sexta-feira, 2 de dezembro de 2022

Isto Começa Aqui - Colleen Hoover [Opinião]

 

Título: Isto Começa Aqui
Autor: Colleen Hoover
Editor: TopSeller
Ano: 2022
N.º de Páginas: 320

Será assim tão simples começar de novo?

Depois do seu reencontro inesperado, Lily e Atlas não conseguem parar de pensar um no outro nem em tudo aquilo por que passaram. Mas uma nova aproximação entre eles poderá não ser tão simples como parece. Lily tem de pensar no bem-estar da filha e na reação de Ryle a uma eventual relação com Atlas.

Atlas também está ciente das dificuldades. Sabe que Ryle não irá aceitar facilmente a sua presença na vida da ex-mulher e da filha e não tem dúvidas de que os problemas de comportamento dele não terminaram com o fim do casamento.

Terão Lily e Atlas força suficiente para enfrentar todos os obstáculos que irão surgir pelo caminho?



🌻Depois de todo o hype em torno de Isto Acaba Aqui, que apenas li este ano, Collen Hoover, acedendo a vários pedidos dos leitores de todo o mundo, decide dar uma continuação e um final feliz a Lily e Atlas.

🧑‍⚕️Parti para a leitura deste livro com bastante curiosidade. Será que consegue superar o livro anterior? Será este bastante inferior ao primeiro? Obviamente que o drama em torno de Lily não é tão intenso como do primeiro livro, até porque esta jovem mulher se encontra separada de Ryle.

🌷 As cicatrizes ainda se encontram muito presentes em Lily, vítima de violência doméstica. Apesar de separada, tem de conviver com Ryle porque este é o pai da sua filha e irmão da sua melhor amiga. Por isso mesmo, ainda não se sente preparada para uma nova relação. No entanto, encontra inesperadamente Atlas e trocam número de telefone. Obviamente que a faísca do passado ainda se encontra lá e não consegue resistir a um encontro com ele.

🧑‍🍳 Atlas também não tem a sua vida facilitada. Homem de sucesso, tem a sua vida pessoal completamente virada do avesso. E neste livro vamos perceber toda a vida de Atlas desde a sua juventude até virar sem abrigo.
Gostei imenso da sequela e acho que foi bastante importante para percebermos melhor Atlas. Ainda gostei mais desta personagem, mostrando ter um imenso fundo de bondade.




Vais Ser a Minha Morte - Karen M. McManus [Opinião]

 

Título: Vais Ser a Minha Morte
Autor: Karen M. McManus
Editor: Edições Gailivro
Ano: 2022
N.º de Páginas: 320

Mantém os teus amigos por perto… e os teus inimigos ainda mais perto!. Ivy, Mateo e Cal costumavam ser amigos. Agora, a única coisa que têm em comum é a escola Carlton High e o início de um dia mau. Ivy perdeu a eleição do Concelho Estudantil para o palhaço da turma e agora sente-se humilhada ao ter de enfrentar a escola.
O galã Mateo sente-se esgotado - tem mantido dois trabalhos desde que o negócio da sua família faliu.

E o forasteiro Cal acabou por adormecer… novamente. Ao chegar ao campus atrasado para a aula, Cal vê Ivy e Mateo juntos e parece-lhe a oportunidade perfeita para transformar um dia que começara mau. Os três decidem baldar-se às aulas para ir até à cidade.
Tudo parece estar a ser como nos velhos tempos, tirando o facto de ficarem sem fala logo ao saírem do parque de estacionamento, porque veem outro aluno de Carlton High a faltar às aulas - e seguem-no até à cena do seu homicídio.

Num ápice, o dia passa de enfadonho a mortal. E está prestes a piorar. Mas Ivy, Mateo e Cal ainda têm algumas coisas em comum. Uma ligação ao rapaz morto e os três escondem alguma coisa.
Agora, todos questionam: será que a reaproximação entre eles afinal não foi um mero acaso?


Na juventude é assim: as amizades vão e vêm e estamos constantemente a fazer novos amigos e a esquecer-nos dos antigos.

🙎Com Ivy, Mateo e Cal aconteceu isso mesmo. Apesar de ainda frequentaram a mesma escola, já nada mais têm em comum. No entanto, Cal decide que aquele é o dia em que devem juntar-se como antigamente e quando vê Ivy e Mateo juntos convence-os a faltar às aulas e terem um dia só para eles.
Ivy alinha, até porque perdeu a eleição para o Conselho Estudantil e não tem vontade nenhuma em estar presente no dia em que o rapaz a vai substituir.

