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quinta-feira, 1 de outubro de 2015

A Vinha do Anjo - Sveva Casati Modignani [Opinião]

Título: A Vinha do Anjo
Autor:
Sveva Casati Modignani
Tradução: Regina Valente
Págs.: 384
Capa: mole com badanas
PVP: 17,50 €

Sinopse:
Longas filas de videiras estendem-se pelas colinas suaves de Borgofranco. Há dois séculos que a família Brugliani é proprietária daquele antigo burgo e das vinhas, tratadas com paciência para delas extrair vinhos preciosos e únicos. Aos 35 anos, Angelica é a herdeira da tradição e do património familiar. Mãe, esposa, empresária de sucesso: tudo parece perfeito na sua vida. Só ela sabe que por detrás daquela fachada se esconde um mundo sombrio, feito de mentiras – as do marido – e de sonhos pueris.
Uma noite, em que conduzia sua moto e sentindo-se dominada pela amargura e pelas lágrimas, Angelica não se apercebe de que o carro à sua frente está a travar. O choque é violento, mas felizmente sem consequências graves, quer para ela, quer para o condutor do automóvel, Tancredi D’Azaro. Angelica não sabe ainda que aquele homem é um dos chefs mais aclamados em todo o mundo. E ambos ignoram que, depois daquele encontro fugaz, o destino voltará a entrelaçar os seus caminhos, suscitando a tentação de um novo começo. É então tempo de fazer escolhas, tendo em conta o peso do passado e as responsabilidades do presente - porque a vida é feita de sonhos e paixões.
A Vinha do Anjo conta-nos a história envolvente de uma família e de uma tradição milenar, o retrato de uma protagonista fascinante no qual se reveem muitas das mulheres empreendedoras e corajosas que anonimamente constroem as nossas sociedades.

A minha opinião: 
Sveva Casati Modignani tem uma fórmula mágica: pega numa personagem feminina forte, conta-nos uma história envolvente de uma zona italiana, atrai-nos com o cheiro da sua cozinha e, a somar a isso, desvenda-nos a vida passada de todas as personagens.

Assim se constrói Angelica, uma mulher de 35 anos, herdeira de um vasto património vinículo, empresária de sucesso. Mas também mãe de uma adolescente de 14 anos e esposa de um jornalista de 40 anos, Rafaello, que a trai. No dia em que descobre a traição ela acaba por ter um acidente e é nesse acidente que ela conhece um famoso chef de cozinha, Tancredi D'Azaro. Esse encontro fugaz vai ter consequências no futuro...


Sveva dá-nos a conhecer a infância de Angélica, as suas fragilidades enquanto mulher, das suas más escolhas amorosas, das suas más opções, e em como o facto dessas más opções a fizeram crescer enquanto mulher e enquanto empresária de sucesso. Provavelmente essa má escolha no passado de Angélica fê-la ver o que desejava fazer para o seu futuro.

Já na quinta toma as rédeas na vinha e aí é que se torna realmente feliz, alcançando o topo da felicidade ao conhecer Rafaello e ter Elizabetta.

Depois temos a história de Rafaello, o seu passado e presente, o seu arrependimento e a de Tancredi, uma vida bastante interessante e a que mais gostei de conhecer.

«-Nunca se para de crescer e de aprender. Os dissabores e as alegrias fazem parte da vida de cada um de nós e temos de os aceitar.» 

A Vinha do Anjo é mais um excelente romance da autora italiana que nos prende desde a primeira página. Recomendo sem reservas.


sexta-feira, 6 de setembro de 2013

O Barão - Sveva Casati Modignani [Opinião]

Título: O Barão
Autor:
Sveva Casati Modignani
Tradução: Regina Valente
Págs.: 504
Capa: mole com badanas
PVP: 16,60 €

Sinopse:

Bruno Brian di Monreale, o Barão, como é conhecido, é o último descendente de uma antiga e nobre família siciliana. Bruno cresce na Califórnia, com um pai severo e distante e uma mãe dividida entre um casamento precipitado, onde não existe amor, e uma paixão deixada na sua Sicília longínqua. No entanto, são as raízes sicilianas que levam Bruno a regressar à sua ilha natal, ao seu avô, um velho aristocrata e a Calò, o padrinho sempre presente. Serão estas duas figuras que lhe irão transmitir o saber ancestral das velhas famílias e da sua ética e código de justiça.

