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sexta-feira, 5 de dezembro de 2014

Fernando Pessoa - O Romance - Sónia Louro [Opinião]

Título: Fernando Pessoa - O Romance
Autor: Sónia Louro
Edição/reimpressão: 2014
Páginas: 448
Editor: Saída de Emergência
PVP: 16,96€

Sinopse:
Este é o romance biográfico de Fernando Pessoa, o poeta que foi muitos poetas. Órfão de pai aos cinco anos de idade, cedo perde a atenção da mãe quando esta volta a casar. Forçado a partir para a distante África do Sul, onde o nascimento de irmãos o isolam ainda mais, refugia-se em si mesmo e aí cria novos mundos.
No fim da adolescência regressa a Lisboa, na vã tentativa de resgatar os poucos momentos da vida em que fora feliz. Aí conhece personalidades do mundo das artes e da literatura, como Almada Negreiros, Mário de Sá-Carneiro ou Adolfo Casais Monteiro. É um dos fundadores da Orpheu, uma revista artística que foi recebida com escândalo pela crítica.
Correspondente comercial, inventor, tradutor, editor, publicitário e astrólogo, Fernando Pessoa procurou várias formas de ganhar a vida. E até o amor lhe bateu à porta quando conheceu Ophélia Queiroz.
Fernando Pessoa, O Romance é uma obra magnífica, fruto de uma pesquisa meticulosa, e uma verdadeira homenagem ao maior poeta da língua portuguesa. Um poeta que Sónia Louro consegue dissecar, desvendando os seus segredos, medos, sonhos e, mais importante, a sua humanidade.

A minha opinião: 
Logo que vi esta novidade saberia que o novo livro de Sónia Louro me iria proporcionar bons momentos. Escrito de uma forma atractiva, fui acompanhando Pessoa e os seus diversos eus quase que de uma forma esquizofrénica, que o iam acompanhando no seu dia a dia, falando com ele, dando-lhe opiniões sobre tudo, falando por ele, escrevendo por ele, quase como se fosse assim que o autor tivesse realmente vivido. E será que não terá sido mesmo assim? Porque não?

Gostei da forma como a autora expôs o poeta que tanto admiro, o despojou, o fragilizou. Um homem sem amigos, que viveu sempre só, desejando sempre o carinho da mãe que sempre o abandonou para viver um amor por um segundo casamento, um amigo que o abandonou para viver a sua própria dor (Sá Carneiro), e que viveu para si e para os seus heterónimos, refugiando-se na bebida e na sua própria fragilidade.

Fernando Pessoa quis ser muito coisa, trazia em si todos os sonhos do mundo, mas tudo se esfumou. Vivia sempre na corda bamba, devia dinheiro a toda a gente, tinha trabalhos precários, mudava constantemente de morada, era um eterno insatisfeito. Fundador, com outros génios, da revista Orpheu que tanto foi criticada na altura, era uma pessoa tão incompreendida, que via na bebia um escape. Não se suicidou por um triz. valeu-lhe os seus "eus".







Mas Pessoa não foi o único. Com ele estavam os mais jovens intelectuais portugueses de Almada Negreiros, Santa Rita Pintor, Sá Carneiro, António Botto, Guilherme de Faria a Amadeo de Souza Cardoso, alguns também morreram jovens, tendo deixado pouca obra.

Sónia Louro soube ainda retratar um Portugal decrépito, cheio de mudanças. Um Portugal onde se saía de uma monarquia, mas onde a República ainda estava a dar os primeiros passos, no início do século. Mas também o início da ditadura e da censura de que também acabaria por prejudicar alguns textos pessoanos. A política e o esoterismo também são determinantes na vida e obra de Pessoa e o episódio da vinda de Crowley também não poderia deixar de estar presente, tendo como palco a Quinta da Regaleira e a Boca do Inferno que achei deliciosos.

Não foi Pessoa quem escreveu este romance, mas bem que podia ter sido.