🙎Mateo também é um rapaz com problemas. Depois da mãe ter perdido a casa de bowling e teve de indemnizar um dos seus clientes, Mateo sente-se na obrigação de ajudar a família e acaba por trabalhar arduamente num pub e conciliar os seus estudos.

🙎Já Cal não consegue fazer amigos. É um autêntico solitário.
Mas aquilo que podia ser um dia em grande acaba em tragédia. Os três amigos vêem um colega morto num dos locais para onde se dirigiam e acabam por fugir da cena do crime sem denunciar-se. Pior é que há quem os veja e acabam por ser suspeitos da morte do jovem.

🙎O livro passa-se apenas num dia, e é de um ritmo alucinante onde os três amigos em busca de provar quem estará por detrás do assassinato do colega, acabam por descobrir o que se passou com eles enquanto estiveram separados. E nem tudo são rosas...

✍️Karen McManus é conhecida pelo livro Um de Nós Mente e fez tanto sucesso que já virou série. Apesar de escrever para um público jovem sou fã dos livros da autora norte americana.

📖 Este seu mais recente livro não foi dos melhores. Achei que a história foi um pouco apressada para que se passasse no próprio dia, o que se perdeu um pouco do suspense e suspeitas que o próprio leitor podia ir tendo ao longo do livro. Também não achei que as personagens tivessem muita consistência. Não gostei particularmente de nenhum dos três amigos, não tendo criado empatia com nenhuma das personagens. No entanto, é um livro que se lê bem visto ter bastante ritmo.





A Caixa - Camilla Läckberg e Henrik Fexeus [Opinião]

 

Título: A Caixa
Autor: Camilla Läckberg e Henrik Fexeus
Editor: Suma de Letras
Ano: 2022
N.º de Páginas: 648

Quando uma mulher é encontrada morta numa caixa de madeira, com o corpo perfurado por espadas, a polícia de Estocolmo fica perplexa: é difícil saber se é um truque de magia que acabou em tragédia ou um ritual macabro.

As investigações são confiadas a uma equipa especial: um grupo heterogéneo de agentes selecionados — e alérgicos a procedimentos institucionais —, entre os quais se destaca, pela sua competência como investigadora, Mina Dabiri. É a própria Mina que sugere envolver neste caso o famoso mentalista Vincent Walder, profundo conhecedor da linguagem corporal e do mundo do ilusionismo. Juntos, partem na caça ao assassino, mas a personalidade de ambos, marcada por pequenas e grandes obsessões e segredos indescritíveis, dificulta a investigação, também porque o seu próprio passado acaba por estar perturbadoramente ligado ao caso.

Com o aparecimento de mais um corpo, Mina e Vincent percebem que enfrentam um implacável assassino em série e dão início a uma emocionante corrida contra o tempo, para decifrarem os códigos numéricos e truques de ilusionismo de uma mente brilhante e perversa. Antes que a situação se agrave, a única arma de que dispõem para evitar que o assassino volte a matar é antecipar os seus movimentos: só compreendendo plenamente a sua loucura poderão acabar com ela.

Uma emocionante viagem à parte mais obscura da alma humana e que não deixará nenhum leitor indiferente.


📦 A Caixa traz de volta a rainha do thriller nórdico tal como a conhecia há alguns anos.

🙎 Acompanhada pelo famoso mentalista sueco Henrik Fexeus Camilla Lackberg regressou em força com um policial forte, viciante e muito bem estruturado.
As mais de seiscentas páginas não devem assustar o leitor comum porque o livro lê-se tão bem que nem damos pelas horas passar.

🧑 Tudo tem início quando o corpo de uma mulher é encontrado dentro de uma caixa de madeira digna de um mágico.
A policia de Estocolmo vai formar um grupo não convencional de agentes, onde se Mina Dabiri. Os seus colegas são bastante ecléticos desde um playboy, até um pai de trigémeos perto da exaustão, culminando na ajuda exterior de um mentalista bastante conhecido Vicente Walder, que fará uma dupla incrível com Mina.

🙎A ideia de integrar Vicente é da própria Mina, visto conhecer bastante bem a linguagem corporal, e estar a par do mundo do ilusionismo. Portanto, não haverá ninguém melhor para ajudá-los neste quebra cabeças. Que mente perturbada estará por detrás deste assassinato? Tudo piora quando aparece uma nova vítima com o mesmo modus operandi.