Bruno di Monreale envolve-se nos negócios do petróleo e das grandes multinacionais, tornando-se num homem poderoso e fascinante. Os amores inconsequentes e os casos fortuitos sucedem-se na sua vida glamorosa mas dominada pela insatisfação, até que se cruza com Karin, uma mulher reservada e misteriosa. Karin revelar-se-á o desafio por que Bruno ansiava e vai trazer-lhe o equilíbrio há tanto desejado.

Em O Barão, um dos primeiros romances da autora, Sveva Casati Modignani revela-nos os meandros de uma sociedade disposta a tudo para manter os seus privilégios, criando um mosaico de personagens vibrantes.

A minha opinião: 
Saber que o Barão foi um dos primeiros romances da autora faz com que partamos para a leitura deste livro, publicado pela Porto Editora recentemente, com muita curiosidade. Este não é o seu melhor livro e ainda bem que Sveva aprofundou o seu jeito de escrita e organizou melhor as diversas histórias que tem habituado os seus leitores mais assíduos.


Primeiro não ganhei qualquer afinidade com o Barão. Bruno di Monreale, descendente de um outro barão, apesar de ser uma pessoa bastante forte a nível emocional e profissional, não está tão enriquecido por Sveva como outros personagens que já tão bem conhecemos. Descendente de um nobre italiano, das profundezas da Sicília, herda do avô o seu gosto pela terra mãe e nem com um pai com fortuna consolidada nos Estados Unidos o faz querer permanecer lá por muito tempo. Depois de ter estudado, decide voltar às suas origens e manter o seu legado.


Numa história um quanto desordenada a autora vai-nos dando a conhecer a infância de Bruno, da sua mãe uma jovem impetusosa que faz quase tudo por impulso e pelo pai, um combatente da Segunda Guerra Mundial que a conhece quando o Barão dá guarida ao seu batalhão.


Por outro lado, entra em cena Karin Venier e também a vida dela vai ser detalhadamente contada pela autora. Karin, uma jovem secretária de um advogado, que teve uma vida dura, mas que conseguiu vingar na sua carreira profissional, tornando-se uma mulher de sucesso. Por ser tão retraída em relação ao sexo masculino faz com que se torne uma personagem interessante, sobretudo para Bruno, que se apaixona perdidamente por ela.

Pelo meio ainda vemos variadas intrigas a nível económico, financeiro e político, que envolvem um pequeno país situado na África do Sul, Burwhana, que podia ter sido mais bem explorado pela autora, que tornaria o livro ainda mais interessante.

Apesar de ser dos primeiros romances de Sveva já se nota o toque especial da autora em valorizar as diferentes passagens temporais que nos permitem conhecer ainda melhor cada uma das personagens.


O Barão não foi dos livros que mais gostei de Sveva, mas para quem é fã, como eu, vai gostar na mesma das diversas histórias de amor e intriga que se passam ao longo de toda esta obra.

Para quem é apreciadora do género de escrita da escritora italiana, recomendo a sua leitura.
 

domingo, 24 de março de 2013

O Diabo e a Gemada - Sveva Casati Modignani [Opinião]

Título: O Diabo e a Gemada
Autor:
Sveva Casati Modignani
Edição/reimpressão: 2013
Páginas: 168
Editor: Porto Editora

Sinopse:
Em 1943, Milão está sob as bombas dos Aliados, e nas proximidades da via Padova, uma criança extraordinariamente curiosa, inicia a sua aprendizagem de vida. Chama-se Sveva e tem 5 anos. É este o contexto de O Diabo e a Gemada, um relato autobiográfico em que a autora percorre os anos da Segunda Guerra Mundial, que se desenrolam entre a casa de família em Milão e uma quinta, nos arrozais de Trezzano sul Naviglio, na Lombardia. A comida é o fio condutor que atravessa os episódios deste relato, em que se entrelaçam memórias e emoções, sabores e receitas e cujos acontecimentos estão sempre ligados à elaboração de um prato ou a uma refeição partilhada.

