vida. De uma vida que se quer normal. O que se passa depois de um desfecho tão trágico? Para onde vão estas crianças? São divididas? Manterão o contacto? 

É isso tudo que vamos lendo no livro de estreia de Abigail Dean. Um livro bem estruturado, com várias alusões ao passado que nos vão colocando no papel das personagens, mas com o presente também como referência. 

Gostei imenso e só posso recomendar. 






segunda-feira, 5 de julho de 2021

Fiona & Lucifera - Fiona [Opinião]

 

Título: Fiona & Lucifera
Autor: Fiona
Editor: Ideias de Ler
N.º de Páginas: 128







Sónia Cântara dá voz à personagem Fiona, a mãe adoptiva de dois gatos. Fera, o mais velho e experiente é um gato resmungão, mas realista e a mais novinha, ainda ingénua é a Lucy. Esta premissa já fez comprar o livro, não fosse eu mãe adoptiva de duas gatinhas. 
São 128 páginas de banda desenhada, que nos vão contando o dia a dia destes dois gatinhos, mas também reflecte sobre o nosso dia a dia, desde a Covid até aos relacionamentos amorosos, quer da dona, quer da Lucy. 
De destacar as ilustrações brilhantes da autora e as tiradas sarcásticas de Fera, cheias de humor negro, que muito me encantaram. 










domingo, 4 de julho de 2021

A Mão que Mata - Lourenço Seruya [Opinião]

 

Título: A Mão que Mata
Autor: Lourenço Seruya
Editor: Cultura Editora
N.º de Páginas: 320

Sinopse: 
Numa fria manhã de inverno, é encontrado um cadáver numa mansão na Serra de Sintra.
A família Ávila estava aí reunida para formalizar as partilhas patrimoniais, na sequência do falecimento do patriarca e jamais imaginava que o processo seria interrompido daquela forma.
O Inspetor Bruno Saraiva e a sua brigada da PJ são chamados a investigar, deparando-se com um caso peculiar: a vítima não era propriamente adorada pelos familiares, mas também ninguém tinha motivos para a querer morta. Terá o homicídio resultado de um assalto?

As opiniões dividem-se e a família Ávila não parece muito disposta a colaborar com a polícia.
Até que é encontrado um segundo cadáver na mansão…

Bruno Saraiva não tem dúvidas que o assassino está naquela casa, mas não tem ninguém que o apoie nesta teoria. Sem provas concretas que sustentem a sua crença, o Inspetor faz uma viagem-relâmpago a uma aldeia do Norte. Aí, toma conhecimento de uma informação que o põe no encalço do assassino: alguém que está disposto a tudo para esconder um terrível segredo.



O autor é fã de Agatha Christie e isso nota-se logo no início do seu livro. Um corpo é encontrado numa mansão e o assassino terá de ser um dos elementos da família Ávila ou então os criados. 
Numa altura em que todos se reuniram para formalizar as partilhas, a tia destes acaba por aparecer, assassinada, na sala. Tal situação gera suspeitas em cada um deles, até porque este membro da família não era adorado por ninguém. 

Os familiares veem assim interrompidos os seus intentos e terão de chamar a PJ por forma a averiguar o caso o mais urgente possível. A teoria de assalto vem à tona, mas Bruno Saraiva, inspector encarregue do caso, não acha muito plausível e começa a escrutinar tudo à sua volta. E é aqui que começamos a conhecer os segredos de cada um dos casais, assim como os possíveis motivos para quererem a sua tia morta. 

Qual Poirot, Bruno Saraiva mostra-se um detective seguro e com vontade de descobrir o crime sem quaisquer falhas. 

Sintra com o seu quê de misterioso e sombrio, volta a remeter-nos para os policiais de Christie, que adoro, assim como a narrativa cinematográfica, que faz com que estejamos a "entrar" em cena, como se nós próprios fizemos parte das personagens. 

E foi isso que mais gostei neste primeiro livro de Lourenço Seruya que nos brinda com uma narrativa fluída, sem espaços mortos ou "enchimento de chouriços". Ao mesmo tempo cria várias perspectivas dos acontecimentos, que nos fazem recair num suspeito numa primeira instância, para depressa mudarmos de opinião noutra ocasião. 