🥷Pleno de truques e enigmas, este livro agradou-me imenso, apesar de não ser completamente fã de ilusionismo. No entanto, achei fantástica a ideia de colocar um mentalista na ajuda da investigação.

🧑‍💼Depois, a equipa toda é bastante humanizada e todos têm um papel de destaque na história. Felizmente, esta é uma história que tem continuação tendo o segundo livro da trilogia sido publicado na Suécia.





A Última Festa - Clare Mackintosh [Opinião]

 

Título: A Última Festa
Autor: Clare Mackintosh
Editor: Cultura Editora
Ano: 2022
N.º de Páginas: 432

Na véspera de Ano Novo, Rhys Lloyd tem a casa cheia de visitas. O seu resort à beira do lago é um sucesso, e ele convidou, generosamente, toda a gente na localidade para beber um copo na companhia dos novos vizinhos ricos. Será a melhor festa de sempre! Mas nem toda a gente aparece para celebrar. À meia-noite, Rhys surge a flutuar, morto, nas águas geladas do lago.

No dia de Ano Novo, a detetive Ffion Morgan tem uma localidade cheia de suspeitos. Aquela pequena comunidade é a sua casa, portanto os suspeitos são os seus vizinhos, amigos, familiares… — e a própria Ffion tem mistérios para proteger.

Com uma mentira descoberta a cada passo, rapidamente o que importa já não é apenas saber quem queria ver Rhys morto, mas quem realmente o matou.


🎊 A Última Festa é o último livro de Clare Mackintosh publicado em Portugal, mas o primeiro de uma série (DC Morgan #1).
A autora, que também já foi polícia, cria sempre histórias interessantes ao ponto de dar aos seus livros (todos os que foram publicados por cá) entre quatro a cinco estrelas.

🥂 A véspera de Ano Novo é propícia a grandes festas de comemoração. Rhys Lloyd, um músico de sucesso e dono de um resort de luxo à beira do lago convida todos os seus vizinhos e comunidade local, mas a noite vai acabar em tragédia e o anfitrião acaba morto, a flutuar nas águas geladas do lago.

🎉 Os primeiros capítulos não me prenderam logo, mas a partir do momento em que a investigação começou a ganhar força o livro também rejuvenesceu.

🍾 Relatado a duas vozes, Ffion e Leo, os dois detectives encarregues do caso, vamos conhecendo mais a fundo a investigação e as diversas personagens presentes na narrativa.

💬 As personagens são muitas, o que leva a que nos perdamos um pouco no quem é quem, mas os relatos entre o passado/presente vão fazer-nos conhecer melhor cada uma delas. E qualquer uma pode ser o assassino já que Rhys não é como inicialmente se pinta.
Ffion está a jogar em casa. Vive na pequena localidade com a mãe e irmã e conhece cada um dos suspeitos, alguns deles com laços familiares com ela. Já Leo é o polícia forasteiro que foi destacado para o local para ajudar na investigação já que são de jurisdições diferentes (galesa/inglesa).

👮A jovem detective é uma mulher forte e determinada, mas esconde alguns segredos do passado que serão revelados ao longo do livro. Já o seu companheiro de trabalho e quiçá algo mais também tem algo que o ensombra: uma ex-mulher que o impede de estar com o filho.

👮 Como este é o primeiro livro de uma série calculo que esta dupla se vai reencontrar mais vezes e evoluir enriquecendo ainda mais as histórias que virão.
Gostei imenso da forma como as personagens se interligam e como a história está relatada sob o ponto de vista dos dois detectives. Clare Mackintosh prova ser uma excelente aposta no género policial.






A Bienal da Tia Matilde - António Botto Quintans [Opinião]

 

Título: A Bienal da Tia Matilde
História de Portugal à La Carte II
Autor: António Botto Quintans
Editor: Editora Guerra & Paz
Ano: 2022
N.º de Páginas: 200

E se os reis de Portugal, os presidentes da Primeira República e figuras mediáticas da actualidade interagissem entre si? A partir de 5 de Outubro de 1910, resolvem encontrar-se, de dois em dois anos, no restaurante Tia Matilde, em Lisboa, para comemorar a independência de Portugal face a Leão e Castela (Tratado de Zamora, 5 de Outubro de 1143).
Ao mesmo tempo que comentam o período político e social que se viveu de 1910 a 1933, no exterior, Inês de Sousa Real vende mirtilos; Florêncio de Almeida, obras de arte; André Ventura, farturas; e Otelo Saraiva de Carvalho, tirinhos.
Enquanto Toy chora copiosamente a traição da sua amada com D. Sebastião, D. Sancho I assume que a Pippi das Meias Altas é sua filha. D. Fernando I aparece ao lado de Eduardo Cabrita, o motorista de José Sócrates envolve-se com a condessa de Bolonha e o cardeal D. Henrique suspira por Lili Caneças.