Com uma descrição cuidada e rigorosa de pessoas, sabores e costumes, Sveva Casati Modignani devolve-nos um mundo, não tão longínquo, mas do qual estamos a perder a memória.



A minha opinião:
Com um forte odor a comida, comida italiana, feita, na sua grande maioria por sobras e por aquilo que conseguiam muitas vezes comprar no mercado negro, Sveva vai desenrolando a história da sua infância, até aos 10 anos, dando-nos a conhecer os momentos de privação durante os tempos de guerra, mas também a sua vida enquanto criança numa quinta na Lombardia.

Resultado: um livro forte em tradições, pleno de boas receitas, que constituem boa parte do livro, e algumas privações no seio de uma família que desejava, acima de tudo, dar o ar de abastada. Com uma educação bastante severa (não se livrava de receber umas valentes palmadas), Sveva guarda melhores recordações da avó, com quem viveu grande parte da sua infância, do que da sua mãe que nunca demonstrou o interesse de ter filhos. 
No entanto, não era isso que a impedia de fazer tropelias, próprias de infância, que levavam a avó a dizer que tinha o diabo no corpo. Oriunda de uma família profundamente religiosa, não admira que a avó trouxesse muitas vezes padres para examinarem a neta. 
Um livro de memórias, mas também com episódios caricatos que me fizeram soltar o riso em algumas partes. 

Perfil da autora no facebook: 
http://www.facebook.com/SvevaCasatiModignani?ref=ts&fref=ts


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sexta-feira, 12 de outubro de 2012

Um Dia Naquele Inverno - Sveva Casati Modignani [Opinião]

Título: Um Dia Naquele Inverno
Autor:
Sveva Casati Modignani
Tradutor: Regina Valente
Págs: 384
PVP: 16,60 €

Sinopse:
Numa grande mansão, às portas de Milão, vivem os Cantoni, proprietários há três gerações da homónima e prestigiada fábrica de torneiras. Aparentemente, todos os membros da família levam uma vida transparente, mas, na realidade, todos eles escondem segredos que os marcaram; existem situações que, ainda que conhecidas por todos, permanecem um tema tabu. Omite-se até a loucura de que sofre Bianca, a matriarca desta dinastia.
Um dia, entra em cena Léonie Tardivaux, uma jovem francesa sem dinheiro e sem parentes, que casa com Guido Cantoni, o único neto de Bianca. Léonie adapta-se bastante bem à rotina familiar, compreendendo a regra de silêncio dos Cantoni. Isso não a impede de ser uma esposa exemplar, uma mãe atenta e uma gerente talentosa, que, com bastante êxito, conduz a firma pelo mar hostil da recessão económica. No entanto, também ela cultiva o seu segredo, aquele que todos os anos, durante apenas um dia, a leva a largar tudo e a refugiar-se no Lago de Como.
Mais uma vez, Sveva Casati Modignani cativa o leitor com uma saga familiar que atravessa quase um século da História de Itália, dos anos 20 até aos dias de hoje, colocando em cena personagens encantadoras: homens inteligentes, autênticos e perspicazes, que têm ao seu lado mulheres fortes e inigualáveis, capazes de os aconselhar e apoiar.

A minha opinião:
Sveva Casati Modignani tem o condão de me embrenhar nas suas histórias e senti-las como minhas. Foi o que senti ao ler o seu último livro, e para mim o seu melhor. Também neste livro a autora italiana elege como figura principal uma mulher forte que a vida que levou em criança ainda a tornou mais determinada. Mais uma vez surge uma família com fortes tradições, rica e próspera, mas que guarda segredos que podem mudar a nossa forma de entender a história. No fundo é uma história dentro de tantas outras que faz com que este livro seja uma deliciosa leitura que nos transmite um misto de sensações: amor, tristeza, e leves arrepios de prazer.