Pela forma como a personagem principal foi criada, dá-nos ainda a impressão que Bruno Saraiva vai continuar com as suas investigações, para deleite daqueles que apreciaram o seu primeiro livro, como foi o meu caso. 









O Amigo das Sombras - Alex North [Opinião]

 

Título: O Amigo das Sombras
Autor: Alex North
Editor: TopSellerI
N.º de Páginas: 320

Sinopse: 
Uma história terrível regressou do passado. Uma história que está a ceifar vidas. Uma após a outra.
Há 25 anos, Charlie Crabtree, um adolescente de sorriso sinistro e imaginação sombria, cometeu um homicídio tão chocante que atraiu um estranho tipo de infâmia, daqueles que só existem nos recantos mais obscuros da Internet. Agora, tudo aponta para que alguém tenha cometido um crime inspirado no seu.

Paul Adams lembra-se demasiado bem do caso: Crabtree e a vítima eram seus amigos. Apesar de sentimentos de culpa terem levado Paul a abandonar a sua aldeia natal, a idade avançada e o estado de saúde da mãe forçam-no a regressar. E é nessa altura que as coisas começam a correr mal.

A mãe, confusa e angustiada, insiste que está alguém em casa. Outro crime tem lugar. E alguém começa a seguir Paul. Todos estes acontecimentos o fazem relembrar a coisa mais inquietante daquele dia terrível ocorrido 25 anos antes. Não foi apenas o homicídio brutal. Foi o facto de, depois disso, Charlie Crabtree ter desaparecido sem deixar rasto...

A minha opinião: 
Presente: Paul Adams decide regressar à sua terra natal após 25 anos. A sua mãe, que nunca mais viu, está a morrer e Paul precisa de se despedir dela.

O que se passou há 25 anos na pequena localidade onde Paul nasceu chocou toda a comunidade, e o trauma do que se passou afastou para sempre o jovem dali. Paul é agora um adulto mais ou menos resolvido com a vida, mas o passado parece estar a vir outra vez às suas memórias, até porque um assassinato recente é muito semelhante ao que se passou quando era adolescente.


Há 25 anos Charlie cometeu um homicídio chocante, na pequena localidade e Paul, que fazia parte do seu grupo ficou bastante abalado, até porque a vítima também era uma pessoa que lhe era bastante próxima.

Depois do êxito O Homem dos Sussurros, ao qual dei 4 estrelas, Alex North regressa com O Amigo das Sombras e repete a mesma fórmula.

Gosto de todo o lado sombrio que o autor coloca nos seus livros, a par com o mistério e com histórias do passado. No entanto, não é daqueles livros que nos fazem querer ler até não parar, coisa que aprecio neste género de livros. Curiosamente, acabei por gostar mais deste livro do que do anterior, apesar de não ter criado empatia com Paul, cujo desinteresse pela mãe não conseguiu entender.






O Vício dos Livros - Afonso Cruz [Opinião]

 

Título: O Vício dos Livros
Autor: Afonso Cruz
Editor: Companhia das Letras
N.º de Páginas: 128

Sinopse: 
Na biblioteca do faraó Ramsés II estava escrito por cima da porta de entrada: «Casa para terapia da alma». É o mais antigo mote bibliotecário. De facto, os livros completam-nos e oferecem-nos múltiplas vidas. São seres pacientes e generosos. Imóveis nas suas prateleiras, com uma espantosa resignação, podem esperar décadas ou séculos por um leitor.

Somos histórias, e os livros são uma das nossas vozes possíveis (um leitor é, mal abre um livro, um autor: ler é uma maneira de nos escrevermos).

Nesta deliciosa colheita de relatos históricos e curiosidades literárias, de reflexões e memórias pessoais, Afonso Cruz dialoga com várias obras, outros tantos escritores e todos os leitores.

Este é, evidentemente, um livro para quem tem o vício dos livros.