Este livro veio ter-me às mãos no trabalho. Achei piada ao título e à capa e não resisti a começar a lê-lo.

🤴A história centra-se no Restaurante Tia Matilde, um local que existe na realidade, e onde os reis de Portugal se vão juntando todos os anos no dia 5 de outubro. O primeiro encontro dá-se em 1910, mas com o intuito de comemorar o 5 de outubro de 1143 para comemorar a independência de Portugal.

👸 A partir daí, de dois em dois anos, encontram-se no restaurante emblemático da cidade de Lisboa e reúnem-se com outros chefes de estado e figuras conhecidas da sociedade e cultura portuguesas.
De 1910 a 1933 tratam da primeira república, mas com personalidades contemporâneas como André Ventura, Otelo Saraiva de Carvalho, passando por Toy ou Lili Caneças.

👑 De uma forma divertida e caricatural António Botto Quintans vai contando vários episódios da História de Portugal. Apesar de com doses humorísticas q.b. o rigor histórico não é quebrado. Isso torna este livro ainda mais interessante e rico. Para quem não gosta de ler muito sobre história esta é uma boa forma de ler História sem que esta seja maçadora.

🤴 Pelo correr do livro constatei que o autor tinha um livro anterior, muitas vezes referido neste livro, História de Portugal à La Carte I que fiquei com muita curiosidade de ler.





terça-feira, 8 de novembro de 2022

Todos os Lugares Desfeitos - John Boyne [Opinião]

 

Título: Todos os Lugares Desfeitos
Autor:  John Boyne
Editor: Porto Editora
Ano: 2022
N.º de Páginas: 368

A aguardada sequela do bestseller mundial O Rapaz do Pijama às Riscas
Gretel Fernsby tem 91 anos e vive em Londres há décadas, sempre no mesmo quarteirão de luxo. Leva uma vida confortável e tranquila, apesar do seu passado sombrio. Nunca fala da sua fuga da Alemanha, mais de setenta anos antes. Nunca fala dos anos do pós-guerra, passados em França com a mãe. Sobretudo, nunca fala do pai, o comandante de um dos mais infames campos de concentração nazis.
É então que uma jovem família se muda para o apartamento por baixo do seu, e Gretel acaba por fazer amizade com Henry, o filho do casal, apesar de o seu rosto lhe trazer memórias que ela prefere esquecer. Quando Gretel é confrontada com a escolha entre a sua própria segurança e a de Henry, sabe que está perante a oportunidade de expiar a sua culpa, mesmo que isso a obrigue a revelar os segredos que passou a vida a proteger.
Todos os lugares desfeitos é uma história devastadora e imensamente bela sobre uma mulher marcada por um terrível passado e por um presente onde nunca é tarde para a coragem e para a redenção.


14 anos depois do sucesso do Rapaz de Pijama às Riscas, John Boyne aventura-se na sequela daquele que foi um emblemático livro sobre o Holocausto.

Portanto, foi também há 14 anos que li o livro e que vi, posteriormente o filme, e recordo o quanto me marcou. Saber que a sequela ia ser publicada por cá deixou-me deveras feliz, porque estava muito curiosa em saber o que John Boyne ia fazer com as personagens que sobreviveram.

O autor decidiu humanizar Gretel a filha de um dos oficiais nazis mais atrozes, e irmã de Bruno, o menino que fez amizade com o rapaz de pijama às riscas. E esteve bem. Os filhos não têm de sofrer pelas atrocidades que os pai fazem, embora sofram sempre danos colaterais. Durante toda a narrativa vamos percebendo isso.

Apesar de todo o passado reprovável que viveu na companhia dos pais, Gretel consegue sobreviver à queda do regime nazi e foge da Alemanha na companhia da mãe.