Gostei de todos os membros da família, até porque não há um verdadeiramente mal intencionado, adorei os segredos bem guardados, e nutri uma afeição especial por Léoni.

Fui invadida, como acontece nos livros que gosto mesmo de ler, pela sensação de querer saber mais daquela família, mas ao mesmo tempo não querer que o livro acabe, daí ter feito durar um pouco mais a leitura, que se pode ler bem numa tarde tranquila.

A todos os amantes de Sveva recomendo, a quem não é, mas gosta de um bom romance, não podem deixar de ler.

segunda-feira, 24 de outubro de 2011

Mister Gregory - Sveva Casati Modignani [Opinião]


Título: Mister Gregory
Autor: Sveva Casati Modignani
Edição/reimpressão: 2011
Páginas: 464
Editor:
Porto Editora
ISBN: 978-972-0-04358-0
Idioma: Português
PVP: 16,60€


Sinopse:
Aos oitenta e cinco anos, Gregorio Caccialupi passa em revista uma vida intensa marcada por contrariedades e vitórias. Para trás ficam as recordações de uma infância pobre na Itália dos anos 1930 e uma decisão que mudou para sempre a sua vida - emigrar para a América em busca de um futuro melhor.


Ambicioso e determinado, coleciona sucesso atrás de sucesso e uma série de mulheres procuram conquistar o seu coração - Florencia, o seu primeiro amor, Nostalgia, com quem se casou, e Erminia, a sua derradeira paixão. Com o decorrer do tempo, Gregorio Caccialupi torna-se Mister Gregory, dono de uma importante cadeia de hotéis, um homem rico e influente. Porém, um investimento mal calculado leva-o à ruina. Conformado com a sua vida discreta num lar de idosos, está longe de saber que um encontro inesperado lhe trará uma revelação surpreendente e a possibilidade de retomar as rédeas do seu destino.

Mister Gregory é um magnífico romance de Sveva Casati Modignani, que pela primeira vez elege como protagonista um homem: complexo, terno e fiel aos seus princípios, sedutor, esquivo e sempre irresistível.

A minha opinião:
Apesar de ter mudado de protagonista para uma personagem masculina Sveva não foge muito do seu registo e mais uma vez escreveu um livro brilhante, dentro do seu género. Vivendo numa pequena localidade italiana cujo principal meio de sobrevivência é a agricultura, Gregorio é um menino pobre, mas até uma certa altura feliz. Até à altura em que a mãe contrai uma doença e tem de ser internada. A partir daí tudo se desmorona e Gregorio faz uma promessa: quando for crescido vai ser rico.

Como acontece com todos os romances da escritora italiana, o livro faz diferentes retrospectivas da vida de Gregorio, agora Mister Gregory, e das diversas fases pelas quais passou até se tornar um homem de sucesso. Todas as vicissitudes e amarguras pelas quais passou para chegar onde chegou, mas também os amores que viveu até conhecer a sua última grande paixão, alguns (bons) anos mais nova do que ele.

Gostei de ler um livro de Sveva cujo protagonista foi um homem até porque a parte de feminismo ficou um pouco esquecida... um pouco porque continuou a estar presente nas personagens da mãe de Gregorio, de Florencia, e, sobretudo, de Erminia, uma mulher pobre, mas lutadora.

terça-feira, 21 de setembro de 2010

O Esplendor da Vida - Sveva Casati Modignani [Opinião]


Título: O Esplendor da Vida
Autor: Sveva Casati Modignani
Edição/reimpressão: 2010
Páginas: 368
Editor: Porto Editora

Sinopse:
Giulia de Blasco é uma escritora de sucesso que venceu uma difícil batalha contra o cancro e conquistou o amor do cirurgião Ermes Corsini. Apesar disso, Giulia não consegue encontrar a serenidade que tanto deseja.
O seu filho Giorgio, de dezasseis anos, atravessa uma adolescência conturbada e acaba por influenciar negativamente a relação de Giulia e Ermes e fazer Giulia questionar as suas capacidades como mãe.
É no meio destas dúvidas e incertezas que surge Franco Vassalli, um enigmático e fascinante empresário, habituado a conseguir tudo o que quer...
Para Giulia começa assim mais um período dramático e intenso da sua vida.
Depois de Desesperadamente Giulia, Sveva Casati Modignani dá continuação à história de Giulia de Blasco, uma das personagens-chave mais emblemáticas de toda a sua obra.

