segunda-feira, 18 de abril de 2022

A Maldição - Lourenço Seruya [Opinião]

 

Título: A Maldição
Autor: Lourenço Seruya
Editor: Cultura Editora
N.º de Páginas: 384

Sinopse: 
A mais recente investigação do inspetor Bruno Saraiva leva-o até ao Teatro da Passagem, em Lisboa.
A Pedra do Pecado foi representada apenas duas vezes em Portugal, uma em 1977 e outra em 1982.
Foram encenadas por companhias diferentes, mas houve um acontecimento comum: em ambas as estreias morreu a atriz principal.
Apesar de essas mortes terem sido consideradas de causas naturais, surgiu a crença de que a peça estaria amaldiçoada…
Durante muito tempo nenhum encenador ousou voltar a pegar nesse texto.
Até que, quarenta anos depois, o Teatro da Passagem decide levá-la à cena novamente…
O dia da estreia chega finalmente e o ambiente é de tensão e nervosismo. Será que A Pedra do Pecado está mesmo amaldiçoada? Será que naquela estreia vai voltar a haver uma morte?

O público acorreu em massa ao Teatro da Passagem, enchendo a sala como há muito não acontecia. Nos bastidores, os atores já estão prontos a entrar em palco. O pano sobe e o espetáculo começa… Mas um deles não vai chegar vivo ao final.




Depois de A Mão que Mata, Lourenço Seruya coloca como cena do crime uma peça de teatro. A Pedra do Pecado foi a cena duas únicas vezes e há quem diga que está amaldiçoada. Isto porque das duas vezes em que estreou a protagonista acaba por morrer vítima de circunstâncias inexplicáveis. 

Quarenta anos depois, uma conhecida encenadora e filha da anterior dona do Teatro da Passagem decide colocar em cena a tão temível peça e como já era de esperar algo tenebroso acontece.
 Obviamente que sendo este livro um policial o leitor já está à espera de um crime. Mas quem será que vai morrer desta vez? E se foi assassinado qual o motivo?

Bruno Saraiva e Diana, já conhecidos do leitor, vão ser chamados para a investigação deste crime e provam estar à altura mais uma vez. Os suspeitos não são muitos, mas não é fácil perceber quem esteve por detrás do assassinato, nem os seus motivos. 

Confesso que suspeitei desde o início da personagem que acabaria por ser acusada, mas o motivo passou-me completamente ao lado. 

Contrariamente A Mão que Mata, o autor focou-se mais na investigação e na vida dos atores e não na vida de Bruno e Diana, o que acaba por não criar tanta empatia com os investigadores. 
É um livro que se lê num fôlego, muito bem escrito e com personagens interessantes, no entanto, esperava mais desenvolvimento sobre a vida de Bruno e Diana já que são as personagens que nos ligam ao anterior livro. 






Toda a Gente Nesta Sala um Dia Há de Morrer - Emily Austin [Opinião]

 

Título: Toda a Gente Nesta Sala um Dia Há de Morrer
Autor: Emily Austin
Editor: TopSeller
N.º de Páginas: 288

Sinopse: 
Gilda não consegue parar de pensar na morte, imaginando cenários terríveis e improváveis que a deixam de coração aos saltos e com falta de ar. A sua ansiedade é tão grave, que os funcionários das urgências já a conhecem. Desesperada por encontrar algum alívio, dirige-se a uma igreja católica que oferece serviços de psicoterapia, onde é recebida pelo padre Jeff, que depreende que ela está ali para uma entrevista de emprego. Demasiado envergonhada para o corrigir, Gilda confirma e acaba por ser contratada como rececionista, para substituir a antiga funcionária, Grace, uma mulher idosa recentemente falecida.

O problema é que Gilda não só não é católica como também é ateia e lésbica. Sentindo que tem de manter as aparências, decide aprender os procedimentos da igreja, enquanto tenta ganhar coragem para lavar a pilha de louça que se acumula no chão da sua casa e convencer a namorada de que, apesar do seu aspeto cada vez mais preocupante, está tudo bem consigo.