Agora, com uns provectos 91 anos, Gretel é uma outra mulher. Leva uma vida boa, tranquila, num dos prédios mais chiques de Inglaterra, mas a vinda de um jovem casal para o apartamento debaixo do seu vai trazer de volta os tormentos do passado. Henry, filho do casal, traz memórias que Gretel deseja esquecer, mas quando a segurança da criança é colocada em causa, Gretel não se coíbe de colocar a nu os seus segredos mais sombrios.

Gretel é uma mulher extraordinária. Cúmplice das atrocidades dos nazis, mais por não as ter denunciado do que propriamente por tê-las cometido, até porque era uma pequena adolescente, esta mulher nunca se perdoou pelo que o seu pai fez ao povo judeu. A par disso, a morte do seu irmão Bruno sempre a atormentou e ao longo do livro vamos percebendo porquê.


Uma história comovente e que tem o condão de prender o leitor até à última página.


Adorei.




Melancholia - Francisco José Viegas [Opinião]

 

Título: Melancholia
Autor: Francisco José Viegas
Editor: Porto Editora
Ano: 2022
N.º de Páginas: 336

Ao longo de um ano, entre um encontro literário na Póvoa de Varzim e o início da pandemia, ninguém soube do paradeiro de Cristina Pinho Ferraz, escritora extravagante, premiada e temida. Até que, nos jardins românticos do Palácio de Cristal, no Porto, a coberto da copa das árvores, apareceu um corpo enterrado sob a terra, dividido em várias partes.
Porém, a nova investigação do inspetor Jaime Ramos (que entretanto fora substituído na divisão de homicídios) não começa com a descoberta desse cadáver; pelo contrário, obriga-o a recuar no passado, a ouvir testemunhos sobre vaidade, vingança, literatura e ambição, e também histórias de família ou de amor e melancolia.
Enquanto o confinamento se espalha sobre vivos e desaparecidos, Jaime Ramos reconstitui a biografia daquela mulher e a história de uma família e de uma genealogia do poder nas margens da tradição judaica portuense, confrontando-se mais uma vez com as suas obsessões: a ameaça da idade e da memória, a fragilidade dos velhos e a reconstituição do passado. Então, o que poderia ser apenas uma história de inveja e traição entre intelectuais desavindos e cómicos, transforma-se num inquérito sobre a melancolia portuguesa.

Depois de A Luz de Pequim, Melancholia traz o regresso do inspector Jaime Ramos já de todos conhecido.

✍️Francisco José Viegas centra a trama do seu novo romance no encontro literário Correntes d' Escritas, realizado anualmente na Póvoa de Varzim e o início da pandemia.

✍️Apesar de afastado da divisão de homicídios, mas com 31 anos de carreira, Jaime Ramos vai investigar, à revelia, o desaparecimento da escritora premiada Cristina Pinho Ferraz. Tudo se adensa quando nos jardins do Palácio de Cristal é encontrado um corpo, enterrado, mas dividido em várias partes.
Jaime Ramos desconfia que se trata de Cristina e começa a investigação que vai transportar-nos para partes do passado por forma a ouvir os testemunhos das pessoas que privaram com a escritora durante o festival.

✍️O inspector é levado para os meandros da literatura, mundo que nunca se atrevera a visitar, e faz com que se depare com a melancolia inerente ao mundo da escrita e dos escritores.

😷 Numa altura em que a maior parte da população se vê confinada entre quatro paredes, há sempre uma outra parte que tem de sair de sua casa para que o país continue a mexer. Vê-se a dado momento Jaime Ramos a ser interceptado pela polícia, qual criminoso se tratasse, por estar a quebrar as regras do confinamento. Isso aconteceu a muita gente que não pode parar, que se viu "obrigado" a trabalhar para que as coisas se mantivessem mais ou menos normais. Isso foi mesmo a realidade do país, dura e crua.

✍️Francisco José Viegas transporta a própria melancolia da cidade do Porto para o romance, o ego dos escritores, o isolamento a que fomos votados por causa da pandemia, o envelhecimento e a incompreensão por parte dos mais novos que chegam e acham que sabem tudo.

