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terça-feira, 30 de janeiro de 2018

O Pavilhão Púrpura - José Rodrigues dos Santos [Opinião]

Título: O Pavilhão Púrpura
Autor: José Rodrigues dos Santos
Editor: Gradiva
Páginas: 702

Sinopse:
Pode uma ideia mudar o mundo?

Nova Iorque, 1929. A bolsa entra em colapso, milhares de empresas fecham, milhões de pessoas vão para o desemprego. A crise instala-se no planeta.
Salazar é o ministro das Finanças em Portugal e a forma como lida com a Grande Depressão granjeia-lhe crescentes apoios. Conta com Artur Teixeira para subir a chefe de governo, mas primeiro terá de neutralizar a ameaça fascista.
O desemprego lança o Japão no desespero. Satake Fukui vê o seu país embarcar numa grande aventura militarista, a invasão da Manchúria, na mesma altura em que tem de escolher entre a bela Harumi e a doce Ren.
Lian-hua escapa a Mao Tse-tung e vai para Peiping. É aí que a jovem chinesa e a sua família enfrentam as terríveis consequências da invasão japonesa da Manchúria.
A crise mundial convence os bolcheviques de que o capitalismo acabou. Estaline intensifica as coletivizações na União Soviética e o preço, em mortes e fome, é pago por milhões de pessoas. Incluindo Nadezhda.

O mundo à beira do abismo.

A minha opinião: 
No rescaldo da Primeira Guerra Mundial, as grandes tendências ditatoriais da década de 20 começam a definir-se. No segundo livro da Trilogia do Lótus, vamos acompanhar novamente a vida de quatro personagens: Artur, Nadezhda, Lian-Hua e Satake Fukui e assim perceber o que se vai passando nos
seus países.

28 de maio de 1926 - Artur, jovem tenente, a quem Catarina ainda não conseguiu dar filhos, coube-lhe a missão de convencer Salazar a assumir a pasta das Finanças, numa altura em que a democracia estava em descrédito.

Salazar vai trazer uma política repressiva e de contenção que, apesar de estar a resultar no que diz respeito à dívida pública, gera descontentamento na maior parte da população,que começa a manifestar-se contra as políticas do ministro.

Na União Soviética Estaline sucede a Lenine e prepara-se para avançar com o comunismo puro e duro que vai incidir na coletivização das terras. Nadezhda vive numa região praticamente agrícola, cujas políticas de Estaline vão deixar a sua família completamente de rastos. É através do relato da vida da ainda criança que vamos presenciar as provações que aquela população teve de enfrentar.
A política de Estaline estava a resultar na fome dos pequenos agricultores, que eram obrigados a dar toda a produção ao exército.

"O comunismo viera para os libertar, mas estava a escravizá-los."

China vivia o período unificador das Expedições do Norte, quando o Kuomintang e o Partido Comunista se uniram contra os senhores da guerra e depois se desentenderam.
Lian-Hua apenas 1 ano mais velha que Nadezhda, vivia na quinta da família, no Jardim das Flores. quando foi raptada pelos comunistas do bando de Mao Tse Tung. Mais tarde acaba por escapar.
Em resultado do colapso da Bolsa de Nova Iorque, em outubro de 1929 as exportações diminuem, devido às dificuldades económicas. Os pais de Lian-Hua são diretamente afectados por isso, visto começarem a ter dificuldades para vender a sua seda a um custo justo. Sem exportações, o comércio pura e simplesmente parou.

No Japão, Fukui, cujo pai foi morto por assassinos Shikaku, embrenha-se na ciência política e acaba por concluir que o Japão devia afastar-se das ideias tradicionais do Xintoísmo e modernizar-se com as ideias do ocidente. 
A Eugenia, a seleção genética de raças, começa a tornar forma. 
E o conflito na Manchúria leva a que os chinenes cortem com as importações do Japão. 

"Se um assassino pode matar várias pessoas, um pensamento pode ameaçar a vida de uma nação inteira."

Tudo isto são ingredientes para deixar o leitor, ávido de saber o que se passou no mundo nesta altura, mas também no evoluir das personagens já conhecidas do livro anterior, As Flores de Lótus, que me prenderam na leitura.

Artur continua a ser levado pelas ideias de Salazar, mesmo que não concorde com tudo o que o líder quer implementar. Talvez por isso me tenha desapegado a esta personagem, que tanto me tinha agradado no primeiro livro. Pelo contrário, adorei Nadezhda, que se tem revelado uma rapariga forte apesar de tudo o que tem passado. Estou mesmo curiosa para saber como vai evoluir.
A curiosidade e o interesse em saber mais sobre o ocidente leva a que Fukui seja uma personagem relevante para a história. E depois temos Lian-Hua que, tal como Nadezhda se mostra uma mulher forte, contrariando o que se espera de uma mulher naquela altura.