No decorrer das suas funções, Gilda encontra a correspondência trocada entre Grace e a sua velha amiga Rosemary, mas não tem coragem de lhe dar a má notícia, pelo que começa a fazer-se passar por Grace por e-mail, encontrando algum consolo naquela troca de palavras generosas. Contudo, quando a morte de Grace começa a ser investigada pela polícia, Gilda vê-se obrigada a lidar com as mentiras que contou e que podem revelar a toda a gente a forma como tem verdadeiramente vivido.



O título convida à leitura e à escrita em forma de sátira apaixonou-me completamente. Gostei da forma como a história está formulada e o facto da ironia da vida que faz com que uma ateia e lésbica vá trabalhar gomo secretária numa igreja católica. Pelo meio a investigação de uma morte que pode não ter sido natural e as agruras de uma vida completamente banal, ou não.







A Despedida de Ulisses - Francisco Moita Flores [Opinião]

 

Título: A Despedida de Ulisses
Autor: Francisco Moita Flores
Editor: Casa das Letras
N.º de Páginas: 344

Sinopse: 
Março de 2020. Ulisses conta os dias para se reformar do Ministério e se dedicar à sua paixão: a pintura. No dia tão esperado, tudo fecha. E o País passa a viver entre a pandemia e o delírio político e mediático.

Que raio de ideia foi esta, quando se soube que a pandemia estava prestes a chegar, de esvaziarmos os supermercados de papel higiénico e latas de atum? Que susto foi este que nos levou a confundir uma doença respiratória com um desarranjo intestinal?

Vivemos dias de delírio. Durante muitos meses, fomos interditados ao toque, ao beijo, ao abraço. Apenas ligados aos ventiladores da esperança para que o pesadelo terminasse. É certo que trouxe dor e sofrimento, luto e inquietação, mas também é verdade que nos ofereceu dias onde escutámos e acreditámos nas coisas mais disparatadas. Piores do que o intempestivo assalto às prateleiras do papel higiénico.

Nunca como neste tempo de transtorno se percebeu como a informação-espetáculo não coabita pacificamente com o conhecimento. Alimenta-se de poeira, ignorando a tempestade, olha a espuma das ondas sem vislumbrar a grandeza dos mares. Enclausurados pela polícia sanitária, tornámo-nos atores e espetadores desse psicodrama vertiginoso que nos remeteu para estudos e perícias paridas pelo Diabo, presos aos saberes de gente especializada em saber não especializado.

Escrevi este romance através dos medos que nos têm atormentado, durante a clausura forçada a que estivemos obrigados, submetidos aos caprichos de deuses de vendedores de banha da cobra, de sábios e de sabichões que desfilaram nos ecrãs de notícias.

Os protagonistas - Ulisses e Florência - são um bocadinho de todos nós. Apimentei-os com salpicos de loucura que o confinamento nos trouxe. Foram Contínuos, mais tarde promovidos a Assistentes Operacionais, pais de três filhos, cinquenta anos de comunhão de ternura e quezílias que, tal como nós, viveram assarapantados com as notícias e milagres.

E não morreram de Covid. Viverão felizes para sempre nas páginas deste livro.



Assistente operacional num qualquer ministério, Ulisses é um homem invulgar. Cumpridor do seu ofício, que o tornaria um completo ser transparente no seu local de trabalho, Ulisses tinha um hóbbie que o destacava dos demais: o seu gosto e jeito pela pintura.

Oriundo de gente pobre e humilde, Ulisses nunca pode estudar e prosseguir com o sonho das belas artes. Contentou-se com o trabalho de contínuo no Ministério, aturar os mais diversos ministros com os seus diversos feitios. Viu dar-se o 25 de abril, testemunhou a queda de governos e manteve-se ali até ao dia da reforma.

