segunda-feira, 8 de novembro de 2021

Último Olhar - Miguel Sousa Tavares [Opinião]

 

Título: Último Olhar
Autor: Miguel Sousa Tavares
Editor: Porto Editora
N.º de Páginas: 312

Sinopse: 
Pablo tem 93 anos, viveu a Guerra Civil Espanhola, viveu os campos de refugiados da guerra em França, viveu quatro anos no campo de extermínio nazi de Mauthausen. E depois viveu 75 anos tão feliz quanto possível, entre os campos de Landes, em França, e os da Andaluzia espanhola. Inez tem 37 anos, é médica e vive um casamento e uma carreira de sucesso com Martín, em Madrid, até ao dia em que conhece Paolo, um médico italiano que está mergulhado no olho do furacão do combate a uma doença provocada por um vírus novo e devastador, chegado da China: o SARS-CoV-2. Essa nova doença, transformada numa pandemia sem fim, vai mudar a vida de todos eles, aproximando-os ou afastando-os, e a cada um convocando para enfrentar dilemas éticos a que se julgavam imunes.

Último Olhar marca o aguardado regresso de Miguel Sousa Tavares ao romance. Uma história sem tréguas nem contemplações, onde o passado cruza o presente e o presente interroga o futuro que queremos ter. Da primeira à última página, até decifrarmos o que se esconde atrás do título.~







A pandemia foi o mote para a escrita do novo romance de Miguel Sousa Tavares. O apedrejamento duma coluna de velhos infetados em Espanha, a 29 de março do ano passado, fez com que Miguel Sousa Tavares decidisse criar Pablo, um homem pleno de vida que aos 93 anos viveu a Guerra Civil Espanhol, viveu os campos de refugiados da guerra em França e viveu quatro anos no campo de extermínio nazi de Mauthausen. Toda essa crueldade da vida podia tê-lo colocado em baixo, mas Pablo mostrou sempre ser um homem forte e acabaria por viver 75 anos de felicidade entre os campos de Landes, em França, e os da Andaluzia espanhola.

Através dos olhos e da vida de Pablo vamos vivendo, em retrospectiva, todo o século XX e o início do XXI. Pablo é pleno de história e de vivências e é, sem dúvida, a personagem mais rica e mais interessante. Pablo é um homem pobre quando conhece a mulher da sua vida e, como sabemos, naquela altura os casamentos eram "arranjados" pela família. Por isso mesmo, o casamento de ambos foi completamente contra a família da mulher e Pablo nunca se daria bem com os sogros o que criaria um fosso enorme entre a família.

Pelo meio, Miguel Sousa Tavares, coloca uma história de amor impossível entre dois médicos. Um a viver o início da pandemia em Itália e a outra, mais cética, ainda a desvalorizar a doença em Espanha, onde esta ainda não tinha sequer chegado. A dureza com que Tavares recria o ambiente hospitalar em Bergamo, o epicentro da Covid na Europa mostra a realidade pela qual passaram os profissionais de saúde, sacrificando muitas vezes a sua vida em detrimento da vida dos seus pacientes.

Um livro rico de relatos, que mostra como a Covid afectou todos, mas suavizando com um romance que nos faz acreditar no poder do amor.




Marilyn - Uma Biografia - María Hesse [Opinião]

 

Título: Marilyn - Uma Biografia
Autor: María Hesse
Editor: Suma de Letras
N.º de Páginas: 184

Sinopse: 
Quem era a verdadeira Norma Jeane Baker?
A actriz mais conhecida da História do cinema, o símbolo sexual de uma era inteira, o protótipo, por excelência, de loira burra e, sobretudo, alguém que, até hoje, permanece uma grande incógnita.

Depois de fazer os corações de Frida Kahlo e Bowie florescer, descobrindo o seu lado mais humano, María Hesse revela a alma de Marilyn Monroe, uma mulher que, como tantas outras das suas contemporâneas, explodiu todos os cânones e merece ser lembrada, hoje mais do que nunca, pelo seu talento, a sua sensibilidade, a sua inteligência e as barreiras que quebrou.









As biografias ilustradas de Maria Hesse são sempre um sucesso. Dá-nos a conhecer a vida de uma personalidade famosa e, mesmo que de forma reduzida, acabamos por saber sempre um pouco mais sobre a pessoa em questão.