Confesso que o primeiro livro me interessou mais, talvez por não ter sido tão maçudo nas descrições, mas não deixei de apreciar ler sobre os principais acontecimentos da década de 20 nos vários países envolvidos.
No entanto, esta é uma trilogia a seguir até porque nos ensina muito, através dos longos diálogos das personagens, da história mundial.

Ansiosa por pegar no terceiro volume, que será, certamente, uma das minhas leituras de fevereiro.







domingo, 12 de fevereiro de 2017

Vaticanum - José Rodrigues dos Santos [Opinião]

Título: Vaticanum
Autor:  José Rodrigues dos Santos
Editor: Gradiva
N.º de Páginas: 608

Sinopse:
Um comando do estado islâmico entra clandestinamente no Vaticano e o Papa desaparece. Horas depois surge na internet um vídeo em que os terroristas mostram o Sumo Pontífice em cativeiro e fazem um anúncio chocante: O PAPA SERÁ DECAPITADO EM DIRECTO À MEIA-NOITE. O relógio começa a contar. O rapto do Papa desencadeia o caos. Milhões de pessoas saem à ruas, os atentados sucedem-se, mutiplicam-se os confrontos entre cristãos e muçulmanos, vários países preparam-se para a guerra.

Apanhado no epicentro da crise quando trabalha nas catacumbas da Basílica de São Pedro, Tomás Noronha vê-se envolvido na investigação para descobrir o paradeiro do Papa e cruza-se com um nome enigmático: OMISSIS. A pista irá conduzi-lo ao segredo mais sombrio da Santa Fé.

Usando informação genuína para nos revelar o que se esconde nos bastidores do Vaticano, o escritor preferido dos portugueses está de regresso com o thriller do ano. Com Vaticanum José Rodrigues dos Santos mostra mais uma vez por que razão é considerado mestre do mistério real.

A minha opinião: 
Com Vaticanum, José Rodrigues dos Santos traz de volta Tomás Noronha, desaparecido desde A Chave de Salomão. 
Se inicialmente gostava bastante do criptoanalista português, agora já me começa a enfastiar. Para um homem tão inteligente, Tomás mostra ser um pouco básico, sobretudo no que toca às suas relações amorosas. As cenas, ainda que poucas, entre a sua namorada Maria Flor, são de bradar aos céus. Tão elementares e com um erotismo barato que me desagradou deveras. Felizmente foram poucas, senão saltaria páginas para poder entrar na intriga verdadeiramente dita. 

Neste livro Tomás encontra-se no Vaticano para trabalhar no sector arqueológico da Basílica de São Pedro. O seu trabalho está previsto durar uma semana e resume-se a catalogar todas as câmaras mortuárias atrás do troféu de Pedro. Mas é surpreendido com um pedido de ajuda do Papa. 
Sem conseguir recusar, Tomás vê-se enredado numa teia difícil de desligar. 

É a partir desta altura que o livro começa a ter interesse. Não pelo descobrir o que se passará com o Papa, mas o que está por detrás da investigação que nos leva a saber o que se passa no Vaticano e no Banco do Vaticano. 
Tomás vai descobrindo os "podres" do Vaticano, a maior parte já conhecidos do público em geral. Mesmo assim fiquei surpreendida pelo facto de José Rodrigues dos Santos colocar os nomes reais, na gíria "chamar os bois pelos nomes", o que torna mesmo a investigação mais genuína. 

No entanto, apesar de tudo isto, Vaticanum deixou-me desiludida. Gosto muito de Tomás Noronha, mas confesso que o criptoanalista me começa a aborrecer um pouco. Talvez por já estar a ficar um pouco enjoada das investigações dele, talvez pela temática não me ter apaixonado tanto por já ter lido tantos livros em relação ao Vaticano, ou então por estar menos bem escrito do que os anteriores. Então se comparado ao livro As Flores de Lótus ou em relação à série de Calouste Gulbenkien, este é bastante inferior. 

No entanto, não deixei de dar 4 estrelas no goodreads porque, em certas partes, o livro me deu algum prazer. 
No entanto, acho que José Rodrigues dos Santos devia dar um ar mais "adulto" a Tomás e deixar de parte a sua vida amorosa, porque definitivamente, começa a enjoar. 



 

quarta-feira, 25 de novembro de 2015

As Flores de Lótus - José Rodrigues dos Santos [Opinião]

Título: As Flores de Lótus
Autor: José Rodrigues dos Santos
Edição/reimpressão: 2015
Páginas: 688
Editor: Gradiva
PVP: 22€

Sinopse:
Pode uma ideia mudar o mundo?

O século XX nasce, e com ele germinam as sementes do autoritarismo. Da Europa à Ásia, as ondas de choque irão abalar a humanidade e atingir em cheio quatro famílias.