Chegado aí podia dedicar-se ao que mais gostava: a pintura.

Mas eis que chega uma pandemia que vira tudo ao contrário. Florência a sua mulher, uma hipocondríaca, vidra-se nas notícias e entra em parafuso. Manda-o comprar papel higiénico e conservas para estarem prevenidos para os tempos que aí vinham. Ulisses não entende o porquê de tanto alarido, mas o tempo vai colocá-lo à prova e vai "obrigá-lo" a estar fechado em casa.

Francisco Moita Flores escreveu este romance em memória do pai, vítima de Covid. E tal como os protagonistas, este é um livro que fica para memória futura. Vai lembrar sempre o que passamos com esta maldita pandemia e tudo o que ela trouxe de mau, desde o isolamento, o distanciamento das famílias, uma boa dose de loucura por parte de todos na corrida aos bens de primeira necessidade...
Gosto imenso do autor.




quarta-feira, 6 de abril de 2022

A Pequena Livraria dos Recomeços - Jenny Colgan [Opinião]

 

Tìtulo: A Pequena Livraria dos Recomeços
Autor: Jenny Colgan
Editor: Edições Chá das Cinco
N.º de Páginas: 416

Sinopse: 
Nas Terras Altas, há uma pequena livraria à sua espera…
Zoe e o seu filho necessitam desesperadamente de uma mudança. Ela quer deixar Londres e construir uma nova vida. Entre o minúsculo estúdio que mal pode pagar e as buzinas que os mantêm acordados, Zoe sente que está prestes a enlouquecer.

Num impulso, ela aceita um emprego nas Terras Altas. A função exige alguém capaz de cuidar de três «crianças dotadas», duas das quais se comportam como pequenos animais selvagens. O pai está de rastos, e os filhos correm livremente pelo enorme castelo em ruínas nas margens de um lago repleto de urzes.

Com a ajuda de Nina, a simpática livreira local, Zoe começa a criar raízes na comunidade. Serão os livros, o ar fresco e a bondade suficientes para curar uma família destruída?


Para quem leu, como eu, A Livraria dos Finais Felizes, ficou felicíssima em descobrir que seria publicado por cá o novo livro de Jenny Colgan e que nos traria de volta Nina.
 
No livro anterior vivemos as dores e angústias de Nina, funcionária numa biblioteca londrina que teve de deixar tudo para trás e rumar ao desconhecido.

Passou a viver na Escócia e, de jovem bibliotecária, estabeleceu-se como livreira por conta própria numa carrinha adaptada para o efeito.
 
Na Pequena Livraria dos Recomeços não vamos ver Nina com muita frequência dado que a personagem principal passa a ser outra. Por isso mesmo, este livro pode ser lido separadamente do anterior.
 
Zoe, uma mãe solteira, passa por sérias dificuldades, e vê nas Escócia uma alternativa de vida.
De facto, as vidas de Zoe e Nina assemelham-se, na medida m que ambas adoram livros e não têm dinheiro para o custo de vida londrina. Uma pessoa em comum às duas faz com que as vidas delas se cruzem. Zoe vai para a Escócia com o seu filho de 4 anos e para uma vida completamente diferente, mas os ares escoceses vão encantar os dois que se veem rendidos a tudo o que os rodeia.
 
Para os amantes de livros e de uma boa história de amor este é o livro ideal. Tal como o primeiro este livro encantou-me deveras. Adorei reencontrar Nina, já bem estabelecida e com uma vida estável, mas gostei ainda mais de acompanhar a vida de Zoe e as suas vicissitudes. De repente imaginei a famíla Von Trapp e as tropelias que forem feitas a Zoe.