Louro põe-se no lugar do poeta, e com frases dele, retiradas de textos dele, constrói uma narrativa tão sólida e tão bem estruturada que por momentos julguei estar a ler um livro do próprio. Sem dúvida, o melhor livro que li da autora e recomendo sem quaisquer reservas.



quarta-feira, 10 de outubro de 2012

Amália - O Romance da sua Vida - Sónia Louro [Opinião]

Título: Amália - O Romance da sua vida
Autor:
Sónia Louro

Um romance extraordinário e uma verdadeira homenagem à nossa maior diva. Sónia Louro apresenta-nos uma Amália humana como nós, que rouba flores em jardins e não suporta palavrões. Uma Amália por quem estamos perdidamente apaixonados ao chegar à última página.


Este é o romance sobre a vida de Amália, a fadista mais amada e, simultaneamente, mais desconhecida em Portugal. Operária numa fábrica de rebuçados, estreia-se a cantar em 1939. Movida apenas pela vontade de cantar e sem qualquer ambição, nem sonha que um dia será a maior artista portuguesa de sempre.
Ganhando rapidamente projecção internacional, deixa multidões rendidas à sua voz. E também os corações se rendem ao seu magnetismo: do simples povo a estrelas como Charles Aznavour ou Anthony Quinn. Mas enquanto destroça corações, o seu vive apenas desilusões. Várias vezes contempla o suicídio.
Recebendo propostas milionárias para ficar a trabalhar no estrangeiro, o amor a Portugal fá-la sempre regressar. Ano após ano arrebata galardões, conquista os críticos e cruza-se com as grandes personalidades do seu tempo: Édith Piaf, Hemingway, Frank Sinatra.
No final da vida, o que pode querer alguém com o mundo a seus pés? A felicidade que nunca sentiu? A autoconfiança que nunca teve? Amália deixou-nos no dia 6 de Outubro de 1999 com uma só ambição: que a chorássemos quando morresse. Uma vida tão bela quanto inspiradora.

A minha opinião:


Parti para a leitura deste livro com uma certa curiosidade, uma vontade de querer ser mais sobre aquela que foi a primeira diva portuguesa. A primeira mulher que deixou rendidos artistas como Anthony Quinn, Edith Piaf e Charles Aznavour. E gostei do que li. Apesar de ter muitas partes que já tinha visto no filme Amália, Sónia Louro soube complementar com bastante pesquisa bibliográfica, programas de televisão, imprensa...

Apesar de viver com o público português e estrangeiro aos seus pés, Amália sempre foi uma pessoa infeliz, retratando e representando na perfeição o povo português. Amália foi o ícone da saudade, da sempre tristeza que carregamos connosco.

«Amália - O Romance da Sua Vida», é o primeiro romance biográfico da fadista, que nos deixou há 13 anos. E para quem quer saber mais desta grande voz do fado português não pode perder a oportunidade de o ler.

De como uma jovem que trabalhava numa fábrica de rebuçados a descascar fruta passa a celebridade de um momento para o outro. Bastou cantar uma única noite na Severa para que todos ficassem rendidos à sua voz. Depois disso alcançou êxito mundial cantando por todo o mundo.

Mas se no campo profissional Amália era um fenómeno, embora sempre insegura quanto ao seu talento, no campo amoroso Amália nunca foi feliz. Os três homens com quem teve um relacionamento nunca lhe deram o amor que necessitava e nem apreciavam o que cantava, o que fez dela uma pessoa completamente infeliz.

O único senão do livro é não vir acompanhado por fotos das diferentes fases da vida da cantora. 


Excertos: 
"Gostava das palavras, alimentava-se delas, mas não gostava de ter olhos postos em si, na atenção sobre si."
"Era sempre assim, ela passava pela vida sendo a espectadora da felicidade dos outros."
"Minha senhora, na sua voz, a minha poesia subiu ao povo" - Pedro Homem de Melo para Amália após tê-la ouvido cantar o poema Fria Claridade.
"A irmã Celeste bem o dizia: "Tu, com esse medo de um dia seres infeliz, não hás-de ser feliz nunca.""
"O meu amor verdadeiro é o público."