Inspirando-se em figuras históricas como Salazar e Mao Tse-tung, o novo romance de José Rodrigues dos Santos conduz o leitor numa viagem arrebatadora que nos leva de Lisboa a Tóquio, de Irkutsk a Changsha, do comunismo ao fascismo o que faz de As Flores de Lótus uma das mais ambiciosas obras da literatura portuguesa contemporânea.

A minha opinião: 
Tal como fez com a vida de Caloust Gulbenkian em dois livros publicados em 2013 e cuja opinião podem ler aqui: O Homem de Constantinopla e aqui Um Milionário em Lisboa, José Rodrigues dos Santos vai repetir a mesma fórmula e publicará dois livros. O primeiro já está nas livrarias desde o dia 22 de outubro e já tive oportunidade de ler: As Flores de Lótus e retrata os vários sistemas políticos implementados em países como Portugal, China, Japão e Rússia. Pelo meio ainda nos vai dando as situações vividas por outros países, de forma a envolver o leitor na história da primeira metade do século XX.

O segundo livro, esse só chegará em 2016, e terá como título O Pavilhão Púrpura.

Como é habitual nos livros do autor, este 14.º romance estende-se por quase 700 páginas, onde maioritariamente se questionam as ideologias do fascismo e do comunismo e os grandes acontecimentos que marcaram as sociedades portuguesa, soviética, chinesa e japonesa. Sob personagens fictícias, outras nem tanto já que José Rodrigues dos Santos disse em entrevistas que Artur, o narrador e personagem principal de As Flores de Lótus existiu realmente embora não o tenha conhecido pessoalmente (conheceu o filho deste), percorremos o dia a dia da vida de quatro famílias, que vivendo em países com culturas completamente diferentes vão viver acontecimentos históricos que vão marcá-las para toda a vida.

Artur vive com os pais em Moçambique mas que se vê “obrigado” a voltar para Portugal para prosseguir os estudos. Envereda pela carreira militar e é ele que vai ser determinante em diversas decisões importantes do destino do País, desde a queda da monarquia até à ditadura e chegada de Salazar à pasta de Ministro das Finanças.

“Mas perante a falência do parlamentarismo, que conduziu Portugal ao caos, para onde mais nos poderemos voltar?” pag. 522

Do Japão chega-nos um frágil rapaz Satake Fukui, que questiona as tradições do Japão ancestral e se mostra muito curioso com o que o ocidente lhe traz através dos livros que lê praticamente clandestinamente na biblioteca.

Na China começa a ascensão de Mao Tse-Tung e Lian-hua que em português significa Flor de Lótus, uma criança bela, de olhos azuis, é raptada da família cujas poucas terras que detém se tornou agora o inimigo número um.

E na Rússia Estaline e os seus aliados espoliam quem cultiva o pouco que tem para comer e para dar aos seus. A família de Nadezhda é disso exemplo.

No entanto, é com Artur que, para mim, o livro se torna mais rico. Enquanto estudante, o jovem questiona-se sobre vários aspectos. Ainda Portugal a viver uma monarquia, e tendo como professor a leccionar Moral e Religião onde eram debatidos diversos e variados temas, Artur aprendeu sobre política antiga, onde tudo começou. Desde os gregos Sócrates, Platão, Aristóteles, Confúcio, passando por Rosseau, Hegel, Engels e Marx até Maquiavel.

As Flores de Lótus fez-me lembrar a trilogia de Ken Follett Um Mundo sem Fim, a Trilogia o Século, onde é abordado  o tema da luta de classes, do sistema político em alguns países, embora os países abordados não tenham sido os mesmos, com excepção da Rússia.

Um livro para devorar e só não dei 5 estrelas devido ao final abrupto e um pouco sem sentido que me fez ficar um pouco zangada com o autor. Parece que se rasgaram algumas páginas do livro e este ficou assim, a meio. Não gostei. À parte isso recomendo a sua leitura.




terça-feira, 18 de novembro de 2014

A Chave de Salomão - José Rodrigues dos Santos [Opinião]

Título: A Chave de Salomão
Autor: José Rodrigues dos Santos
Páginas: 624
Editor: Gradiva Publicações
PVP: 22€

Sinopse:
O corpo de Frank Bellamy, o director de Tecnologia da CIA, é descoberto no CERN, em Genebra, na altura em que os cientistas procuram o bosão de Higgs, também conhecido por Partícula de Deus. Entre os dedos da vítima é encontrada uma mensagem incriminatória.

The Key: Tomás Noronha

A mensagem torna Tomás Noronha o principal suspeito do homicídio. Depressa o historiador português se vê na mira da CIA, que lança assassinos no seu encalço, e percebe que, se quiser sobreviver, terá de deslindar o crime e provar a sua inocência.
Ou morrer a tentar.
Começa assim uma busca que o conduzirá às mais surpreendentes descobertas científicas alguma vez feitas.