O último livro publicado pela Suma de Letras é dedicado ao símbolo sexual Marilyn Monroe, mas depressa constatamos que Norma Jean foi muito mais do que uma cara bonita.

Leitora ávida, Marilyn estudou literatura e representação e o seu espólio contava com mais de 400 livros. Mais tarde, viria a descobrir-se que escrevia poesia.

Dona de uma inteligência e de uma beleza estonteante, Marilyn rompeu preconceitos e amou muito, apesar de nunca ter sido verdadeiramente feliz.

Filha desprezada, quer pela mãe, quer pelo pai que nunca conheceu, dividiu a infância entre várias famílias de acolhimento e lares infantis. Acabaria, contudo, por alcançar o sonho antigo da mãe, ser atriz, mas os seus papéis eram quase todos de loira burra, coisa que a entristecia.

"Com o tempo, recebemos uma imagem de Marilyn Monroe como um símbolo sexual, quando na realidade há mais fotos dela lendo do que nua", diz Hesse.




A Vida Livresca de Nina Hill - Abbi Waxman [Opinião]

 

Título: A Vida Livresca de Nina Hill
Autor: Abbi Waxman
Editor: TopSeller
N.º de Páginas: 336

Sinopse: 
Nina Hill tem uma vida confortável: trabalha numa livraria, participa em concursos de cultura geral com uma equipa fantástica, tem uma agenda muito organizada onde anota tudo o que é importante e partilha a casa com o seu gato Phil.

Filha única de uma conceituada fotógrafa que se tornou uma mãe ausente devido às constantes viagens, é nos livros que devora a toda a hora que Nina encontra o seu refúgio e os seus momentos de verdadeira felicidade.

Quando recebe a notícia da morte do pai, de quem nunca soube nada, Nina fica em choque. De um momento para o outro, o seu núcleo familiar passa a incluir um irmão, três irmãs e vários sobrinhos e sobrinhas, todos a viverem perto! E pior… Esta horda de desconhecidos parece estar cheia de vontade de conviver com ela, o que vai totalmente contra as suas tendências antissociais.

Como se essa não fosse já uma mudança suficiente na sua rotina, Nina vê-se também perante a presença cada vez mais constante de Tom, o seu maior adversário nas noites de quiz, que afinal até é um homem querido, divertido e profundamente interessado em conhecê-la melhor.

Será ela capaz de sair da sua zona de conforto e trocar a ficção pela vida real?

Finalista do prémio Goodreads para Melhor Livro de Ficção.







Logo que vi a capa e o título deste livro pensei para comigo que o tinha de ler o quanto antes. Tenho gostado imenso dos livros que se têm debruçado sobre livros e os livreiros e achei que seria uma boa escolha.

Já disse o quanto gosto da capa?
Adoro o amarelo, o desenho... adoro tudo. Mas o que pensava ser um livro rodeado de títulos de livros, sobre livros, acabou por ser uma comédia romântica que se podia passar numa livraria como noutro lado qualquer.

É um livro de leitura leve, ideal para quem gosta de histórias de amor, mas não era, de todo, aquilo que estava à espera, embora não fosse uma desilusão.
Nina é livreira numa pequena livraria independente. É ainda apaixonada por noites de quiz, cujo grupo sai quase sempre vencedor, e por gatos, claro está.

De um dia para o outro descobre que o seu pai, de quem nunca tinha ouvido falar, morreu e lhe deixou algo em testamento. O pai era detentor de uma fortuna considerável, mas Nina herda também uma família peculiar. Se na sua maioria até a aceitam bem, há aqueles que não veem com bons olhos um novo intruso.

No entanto, são inevitáveis as parecenças com a maioria dos elementos, quer seja na cabeleira ruiva, quer no gosto pelos livros e animais.