👮Tenho gostado de acompanhar Jaime Ramos, de sentir o seu envelhecimento e as suas dores, o seu gosto atípico pela cidade e pela polícia.
Mais um romance policial a não perder.





segunda-feira, 7 de novembro de 2022

Psicopatas Portugueses - Livro Segundo - Joana Amaral Dias [Opinião]

 

Título: Psicopatas Portugueses - Livro Segundo
+13 Casos de Morte, Perversão e Horror
Autor: Joana Amaral Dias
Editor: Oficina do Livro
N.º de Páginas: 256

Psicopatas Portugueses é o primeiro e único trabalho clínico no nosso país que reúne os principais protagonistas da criminologia portuguesa. Neste segundo volume, que aprofunda mais treze casos arrepiantes - como o da praia do Osso da Baleia, o massacre de Vila Fria, o assassinato de Carlos Castro ou, mais recentemente, crimes cometidos por jovens mulheres como a matricida Diana Fialho, a sinistra dupla Maria Malveiro e Mariana Fonseca ou as irmãs que mataram um recém-nascido à facada -, a psicóloga clínica e criminóloga Joana Amaral Dias prossegue a sua viagem- desconcertante ao abismo escuro das mentes dos homicidas mais perversos de Portugal, fazendo a análise psicológica forense dos assassinos e reconstituindo com minúcia os actos hediondos que protagonizaram.

Apesar da clara incidência na actualidade, Psicopatas Portugueses: LIVRO SEGUNDO faz-nos também recuar até ao século XIX, ao encontro dos impulsos assassinos do último condenado à morte pelos nossos tribunais e, ainda, do tenebroso Dr. Urbino de Freitas, um médico do Porto que matava em vez de salvar vidas


Tal como no seu primeiro livro sobre a temática, Joana Amaral Dias traz-nos mais 13 casos de psicopatas portugueses que nos mostram que actos hediondos não se passam apenas nos Estados Unidos, Brasil, Rússia ou China. Aliás, como a autora afirma a certa altura do livro, uma em cada dez pessoas é psicopata, o que nos leva a pensar que nos podemos cruzar com um deles diariamente.

👉 Se no primeiro livro Joana Amaral Dias fez um trabalho clínico de Luísa de Jesus, talvez a primeira serial killer portuguesa que matou mais de 30 bebés tornando-se na última condenada à morte em Portugal; no Monstro de Beja que assassinou a sua família, inclusive filha e neta; o estripador de Lisboa de que pouco se sabe, neste seu mais recente livro a autora retrata novos casos mediáticos.

👉 O caso da praia do Osso da Baleia, eternizado pelo romance de José Cardoso Pires, até ao mais mediático como o assassinato brutal do assassinato do cronista social Carlos Castro, até aos mais recentes como o de Diana Fialho (matou a mãe adoptiva) e as amigas Maria Malveiro e Mariana Fonseca (assassinaram um amigo em troco de dinheiro), foram casos chocantes que abalaram a comunidade portuguesa.

👉 Contudo, o crime que mais me tocou foi o do assassinato da freira Tona, porque era conhecida da livraria onde trabalho.
De forma sucinta, mas sem deixar de avaliar o criminoso psicologicamente, Joana Amaral Dias apresenta-nos cada um dos criminosos detalhadamente, desde a altura em que cometeram os actos vis até à motivação.

❤️ Gosto deste tipo de narrativas que nos dão a conhecer mais cientificamente cada um destes psicopatas.







Crime antes da Oração da Tarde - Richard Coles [Opinião]

 

Título: Crime antes da Oração da Tarde
Autor: Richard Coles
Editor: Bertrand Editora
N.º de Páginas: 296

Bem-vindos a Champton, uma vila tipicamente inglesa onde a festa anual da flor é o tema de que todos falam. E o convidado especial deste ano é…um assassino.

O cónego Daniel Clement é o pároco de Champton, uma pequena vila no coração de Inglaterra. Serve a comunidade há já oito anos e partilha a casa paroquial com a sua mãe, Audrey, uma viúva obstinada e corajosa, mas ligeiramente irritante, e dois dachshunds, Cosmo e Hilda.

Quando Daniel anuncia do alto do seu púlpito um plano para uma instalação sanitária no interior da igreja - uma sanita, sacrilégio -, o seu rebanho mostra-se súbita e inesperadamente dividido. Cada um cava a sua trincheira e segredos há muito silenciados ameaçam devastar a aparente tranquilidade da povoação.

É então que Anthony Bowness, primo de lorde Bernard de Floures, benfeitor da vila, é encontrado sem vida junto dos bancos de trás da igreja - apunhalado no pescoço com um par de tesouras de poda! Impõe-se a intervenção de um detetive de lupa em punho, mas, à medida que o número de cadáveres vai crescendo, Daniel parece ser o único capaz de manter a união desta pequena comunidade… e apanhar o assassino.