Será que a alma existe?
O que acontece quando morremos?
O que é a realidade?

Com esta empolgante aventura que arrasta o leitor para o perturbador mundo da consciência e da natureza mais profunda do real, José Rodrigues dos Santos volta a afirmar-se como o grande mestre do mistério. Apesar de ser uma obra de ficção, A Chave de Salomão usa informação científica genuína para desvendar as espantosas ligações entre a mente, a matéria e o enigma da existência.

A minha opinião:
A Chave de Salomão traz novamente Tomás Noronha já conhecido dos leitores de José Rodrigues dos Santos e que irá desvendar a morte de Frank Bellamy, uma figura importante da CIA. Mas esta investigação é a história secundária naquele que é o 13.º livro escrito pelo jornalista.

A ideia deste romance surgiu depois de ter escrito A Fórmula de Deus, há oito anos, e aqui, José Rodrigues dos Santos (JRS) escreve sobre experiências de quase-morte na "voz" da mãe de Tomás e de física quântica, trazendo à cena Einstein, Bohr, Heinsenberg e a teoria da dupla fenda.

Confesso que A Chave de Salomão foi o livro que menos gostei de ler do autor e tudo porque nunca gostei de física. A parte em que JRS disserta sobre a dupla fenda, sobre partículas, os "campos fantasmagóricos" acredito que possam fascinar muitos leitores, mas para mim são um verdadeiro tédio.




Por outro lado gostei da experiência de quase-morte de dona Graça, onde descreve o que se passou quando estava completamente inanimada e não se podia lembrar de nada do que se tinha passado. JRS mostra exemplos de algumas experiências científicas na Holanda e Estados Unidos que levam a que se acredite que de facto algumas pessoas viveram mesmo essas experiências de quase-morte. Depois de mortas também se fazem experiências e o peso da alma é de 21 gramas. Acredite-se ou não.

O que faltou neste livro foram os criptogramas, os enigmas, as charadas, tão inerentes nos romances com Tomás Noronha, para a descoberta do crime de que o criptanalista é acusado por forma a tornar o livro mais interessante e não tão maçudo.



segunda-feira, 23 de dezembro de 2013

Um Milionário em Lisboa - José Rodrigues dos Santos [Opinião]

Título: Um Milionário em Lisboa
Autor: José Rodrigues dos Santos
Coleção: «Fora de Colecção», n.º 409
N.º de Páginas: 672
PVP: € 22,00

Kaloust Sarkisian completa a arquitectura do negócio mundial do petróleo e torna-se o homem mais rico do século. Dividido entre Paris e Londres, cidades em cujas suítes dos hotéis Ritz mantém em permanência uma beldade núbil, dedica-se à arte e transforma-se no maior coleccionador do seu tempo. Mas o destino Interveio. O homem mais rico do planeta resolve viver no bucólico Portugal. O país agita-se, Salazar questiona-se, o mundo do petróleo espanta-se. E a polícia portuguesa prende-o. Não perca o segundo e último volume desta história apaixonante.

A minha opinião:
Um Milionário em Lisboa é a segunda parte da biografia daquele que foi considerado o homem mais rico do mundo, Caloust Gulbenkian (Kaloust Sarkisian). José Rodrigues dos Santos baseou-se na vida deste ilustre homem, que em muito contribuiu para a cultura em Portugal e escreveu dois livros magníficos. Pessoalmente gostei ainda mais deste não só por parte da história ser passado no nosso país, mas também por explanar o conflito entre turcos e otomanos, dando a conhecer aos leitores aquela que foi talvez a primeira tentativa de extermínio de um povo: o povo arménio.

Confesso que esta parte da história era-me um pouco desconhecida e que, através da vivência de Krikor, fui conhecendo um pouco o que os refugiados arménios passaram nas mãos dos turcos, que em muito me fez lembrar o extermínio judeu poucos anos depois.

Com o início da Segunda Guerra Mundial começa-se a adivinhar o porquê da escolha de Kaloust recair em Portugal. Um país neutro, que em muito lhe fazia lembrar a sua terra natal, Constantinopla.

À parte isso achei hilariante a forma como Kaloust vivia diariamente. Sempre contido, não gostava de ganhar dinheiro mal gasto, nem pagar impostos (daí viver até ao fim dos seus dias no hotel). A sua obsessão por querer bater um recorde familiar, viver até aos 106 anos, fazia com que chegasse ao cúmulo de mandar vir de fora maçãs e morangos para a sua dieta diária. Todos os dias apontava quantos frutos comia, para que o hotel não o enganasse nas contas...

De salientar o significado de beleza que teve início no início do primeiro livro e que só será explicado no final do livro, transformando-o num momento delicioso e esclarecedor.