Gente Ansiosa - Fredrik Backman [Opinião]

 

Título: Gente Ansiosa
Autor: Fredrik Backman
Editor: Porto Editora
N.º de Páginas: 368

Sinopse: 
Visitar um apartamento que está à venda não costuma redundar numa situação de perigo. A menos que seja antevéspera de Ano Novo, e um ladrão inexperiente tenha decidido assaltar um banco onde não há dinheiro. Quando assim é, torna-se inevitável que não haja sequer um plano de fuga, e se acabe com uma data de reféns acidentais.
Felizmente, podemos confiar na pronta intervenção das autoridades. A menos que os dois polícias responsáveis pelo caso não se entendam nem saibam o que fazer.
Ainda assim, acreditamos que tudo correrá bem, em particular se os reféns permanecerem calmos. A menos que sejam os reféns mais idiotas de todos os tempos: uma analista bancária com ideias suicidas, uma adorável velhinha com motivações pouco transparentes, um casal reformado com uma paixão enorme pelo IKEA, duas recém-casadas, prestes a serem mães, que andam sempre às turras, uma agente imobiliária com entusiasmo a mais e talento a menos, e uma pessoa vestida de coelho.
Com um sentido de humor excecional, que cativou milhões de leitores em todo o mundo, e personagens tão imperfeitas quanto tocantes, Fredrik Backman volta a surpreender com esta história sobre gente idiota e ansiosa e os laços invisíveis que (n)os unem.


Fredrik Backman sabe como ninguém criar personagens e histórias peculiares e que ficam para sempre na nossa memória. Depressa nos lembramos de Britt-Marie e a avó peculiar do livro A Minha Avó Pede Desculpa.
 
A tentativa de assalto a um banco é o mote para esta nova história de Backman. Um ladrão inexperiente decide assaltar um banco em véspera de ano novo, mas sem saber que este é um banco digital onde não há dinheiro. A fuga é o primeiro passo e o ladrão acaba num apartamento que está à venda, fazendo reféns todos os que estavam a visitá-lo.




A história, mais uma vez caricata, vai dar-nos a conhecer aprofundadamente uma série de personagens peculiares, mas também ricas que nos levam a pensar no sentido da vida.
 
Uma mãe sem dinheiro para pagar a renda de casa, uma futura mãe com muitas dúvidas acerca da maternidade, um casal em que um dos elementos se anula profissionalmente em prol da ascensão do outro, a solidão de uma viúva... e depois há ainda os dois polícias responsáveis pelo caso que tem uma relação muito próxima, o que por vezes dificulta a investigação.
 
Por todas estas razões e mais algumas é fácil cativar-nos por esta gente ansiosa, mas com um fundo bom que tudo faz para resolver o problema que lhes surge no último dia do ano.
 
Mais um livro a não perder.





quinta-feira, 31 de março de 2022

Eu sei o que vocês fizeram - Dorothy Koomson [Opinião]

 

Título: Eu sei o que vocês fizeram
Autor: Dorothy Koomson
Editor: Porto Editora
N.º de Páginas: 360

Sinopse: 
E se os segredos dos seus vizinhos lhe caíssem nas mãos, na forma de um diário?
E se a mulher que o deixou fosse assassinada por uma das pessoas de que fala esse diário?
E se a polícia lhe perguntasse se sabia alguma coisa?
Entregaria o diário?
Ou tentaria descobrir os segredos de cada um?
Eu sei o que fizeram é o thriller viciante da Rainha das Revelações.


Eu sei o que vocês fizeram é o 17.º livro de Dorothy Koomson, e mais um thriller, género literário que já começa a habituar os seus leitores.

Conheci a escrita de Koomson quando ainda escrevia romances onde debatia a desigualdade, violação, xenofobia, mas a partir de uma certa altura a escritora britânica decidiu mudar para o género thriller o que não me agradou ainda mais.

Este seu novo livro coloca em causa a coscuvilhice, os segredos que cada um guarda dentro de quatro paredes, e o facto de uma suspeita poder gerar uma tentativa de assassinato.

