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segunda-feira, 6 de fevereiro de 2023

O Rapaz no Cimo da Montanha - John Boyne [Opinião]

 

Título: O Rapaz no Cimo da Montanha
Autor: John Boyne
Editor: Edições Asa
N.º de Páginas: 224

Pierrot é filho de mãe francesa e pai alemão. Quando fica órfão, com apenas sete anos de idade, tem de abandonar Paris para ir viver com uma tia, a única familiar que lhe resta, numa casa nos Alpes Bávaros.

Mas não estamos numa época qualquer: decorre o ano de 1936 e a Segunda Guerra Mundial está na iminência de eclodir; nem tão-pouco estamos numa casa qualquer: a casa no cimo da montanha, onde a tia trabalha e para onde Pierrot se muda, é nada mais nada menos que a Berghof, a casa-refúgio de Adolf Hitler.

Facilmente Pierrot se torna menos francês e mais alemão, deixando-se seduzir pelo poder da farda e pela força da mensagem nazi. Mas… a que custo? E se aconteceu a Pierrot, não poderia também acontecer a cada um de nós?



Pierrot Fisher é um rapaz natural de Paris. O pai, um alemão que combateu na Primeira Guerra Mundial, carrega um trauma de guerra que o leva a beber muito. Sem conseguir superar o que presenciou na frente de batalha, acaba por se suicidar atirando-se para uma linha de comboio.

A mãe, francesa, vê-se a braços com uma criança pequena e com uma doença que a iria levar também a morte precocemente. Pierrot fica órfão e sem ninguém para tomar conta dele. Apesar de ser um menino encantador e ter como melhor amigo Ashner, um vizinho cuja família o acolhe temporariamente, o menino será inscrito num orfanato com o intuito de ser adoptado o quanto antes.

Naquele local onde é difícil fazer amizades, Pierrot sente a falta de Ashner, o seu amigo surdo que os leva a comunicar por códigos. A distância não esmorece a amizade e ambos continuam a escrever cartas um ao outro a contar sobre as mudanças que estão cada vez mais presentes nas suas vidas.
Tudo muda na vida do jovem Pierrot quando chega ao orfanato a notícia que uma tia, irmã do pai, pretende que o menino vá viver com ela numa casa isolada, no cimo da montanha pertencente ao “senhor”.

A tia, governanta da dita casa, tem autorização do patrão para acolher o sobrinho, com a condição de que este se porte bem. Pierrot vai viver um novo mundo, numa casa recheada de criados e cuja devoção, ou medo, pelo “senhor” é enorme.

O “senhor” é nada mais nada menos que Hitler, e quando Pierrot vai para a sua casa na montanha, apesar do ditador já se encontrar no poder, ainda não tem começado a II Guerra Mundial. Mesmo assim, e sabendo que o Führer não gosta de franceses, a tia decide mudar o nome de Pierrot para Pieter, um nome mais condizente com a nova realidade do rapazinho.

Do menino, melhor amigo de um judeu, Pierrot estabelece uma amizade com o maior inimigo deles, e essa amizade vai transformá-lo, deixando-se seduzir pela farda que o senhor lhe dá.




terça-feira, 8 de novembro de 2022

Todos os Lugares Desfeitos - John Boyne [Opinião]

 

Título: Todos os Lugares Desfeitos
Autor:  John Boyne
Editor: Porto Editora
Ano: 2022
N.º de Páginas: 368

A aguardada sequela do bestseller mundial O Rapaz do Pijama às Riscas
Gretel Fernsby tem 91 anos e vive em Londres há décadas, sempre no mesmo quarteirão de luxo. Leva uma vida confortável e tranquila, apesar do seu passado sombrio. Nunca fala da sua fuga da Alemanha, mais de setenta anos antes. Nunca fala dos anos do pós-guerra, passados em França com a mãe. Sobretudo, nunca fala do pai, o comandante de um dos mais infames campos de concentração nazis.
É então que uma jovem família se muda para o apartamento por baixo do seu, e Gretel acaba por fazer amizade com Henry, o filho do casal, apesar de o seu rosto lhe trazer memórias que ela prefere esquecer. Quando Gretel é confrontada com a escolha entre a sua própria segurança e a de Henry, sabe que está perante a oportunidade de expiar a sua culpa, mesmo que isso a obrigue a revelar os segredos que passou a vida a proteger.
Todos os lugares desfeitos é uma história devastadora e imensamente bela sobre uma mulher marcada por um terrível passado e por um presente onde nunca é tarde para a coragem e para a redenção.


14 anos depois do sucesso do Rapaz de Pijama às Riscas, John Boyne aventura-se na sequela daquele que foi um emblemático livro sobre o Holocausto.

Portanto, foi também há 14 anos que li o livro e que vi, posteriormente o filme, e recordo o quanto me marcou. Saber que a sequela ia ser publicada por cá deixou-me deveras feliz, porque estava muito curiosa em saber o que John Boyne ia fazer com as personagens que sobreviveram.

O autor decidiu humanizar Gretel a filha de um dos oficiais nazis mais atrozes, e irmã de Bruno, o menino que fez amizade com o rapaz de pijama às riscas. E esteve bem. Os filhos não têm de sofrer pelas atrocidades que os pai fazem, embora sofram sempre danos colaterais. Durante toda a narrativa vamos percebendo isso.