🏡 Champton é uma vila típica inglesa, com uma população reduzida e onde o espaço de reunião de quase todos é a igreja. Crime antes da oração da tarde passa-se em Inglaterra, mas podia perfeitamente passar-se numa aldeia mais isolada do nosso país, onde o pároco é rei e senhor e onde as questões da igreja ocupam o dia a dia da população.

🌸 A festa anual da flor é o ponto fulcral da história. Ou pelo menos, o inicial, até que haja um acontecimento que vai mudar tudo. Avessos à mudança e a novas obras no espaço da igreja, os paroquianos vão-se dividir nas opiniões relativas ao que o cónego Daniel Clement quer implementar.

👨 A servir a comunidade há oito anos, Daniel pretende retirar algum espaço de cadeiras na igreja e construir uma casa de banho, naquele espaço para que esta possa servir uma população já de si envelhecida.
Pior é que nem todos estão de acordo e acaba por acontecer o inesperado: um assassinato em plena igreja.

🧓 Cheio de mistérios ao jeito de Agatha Christie em que até uma espécie de Miss Marple aparece em forma da mãe do cónego, este é o tipo de livro que vai agradar aos fãs do género. Adorei a capa e a parte interior do livro, em homenagem aos dois cães de raça dachshunds de Daniel, mas relativamente à construção da história achei-a por vezes confusa e densa demais.

🧔Daniel é uma personagem interessante, mas a que mais me causou impacto foi a mãe, que apesar de intrometida e chata acaba por implementar algum ritmo e interesse à história.
O enredo e os crimes em si foram explanados o que tornou este livro numa boa leitura de finais de tarde.





A Festa das Bruxas - Agatha Christie [Opinião]

 

Título: A Festa das Bruxas
Um Mistério de Hercule Poirot N.º 6
Autor: Agatha Christie
Editor: Edições Asa
N.º de Páginas: 304

Numa festa da Noite das Bruxas, Joyce, uma jovem fã de livros policiais, confessa ter já assistido a um assassinato. Mas ela tem fama de contadora de histórias mirabolantes e ninguém lhe presta atenção. Porém, quando Joyce é encontrada morta nessa mesma noite, todos se perguntam se esta última história não teria um fundo de verdade.

Quem de entre os convidados quereria silenciá-la? Não há ninguém melhor do que Hercule Poirot para responder a esta questão. Mas nem mesmo para o grande detetive será fácil desmascarar o assassino…

Hercule Poirot é o personagem mais famoso de Agatha Christie. Este agente reformado da polícia belga é um detetive brilhante, pomposo e de aparência extravagante.
Os seus métodos de investigação são únicos e infalíveis.
Não há mistério que resista às famosas celulazinhas cinzentas de Poirot.

Em plena festa de Halloween, numa pacata localidade londrina, o inesperado acontece. Joyce morre afogada num balde de água com maçãs, um elemento presente no jogo da festa e ninguém é suspeito de tal morte.

🧙Quem quereria matar uma adolescente de 13 anos?
A escritora de policiais presente em alguns livros de Agatha Christie, Ariadne Oliver, foi uma das convidadas da festa e fica completamente incomodada. Sabendo que a polícia se encontra num beco sem saída, Ariadne decide procurar Hercule Poirot para que a ajude neste crime misterioso.

🧛‍♂️ A única pista e razão para que o crime tenha acontecido é que Joyce na tarde desse dia disse que tinha presenciado, há alguns anos, um assassinato. Mas ninguém pareceu acreditar nela até porque a jovem é conhecida pelas suas constantes mentiras.
Peguei neste livro, gratuito no koboplus, por pensar ser uma leitura adequada a estes dias. Gosto imenso de Agatha Christie e há ainda muitos livros da autora britânica que ainda não li, mas este livro não me encheu as medidas.

🎃 Achei Poirot bastante apagado e envelhecido. Se não soubesse que tinha sido escrito pela mestre do crime pensaria que poderia ser um daqueles autores que pegaram naquela personagem de Poirot para dar continuidade às suas células cinzentas, como Sophie Hannah, por exemplo. Não senti aquela prepotência característica nele, a vangloriar-se da sua inteligência, apesar de ter descoberto quem estava por detrás daquele assassinato e outros.




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