Para os fãs de José Rodrigues dos Santos, mas sobretudo para os de Caloust Gulbenkien que sempre "conviveram" com este nome quando frequentavam as bibliotecas (como eu), este é um livro imperdível e uma óptima prenda de Natal.


Excertos:
"Nenhum país é grande se não dominar o negócio do petróleo."
"É melhor ter más notícias do que notícias nenhumas."
"Prefiro enfrentar a realidade mais dura a viver na ilusão mais enganadora. A incerteza é insuportável."
"A intenção. É isso que separa a arte da realidade."
"A arte é para ser fruída, não para ser esquecida."

Opinião de O Homem de Constantinopla

http://marcadordelivros.blogspot.pt/2013/09/o-homem-de-constantinopla-jose.html











segunda-feira, 30 de setembro de 2013

O Homem de Constantinopla - José Rodrigues dos Santos [Opinião]

Título: O Homem de Constantinopla
Autor: José Rodrigues dos Santos
Coleção: «Fora de Colecção» n.º 379
N.º de Páginas: 592
PVP: €22,00

Sinopse:
O Império Otomano desmorona-se e a minoria arménia é perseguida. Apanhada na voragem dos acontecimentos, a família Sarkisian refugia-se em Constantinopla. Apesar da tragédia que o rodeia, o pequeno Kaloust deixa-se encantar pela grande capital imperial e é ao atravessar o Bósforo que pela primeira vez formula a pergunta que havia de o perseguir a vida inteira:
“O que é a beleza?”
Cruzou-se com a mesma interrogação no rosto níveo da tímida Nunuphar, nos traços coloridos e vigorosos das telas de Rembrandt e na arquitectura complexa do traiçoeiro mundo dos negócios, arrastando-o para uma busca que fez dele o maior coleccionador de arte do seu tempo.
Mas Kaloust foi mais longe do que isso.

Tornou-se o homem mais rico do planeta.

Inspirado em factos reais, O Homem de Constantinopla reproduz a extraordinária vida do misterioso arménio que mudou o mundo – e consagra definitivamente José Rodrigues dos Santos como autor maior das letras portuguesas e um dos grandes escritores contemporâneos. 

A minha opinião: 
Confesso: Não consigo resistir aos livros de José Rodrigues dos Santos (JRS). Quando sai um apresso-me logo a ler. E este foi fabuloso. Li-o de uma assentada e ao fim de dois dias já estava a desfolhar a última página.

Neste seu novo livro JRS retrata a vida de Calouste Gulbenkian. Dividido em dois volumes, (o segundo será publicado a 23 de Novembro com o título: Um Milionário em Lisboa), este romance começa com a chegada de Krikor a Lisboa quando o seu pai já se encontra moribundo. Krikor encontra por entre os papéis do pai dois volumes que dariam os títulos dois dois livros de JRS.


O primeiro volume começa com a história do jovem Kaloust, nos primeiros anos de vida. Mostrando-se com um rapaz curioso, Kaloust já pronunciava que iria ser um excelente homem de negócios, tal qual o seu pai fora. Um pai que queria que Kaloust fosse o rapaz mais esperto de Trebidonza.


Além de ir retratando a vida, quase como uma biografia, embora romanceada daquele que foi um homem de sucesso, JRS retrata também o conflito que existiu naquela época entre os arménios e os turcos e o ódio que detinham sobre os cristãos. Kaloust acabou por ter de fugir da sua terra mãe, por temer a sua própria vida e dos seus familiares. Estabelece-se em Londres, local onde já tinha vivido para completar os seus estudos de engenharia, e aí permanece durante muito tempo.

A vida de Kaloust, O Senhor Cinco Por Cento, tal qual JRS retratou, pode, porém, ser alvo de polémica. JRS retrata o mecenas como um homem que não olha a meios para atingir os seus objectivos, sobretudo económicos, optando por viver num quarto de hotel (Ritz) para fugir aos impostos, mas também com um mulherengo que gostava de raparigas jovens (menos de 18) por pensar que estas representavam um "elixir" da juventude.

No entanto, não posso deixar de enaltecer a visão que Kaloust tinha para os negócios, investiu no petróleo, um negócio que ainda estava no início, ganhando uma importância cada vez maior com o advento dos automóveis a gasolina sobre o transporte a vapor, a electricidade...


Estava à espera de ver um Kaloust mais virado para a cultura, mas JRS só nos deu um toque desse seu lado. Quando questiona "O que é a beleza?" quando ainda é criança, Kaloust começa a ver o mundo de uma forma diferente e muito à sua maneira. Apreciador de obras de arte desde muito jovem, só quando entraria nos 30 anos é que teria dinheiro para comprar o seu primeiro quadro, que já andava a namorar numa galeria londrina. Mas do aspecto cultural só se viu essa parte. Tenho esperanças que o próximo volume desenvolva muito mais essa vertente, além da importância que teve no nosso país.