Dentro de uma comunidade há sempre alguém que parece saber sempre o que se passa com a vizinha do lado. Todos já experienciamos isso. Mas há alturas em que a coscuvilhice ou curiosidade alheia podem ultrapassar os limites. E é o caso de uma vizinha dondoca e altiva que decide colocar para papel, na forma de um diário, o dia-a-dia dos seus vizinhos e as suspeitas que tem sobre a vida de cada um deles. Com base em algumas vivências e imagens que vai vendo, a mulher tira ilações, que poderão não ser as mais certas, mas leva a um mau estar na comunidade e com avançar da investigação, faz perceber que todos têm algo na sua vida que não querem que seja revelado.

Este vai ser sempre o mote para a história, levando-nos a suspeitar de toda a gente, embora haja sempre uma personagem que levanta mais suspeitas que outra. Koomson não deixa de evidenciar as suas preocupações no romance, como o voyeurismo, a violência doméstica, que vão enriquecer mais este thriller.

Gostei das personagens, da forma como elas nos foram apresentadas, sob o número de cada casa e da maneira como foi desenvolvida a investigação.






Verdade ou Consequência - M. J. Arlidge [Opinião]

 

Título: Verdade ou Consequência
Autor: M. J. Arlidge
Editor: TopSeller
N.º de Páginas: 416

Sinopse: 
A cidade de Southampton vê-se a braços com uma onda de crimes violentos sem precedentes. Fogo posto num ferro-velho. Um assalto a um carro que termina em tragédia. Um homicídio num dos parques da cidade. A polícia tenta alcançar respostas a todo o custo, mas, sem pistas, parece ser impossível descobrir o que liga todos estes casos.

Para a inspetora Helen Grace, no entanto, os problemas estão apenas a começar: dentro da própria esquadra, os obstáculos acumulam-se, deitando por terra qualquer avanço nas investigações, ao mesmo tempo que a pressão sobre si não para de aumentar — e quando as peças do puzzle se começam a encaixar, revelando uma hábil e perversa teia de crimes, a inspetora Grace vê-se obrigada a enfrentar algo que talvez seja impossível de travar...


Helen Grace está de volta, mas mais frágil que nunca.

Depois do relacionamento falhado com Hudson, o colega de trabalho mais odioso que já conheci, Grace depara-se com um adversário duro de roer na própria equipa de investigação, que tenta tramá-la nas suas costas. Com tudo isto a inspectora tem uma equipa dividia, o que vai dificultar as investigações que levam a cargo.

A equipa de Grace enfrenta uma série de crimes violentos que vão desde um incêndio num ferro velho, ao roubo de um carro que culmina em tragédia, passando por um brutal homicídio num parque da cidade. Tudo isto até podia ser mais fácil de resolver caso Grace tivesse todos a remar na mesma direcção, o que não vai acontecer. Com a sua melhor amiga em licença de maternidade e enfrentando calúnias dentro da esquadra e fora dela (Emília Guaranita continua a provocar estragos), Grace vê-se em grandes dificuldades em ganhar a confiança de todos.

Verdade ou consequência é o décimo livro da série Helen Grace e, apesar de estar sempre desejosa de ler mais uma investigação desta inspectora, achei a leitura em algumas partes parada, sem grande desenvolvimento. A história central, apesar de não ser de todo original (li dois livros já este ano com o mesmo desfecho), está bem interligada e mostra porque Grace continua a ser uma boa aposta na na chefia desta equipa.




O Passageiro Misterioso - Louise Candlish [Opinião]

 

Título: O Passageiro Misterioso
Autor:  Louise Candlish
Editor: Clube do Autor
N.º de Páginas: 356

Sinopse: 
Da autora bestseller Louise Candlish, vencedora do prestigiado Prémio Crime and Thriller Book of the Year, O Passageiro Misterioso é um turnpage de emoções fortes e reviravoltas inesperadas. O suspense mantém-se da primeira à última página e tudo acontece a um ritmo vertiginoso.