"Ler não é a única coisa do mundo, Nina.
- É uma das únicas cinco coisas perfeitas do mundo.
- E quais são as outras quatro?
- - Gatos, cães, maças caramelizadas e café.
- Mais nada?
- Claro, há outras coisas, até coisas boas..."






terça-feira, 2 de novembro de 2021

Raparigas em Chamas - C. J. Tudor [Opinião]

 

Título: Raparigas em Chamas
Autor: C. J. Tudor
Editor: Editorial Planeta
N.º de Páginas: 384

Sinopse: 
Uma vigária pouco convencional tem de exorcizar o passado sombrio de uma aldeia remota, assombrada pela morte e por desaparecimentos misteriosos, no novo thriller explosivo e inquietante da autora best-sellerde O Homem de Giz.
Há quinhentos anos, mártires protestantes foram queimados. Há trinta anos, duas adolescentes desapareceram sem deixar rasto. Há algumas semanas, o responsável da paróquia local enforcou-se na nave da igreja.
A reverenda Jack Brooks, mãe solteira de uma filha de quinze anos e dona de uma consciência pesada, chega à pequena aldeia com esperança de um novo começo. Em vez disso, encontra Chapel Croft repleta de conspirações e segredos, e é recebida com um estranho presente de boas-vindas: um kitde exorcismo e um cartão que a avisa: «Nada há encoberto que não venha a descobrir-se, nem oculto que não venha a conhecer-se.»

Quanto mais Jack e a sua filha, Flo, exploram a localidade e conhecem os seus estranhos habitantes, mais elas são atraídas para as antigas divisões, mistérios e suspeitas. E quando Flo começa a ver imagens de raparigas em chamas, torna-se evidente que há fantasmas que se recusam a ficar enterrados.

Descobrir a verdade pode ser mortal, num lugar com um passado sangrento, onde todos têm algo a esconder e ninguém confia num estranho.







Depois de ter conhecido C.J. Tudor com O Homem de Giz, o seu livro de estreia, sempre que sai um novo coloco-o à frente da minha lista de leituras.

Apesar de Levaram Annie Thorne ter sido uma pequena desilusão, reconciliei-me com a sua escrita em Os Outros. Por isso, estava em pulgas para ler Raparigas em Chamas.

Jack Brooks é reverenda e mãe. Chegada a uma nova aldeia, vinda de uma cidade grande como Londres, Jack tem muita coisa para provar, até porque todos se conhecem e não veem logo com bons olhos uma intrusa. A provar isso é o presente de boas vindas que recebe logo no seu primeiro dia: uma caixa de exorcismo.

A nova reverenda está à procura de uma nova vida, mais tranquila, para educar a sua filha de 15 anos. Com o desenrolar da história vamos percebendo que não é só isso que Jack procura. A vigária também tem segredos que deseja não serem descobertos.

No entanto, esta pequena localidade vai provar não ser tão pacata com a reverenda estava à espera e no final até esconde segredos bastante macabros.

Nos primeiros tempos Jack vai ser confrontada com um sem número de acontecimentos: o vigário que vem substituir suicidou-se; há 500 anos, durante o reinado da rainha Maria, oito pessoas foram queimadas vítimas de perseguições religiosas, incluindo duas raparigas que ficaram conhecidas como Raparigas em Chamas, que tendem a aparecer recorrentemente na zona da igreja.

A par disso, há 30 anos desapareceram duas adolescentes e nunca se descobriu o que se passou com elas.

Tal como já estamos habituados nos livros da autora, C. J. Tudor junta o mistério, ao misticismo, não descurando temas como saúde mental, as crises da adolescência e a religião.

Gostei muito.




O Café dos Gatos - Anna Sólyom [Opinião]

 

Título: O Café dos Gatos
Autor: Anna Sólyom
Editor: Editorial Presença
N.º de Páginas: 136

Sinopse:
Uma história cativante sobre a natureza humana e a infinita sabedoria felina.

Quase com 40 anos, Nagore sente que a sua vida falhou. Acabou de se separar do namorado, deixou o emprego em Londres e está de regresso a Barcelona, onde tem de começar do zero. O único trabalho que consegue encontrar é como empregada num café de gatos, o Neko Café - logo ela, que tem pânico de gatos. Parece que o destino não pára de lhe pregar partidas.

Assim que abre pela primeira vez a porta do Neko Café e vê não um, não dois, mas sete gatos, Nagore prevê um novo desastre na sua vida. No entanto, com o passar dos dias, a experiência revela-se transformadora. Cada um dos sete mestres do Neko - gato em japonês - irá revelar-lhe um segredo. Pouco a pouco, Nagore aprende a aceitar e a manter o espírito aberto: um primeiro passo para descobrir o caminho para a felicidade.

