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quarta-feira, 20 de janeiro de 2016

A Rainha Branca - Philippa Gregory [Opinião]

Título: A Rainha Branca - A Guerra dos Primos I
Autor: Philippa Gregory
Edição/reimpressão: 2015
Páginas: 472
Editor: Editorial Planeta
Coleção: A Guerra dos Primos
PVP: 18,85€

Sinopse
A Rainha Branca é a história de uma plebeia de grande beleza, que ascende à realeza, servindo-se dos seus trunfos e que casa com o rei Eduardo IV. Embora de origens humildes, ela mostra estar à altura da sua elevada posição social e que luta tenazmente pelo êxito da sua família.
Uma mulher cujos filhos estarão no âmago de um mistério que há séculos intriga os historiadores: o misterioso desaparecimento dos dois príncipes encarcerados na Torre.

A minha opinião: 
Primeiro livro da série "Guerra dos Primos" A Rainha Branca começa com a história da plebeia Isabel Woodville que com a sua beleza apaixona Eduardo e acabam por se casar em segredo. Eduardo vai para a guerra e com a sua vitória acaba por se tornar o rei Eduardo IV de Inglaterra, mas o casamento secreto entre ambos vai gerar um conflito enorme entre as duas casas (York e Lencaster) uma vez que lord Warwick tem um grande poder sobre o jovem rei e já tinha outros planos de casamento para Eduardo.

Porém, Eduardo está completamente apaixonado e não pretende anular o casamento com Isabel, uma jovem viúva e com dois filhos, que lhe vai dedicar uma vida apaixonada e a quem lhe vai dar uma vida estável e com bastante filhos.


Da história de Isabel Woodville e Eduardo IV pouco se sabe. Muita é sustentada em lendas como a altura em que se conheceram, (dizem que Eduardo terá caído numa "embuscada" de Isabel para que esta o conseguisse seduzir) ou sobre os dois príncipes da Torre de Londres (que permanece um mistério, e presume-se que tenham morrido de fome ou que tenham sido assassinados na torre. Certo é que em 1674, durante a reforma da "Torre Branca", foram descobertos esqueletos de duas crianças sob a escadaria da capela).

Todos estes factos históricos são aliados com um toque de magia. Gregory cria a história de que Isabel se julga descendente de Melusina, uma espécie de feiticeira das águas com poderes mágicos, em quem se apoia nos momentos maus.

Philippa Gregory é uma exímia contadora de histórias. Apesar do primeiro livro da série não ter sido o que mais gostei de ler, talvez por a história de Isabel não me ter cativado tanto, não deixo de enaltecer a escrita de Gregory. Adoro a forma como sabe contar a história de Inglaterra e nos faz gostar de aprender mais sobre o século XV.

Excertos:
"Querido Deus, só tenho vinte e sete anos, a minha causa foi derrotada, o meu pobre marido está morto. Terei de ser uma das muitas pobres viúvas que irão passar o resto dos dias junto da lareira de outrém, tentando ser boa hóspede? Nunca voltarei a ser beijada? Nunca voltarei a sentir alegria? Nunca mais?" pag. 16

Sobre a Guerra dos Primos:
Já conhecia esta série porque a li desordenadamente. Sem saber que pertencia a uma série comecei por ler "A Rainha Vermelha", depois passei pela "A Filha do Conspirador" e "A Princesa Branca".
Sendo uma série obviamente que é melhor ler os livros pela sua ordem, mas conseguem ler-se isoladamente, porque são histórias com princípio, meio e fim. No entanto, alguns livros podem conter referências a histórias passadas.


segunda-feira, 13 de abril de 2015

A Herança Bolena - Phiippa Gregory [Opinião]

Título: A Herança Bolena
Autor:
Phiippa Gregory
N.º de Páginas: 472
PVP: 19,95 €

Sinopse:
1539, a corte de Henrique VII teme cada vez mais as constantes mudanças de humor do rei envelhecido e doente.
Apenas com um bebé, como herdeiro, o rei tem de encontrar outra esposa e o perigoso prémio da coroa de Inglaterra é ganho por Ana de Cléves.
Apesar de se mudar para um país onde os costumes e a língua são estranhos, Ana tem as suas razões para aceitar o casamento com um homem com idade para ser seu pai.
Apesar de se sentir deslumbrada por tudo o que a rodeia, sente que uma armadilha está a ser entretecida à sua volta.
A sua aia Catarina tem a certeza de que conseguirá seguir os passos da prima Ana Bolena até ao trono, mas Joana Bolena, cunhada de Ana, ensombrada pelo passado, sabe que o caminho de Ana Bolena a levou à Torre e à morte.

A minha opinião:


Pegar num livro de Philippa Gregory é garantia de uma excelente leitura. A Herança Bolena tem como pano de fundo a corte de Henrique VIII, e como personagens principais, além do rei inglês, duas das suas seis esposas, Ana de Cléves e Catarina Howard, bem como uma mulher determinante na corte inglesa, Joana Bolena.

A época Tudor é assim retratada sob o ponto de vista de três mulheres, com feitios bem diferentes, mas que foram "amigas" a um dado momento na corte de Henrique.