A trama começa com o súbito desaparecimento de Kit, um jovem carismático, em circunstâncias estranhas. Jamie o nosso protagonista, jura que não sabe de nada. Porém, um passageiro misterioso do barco que ambos apanham todas as manhãs para o trabalho afirma tê-los visto a discutir na véspera. As suspeitas adensam-se, mas Jamie afirma ter deixado Kit são e salvo. Só o leitor, testemunha de um terrível segredo, sabe efetivamente o que se passou...

Um livro excecionalmente bem pensado, tortuoso e absorvente, impossível de pousar.



Jamie e Kit conhecem-se em circunstâncias normais. A companheira de Kit começa a trabalhar na mesma imobiliária da mulher de Jamie e, apesar da diferença de idades estes dois casais começam a dar-se bem.

As viagens para o trabalho de Jamie e kit também começam a ser partilhadas, até porque ambos vão de barco diariamente para Londres. Mas tudo muda drasticamente quando Kit desaparece e Jamie é confrontado por uma dupla de detectives que começa a suspeitar que este possa estar por detrás do desaparecimento.

Para piorar a situação, os detectives afirmam ter uma testemunha que os viu a discutir no dia do desaparecimento de kit. No entanto Jamie continua a clamar inocência.

Com o desenrolar da história Louise Candlish brinda o leitor com vários twists, quebrando uma possível monotonia do livro. Se por um lado só vamos tendo a perspetiva dos acontecimentos aos olhos do narrador que é Jamie, por outro, vamos percebendo que nem tudo o que parece é, e poderá haver mais implicados no desaparecimento do jovem.

Gostei das diversas reviravoltas que a história vai dando, deixando o leitor de boca aberta perante determinadas situações. Confesso que me surpreendeu o rumo da história e gostei do final, completamente inesperado.





segunda-feira, 21 de fevereiro de 2022

A Menina e a Gata - Mala Kacenberg [Opinião]

 

Título: A Menina e a Gata
Autor: Mala Kacenberg
Editor: Bertrand Editora
N.º de Páginas: 256

Sinopse: 
Tendo crescido na pequena cidade polaca de Tarnogród, nas imediações de uma densa floresta, Mala Szorer teve uma infância feliz e despreocupada no seio de uma família judaica. Mas aos 12 anos, com a invasão alemã, a sua cidade torna-se um gueto e a sua família e amigos são reduzidos à pobreza extrema e à fome. Mala decide resolver o problema sozinha: corajosamente, arranca a sua estrela amarela e arrisca a vida ao fugir para as aldeias vizinhas para tentar obter comida.

No caminho de regresso, assiste à deportação dos seus entes mais queridos. Para sobreviver, Mala afasta-se de tudo aquilo que ama e vai viver sozinha na floresta, escondendo-se dos nazis e dos aldeões hostis. Mala é seguida pela sua gata, que a acompanha e parece vir em seu socorro - milagrosamente - uma e outra vez. Malach, a gata, torna-se a sua família e o seu único refúgio na solidão, um guia e uma luz para manter a esperança, mesmo perante a mais insondável escuridão.




A menina e a gata é uma leitura de não-ficção que conta a história de Mala Kacenberg, uma adolescente Polaca que vê na invasão das tropas alemãs a mudança completa da sua vida. Mala deixa a pequena localidade de Tarnogród e ruma a um gueto com a sua família e mais judeus onde passam fome e verdadeira miséria. Não fosse a destemida Mala e o facto de os seus olhos azuis e o cabelo loiro serem alvo de quaisquer suspeitas, a sua família estaria ainda em pior situação. Mala consegue arranjar comida para enganar o estômago e assim fazer com que a vida no gueto não seja tão dura.