A minha opinião: 
O Vício dos Livros é um livro para degustar. Através de algumas passagens históricas e algumas curiosidades literárias Afonso Cruz deleita o leitor com a sua escrita soberba. Este é um livro para quem tem o vício dos livros, mas também para aqueles que estão a iniciar o gosto pela leitura. Até porque há sempre tempo para ler um livro.





quinta-feira, 1 de julho de 2021

O Dilema - B. A. Paris [Opinião]

 

Título: O Dilema
Autor: B. A. Paris
Editor: Editorial Presença
N.º de Páginas: 312

Sinopse: 
Livia faz quarenta anos e vai dar uma festa de arromba para compensar a do casamento, que nunca chegou a acontecer. Vão estar presentes todas as pessoas de quem mais gosta, exceto a filha, Marnie, que está a estudar no estrangeiro. Contudo, embora Livia adore Marnie, está secretamente satisfeita por a filha não poder estar presente. Livia tem de contar a Adam algo sobre a filha de ambos, mas está à espera do fim da festa para poderem desfrutar deste último momento de felicidade.

Adam quer que tudo seja perfeito para Livia e, por isso, combinou com Marnie a sua vinda a casa para surpreender a mãe no dia do aniversário. Durante o dia, Adam recebe uma notícia terrível. Tem de a contar a Livia, porque a festa não pode acontecer. Mas ela está tão feliz, tão entusiasmada… e os convidados estão prestes a chegar.

Neste livro de tirar o fôlego e partir o coração, acompanhamos o dia que irá mudar a história desta família para sempre. Até onde podemos ir para dar mais algumas horas - as últimas - de felicidade a quem amamos?

A minha opinião: 
Tenho um misto de sentimentos em relação a este livro e à autora. BA Paris escreveu um dos melhores thrillers que já li, “Ao Fechar a Porta” e, sempre que sai um livro dela, fico muito curiosa. Porém, nunca mais conseguiu arrebatar-me como com o primeiro e temo que a cada livro que passe o interesse por ela tenda a diminuir.

Em O Dilema conhecemos uma família dita normal. Lívia, uma mulher de 40 anos que sonha com uma grande festa. Desgostosa por nunca ter tido uma festa de casamento, Lívia começa a poupar para a festa do seu 40.º aniversário, de forma a que este seja memorável. Vai reunir todas as pessoas que mais gosta, mas a filha não vai conseguir estar presente já que se encontra a estudar fora.

Durante apenas um dia vamos viver o sonho juntamente com Lívia, mas o pesadelo em que vive Adam o seu marido também estará sempre presente. Isto que porque Adam esconde um terrível segredo que, caso seja descoberto, destruirá para sempre o seu dia. E o dilema será mesmo esse. Até que ponto iria para não destruir o sonho de alguém que ama. Até que ponto conseguiria aguentar um segredo que devastaria toda a gente à sua volta.

Ao longo do livro vamos sofrendo juntamente com Adam, que ama incondicionalmente a sua família. Mas será que este segredo não irá destruir tudo?

Gostei imenso da forma como BA Paris contruiu toda esta história, e a carga dramática que lhe incutiu. Do que não gostei foi do pouco desenvolvimento que ela lhe deu, tornando livro um pouco monótono e com pouco ritmo.





Instinto - Ashley Audrain [Opinião]

Título: Instinto
Autor:  Ashley Audrain
Editor: Suma de Letras
N.º de Páginas: 344

Sinopse: 

Blythe Connor está determinada a ser a mãe afectuosa e solidária que nunca teve. No entanto, no auge dos esgotantes primeiros dias de maternidade, Blythe convence-se de que alguma coisa não está bem com Violet.


Com o passar do tempo, a sensação agrava-se: a filha é distante, rejeita o afecto e revela-se cada vez mais perturbadora. Ou estará tudo apenas na cabeça de Blythe?

O marido diz que ela está a imaginar coisas. Quanto mais Fox ignora os seus receios, mais ela se questiona sobre a sua própria sanidade mental.

Quando nasce o filho mais novo, tudo parece melhorar: Blythe sente com Sam a ligação que sempre imaginou; Violet acalma e parece adorar o irmão mais novo.

Mas, de repente, tudo muda e Blythe não poderá mais ignorar a verdade sobre o seu passado e sobre a sua filha. Onde está a verdade quando tudo tem duas caras?

A minha opinião:
Este é um livro que mexe connosco, sobretudo se o leitor é mulher. Quando nasce um filho há logo uma relação de amor de mãe? Será que o instinto materno surge logo que damos à luz?