A minha opinião:
Sveva Casati Modignani traz-nos novamente Giulia, personagem do livro já publicado Desesperadadamente Giulia, que narra sobretudo a doença da personagem principal e o seu antigo amor por um cirurgião famoso Ermes.
Em “O esplendor da vida”, Sveva continua com as angústias de Giulia, desta feita com crises no relacionamento que tem com Ermes e com o seu filho Giorgio que atravessa uma adolescência difícil onde imperam as drogas e as faltas na escola.
Apesar de se sentir tranquila na sua relação com Ermes, vai conhecer Franco Vassalli, um proeminente empresário do mundo da televisão que a vai contrabalançar no amor que sente pelo companheiro de algum tempo.
Como muitas pessoas que têm sucesso na vida profissional Franco Vassalli vai somando alguns inimigos. Um estranho assalto nos seus estúdio de televisão e o rapto da sua mãe. Serena que sempre se impôs sobre o filho, sofre de Alzheimer e vive num mundo de fantasia, mas isso não impede que exista uma espécie de complexo de Édipo para Franco.
Com o interesse em convencê-la a passar o seu mais recente livro para uma série de televisão, Franco aproxima-se cada vez mais de Giulia.

Apesar de gostar muito da autora italiana este não foi o livro que mais gostei de Sveva. Primeiro porque Giulia, apesar de todos os problemas que acarreta ao longo da sua vida, está constantemente a fazer-se de vítima e procura estar sempre rodeada de pessoas que a adulem. Uma mulher que se diz forte, mas que sinceramente acho muito fraca, que quando se depara com uma situação mais problemática como é o caso do filho, o leva para o seu ex-marido para ele tentar convencê-lo a mudar. Para já não falar do seu amor por Ermes que é sempre posto à prova.

quarta-feira, 28 de outubro de 2009

O Jogo da Verdade - Sveva Casati Modignani [Opinião]


Título: O Jogo da Verdade
Autor: Sveva Casati Modignani
Edição/reimpressão: 2009
Páginas: 416
Editor: Porto Editora



Sinopse:
Roberta, uma jovem livreira em plena crise existencial e conjugal - e Oscar, o marido, com quem casou contra a opinião de toda a gente, que se revela incapaz de responder às suas necessidades e de assumir as responsabilidades de uma família.
Uma dolorosa reflexão leva Roberta a percorrer o passado e a descobrir as raízes do seu mal-estar, que remontam à infância, passada no meio dos afectos envolventes da família paterna, onde a mãe, Malvina, brilhava pela ausência. Feminista convicta no período turbulento de 68, Malvina escolhera viver de acordo com os seus princípios e confia a filha ao companheiro. Desta situação vão nascer, ao longo do tempo, dramas, mal-entendidos, conflitos mal resolvidos e também segredos há muito guardados. E é apenas ao dissipar estas sombras que Roberta vai conseguir superar a crise e reconciliar-se consigo mesma.
Uma história de ligações profundas e paixões intensas em que Sveva Casati Modignani, através do confronto entre duas gerações de mulheres, nos conta como éramos antes e como somos agora.