No entanto, o inevitável aconteceu e toda a sua família foi para o campo de concentração escapando apenas ela e o avô. Mala para sobreviver acaba por abandonar tudo e partir na companhia da sua gata. Dias e dias de solidão, em busca da sobrevivência, faz com que Mala ganhe cada vez mais estratégias para passar despercebida, no entanto, tem a sorte de arranjar sempre alguém que a ajude, sempre na companhia de uma gata especial, fruto talvez da sua imaginação, mas que a vai ajudar nos momentos mais difíceis.

Apesar da temática, que me agrada, achei o livro um pouco superficial demais e com poucas ligações entre capítulos. A história pouco corrida, por vezes não situa o leitor, acabando por fazer com que a
 história seja feita de relatos esporádicos e sem seguimento.

O relato juvenil e o facto de ocultar os relatos mais atrozes que os alemães fizeram contra todos os judeus faz com que o livro seja direccionado para um público mais jovem, o que também me desagradou. No entanto, para aqueles que nunca leram nada sobre o holocausto este é um bom livro para se iniciarem.





sábado, 12 de fevereiro de 2022

Violeta - Isabel Allende [Opinião]

 

Título: Violeta
Autor: Isabel Allende
Editor: Porto Editora
N.º de Páginas: 360

Sinopse: 
Violeta del Valle é a primeira rapariga numa família de cinco irmãos truculentos. Nasce num dia de tempestade, em 1920, quando ainda se sentem os efeitos devastadores da Grande Guerra e a gripe espanhola chega ao seu país natal, na América do Sul.
Graças à ação determinada do pai, a família sairá incólume desta crise, apenas para ter de enfrentar uma outra: a Grande Depressão. A elegante vida urbana que Violeta conhecia até então muda drasticamente. Os Del Valle são forçados a viver numa região selvagem e remota, onde Violeta atinge a maioridade e viverá o primeiro amor.
Décadas depois, numa longa carta dirigida ao seu companheiro espiritual, o mais profundo amor da sua longa existência, Violeta relembra desgostos amorosos e apaixonadas relações, momentos de pobreza e de prosperidade, perdas terríveis e alegrias imensas. A sua vida será moldada por alguns dos momentos mais importantes da História: a luta pelos direitos da mulher, a ascensão e queda de tiranos, os ecos longínquos da Segunda Guerra Mundial.
Contado a partir do olhar de uma mulher determinada, de paixões intensas, com uma vida plena de sobressaltos, Violeta é um romance épico, inspirador e emotivo, ao melhor estilo de Isabel Allende.


Isabel Allende é sinónimo de uma boa história aliada a uma boa escrita. Conjugados estes dois fatores só pode resultar num excelente livro.

Violeta nasce em pleno início da década de 20 do século passado, em plena chegada da gripe espanhola ao seu país natal, algures na América do Sul. Ainda a sentirem os efeitos devastadores da Primeira Guerra Mundial, mas oriunda de uma família abastada, Violeta acaba por ter uma educação permissiva, o que a torna numa criança birrenta e pouco tolerante. É aqui que entra Miss Taylor, uma mulher que vai ser tudo na sua vida e acabará por substituir o papel de uma mãe ausente, sempre com achaques de saúde. se os Del Valle conseguem sair incólumes da Guerra, efeito oposto vai acontecer com a Grande Depressão que começa nos EUA, mas que inevitavelmente vai destruir as economias de muitos outros países.

Aí Violeta e família terão de sair do conforto de um lar na grande cidade e partir para uma região selvagem que desconhecem e viver da caridade de uma família fantástica. Isso vai fazer crescer Violeta que se torna numa mulher belíssima e com um forte carácter. À medida que vamos conhecendo a vida deste menina mulher, Isabel Allende, vai-nos fazendo uma retrospectiva de todo o século XX e início de XXI que, tal como começou, também terminará numa pandemia que assolará todo o Planeta.

A emancipação da mulher, a violência doméstica, as diferentes crises mundiais, quer económicas, que de guerra, os poderes ditatoriais, tudo isso é retratado com mestria pelas mãos de Allende, tornando este livro uma excelente companhia.
Adorei.




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