Fresco, original e bem-humorado, este é um romance sobre a arte da felicidade - que espreita, a cada dia, nas mais pequenas coisas.








O sonho de todos os amantes de gatos é um trabalho que possa conviver com eles.

Não é caso de Nagore, uma rapariga de 40 anos, que tem pânico de felinos.

Desempregada e com contas por pagar, Nagore não vê outra alternativa que não aceitar uma oferta de emprego num café peculiar, além de servir cafés também alberga gatos com o objetivo de proporcionar adopções para os mesmos.

Mais do que um romance fofinho, O Café dos Gatos traz-nos todo o ensinamento de vida dos próprios felinos. E prova que se adoptarmos nas nossas vidas somos muito mais felizes e realizados.









Ana dos Cabelos Ruivos - Mariah Marsden [Opinião]

Título: Ana dos Cabelos Ruivos
Autor: Mariah Marsden
Editor: Fábula
N.º de Páginas: 232

Sinopse: 
O clássico de Lucy Maud Montgomery encontra uma nova expressão nesta novela gráfica a cores, muito apelativa para as novas gerações de leitores.

Quando Matthew e Marilla Cuthbert decidem adotar um órfão para os ajudar na sua quinta, não fazem ideia das boas surpresas e inesperados problemas que os aguardam. Com cabelos ruivos e uma imaginação imparável, Ana Shirley, de 11 anos, vai agitar a quinta Green Gables.

A vida dos dois irmãos nunca mais será a mesma, nem a dos habitantes da pequena vila de Avonlea. Ninguém esquecerá a magia e a beleza de Green Gables, e muito menos esta personagem alegre, corajosa, inteligente e bondosa.

Uma edição que torna acessível o clássico de Lucy Maud Montgomery, com beleza e um estilo moderno, e ao mesmo tempo fiel à época em que se desenrola a história. Narrativa cheia de pureza e valores universais e que promove a coragem, a bondade, a alegria, a superação e a resiliência.








Ana dos Cabelos Ruivos remonta à minha infância. Apesar de não ter visto muitos desenhos animados por não ser muito vidrada em televisão, esta menina de cabelos cor de cenoura faz parte do meu imaginário infantil.


Publicado agora como novela gráfica pela Fábula, surge a oportunidade de cativar novos leitores e fazer avivar a memória dos leitores mais velhos.

Adorei este livro. As ilustrações são magníficas e a história faz jus ao original de Lucy Maud Montgomery, que conta as peripécias da vida da pequena órfã que é adoptada por uma família que deseja um rapaz para os ajudar nos trabalhos da quinta. Mas esta menina rebelde e obstinada depressa os faz mudar de ideias e encanta os seus novos pais.




Win - Harlan Coben [Opinião]

 

Título: Win
Autor: Harlan Coben
Editor: Editorial Presença
N.º de Páginas: 328

Sinopse: 
Os segredos de um homem morto caem nas mãos de Win, um anti-herói em busca de justiça, e levam-no por um caminho muito perigoso.

Há mais de vinte anos, a herdeira Patricia Lockwood foi sequestrada durante um assalto à propriedade da família. Escapou, mas os seus captores também, e as coisas roubadas nunca foram recuperadas. Até agora.

No Upper West Side, um homem é encontrado morto. Ao seu lado, estão dois objetos importantes: um quadro roubado de Vermeer e uma mala de viagem, de pele, com as iniciais WHL3. Pela primeira vez em muitos anos, as autoridades têm uma pista - não só sobre o rapto de Patricia, mas também sobre outro caso que o FBI não conseguiu resolver. o quadro e a mala de viagem apontam para a mesma pessoa.

Windsor Horne Lockwood III - ou Win, como é chamado pelos amigos - não sabe como a sua mala e aquela pintura, que pertence ao acervo da sua família, foram parar junto ao cadáver. Mas, claro, agora já só consegue pensar naquele caso, sobretudo depois de o FBI lhe dizer que o homem que raptou a sua prima esteve envolvido num ato de terrorismo.

Win tem três coisas que o FBI não tem: uma ligação pessoal com o caso, uma enorme fortuna e... a sua visão única de justiça.