Apesar de todo o passado reprovável que viveu na companhia dos pais, Gretel consegue sobreviver à queda do regime nazi e foge da Alemanha na companhia da mãe.

Agora, com uns provectos 91 anos, Gretel é uma outra mulher. Leva uma vida boa, tranquila, num dos prédios mais chiques de Inglaterra, mas a vinda de um jovem casal para o apartamento debaixo do seu vai trazer de volta os tormentos do passado. Henry, filho do casal, traz memórias que Gretel deseja esquecer, mas quando a segurança da criança é colocada em causa, Gretel não se coíbe de colocar a nu os seus segredos mais sombrios.

Gretel é uma mulher extraordinária. Cúmplice das atrocidades dos nazis, mais por não as ter denunciado do que propriamente por tê-las cometido, até porque era uma pequena adolescente, esta mulher nunca se perdoou pelo que o seu pai fez ao povo judeu. A par disso, a morte do seu irmão Bruno sempre a atormentou e ao longo do livro vamos percebendo porquê.


Uma história comovente e que tem o condão de prender o leitor até à última página.


Adorei.




terça-feira, 24 de fevereiro de 2009

O Rapaz do Pijama às Riscas - John Boyne


Ao regressar da escola um dia, Bruno constata que as suas coisas estão a ser empacotadas. O seu pai tinha sido promovido no trabalho e toda a família tem de deixar a luxuosa casa onde vivia e mudar-se para outra cidade, onde Bruno não encontra ninguém com quem brincar nem nada para fazer. Pior do que isso, a nova casa é delimitada por uma vedação de arame que se estende a perder de vista e que o isola das pessoas que ele consegue ver, através da janela, do outro lado da vedação, as quais, curiosamente, usam todas um pijama às riscas.
Como Bruno adora fazer explorações, certo dia, desobedecendo às ordens expressas do pai, ressolve investigar até onde vai a vedação. É então que encontra um rapazinho mais ou menos da sua idade, vestido com o pijama às riscas que ele já tinha observado, e que em breve se torna o seu melhor amigo…

15 de Abril de 1934. O destino de duas crianças traça-se logo à nascença. Um rapaz de uma família poderosa e com influência na Alemanha, filho de um militar nazi; e um rapaz, filho de um relojoeiro Polaco, que tem a ‘má’ sorte de nascer judeu, na era do holocausto. No início da sua vida são ambos crianças felizes, embora vivam em mundos completamente diferenciados. Bruno tem três amigos com quem gosta muito de brincar e Shmuel vivia num pequeno apartamento na Polónia juntamente com os pais e o seu irmão Josef. Até que um dia tudo muda na vida destas duas crianças, quando têm precisamente nove anos de idade. Bruno muda-se, juntamente com a restante família para uma casa isolada, situada mesmo ao lado de um campo de concentração na Polónia e é aí que conhece Shmuel, um rapaz que está do outro lado da rede, e anda sempre com um fato às riscas, parecido com um pijama. Aos olhos de Bruno, que se vê cada vez mais entediado naquela casa sem as condições que tinha em Berlim, o mundo é muito melhor para o seu amigo. Uma das razões é que ele não está sozinho, tem muitos amigos para poder brincar, enquanto que ele não tem ninguém daquele lado da rede, excepto a companhia da sua irmã Gretel. Este livro é feito através dos olhos e da inocência de um rapaz que não se apercebe da tão crua realidade à sua volta e que sem maldade acaba por ser por vezes insensível para com o seu amigo judeu. No entanto, também será essa amizade que vai mudar completamente a vida de Bruno e o resto da sua família. Um final surpreendente.

«Quem são aquelas pessoas lá fora? […] As pessoas que eu vejo da minha janela. Lá ao longe, nos barracões. Todas vestidas de igual.[…] ah, essas pessoas […] Essas pessoas… bem, nem sequer são pessoas, Bruno.»


«De qualquer maneira, não percebo porque é que estás tão ansioso por vires para este lado – disse Shmuel – Isto aqui não é nada agradável. […] Não sabes o que é viver na minha casa – disse Bruno. – Para começar, não tem cinco andares, tem só três. Como é que alguém pode viver num sítio tão pequeno?»


O Rapaz do Pijama às Riscas foi originalmente publicado no Reino Unido em 2006, simultaneamente em edições para jovens e para adultos. Encontra-se actualmente traduzido em 36 línguas e vendeu até à data mais de 4 milhões de exemplares em todo o mundo.
Esteve 76 semanas no 1.º lugar da lista de bestsellers da Irlanda, foi o livro mais vendido de Espanha em 2007 e 2008, e figurou em dezenas de listas de bestsellers um pouco por todo o mundo, incluindo a prestigiada lista do New York Times, onde alcançou o 1.º lugar em Novembro de 2008. Foi vencedor de dois prémios literários na Irlanda (o “Children’s Book of the Year” e o “People’s Choice Book of the Year”), bem como do “Bisto Children’s Book Award” e foi nomeado para mais 15 prémios literários internacionais.
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