Ao lado de Kaloust encontra-se sempre a sua secretária uma tal de Madame Duprés, muito importante para a satisfação dos seus desejos mais prementes.

JRS frisa em várias entrevistas que este é um romance, uma história baseada em Calouste Gulbenkien, embora não tenha o rigor de uma biografia, (daí ter alterado o nome real dos personagens por um nome ficcionado) até porque não falou com ninguém da família do filantropo. No entanto, é curioso saber um pouco mais do que seria a vida de Kaloust até se tornar no homem é que foi.

Excerto:
"Beija sempre a mão que não te atreves a morder."





segunda-feira, 26 de novembro de 2012

A Mão do Diabo - José Rodrigues dos Santos [Opinião]

Título: A Mão do Diabo
Autor:
José Rodrigues dos Santos

Sinopse:
Tomás Noronha, historiador, vitima da crise acaba desempregado. Ao acolher um velho amigo vê-se mergulhado numa trama profunda que envolve as altas esferas politicas. Numa luta contra o tempo Tomás tem que decifrar um misterioso criptograma, e dele depende a viabilidade do processo que o Tribunal Penal Internacional instaurou aos responsáveis pela crise.

A minha opinião:

Antes de ser um livro de ficção, o novo livro de José Rodrigues dos Santos é, sobretudo, um livro sobre a crise que se vive na Europa e também nos Estados Unidos. Um livro actual, que mexe com a realidade económica dos países do chamado Club Med (Portugal, Espanha, Grécia e Itália), de como chegamos a este ponto, e de como a moeda única nos prejudicou.

Confesso que gosto do autor, apesar de não gerar consenso a nível literário, e acho que foi feliz ao abordar um tema tão interessante e que nos toca a todos. Consegue, de uma forma simplificada e de agradável leitura, como se de uma conversa de café se tratasse, explicar o problema da dívida de Portugal, Espanha e da Grécia, que terá tido início na crise financeira dos EUA, em 2008.

Depois de ter sido despedido da faculdade onde leccionava, Tomás de Noronha é vítima da própria crise. Sem qualquer solução para arranjar emprego, Tomás é surpreendido com visita de uma amigo de liceu que revela que anda fugido por possuir informações deveras importantes. Antes que revele alguma coisa Filipe é assassinado, mas antes disso faz Tomás prometer que vai entregar um DVD a quem de direito. Dá-lhe um criptograma que lhe vai levar ao DVD, mas para tal vai passar pelas já normais aventuras.

sexta-feira, 23 de dezembro de 2011

O Último Segredo - José Rodrigues dos Santos [Opinião]


Título: O Último Segredo
Autor:
José Rodrigues dos Santos
Editora: Gradiva
Data de Lançamento: 20-10-2011
ISBN: 9789896164461
Nº Páginas: 564
Encadernação: Capa Mole
PVP: 22€

Sinopse:
Uma paleografa é brutalmente assassinada na Biblioteca Vaticana quando consultava um dos mais antigos manuscritos da Bíblia, o “Codex Vaticanus”. A polícia italiana convoca o célebre historiador e criptanalista português, Tomás Noronha, e mostra-lhe uma estranha mensagem deixada pela assassino ao lado do cadáver.

A inspectora encarregada do caso é Valentina Ferro, uma beldade italiana que convence Tomás a ajudá-la no inquérito. Mas a sucessão de homicídios semelhantes noutros pontos do globo leva os dois investigadores a suspeitarem de que as vítimas estariam envolvidas em algo que as trascendia. Na busca da solução para os crimes, Tomás e Valentina põem-se no trilho dos enigmas da Bíblia, uma demanda que os conduzirá à Terra Santa e os colocará diante do último segredo do Novo Testamento.

A minha opinião:
Juntar José Rodrigues dos Santos e assuntos da igreja num livro logicamente que resulta em polémica. Mas será que é caso para tanto? Será que há necessidade de a Igreja Católica se manifestar relativamente a uma obra de ficção que, apesar de poder levantar algumas questões sobre a vida de Jesus Cristo, não é nada mais que isso? Uma obra de ficção? Não é nenhum estudo aprofundado do tema, ou será? Porquê tanta celeuma?
Como já vem sendo habitual nos seus livros de ficção, Rodrigues dos Santos coloca como protagonista o historiador e criptanalista Tomás de Noronha para investigar primeiro a morte de uma amiga, que é brutalmente assassinada na Biblioteca do Vaticano. No entanto, depressa se seguem mais duas mortes em tudo semelhantes: um outro historiador aparece degolado à entrada do Chester Beatty Library em Dublin onde o espólio de Bíblias é ainda melhor do que no Vaticano e um conceituado professor também aparece morto com o mesmo modus operandi junto à casa Balabanou. Junto aos cadáveres é sempre deixado um enigma que Tomás desvenda facilmente não fosse ele um mestre em descobrir esse tipo de charadas. Num instante ele liga esses enigmas às fraudes inseridas no Novo Testamento e a uma seita religiosa denominada Sicarii.
Pelo meio junta-se a história de Virgem Maria, de Jesus Cristo, da descoberta dos ossários de Talpiot, nada de novo até porque já foi feito um documentário sobre essa descoberta por James Cameron, onde se diz poder estar José, Jesus Cristo Maria, Maria Madalena, Judas filho de Jesus e até Tiago. E até de clonagem...
Gostei bastante.