Harlan Coben sempre foi dos meus escritores de policiais favoritos, mas, de há uns tempos para cá, os seus livros não me têm enchido as medidas. Não sei se este descontentamento se deve a ler outros autores de quem tenho gostado mais, ou então a qualidade dos seus livros tem vindo a decair, o certo é que as últimas leituras não me têm vindo a satisfazer tanto quanto gostaria.

Win é o novo herói de Coben e detestei-o do início ao fim da história. Não entendo a sua forma de investigar o caso, a sua violência gratuita e a sua relação (ou não-relação) com as mulheres. Não fui capaz de criar qualquer empatia com este personagem, que achei completamente desprezível.

Neste primeiro livro da série, Win é investigador e investigado pela polícia, uma vez que os objectos pessoais que foram encontrados na cena de um crime lhe pertencem. Win declara não conhecer a vítima, embora confirme que os objectos (uma mala e um quadro de Vermeer) são seus, mas que estão desaparecidos há muitos anos.

No centro da história poderá estar o desaparecimento por uns dias duas sua prima Patrícia, um caso que remonta há cerca de 20 anos.

Uma história fraquinha, não me deixando nada curiosa com o desenrolar dos acontecimentos, fez com que ficasse completamente desiludida com este livro.




quinta-feira, 14 de outubro de 2021

Juntos - Luke Adam Hawker e Marianne Laidlaw [Opinião]

 

Título: Juntos
Autor: Luke Adam Hawker e Marianne Laidlaw
Editor: Porto Editora
N.º de Páginas: 64

Sinopse: 
“Algumas nuvens negras assomaram ao longe.
Vimo-las juntarem-se e pensámos...
Quando virá? Quanto durará?”
Uma assustadora tempestade traz uma enorme e súbita mudança. Seguimos um homem e o seu cão através da incerteza que se instala nas suas vidas. Pelos seus olhos vemos as dificuldades de se apartarem, o turbilhão de emoções com que todos nos podemos identificar, e a percepção de que unidos pela mesma vontade podemos superar tempos difíceis com uma nova perspectiva, maior esperança e clareza acerca do que mais importa na vida.








Juntos é o relato de um tempo pandémico. Neste livro seguimos o dia-a-dia de um homem e o seu cão. As mudanças que o mundo levou com a chegada da pandemia também trazem mudanças na vida destes dois seres, que serão espelhadas na vida de qualquer um de nós. O vírus fez com que a distância entre as pessoas se agudizasse, a esperança que o egoísmo desvanecesse. 

Actualmente vemos que isso não é bem assim...

O isolamento, sobretudo dos mais velhos, cresceu e a morte parece estar à espreita a cada virar de esquina. Todos os dias gente enferma morre ou sobrevive a muito custo, mas o que faz mover este homem é a companhia do seu cão e saber que juntos vão conseguir superar tudo.

"Quando a vida se tornou assim mais pequena encontrámos espaço para a ver como um todo. Seríamos mais iguais do que pensávamos."

Traduzido por Valter Hugo Mãe, Juntos é um livro para ler, apreciar e para guardar com destaque em qualquer estante.









quinta-feira, 7 de outubro de 2021

O Homem Certo é Difícil de Encontrar - Sebastião Alves [Opinião]

 

Título: O Homem Certo é Difícil de Encontrar
Autor: Sebastião Alves
Editor: Cultura Editora
N. de Páginas: 168

Sinopse: 
Uma explosão de gás num andar de luxo de um prédio de Lisboa causa uma vítima mortal. Trata-se de um antigo corretor de bolsa caído em desgraça e entretanto diminuído por um AVC. Acidente? Suicídio? Homicídio? Lídia, a sua mulher, é interrogada pela Judiciária e torna-se a principal suspeita quando se descobre que existem facetas ocultas na sua vida, desde um primeiro divórcio, ao encontro com o famoso corretor, já então afastado da Bolsa, e à transformação deste num homem violento.

O aparecimento de um amigo, uma espécie de alma gémea encontrada num "site" de encontros da internet, vem adensar ainda mais a desconfiança sobre esta mulher.
Será Lídia culpada ou inocente da morte do seu marido? Descubra este mistério.