Depois de algum tempo casados, Blythe e Fox decidem dar mais um passo na relação e ter um bebé. Blythe deseja ser a mãe que nunca teve, mas assim que o bebé nasce o sentimento de amor materno não surge e, depois do que me parece ser uma depressão pós-parto, Blythe começa a perceber que algo de estranho se passa com a sua filha.

Incapaz de conseguir criar laços com ela, já que Violet também parece não se sentir à vontade com a mãe, a relação de ambas torna-se cada vez mais distante, ao passo que o relacionamento com o pai se torna cada vez mais fortalecido.
 
Até que nasce um segundo filho e tudo parece mudar. A relação de Blythe com Sam é totalmente diferente e até Violet parece estar mudada, mas de repente algo vai acontecer...
 
Vamos ver esta história de várias perspectivas. Contada na segunda pessoa pela protagonista, numa espécie de carta que deixa ao seu marido, na primeira pessoa, narrado por Violet, e na terceira pessoa contado pela avó e mãe de Blythe, o que nos faz entrar melhor na história e perceber o que se passa bem para lá dela.

Esta é uma história que agarra o leito e que coloca questões sobre a maternidade, o que é se mãe, colocando as mulheres permanentemente à prova.

Apesar de não ter tido um final surpreendente este é um livro marcante.


 


terça-feira, 15 de junho de 2021

Luto - Eduardo Halfon [Opinião]

 

Título: Luto
Autor: Eduardo Halfon
Editor: Dom Quixote
N.º de Páginas: 112

Sinopse: 
Prémio do Melhor Livro Estrangeiro (França)
Prémio Edward Lewis Wallant (EUA)
Prémio Internacional do Livro Latino (EUA)
Prémio das Livrarias de Navarra (Espanha)

Halfon viaja até à velha casa dos avós, nas margens do lago de Amatitlán, onde em criança costumava passar os fins de semana antes de a família se transferir para a Florida, devido à violenta situação política vivida na Guatemala em princípios da década de 1980. A partir do momento em que pisa o Amatitlán, tudo aquilo que o cerca desencadeia um turbilhão de memórias de infância — algumas ligadas à sua infância na Guatemala, outras dos primeiros anos passados nos Estados Unidos.

Em subtis mas magistrais pinceladas, as recordações de Halfon vão-se conjugando aos poucos para desvendar segredos familiares profundos: a história de Salomón ou, talvez mais rigorosamente, a ausência dessa história, uma vez que ninguém na família falava abertamente dele. E aos poucos começamos a ver as informações dispersas que Halfon conseguiu reunir em criança.

Com Luto, traduzido por José Teixeira de Aguilar, Eduardo Halfon regressa ao universo que tem vindo a construir há anos em torno da personagem chamada Eduardo Halfon — que pode ou não ser o autor — e da história da sua família. Desta feita, centra-se no lado paterno da família: emigrantes judeus libaneses que se radicaram nos Estados Unidos e na Guatemala.

A minha opinião: 
Este multipremiado romance foi para mim uma desilusão. Achei o livro confuso e pouco atrativo, apesar da sinopse e da capa tentadoras.
 
Vamos acompanhar Halfon ao local onde, em criança, costumava passar os fins de semana. O Lago Amatitlan, na Guatemala, desencadeia um sem número de recordações ao protagonista, que teve de sair do país, ainda em pequeno, devido à situação política vivida no início da década de 80.



 
O segredo que a família guarda sobre a morte do seu tio Salomón vai fazer com que Halfon viaje até ao seu país Natal e, em pequenos fragmentos, comece a recordar a sua infância, mas também toda a situação pela qual passaram os judeus libaneses na Guatemala que tiveram de fugir para os Estados Unidos.




segunda-feira, 14 de junho de 2021

Os Passageiros - John Marrs [Opinião]

 

Título: Os Passageiros
Autor: John Marrs
Editor: TopSeller
N.º de Páginas: 416

Sinopse: 
Seria capaz de escolher que vida salvar?

Num futuro próximo, em que os veículos sem condutor já são comuns e considerados muito seguros, um pirata informático apodera-se do sistema operativo de oito carros, altera o destino programado e avisa os seus passageiros de que irão morrer dentro de horas.

A comissão constituída para avaliar acidentes com este tipo de veículos automáticos vê-se agora confrontada com uma missão muito mais difícil: seguindo as instruções do Hacker, terá de entrevistar cada um dos passageiros e decidir qual deles salvar. Câmaras ocultas nos carros asseguram uma transmissão mundial através das redes sociais e permitem acompanhar em direto o terror dos passageiros.