quinta-feira, 19 de novembro de 2009

Fúria Divina - José Rodrigues dos Santos [Opinião]

Título: Fúria Divina
Autor:
José Rodrigues dos Santos
Edição/reimpressão: 2009
Páginas: 608
Editor: Gradiva Publicações


Sinopse

Uma mensagem secreta da Al-Qaeda faz soar as campainhas de alarme em Washington. Seduzido por uma bela operacional da CIA, o historiador e criptanalista português Tomás Noronha é confrontado em Veneza com uma estranha cifra: 6AYHAS1HA8RU.
Ahmed é um menino egípcio a quem o mullah Saad ensina na mesquita o carácter pacífico e indulgente do islão. Mas nas aulas da madrassa aparece um novo professor com um islão diferente, agressivo e intolerante. O mullah e o novo professor digladiam-se por Ahmed e o menino irá fazer uma escolha que nos transporta ao maior pesadelo do nosso tempo. Baseando-se em informações verídicas, José Rodrigues dos Santos confirma-se nesta obra surpreendente como o mestre dos grandes temas contemporâneos. Mais do que um empolgante romance, Fúria Divina é um impressionante guia que nos orienta pelo labirinto do mundo e nos revela os tempos em que vivemos. Este romance foi revisto por um dos primeiros operacionais da Al-Qaeda.

A minha opinião

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“O valor de um livro está no gosto que nós temos de o ler”, disse José Rodrigues dos Santos numa entrevista recentemente.
E foi com muito gosto que li o seu novo romance, desta vez centrado na Al-Qaeda.
Desta vez Tomás de Noronha, que o autor confessou ter a cara de Paulo Pires, terá de desvendar um estranho código que apareceu num email enviado por fundamentalistas islâmicos, interceptado em Lisboa.
Ao contrário de outros romances, neste não é a CIA que o procura, mas o NEST (Nuclear Emergency Search Team), unidade de resposta rápida, criada pelos EUA em meados da década de 1970 para lidar com contingências especiais.
O que o NEST teme é que surja um outro tipo de terrorismo: o terrorismo nuclear.

Ao mesmo tempo, é-nos dada a conhecer a história de Ahmed, natural do Egipto, que desde os 7 anos começa a aprender aprofundadamente o Alcorão, o que vai fazer dele um fundamentalista, trazendo-o para o nosso país, para tirar o curso de engenharia. Sem que saiba, o destino de Tomás vai cruzar-se com Ahmed na Universidade Nova de Lisboa, a quem dá aulas de Línguas Antigas. No entanto, e como bom crente que é, Ahmed cedo é destacado para o Afeganistão onde conhece Bin Laden, aos 32 anos, e depois do ataque às Torres Gémeas, a 11 de Setembro de 2001. É nessa altura que Bin Laden lhe faz um estranho pedido…

Este romance explica de forma bastante explícita o que são as leis do Alcorão, e que o projecto principal do Islão é conquistar o Planeta. José Rodrigues dos Santos relata ainda como é a comunidade islâmica em Portugal, a maioria vinda das antigas colónias portuguesas, e que vive de forma pacífica no nosso país.
Mais um bom livro a destacar aos que li este ano.

Excertos:
“Todos os estudos mostram que os terroristas em geram são pessoas com uma educação acima da média, a maior parte das vezes de nível universitário. O perfil do terrorista islâmico não é excepção. É verdade que alguns são pobres e incultos, mas a maioria frequentou ou tirou cursos superiores e há até vários casos de pessoas ricas. Bin Laden, por exemplo, é milionário!”

“Os muçulmanos ocuparam grande parte da Península Ibérica entre 711 e 1492. Quando eu estava na Universidade de Al-Azhar, no Cairo, ouvi alguns fundamentalistas falarem nostalgicamente no Al-Andalus e na necessidade de o Islão recuperar a Península Ibérica.”

“A Al-Qaeda acredita que toda a terra que foi muçulmana tem de voltar a ser muçulmana.”

Sobre a comunidade islâmica em Portugal - “A maior parte veio de Moçambique, é gente que ocupa lugares de relevo na sociedade portuguesa e, quando falamos entre nós, a questão da religião nem sequer se põe.”