Depois de ter ficado viúvo de Joana Seymour, que morreu dias depois de ter dado à luz, Henrique VIII já estava em negociações para casar novamente. Desta vez, estava centrado na política europeia e dos interesses que este casamento poderiam obter. No entanto, Henrique e Ana nunca consumaram o casamento. Ana sempre teve uma educação rígida, quer por parte da mãe como do irmão, cuja intenção de casamento com o rei inglês era que este adoptasse o luteranismo. Ana ia com instruções precisas em relação a isso. Bastante ingénua, e completamente ignorante relativamente à língua inglesa e aos costumes da corte, Ana era constantemente gozada pelas amas, sendo maioritariamente excluída da vida na corte. O seu casamento com o rei apenas durou 6 meses visto que Henrique se apaixonou por uma das damas da corte, Catarina Howard. No entanto, pela sua brandura e bondade, Ana safou-se da guilhotina e até acabaria por viver uma vida bastante boa depois de te visto a anulação do seu casamento com o rei, já que este lhe deixou duas residências uma pensão bastante avultada. Foi a personagem que mais gostei de conhecer, já que a história não explora muito esta rainha.




Joana Bolena, cunhada de Ana Bolena, volta à corte de Henrique, somando-se ao rol de damas de Ana de Cléves e como a maioria delas, como espia do tio Tomás Howard. Viúva de Jorge Bolena, foi determinante para a condenação à morte do marido e da cunhada visto, para salvar a pele, nunca os defender em momento algum que fosse. É uma personagem que se move por interesses próprios, embora ao mesmo tempo, acabe por ser um joguete nas mãos do seu tio que faz dela o que quer, em troca de uma promessa de uma futuro casamento com um nobre. Joana deseja unicamente estabilidade financeira na sua vida, visto ter 30 anos, ter um filho que não está com ela na corte, já se encontrar viúva e carregar o apelido Bolena. É uma importante fonte de informação da corte já que sabe muito do que se lá passa e do que se passou no passado, munindo o leitor de muitos dados históricos.

Catarina Howard, de apenas 14 anos, mas com um espírito rebelde e de doidivanas, é levada para a corte através do duque de Norfolk. Inicialmente é levada como aia da rainha Ana, mas sempre com o objectivo de saber tudo o que se passa lá dentro dando depois informações ao duque, seu tio. Os planos começam a mudar quando Norfolk se começa a aperceber que Henrique se começa a apaixonar pela sua sobrinha...

Aí vemos a paixão que Catarina sente por um dos lacaios do rei, Thomas Culpepper, mas também a adoração pelos vestidos e jóias que o velho rei lhe dá que a vai conquistando aos poucos.

Nesta fase da vida do rei, Henrique, que quando jovem era mencionado com um rei esbelto, está velho, gordo, manco e com uma ferida aberta na perna que cheira horrivelmente. Estes relatos são observados tanto por Ana no leito nupcial quando o rei tem de ser ajudado para se deitar na cama e o cheiro que emana é nauseabundo, mas também por Catarina.

Um livro fascinante de uma época surpreendente da história de Inglaterra. Uma série a não perder. Recomendo sem reservas.


 


Excertos: 
"Que tipo de homem é capaz de ver o filho morrer e ser enterrado sem pronunciar uma única palavra? Que tipo de pai é capaz de dizer às duas filhas pequenas que não são suas? Que tipo de homem consegue mandar os amigos e a mulher para o cadafalso e dançar, quando as mortes lhe são comunicadas? Que tipo de homem é este, a quem concedemos o poder absoluto sobre as nossas vidas e as nossas almas?" - Joana Bolena - pag. 36
"... e uma mulher que espera ascender no mundo, não se pode dar ao luxo de ser esquisita." - Catarina Howard - pag. 214
"Na verdade quando um rei acredita que é um deus e segue os seus desejos, o sofrimento cai sobre os outros." - Ana, duquesa de Cléves - pag. 262


 

sexta-feira, 16 de janeiro de 2015

A Princesa Branca A Guerra dos Primos - Volume V- Philippa Gregory [Opinião]

Título: A Princesa Branca
A Guerra dos Primos - Volume V
Autor: Philippa Gregory
Tradução: Mário Dias Correia
Edição/reimpressão: 2014
Páginas: 488
Editor: Editorial Planeta
PVP: 19,95€

Sinopse:
Quando Henrique Tudor conquista a coroa de Inglaterra após a batalha de Bosworth, sabe que tem de se casar com a princesa da casa inimiga, Isabel de York, para unificar um país dividido pela guerra há duas décadas.
Mas a noiva ainda está apaixonada pelo seu inimigo morto, Ricardo III. A mãe de Isabel e metade de Inglaterra sonham com o herdeiro ausente, que a Rainha Branca enviou para o desconhecido. Embora a nova monarquia tome o poder, não consegue ganhar o coração de uma Inglaterra que espera o regresso triunfante da Casa de York.
O maior receio de Henrique é que um príncipe esteja escondido à espreita para reclamar o trono. Quando um jovem que quer ser rei conduz o seu exército e invade Inglaterra, Isabel tem de escolher entre o novo marido, por quem se começa a apaixonar, e o rapaz que afirma ser o seu amado e perdido irmão: a Rosa de York volta para casa finalmente.

A minha opinião: 
Confesso que não tenho sido uma fiel leitora da Guerra dos Primos, mais por não se ter proporcionado a leitura do que por não gostar da série. Da série propriamente dita, este é o terceiro livro que leio, faltando-me A Rainha Branca (um livro intrinsecamente ligado a este) e A Senhora dos Rios. Como fã de romances históricos, Philippa Gregory está dentro das minhas autoras preferidas.

Em A Princesa Branca a autora dá vida a Isabel de York, filha da Rainha Branca, protagonista do primeiro romance a série A Guerra dos Primos. Depois do noivo, Ricardo III, ter morrido na batalha contra Henrique Tudor, Isabel vai ter de se casar com o próprio inimigo e tornar-se rainha de Inglaterra. Mais uma vez, a guerra dos Tudor e York é evidente e nem o casamento entre ambas as casas nobres vai diminuir as contendas.