Este livro veio ter-me às mãos no meu local de trabalho e fiquei logo curiosa. Primeiro porque o título não fazia antever um policial, depois porque gosto de conhecer autores portugueses.

Uma explosão valente num prédio luxuoso de Lisboa faz uma única vítima mortal.

O morto é um corretor de bolsa bastante conhecido que viu a sua vida cair em desgraça depois de ter sofrido um AVC. Provocado, talvez, por más apostas na bolsa que o deixa em maus lençóis, ou por um casamento que não passa de uma fachada. Do acidente salva-se apenas o gato e Lídia que não estava em casa no momento da explosão.

Ângelo mostra-se um homem de duas caras. Apaixonado e violento, o que faz com que Lídia viva numa bolha de amor e numa prisão ao mesmo tempo.

No entanto, os tempos de paixão acabam por terminar e sobra apenas violência. Só assim Lídia percebe que Ângelo não tem praticamente ninguém como amigo e nem a filha de uma relação passada quer nada com ele.

Prisioneira acaba por permanecer Lídia por ser a única a ter de tomar conta de um marido inválido e com maus modos. No entanto, paralelamente, a professora acaba por ter um relacionamento virtual com um outro homem que não chega a conhecer pessoalmente.

O leitor acaba por se ver confundido com esta relação. O que sente Lídia por Ângelo? O que a move a continuar com ele?

Será que a sua morte se tratou de um infeliz acidente?

Escrito de uma forma leve, mas cativante o homem certo é difícil de encontrar mostra-nos o lado negativo das relações.

Foi uma boa estreia do autor que já tem outros livros publicados por outra editora, mas que nunca tinha ouvido falar.




O Clube do Crime das Quintas-Feiras - Richard Osman [Opinião]

Título: O Clube do Crime das Quintas-Feiras
Autor: Richard Osman
Editor: Editorial Planeta
N.º de Páginas: 384

Sinopse: 
Quatro reformados com alguns truques na manga
Uma polícia com o seu primeiro grande caso nas mãos
Um assassinato brutal
Bem-vindos a... O Clube do Crime das Quintas-feiras

Num pacato bairro de residências privadas para reformados, quatro amigos improváveis reúnem-se uma vez por semana para discutir crimes que ficaram por resolver.

Ron, um ex-sindicalista todo tatuado; a doce Joyce, uma viúva que não é tão ingénua quanto parece; Ibrahim, um ex-psiquiatra com uma incrível habilidade analítica; e a tremenda e enigmática Elizabeth, que lidera este grupo de investigadores amadores... ou nem por isso.

Quando um homicídio ocorre no pequeno bairro, e uma misteriosa fotografia é encontrada ao lado do cadáver, o clube vê-se envolvido no seu primeiro caso real. Embora sejam quase octogenários, os quatro amigos têm alguns truques na manga...

Será que este gangue pouco convencional, mas brilhante, irá conseguir apanhar o assassino antes que seja tarde demais? O melhor é nunca subestimar um grupo de velhotes.









Steven Spielberg comprou os direitos deste livro para fazer um filme e, depois de algumas críticas positivas, decidi pegar nele com expectativas muito elevadas.

Quatro idosos vivem numa zona residencial 5 estrelas, composto por vários espaços de lazer. Um dos passatempos a que se costumam entregar é a resolução de crimes antigos não resolucionados. Reúnem-se todas as quintas-feiras e esse tempo passado juntos e muito bem aproveitado. Até que um crime ocorre muito próximo deles e estes ficam em pulvurosa para tentar descobrir quem está por detrás dessa morte.

A história não me atraiu por aí além, achei a investigação um pouco morna, mas quando falamos das personagens o caso muda de figura.

Todas as personagens me cativaram. São mesmo um verdadeiro mimo. Ron é um ex-sindicalista, Joyce uma viúva, Ibrahim um ex-psiquiatra e Elizabeth, a idosa que mais me agradou, uma mulher bastante enigmática e com poder de liderança. Todos diferentes, mas todos com um único objectivo.
Os idosos mostram-se obstinados e com vontade em desvendar o crime não olhando a meios para atingir o seu fim.

Tenho de parabenizar o facto da editora juntar ao livro um marcador que me deixou encantada.




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