“No Ocidente é apenas apresentada uma versão cristianizada do Islão, havendo sempre o cuidado de eliminar todos estes pormenores que nos poderão chocar e alienar. Está a ver Jesus mandar cortar as cabeças de pessoas e a dizer a condenados que quem vai tratar dos seus filhos será o Inferno e a vangloriar-se perante a cabeça decepada de um inimigo? Isto é chocante para nós e é por isso que estes pormenores não nos são revelados!”

sábado, 10 de janeiro de 2009

A Vida num Sopro - José Rodrigues dos Santos


Portugal, anos 30.
Salazar acabou de ascender ao poder e, com mão de ferro, vai impondo a ordem no país. Portugal muda de vida. As contas públicas são equilibradas, Beatriz Costa anima o Parque Mayer, a PVDE cala a oposição.
Luís é um estudante idealista que se cruza no liceu de Bragança com os olhos cor de mel de Amélia. O amor entre os dois vai, porém, ser duramente posto à prova por três acontecimentos que os ultrapassam: a oposição da mãe da rapariga, um assassinato inesperado e a guerra civil de Espanha.
Através da história de uma paixão que desafia os valores tradicionais do Portugal conservador, este fascinante romance transporta-nos ao fogo dos anos em que se forjou o Estado Novo.

Luís, jovem estudante em Bragança apaixona-se perdidamente pela colega de liceu, Amélia, jovem órfã de pai, que morreu devido aos gases tóxicos da I Guerra Mundial. Este amor entre os jovens estudantes vai mudar-lhes para sempre a sua vida, isto porque a mãe de Amélia opõe-se ao namoro dos jovens e ao posterior casamento.
Num fim-de-semana Amélia desaparece e Luís acaba por não saber mais nada da sua amada e prossegue a sua vida. Para tirar o curso de Veterinário ruma a Lisboa, onde se torna num bom vivant coleccionando namoradas, entre as quais uma corista do Parque Mayer, relação que lhe vem a trazer problemas com a PVDE (Polícia de Vigilância e Defesa do Estado). No entanto, é em Amélia que pensa sempre.
Após terminado o curso, Luís constata que está na lista para ir para a tropa. Naquela altura havia falta de veterinários na tropa e acabaram por convocar o jovem licenciado Luís Afonso para fazer o Regime Militar em Penafiel. É aí que conhece aquela que vai ser a sua esposa. Durante a sua estada no Douro ocorre um assassinato que vai mudar para sempre a vida do jovem veterinário. A oposição ao regime vigente também não vai trazer coisas boas a Luís Afonso que é mandado para a sua região natal, Trás-os-Montes e é aí que é chamado a Lisboa onde lhe fazem uma proposta que leva Luís Afonso à prisão, por não aceitar o acordado.
Um livro muito interessante, envolvente e emocionante, embora o final começasse a ser previsível desde que Luís Afonso foi ouvido pela pedive (nome que a população dava à PVDE).
Pelo caminho foram relatadas algumas situações do antigo regime, sobretudo da discrepância na lei para homens e mulheres. Como exemplo o livro revela a Lei de Depósito do homem sobre a sua mulher. Apesar de existir antes de 1910, a lei havia sido abolida, mas com o Estado Novo voltou a estar vigente. A lei compreendia que se a mulher por algum motivo saísse de casa, o marido podia fazê-la regressar de forma compulsiva. Em contraponto, o Estado dizia que tinha dado à mulher o poder de voto, embora todos soubessem que sendo a mulher mais conservadora e católica votaria no Governo vigente. No entanto, o artigo sobre o poder dos homens era esclarecedor: a mulher não podia exercer comércio nem sair do país sem autorização do marido. O marido podia ainda anular o casamento se descobrisse que a mulher não casou virgem. Além disso, para um caso semelhante as sentenças eram diferentes dependendo se eram para o homem ou para a mulher. O artigo 461 dava permissão de o marido poder violar a correspondência da mulher, mas o contrário não era válido. O mesmo artigo ia mais longe. Previa uma pena branda ao marido que assassinasse a mulher caso a apanhasse em flagrante adultério. Mas o contrário não acontecia. Se a mulher apanhasse o marido em flagrante adultério e o matar, a pena seria pesada.
Outro dos temas, é a ‘requisição’ de informadores. Muitas pessoas eram coagidas a serem informadores do regime, sob forma de ameaças. Para tal, a PVDE chegava a arranjar provas para incriminar algumas pessoas por forma a, sob ameaças, as pessoas não verem alternativa. Teriam que passar a ser ‘bufos’ caso contrário seriam presos. Normalmente, essas pessoas coagidas a ser informadores eram simpatizantes do Partido Comunista ou contra algumas leis do antigo regime, por forma a ninguém imaginar que seriam eles os informadores.