A sua mãe, Isabel R. é uma mulher indomável e pede que esqueça o homem que ama e que a jovem Isabel case mesmo com o seu inimigo. De facto, Isabel de York não tem alternativa. O casamento é combinado e acaba por casar, já grávida de Henrique, que deseja saber já antes de casar, se a sua futura esposa é fértil e futura progenitora de um barão para o trono de Inglaterra.

No entanto, Henrique não é aquilo que mostra aos súbditos. Aquele que viria a ser Henrique VII seria um jovem frágil, cheio de incertezas, odiado pelos seus súbditos que preferiam a casa de York no troco do que os Tudor que tudo fizeram para conspirar contra ele. Mesmo assim, conseguiu, aos poucos, conquistar o coração de Isabel, e nem por isso o respeitou.

 

A forte influência que a mãe, Margarida Beaufort, mãe de Henrique VII tinha sobre o filho, está por demais vincada na trama, sendo uma peça determinante na tomada de decisões do reino.

E quando se levanta a dúvida que da casa de York pode ainda ter algum herdeiro, que poderia estar escondido na corte portuguesa, colocam em paranóia a corte de Henrique e em júbilo os que acreditam na ascensão dos York... Esse episódio imprime alguma acção à narrativa, embora a autora tenha pegado neste episódio para andar muito à volta do tema.

É esta a história que Philippa Gregory conta com mestria, de uma forma simples, bonita, embora, por vezes um pouco fastidiosa em algumas partes, ao longo das quase 500 páginas de A Princesa Branca.

Excerto:
"Isabel, serás a pacificadora, e o próprio Deus chamar-vos-á bem-aventurada." - pag. 35
 


sexta-feira, 5 de abril de 2013

A Filha do Conspirador - Philippa Gregory [Opinião]

Título: A Filha do Conspirador
Autor:
Philippa Gregory
N.º de Páginas: 496
Tradução: Miguel Romeira
Capa: Mole
PVP: 17,90€

Sinopse:
“Perdi o meu pai numa batalha, a minha irmã às mãos de uma espia de Isabel Woodville, o meu cunhado às mãos do seu carrasco e o meu sobrinho às mãos de um seu envenenador, e agora o meu filho foi vítima da sua maldição…” A apaixonante e trágica história de Ana Neville e da sua irmã Isabel, filhas do Conde de Warwick, o nobre mais poderoso da Inglaterra durante a Guerra dos Primos. Na falta de um filho e herdeiro, Warwick usa cruelmente as duas jovens como peões, mas elas desempenham os seus papéis de forma previdente e poderosa. No cenário da corte de Eduardo IV e da sua bela rainha Isabel Woodville, Ana é uma criança encantadora que cresce no seio da família de Ricardo, Duque de Iorque, transformando-se numa jovem cada vez mais corajosa e desesperada quando é atacada pelos inimigos do seu pai, quando o cerco em seu redor se aperta e quando não tem ninguém a quem possa recorrer, a quem possa confiar a sua vida. 

A minha opinião:
Sempre que leio Philippa Gregory fica sempre a vontade de querer ler mais e mais. Estou cada vez mais rendida à autora e tenho mesmo de estar atenta à promoções dos seus livros para adquirir alguns para a minha estante.


A Filha do Conspirador pertencente à série "Guerra dos Primos" tem como protagonista Ana Neville, uma das duas filhas do Fazedor de Reis, Ricardo Neville, Conde de Warwick.


Desta série apenas li A Rainha Vermelha,uma das personagens que aparece neste romance, se bem que com uma relevância menor. Em cada livro Gregory coloca uma heroína diferente, mas sempre com papel preponderante para a história de Inglaterra e de uma forma simples e agradável.


Ana é a narradora desta história que vai estar envolta em guerras e ódios, mas também no amor que o seu pai tem por si. Para Ana Ricardo Neville é o seu herói e, por isso mesmo, decide levar sempre à letra aquilo que ele lhe diz. Pai de duas bonitas raparigas, o seu desejo é apenas um: que uma delas se torne rainha de Inglaterra. Mas o casamento de um dos seus protegidos e pretendente ao trono inglês, Eduardo, com uma plebeia deita por terra todos os seus desejos, Isabel Woodville, personagem retratada em A Rainha Branca.


Mesmo assim decide casar a sua filha mais velha com o irmão de Eduardo, Jorge, continuando com a esperança que as coisas mudem.


No entanto, tudo aquilo que muda, muda para pior para a casa dos Neville. Daí ter-se aliado ao inimigo de Eduardo e outrora seu inimigo também e casar a jovem Ana com Eduardo filho de Margarida de Anjou e Henrique VI destituido do trono precisamente por Ricardo Neville (tendo começado nessa altura a Guerra das Rosas, anteriormente designada por Guerra dos Primos).


Obviamente nem Ana nem Eduardo se amam e vão contrariados para este casamento, mas as familias levam a sua avante...


Mesmo para quem não tenha lido os anteriores livros, facilmente entra na história, até porque Gregory cria uma personagem complemente independente, que nos leva a visionar uma história muito própria, uma história sempre do ponto de vista da personagem principal.


Num instante Philippa Gregory passa de uma heroína, retratada num livro, para vilã, aos olhos da protagonista de outro. Daí a sua leitura ser tão estimulante.