A minha opinião
Em muito semelhante aos seus antecessores, O Jogo da Verdade relata a história de Roberta, uma mulher que, de um momento para o outro, se vê infeliz num casamento monótono, com dois filhos que sentem a falta de um pai, muitas vezes ausente. Desde que se tinha casado, Roberta dedicava-se inteiramente ao seu marido, Oscar, como se o casamento tivesse cortado completamente com o seu passado. O seu refúgio era a livraria, propriedade sua, onde passava grande parte do tempo.
«Onde teriam ido parar os anos da infância, da adolescência, e os seus sonhos de rapariga? Porque os tinha esquecido?»
Mas O Jogo da Verdade não é só Roberta. Existe também a mãe Malvina, uma feminista que viveu o Maio de 68, que lutou por igualdade entre homens e mulheres. No fundo, uma rebelde, mas que sabia muito bem o que queria. No entanto, para alcançar as suas ambições deixou a maternidade um pouco de lado, deixando Roberta aos cuidados da avô paterna e das duas tias solteiras, muito diferentes entre si, mas com muitos segredos de família que foram contando à jovem sobrinha.
Sveva também nos leva a conhecer a vida de Oscar anterior ao seu casamento. Um menino órfão, que foi criado por uma tia e pela sua irmã mais velha. Um homem solitário que se vê, sem que disso se aperceba, subjugado por uma mulher calculista, que tudo faz para viver às suas custas. Até que conhece Roberta, ainda adolescente, e se apaixona por aquela jovem figurinha. Anos mais tarde declara-se e acabam por se casar.
Um livro que gostei muito, à semelhança de todos os outros que já li da autora italiana e que nos leva a reflectir nas várias decisões que tomámos ao longo da nossa vida. Um livro que fala da importância da educação, do fanatismo religioso, da opressão e que, apesar de se passar em Itália, podia muito bem transportar-se para a realidade do nosso país, antes e depois do 25 de Abril.

terça-feira, 14 de outubro de 2008

Feminino Singular - Sveva Casatti Modignani [Opinião]

Título: Feminino Singular
Autor:
Sveva Casati Modignani
N.º de Páginas: 400
PVP: 14,94€

Sinopse:

Martina: uma figura de mulher «singular». Amada por uns e criticada por outros, toda a sua vida esteve sob o olhar inquisidor das gentes de Vertova, incluindo o das próprias filhas...

No decurso da sua existência, dos anos quarenta aos nossos dias, através das mais complicadas vicissitudes, ela tentará encontrar o caminho para atingir a sua autêntica vocação de mulher - gerar a vida. Terá três filhas, de três homens diferentes, sem desposar nenhum deles.

A sua morte súbita, nas vésperas do Natal, provocará um tremendo choque no seio familiar, e será Vienna, a sua mãe, a desvendar os mais íntimos segredos dessa mulher tão enigmática. Através do seu relato, descobriremos que afinal elas têm mais em comum do que pensavam: todas são mulheres atraentes e independentes, que amaram e se deixaram amar, e que decidiram, sobretudo, enfrentar os cânones sociais em prol de um bem maior - a maternidade.

A minha opinião:
Vienna, empregada de uma família abastada, casa com o homem íntegro. Mas o facto deste estar sempre a trabalhar distanciado da pequena aldeia faz com que esta se apaixone pelo filho dos patrões. Vivem um pequeno, mas tórrido romance, da qual nasce Martina. Stephano morre na guerra, sem saber que vai ser pai, e Vienna vai guardar esse segredo com ela e com o marido, que entretanto fica a saber a verdade, mas que não a revela à sua família.
Martina cresce e na escola apaixona-se perdidamente por Leandro, mas pensa sempre que não é correspondida. Envolve-se com Bruno Biffi, um rapaz problemático, e daí nasce a sua primeira filha, Giulliana, que vem a tornar-se uma actriz famosa. Bruno Biffi nunca chega a ter conhecimento que teve uma filha. Depois de uma relação com Sandro nasce Maria. Também Sandro não chega a saber que vai ser pai, já que morre num acidente de viação. Maria casa com um homem de quem a família não gosta, e tem dois filhos. Fica viúva ainda nova e refaz a sua vida com um farmacêutico. Anos mais tarde tem Osvalda fruto de uma relação com Oswald, professor britânico, e único que soube que tinha uma filha, apesar de não ter ficado com Martina. Osvalda é professora primária.
Apenas nos últimos anos de vida é que Martina refaz a sua vida com Leandro, sua paixão desde tenra idade e que também sempre gostara dela.
Este novo livro de Sveva Modignani retrata a história de várias gerações da mesma família que estiveram muito à frente do tempo, não se importando com a crítica social de que foram alvo.