O Hacker parece saber tudo sobre os intervenientes, e, à medida que mais informações são reveladas sobre cada um deles, esta decisão difícil parece tornar-se impossível. Afinal, até que ponto permitimos que as primeiras impressões determinem o que pensamos acerca de alguém?

A minha opinião: 
Almas Gémeas foi uma das melhores leituras que tive recentemente pelo que a curiosidade por outros livros de John Marrs era muito grande.

O autor tem a particularidade de nos fazer pensar nas vantagens e desvantagens do avanço tecnológico e de como o mesmo pode controlar as nossas vidas.

Se em Almas Gémeas uma empresa consegue saber quem é o nosso par ideal, a nossa alma gémea, através da análise do nosso ADN com um conjunto de outros fatores, neste caso Mars cria um automóvel controlado por um computador em que o condutor é mero passageiro, tendo apenas de dizer qual o local para onde se quer dirigir.

O pior é quando o sistema do carro é pirateado e o Hacker altera o destino de oito passageiros, informando-os que vão morrer dentro de duas horas.

A missão de salvar os passageiros e escolher quais irão morrer cabe, sobretudo à comissão constituída para avaliar acidentes de veículos automáticos, que acaba por se ver envolvida numa grande responsabilidade.

Entre os passageiros encontra-se uma mulher grávida, uma atriz veterana, uma mãe de cinco crianças, um veterano de guerra, entre outros cujas vidas, à primeira impressão, podem levar a comissão a optar pelo destino trágico de uns.

Apesar de não me ter arrebatado quanto o primeiro livro que li do autor, só posso recomendar a sua leitura.




Antes que o Café Arrefeça - Toshikazu Kawaguchi [Opinião]

 

Título: Antes que o Café Arrefeça
Autor: Toshikazu Kawaguchi
Editor: Editorial Presença
N.º de Páginas: 184

Sinopse: 
O que faria se pudesse voltar atrás no tempo?
Um romance tocante e inspirador.

Um rumor circula por Tóquio. Escondido num pequeno beco da cidade, dentro de uma cave, há um café com mais de cem anos. Com uma chávena bem quente, se nos sentarmos no lugar certo, oferecem-nos algo mais: a hipótese de voltar ao passado. Em Antes Que o Café Arrefeça, acompanhamos as viagens de quatro mulheres que procuram regressar a momentos determinantes das suas vidas para os mudar: falar com o namorado que partiu, ler a carta do marido com Alzheimer, ver a irmã pela última vez e conhecer a filha que nunca viu. Mas as viagens no tempo têm condições e riscos… e nada do que façam vai alterar o presente.

Uma mesa, um café e uma decisão.
Uma história sobre o amor, o tempo perdido e as oportunidades que o futuro nos reserva.

A minha opinião: 
O que faria se pudesse voltar atrás no tempo? Todos nós, em algumas alturas da vida, nos questionamos sobre isso.

Baseado nesta premissa vamos conhecer quatro pessoas, cada uma com um motivo diferente de regressar, por breves instantes, ao passado.

Um café com mais de 100 anos tem a particularidade ou o dom de teletransportar os clientes para uma ocasião do passado. Mas, para isso, têm de fazê-lo antes que o café arrefeça, caso contrário, ficarão presos no tempo, como é o caso de um fantasma que lá se encontra.

Nem tudo é fácil para regressar ao passado, mas estas pessoas estão prontas para alcançar os vários obstáculos que possam surgir.

Assim vamos conhecer uma mulher que deseja regressar ao dia em que o namorado se despede dela para abarcar um novo projecto profissional, noutro país. Uma outra que deseja poder ler uma carta que o marido tinha consigo antes de lhe ser diagnosticado Alzheimer. E outras duas, interligadas, que passam pelo desejo de uma mulher estar pela última vez com a sua irmã e ver uma filha que nunca teve oportunidade de conhecer. Talvez por isso, foram as histórias que mais me marcaram.

Se a capa e o título chamativo já fazem com que queiramos trazer este livro para casa, as histórias e a questão que todos nos fazemos um dia, levam a uma leitura magnífica e inesquecível.