Excerto:
"Isabel e eu éramos as mais ricas herdeiras de Inglaterra e agora não tenho nada."
"Podemos subir muito ou descer muito baixo, mas raramente conseguimos fazer a roda girar segundo a nossa vontade."
 

segunda-feira, 25 de abril de 2011

A Rainha Vermelha - Philippa Gregory [Opinião]


Título: A Rainha Vermelha
Autor: Phillippa Gregory
Título original: The Red Queen
Tradução: Maria Beatriz Sequeira
Páginas: 408
Encadernação: Capa mole
Família: Literatura
Sub-família: Romance Histórico
Colecção: Literatura
PVP: 17,90 €

Sinopse:
Herdeira da rosa vermelha de Lancaster, Margarida vê as suas ambições frustradas quando descobre que a mãe a quer enviar para um casamento sem amor no País de Gales. Casada com um homem que tem o dobro da sua idade, depressa enviúva, sendo mãe aos catorze anos. Margarida está determinada em fazer com que o seu filho suba ao trono da Inglaterra, sem olhar aos problemas que isso lhe possa trazer, a si, à Inglaterra e ao jovem rapaz. Ignorando herdeiros rivais e o poder desmedido da dinastia de York, dá ao filho o nome Henrique, como o rei, envia-o para o exílio, e propõe o seu casamento com a filha da sua inimiga, Isabel de York.
Acompanhando as alterações das correntes políticas, Margarida traça o seu próprio caminho com outro casamento sem amor, com alianças traiçoeiras e planos secretos. Viúva pela segunda vez, Margarida casa com o impiedoso e desleal Lorde Stanley. Acreditando que ele a vai apoiar, torna-se o cérebro de uma das maiores revoltas da época, sabendo sempre que o filho, já crescido, recrutou um exército e espera agora pela oportunidade de conquistar o prémio maior.

A minha opinião:
Apesar de não ter lido o primeiro volume da trilogia, “A Rainha Branca”, mas com muita curiosidade para o ler, confesso, o livro sobre Margarida, herdeira da rosa vermelha de Lancaster, prendeu-me bastante até porque desconhecia por completo a sua história.
Tendo como Joana D’Arc como heroína e sonhando com uma vida de reclusão, Margarida nem sonha que com nove anos, a sua mãe já tem para si um futuro assegurado: casá-la com um homem com o dobro da sua idade, mas de cuja união poderá surgir o futuro rei de Inglaterra.
Aquando do seu primeiro casamento Margarida diria “Sou uma criança, enviada para cumprir o dever de uma adulta”. De facto, Margarida tinha 13 anos quando casou com o seu primo Edmundo Tudor.
Mas desta aliança nasceria o futuro rei de Inglaterra, Henrique VII, tornando-se Margarida uma mulher forte, que tudo faria para colocar o seu único filho no único lugar que ele merecia: o trono.
Enviuvece cedo, mas depressa se arranja novo marido para Margarida, sempre com interesses pelo meio. No entanto, este segundo casamento afasta Margarida do seu filho, e da educação deste. No entanto, não é por isso que esta se mantém longe dele. Procura sempre ter notícias dele, mostrando sempre firme o seu propósito: lutar pelo trono.
Philippa Gregory mostra uma mulher culta, cheia de força, mas também cheia de religiosidade, que desculpa tudo aquilo que faz na “vontade” divina, mostrando aqui o seu lado perverso. Não menos maléfico na luta pelos seus interesses é Lorde Stanley que se coloca sempre do lado dos vencedores.
Um livro apaixonante de uma autora que já conhecia de “Duas irmãs, Um Rei”.

quarta-feira, 24 de setembro de 2008

Duas Irmãs, Um Rei - Philippa Gregory [Opinião]

Título: Duas Irmãs, Um Rei
Autor: Philippa Gregory
N.º de Páginas: 640
PVP: 16,90€
 
Duas Irmãs, Um Rei apresenta uma mulher com uma determinação e um desejo extraordinários que viveu no coração da corte mais excitante e gloriosa da Europa e que sobreviveu ao seguir o seu próprio coração.

Quando Maria Bolena vai a tribunal como sendo uma rapariga inocente de catorze anos, ela chama a atenção de Henrique VIII. Deslumbrada com o rei, Maria Bolena apaixona-se pelo seu príncipe e pelo seu papel crescente como rainha não oficial. Contudo, à medida que o interesse do rei se começa a desvanecer, ela vê-se forçada a afastar-se e dar lugar à sua melhor amiga e rival: a sua irmã, Ana. Então Maria sabe que tem de desafiar a sua família e o seu rei, e abraçar o seu destino. Uma história rica e cativante de amor, sexo, ambição e intriga.

A minha opinião:

A temática do livro de Philippa Gregory já não era nova para mim, já que li alguns livros sobre Henrique VIII e Ana Bolena uma vez que, além de gostar bastante de história, gosto sobretudo do reinado dos Tudors. No entanto, nunca tinha lido nada do ponto de vista da outra irmã de Ana, que também foi amante do rei, Maria Bolena.
O poderio da família contra o individual faz com que as filhas Bolena sejam joguetes nas mãos de pai e tio de forma a atingir os seus intentos: ser mais ricos e poderosos e obter as boas graças do Rei.
Quando Maria Bolena, com 14 anos chama a atenção do rei; pai e tio fazem com que ela se separe do seu marido e tente seduzir o monarca o mais possível. Num instante está na sua cama sendo a sua amante predilecta. Tem do rei dois filhos, Catarina e Henrique, mas o monarca começa a desinteressar-se, como é costume dele e é aí que pai e tio Bolena decidem elaborar outro plano. Mandam buscar Ana de França para que seja ela a próxima amante real.
Ana, maquiavélica e ávida de poder, faz tudo o que lhe mandam, sem sequer se importar dos sentimentos que Maria nutre pelo rei. Mas Ana não quer ser só mais uma amante do rei, quer ser a futura rainha de Inglaterra. O desejo cada vez maior de Henrique ter um filho que possa suceder-lhe, faz com que caia nas promessas de Ana Bolena, que jura que lhe vai dar, aquilo que Catarina não conseguiu, um varão. Depois de conseguir com que Henrique VIII anule o casamento com Catarina de Aragão, Ana finalmente sobe ao trono, mas a população fica descontente. Com o passar dos anos, Henrique constata que a promessa não se concretizou. Ana apenas lhe deu uma filha: Isabel e não consegue conceber o filho que ele tanto deseja. O desinteresse pela Bolena começa a ser cada vez maior.
O final não será de todo feliz para a família Bolena. Jorge é acusado de incesto com Ana e é decapitado. Tal como sucedera com Catarina, também o casamento de Ana com Henrique é anulado, sendo posteriormente a Bolena acusada de adultério e de incesto tendo sido igualmente decapitada. Apenas Maria tem final feliz. Sai da corte com o seu actual marido para cuidar dos filhos que tanto ama.




Livro deu filme

“The Other Boleyn Girl” é o nome do filme baseado no livro com o mesmo nome e foi lançado em 2008. O elenco é constituído por Natalie Portman, Scarlett Johansson e Eric Bana sendo dirigido por Justin Chadwick. Enquanto lia o livro fui acompanhando o filme e, como é já é habitual, desiludiu-me um pouco. Achei que Maria Bolena não foi tão explorada como no livro e mesmo a história em si foi bastante superficial. Mais uma vez continuo a preferir ler os livros em detrimento dos filmes que são baseados neles.

Série os Tudors

Relativamente à série The Tudors, que ainda continuo a ver, essa é bem mais interessante, contando ao pormenor as peripécias da corte inglesa na altura. No entanto, não há bela sem senão, e, provavelmente para melhorar o enredo, a série tem algumas imprecisões históricas, das quais destaco apenas uma minoria. Na série a irmã de Henrique, chamada Margaret, é um misto das duas irmãs que o monarca teve: Maria e Margarida Tudor. Historicamente, a Princesa Maria, foi casada com o rei francês Luís XII da França. Com a morte do seu marido, Maria casa-se novamente com Charles Brandon, 1.º Duque de Suffolk. Na série a princesa Margarida aparece a casar com um rei português, que vive apenas alguns dias até que ela assassina-o durante o seu sono. O rei português aparece em idade bastante avançada, quando na realidade o rei português de então estava na casa dos 20 anos e era o rei João III de Portugal, e não casou com qualquer princesa de Inglaterra. A irmã mais velha de Henrique, Margarida Tudor, realmente foi casada com James IV da Escócia e tornou-se avó de Maria, Rainha dos Escoceses.

Bessie Blount foi amante de Henrique deu-lhe um filho ilegítimo (Henrique Fitzroy), que historicamente não morrera na infância. Fitzroy morreu com 17 anos em 1536, cerca de 10 anos antes da morte do seu pai, Henrique VIII. Blount também não foi casada até ao nascimento de Henry Fitzroy.

O Cardeal Wolsey não foi preso e não cometeu suicídio. Depois de ser acusado de traição, ele fixou-se em Londres para responder às acusações e morreu a caminho de Leicester. Wolsey veio a morrer em 1530, três anos antes da morte da irmã de Henrique, Maria, e na série os dois eventos são justapostos. Além disso, só depois do ano 1630, 27 anos após a morte da filha de Henrique VIII, Isabel I, é que os cardeais da Igreja Católica tiveram o tratamento de "Eminência", como é conferido ao Cardeal Wolsey na série.

William Brereton não confessou o adultério com a Rainha Ana Bolena e quase certamente não era um agente papal. Ele era um rico magnata que tinha grandes propriedades em Welsh Marches, onde foi implacável e impopular, e provavelmente foi acusado, devido ao desejo de Cromwell em remover um problema político.




Um pouco de história

Maria Bolena

Mais nova dos três irmãos, Maria foi educada na corte francesa. Ainda muito nova foi enviada para a corte de Henrique VIII, onde serviu como aia da rainha Catarina de Aragão.

Maria, Ana e o irmão George, eram conhecidos como os irmãos Bolena em toda a corte. Eram belos e inteligentes. Ana e Maria eram íntimas, unidas, mas sempre rivais. Uma relação de cumplicidade inveja e lealdade. Maria era doce e obediente, Ana era determinada, obstinada e envolvente. Casada aos 14 anos com sir William Carey, afastou-se dele ao perceber o interesse do Rei, tornando-se a sua amante, a mando da sua ambiciosa e calculista família. Deu uma filha, Catarina e um filho, Henrique ao Rei. Com isto, o rei pensou em casar-se com ela, já que Catarina de Aragão não lhe dera herdeiros do sexo masculino. Com a reclusão de Maria por conta da segunda gravidez, Ana Bolena foi designada pela família a manter o Rei afastado de outras mulheres. Porém acabou encantado por Ana, e dispensando Maria. Maria passou então a servir Ana como aia, numa corte paralela, já que a rainha Catarina de Aragão se mantinha no trono, apesar da controvérsia imposta por Henrique sobre a legitimidade do casamento deles. Toda a família Bolena empenhou-se na luta de Ana para chegar ao trono de Inglaterra. Maria voltou para o seu marido, que assumira como seus os filhos do Rei desde o nascimento. Porém, logo depois William morreu. Com o casamento de Ana com Henrique, Maria achava-se livre para viver no campo com seu novo marido, Willian Stafford, um serviçal do seu tio, que adquiriu algumas terras para viver com ela e a sua filha, a quem lhe deram o nome da sua irmã, Ana. Mas Ana ainda precisava da sua ajuda, já que após dar à luz Isabel (Elizabeth), não conseguia manter uma gestação até o fim, o que estava a deixar o Rei apreensivo em ter um herdeiro homem, e começava a desviar o seu interesse para outras mulheres da corte.

Após a morte de Ana e George, Maria foi então viver para o campo, longe da corte, como sempre quisera, com o seu marido e os seus três filhos. Morreu em 1543.




Ana Bolena

O seu casamento com Henrique VIII foi polémico do ponto de vista político e religioso e resultou na criação da Igreja Anglicana. A ascensão e queda de Ana Bolena, considerada a mais controversa rainha consorte de Inglaterra, inspiraram inúmeras biografias e obras ficcionais. Ana era filha de Thomas Boleyn, Conde de Wiltshire e de Isabel Howard, filha do Duque de Norfolk. A data e local do seu nascimento permanecem incertos no intervalo 1495-1509, sendo 1500 o mais provável. Ana foi educada nos Países Baixos, na corte de Margarida, Arquiduquesa da Áustria. Por volta de 1514, viajou para a corte francesa onde se tornou numa das aias da rainha Cláudia de Valois (mulher de Francisco I), onde aprendeu a falar francês e se familiarizou com a cultura e etiqueta deste país. Esta experiência haveria de se mostrar decisiva na formação da sua personalidade.

Em Janeiro de 1522, Ana Bolena regressou a Inglaterra por ordens do pai e entrou ao serviço de Catarina de Aragão, a consorte do rei Henrique VIII de quem a sua irmã Maria Bolena era então a amante oficial. Neste período, Ana desenvolveu uma relação com Henry Percy, o filho do Conde de Northumberland, e os dois chegaram a estar secretamente noivos. O casamento foi impedido por Thomas Bolena por razões incertas e Ana foi afastada da corte. Em meados de 1525, estava de regresso e no ano seguinte, substituiu a sua irmã mais nova nas atenções do rei. A princípio Ana seduziu-o, estimulou todos os avanços de Henrique VIII, mas não aceitava ser a sua amante, queria o trono da Inglaterra. O facto de Maria Bolena ter dado ao Rei uma filha e um filho, despertou nele a intenção de casar-se novamente para produzir um herdeiro legítimo, já que Catarina de Aragão parecia ser incapaz de lhe produzir uma herdeiro varão. O poder de Ana aumentou de forma exponencial. Tornou-se influente na diplomacia inglesa ao estabelecer uma relação de amizade com Monsieur de la Pommeraye, o embaixador francês que estava apaixonado por ela. O diplomata John Barlow era também um admirador e espiava no Vaticano às suas ordens. Em 1532, Henrique VIII tornou-a Marquesa de Pembroke, fazendo-a a primeira mulher a receber um título nobiliárquico de seu pleno direito. A sua família foi também beneficiada: o pai recebeu o Condado de Ormonde e o irmão George Bolena tornou-se Visconde Rochford. Ana não era, no entanto, uma personagem popular. Em 1531 os apoiantes da rainha Catarina organizaram uma manifestação contra Ana Bolena que reuniu 8 mil mulheres nas ruas de Londres.

Finalmente, em 1532, em Calais, Henrique VIII e Ana Bolena tornaram-se amantes. Tem-se especulado bastante em torno das razões que levaram a esta cedência após tantos anos de resistência por parte de Ana. A 25 de Janeiro de 1533, antes do anúncio oficial da dissolução unilateral do casamento com Catarina de Aragão, Henrique casou-se secretamente com Ana no Palácio de Whitehall. Esta pressa pode ter estado relacionada com uma gravidez de Ana e a necessidade de Henrique VIII em não deixar sombra de dúvidas quanto à legitimidade de um herdeiro. A 1 de Junho, Ana foi coroada Rainha de Inglaterra sob o desagrado da população londrina que boicotou as celebrações. Henrique VIII foi excomungado pelo Papa Clemente VII por esta afronta ao direito canónico a 11 de Julho e em Setembro Ana deu à luz uma menina, a futura Elizabeth I de Inglaterra.

Enquanto rainha, Ana Bolena procurou introduzir muitos aspectos da cultura francesa na corte de Inglaterra. Continuou influente junto do rei e diz-se que foi por sua indicação que a maioria dos bispos da nova Igreja de Anglicana conseguiu o seu posto. Henrique VIII parecia satisfeito com ela em tudo, menos na falta de um herdeiro. As gestações subsequentes acabaram em abortos espontâneos e no nascimento de nados mortos, o que resultou no desapontamento do rei. Em Janeiro de 1536, Catarina de Aragão morreu de doença prolongada, provavelmente cancro, e Ana teve o mau gosto de celebrar o evento vestida de amarelo quando o resto da corte, incluindo Henrique VIII, se encontrava de luto pela Princesa de Gales. A partir de então Henrique VIII começou a afastar-se da mulher, que consequentemente se tornou vulnerável a intrigas. A gota de água terá sido a subida de Jane Seymour, aia de Ana Bolena, ao status de amante.

Em Maio de 1536, após cerca de 1000 dias como rainha consorte da Inglaterra, Ana foi presa na Torre de Londres acusada de adultério, incesto e do uso de feitiçaria para atrair amantes e o próprio Henrique VIII. Além de, no desespero para gerar um herdeiro ao trono, ser acusada de ter tido relações com seu irmão George Bolena, dando a luz à um 'monstro'. Cinco homens, incluindo o seu irmão, George Bolena ou também nomeado Lord Rochfort, foram também presos e interrogados sob tortura. Baseado nas confissões resultantes, o Parlamento condenou Ana Bolena por traição a 15 de Maio. O casamento com Henrique VIII foi anulado dois dias depois, por razões desconhecidas, uma vez que os registos foram destruídos. A 19 de Maio de 1536, Ana e seu irmão George foram decapitados na Torre de Londres e onze dias depois, Henrique VIII casou-se com Jane Seymour.

A história trágica de Ana Bolena tem inspirado muitas obras de ficção e biográficas. Há também inúmeras lendas e teorias em torno da sua vida, nomeadamente a sugestão de que Ana teria seis dedos numa das mãos. Além disso, muitos dizem já ter visto o seu espírito rondando pela Torre de Londres.

Henrique VIII

Henrique VIII Tudor foi o segundo monarca da dinastia Tudor, sucedendo a seu pai, Henrique VII. Ficou famoso por ter se casado seis vezes e por exercer o poder mais absoluto entre todos os monarcas ingleses. Entre os feitos mais notáveis do seu reinado inclui-se a ruptura com a Igreja Católica Romana, e o estabelecimento como líder da Igreja da Inglaterra (ou Igreja Anglicana), a dissolução dos monastérios, e a união da Inglaterra com Gales.

A coroação de Henrique VIII foi a primeira pacífica da Inglaterra em muitos anos; entretanto, a legitimidade da dinastia Tudor tinha que ser colocada em prova. O povo inglês parecia descontente com as regras de sucessão feminina, e Henrique sentiu que só um herdeiro masculino poderia assegurar o trono. A rainha Catarina ficou grávida pelo menos sete vezes (a última vez em 1518), mas só uma das crianças, a princesa Maria, sobreviveu à infância. Henrique tinha ficado com várias concubinas, incluindo Maria Bolena e Isabel Blount, com quem tinha tido um filho ilegítimo, Henry Fitzroy, primeiro duque de Richmond e Somerset. Em 1526, quando esteve claro que a rainha Catarina não poderia ter mais filhos, Henrique começou a perseguir a irmã de Maria Bolena, Ana Bolena. Apesar da motivação principal de Henrique se divorciar de Catarina, fosse o seu desejo de ter um herdeiro homem, ficou entusiasmado com Ana, apesar de sua inexperiência infantil. A insistente tentativa do rei em terminar o seu casamento com a rainha Catarina, foi apelidada de "A questão real". O cardeal Wolsey e William Warham começaram secretamente a investigar a validade do casamento. Obviamente, a rainha Catarina tinha testemunhado que o seu matrimónio com Artur, Príncipe de Gales, não tinha sido consumado, e portanto isso não foi impedimento para o subsequente casamento com Henrique. Sem informar o cardeal Wolsey, Henrique apelou directamente à Santa Sé. Henrique pediu ao papa Clemente VII que lhe outorgasse uma dispensa para permitir casar-se com qualquer mulher, inclusive escolhendo por grau de afinidade. Esta dispensa era necessária, já que Henrique tinha tido previamente relações com a irmã de Ana Bolena, Maria. Clemente VII não estava de acordo com a anulação do matrimónio, mas concedeu a dispensa, presumindo que a mesma não teria muito efeito enquanto Henrique tivesse que permanecer casado com Catarina.

Mais tarde, a comissão estabeleceu que a Bula Papal autorizando o casamento de Henrique com Catarina seria declarada nula se as alegações em que se baseava se demonstrassem falsas.

No entanto, a demora para a anulação do casamento fez com que Henrique se sentisse cada vez mais descontente com o seu braço direito, cardeal Wolsey e destituiu-o dos seus poderes e riqueza. Com o Cardeal Wolsey caíram outros poderosos membros da Igreja na Inglaterra. O poder passou então para Sir Thomas More como novo Lord Chanceler, a Thomas Cranmer como novo arcebispo de Canterbury e a Thomas Cromwell como primeiro conde de Essex e Secretário de Estado da Inglaterra.

Finalmente, a 25 de Janeiro de 1533, o arcebispo de Canterbury, Thomas Cranmer, participou do casamento entre Henrique e Ana Bolena. Em Maio, foi anunciado a anulação do matrimónio com Catarina, e pouco depois é declarado válido o matrimónio com Ana. A Princesa Maria, futura rainha Mary I de Inglaterra, foi rebaixada a filha ilegítima, e substituída como provável herdeira pela nova filha de Ana, Isabel (a futura rainha Elizabeth I de Inglaterra). Catarina perdeu o título de Rainha, e converteu-se na Princesa viúva de Gales; Maria deixou de ser "Princesa de Gales", para passar a ser uma simples "Lady". Catarina de Aragão morreu de cancro em 1536.

Esta atitude de afronta sem precedentes à Igreja Católica valeu-lhe a excomunhão, declarada por Clemente VII em 11 de Julho de 1533. No seguimento da excomunhão, Henrique decidiu o rompimento com a Igreja Católica Romana, declarou a dissolução dos monastérios, tomando assim muitos dos haveres da Igreja, e formou a Igreja Anglicana, da qual se declarou líder. Esta decisão tornou-se oficial com o decreto da supremacia (Act of Supremacy) de 1534. A recusa em jurar obediência a este decreto levou-o a condenar o humanista Thomas More, seu antigo Lord Chanceler, à morte.

Em 1536, a rainha Ana Bolena começou a perder o favor de Henrique. Depois do nascimento da princesa Isabel, Ana teve duas gestações que terminaram em aborto ou morte da criança. Enquanto isso, Henrique começava a prestar atenção na dama da corte, Jane Seymour. Talvez animado por Thomas Cromwell, Henrique fez com que Ana fosse presa sob a acusação de bruxaria, de ter relações adúlteras com cinco homens, de incesto (com seu irmão Jorge Bolena, o Visconde de Rochford), de injuriar o Rei e conspirar para assassiná-lo, com a agravante de traição. As acusações eram inteiramente inventadas. O tribunal que tratou do caso foi presidido pelo próprio tio de Ana, Thomas Howard, Duque de Norfolk. Em Maio de 1536, Ana e seu irmão foram condenados à morte, entre a fogueira ou a decapitação, o rei escolheu que Ana fosse decapitada. Os outros quatro homens sobre os quais foram apontadas acusações de terem tido relações com Ana, foram condenados à decapitação. Lord Rochford, pai de Ana, foi decapitado no final do julgamento de forma imediata. Ana também foi decapitada em pouco tempo.

Um dia depois da execução de Ana Bolena, em 1536, Henrique VIII ficou noivo de Jane Seymour e dez dias depois casou-se com ela.

A Segunda Acta de Sucessão de 1536 declarou que os filhos da rainha Jane seriam os próximos dentro da linha sucessória, excluindo Lady Maria e Lady Isabel.

Jane deu à luz a um filho, príncipe Eduardo em 1537, e morreu poucas semanas depois, a 24 de Outubro devido a septicemia após parto. Logo depois da morte de Jane, a corte inteira guardou luto com Henrique por algum tempo. O Rei considerou-a sempre sua "verdadeira" esposa, ao ser a única que lhe deu o herdeiro varão que tão desesperadamente sonhava.

Henrique desejou casar-se novamente. Thomas Cromwell, agora Conde de Essex, sugeriu o nome de Ana de Cleves, irmã do Duque de Cleves, que tinha sido um importante aliado no caso do ataque da Igreja Católica à Inglaterra. Depois de ver o retrato de Ana e receber descrições complementares a respeito da mesma, Henrique decidiu casar-se com Ana. Porém, quando chegou a Inglaterra, Henrique achou-a pouco atraente, no entanto casou-se na mesma a 6 de Janeiro de 1540.

Pouco tempos depois, Henrique decidiu terminar o casamento, não apenas por causa dos seus sentimentos mas também por considerações políticas. O Duque de Cleves tinha entrado numa disputa com o Sacro Império Romano, com o qual Henrique não queria entrar. A nova rainha, Ana, foi inteligente o bastante para não deixar Henrique pedir a anulação do casamento e alegou que o mesmo não havia sido consumado. O casamento portanto foi anulado e Ana recebeu o título de "Irmã do Rei".

Em 28 de Julho de 1540, Henrique casou-se com a jovem Catarina Howard, prima de Ana Bolena e estava encantado com a nova rainha. Logo após o casamento, entretanto, Catarina teve um caso com o cortesão Thomas Culpeper. Ela também empregou como seu secretário, Francis Dereham, com quem tinha tido um caso antes de se casar com Henrique VIII. Thomas Cranmer apresentou evidências das actividades extra-conjugais da rainha a Henrique e, embora este não tivesse acreditado, mandou Cranmer conduzir investigações que acabaram por resultar na verdade. Quando interrogada, a Rainha admitiu o caso com Dereham mas alegou que foi forçada por ele a ter esta relação extra-conjugal, porém Dereham delatou o relacionamento de Catarina com Thomas Culpeper. O casamento com Catarina foi anulado rapidamente após a sua execução. Como no caso de Ana Bolena, Catarina Howard pode ter sido vítima de uma acusação falsa de adultério, porém nada conseguiu ser provado.

Henrique casou-se com a sua última mulher em 12 de Julho de 1543, a rica viúva Catarina Parr. Ela e Henrique tiveram um casamento cheio de discussões sobre religião, uma vez que ela era radical e Henrique conservador. Embora isso desagradasse ao Rei, ela sempre se salvou mostrando-se submissa. Ajudou a reconciliação de Henrique com suas duas filhas, Lady Maria e Lady Isabel. Em 1544, uma Acta do Parlamento colocou-as de volta na linha de sucessão ao trono inglês após o príncipe Eduardo, embora elas continuassem ilegítimas.

A tirania de Henrique tornou-se mais aparente com o avanço da idade e a queda da sua saúde. Uma onda de execuções políticas, que começaram com Edmund de la Pole (o Duque de Suffolk) em 1513 e terminaram com Henrique (Conde de Surrey) em Janeiro de 1547.

Nos últimos anos da vida de Henrique, o monarca engordou consideravelmente, com uma medida de cintura de 137 centímetros, e possivelmente sofria de gota.

A conhecida hipótese sobre que sofria de sífilis foi difundida pela primeira vez uns cem anos depois de sua morte. Argumentos mais recentes sobre esta possibilidade provêm de um maior conhecimento desta doença, que permite supor que Eduardo VI, Maria I e Isabel I mostraram todos sintomas característicos de sífilis congénita.

Henrique VIII faleceu a 28 de Janeiro de 1547 no palácio de Whitehall. Foi sepultado na Capela de São Jorge, no castelo de Windsor, ao lado de a esposa, Jane Seymour. Posteriormente, os seus três filhos sentaram-se sucessivamente no trono da Inglaterra.

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