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segunda-feira, 12 de setembro de 2022

O Caso Alaska Sanders - Joël Dicker [opinião]

 

Título: O Caso Alaska Sanders
Autor: Joël Dicker
Editor: Alfaguara Portugal
N.º de Páginas: 712

Sinopse: 
«Sei o que fizeste.» Esta mensagem é a chave da apaixonante investigação que volta a reunir Marcus Goldman e Perry Gahalowood, onze anos depois de terem colocado atrás das grades os presumíveis culpados de um homicídio.

Abril de 1999, Mount Pleasant, uma pacata povoação de New Hampshire: o corpo de Alaska Sanders, que chegara à localidade havia pouco tempo, é encontrado na margem de um lago. A investigação é rapidamente encerrada e arquivada. Mas um novo episódio trágico vem ensombrar as conclusões em torno da morte da jovem mulher. No começo de 2010, o caso vem novamente à tona. Gahalowood, sargento da polícia de New Hampshire, recebe uma carta anónima que o deixa perturbado. Estava convencido de que tinha, à época, resolvido o crime - terá, afinal, seguido uma pista falsa?

A única pessoa que o pode ajudar a descobrir a verdade é Marcus Goldman, escritor seu amigo que acaba de alcançar um sucesso tremendo. À medida que ambos descobrem quem era, realmente, Alaska Sanders, regressam todos os fantasmas do passado. E entre eles está o de Harry Quebert.

Uma intriga viciante, com reviravoltas surpreendentes a suceder-se a um ritmo imparável, como é apanágio de Joël Dicker, um dos grandes mestres do mistério literário.

Se na minha opinião anterior disse que S. K. Tremayne era um dos meus autores favoritos, tenho de me repetir um pouco com este autor. Joël Dicker é o meu autor favorito dentro do género thriller.

Neste seu novo livro Dicker vai trazer novamente Marcus, a personagem que acho ser uma espécie de alter-ego do próprio autor.  Solitário e a viver à sombra de Harry, Marcus vai encontrar-se com Perry Gahalowood, onze anos depois. Perry, reformado da polícia, mas a viver um drama familiar e Marcus sem saber o rumo a que dar à sua vida, depois de um desgosto amoroso, vão juntar-se novamente a fim de tentar resolver um caso que há mais de uma década pensavam que estava resolvido. 

Socorrendo-se de vários espaços temporais, como já vem sendo habitual nos seus livros, Dicker transporta-nos para 1999, ano em que Alaska Sanders aparece brutalmente assassinada. Pensando que o caso estava bem resolvido, onze anos depois, Perry e Marcus recebem uma misteriosa pista que levanta algumas questões que poderão não estar bem resolvidas relativamente ao passado. 

Adoro saltos temporais neste género de livros porque nos colocam na história desde o início, fazendo-nos conhecer a fundo cada uma das personagens. 
Marcus é um protagonista marcante. Sofre de problemas de socialização, os seus amigos são poucos e bastante mais velhos que ele, e a mãe não conhece qualquer relação amorosa. A sua vida só faz sentido na resolução de mistérios do passado e sob a supervisão de Harry Quebert, que será sempre um exemplo a seguir. 
Já Perry é o típico polícia de uma pequena cidade. É um verdadeiro amigo, mas com idade suficiente para ser pai de Goldman, o que torna esta amizade um pouco improvável. 

O Caso Alaska Sanders é o terceiro de um trilogia que começa com A Verdade sobre o Caso Harry Quebert, seguido de O Livro dos Baltimore. Apesar de conseguir-se ler em separado, aconselho sempre a ler pela ordem, de forma a conhecer melhor todas as personagens. 




 




sexta-feira, 7 de setembro de 2018

O Desaparecimento de Stephanie Mailer - Joël Dicker [Opinião]

Título: O Desaparecimento de Stephanie Mailer
Autor: Joël Dicker
Editor: Alfaguara Portugal

Sinopse:
Na noite de 30 de Julho de 1994, a pacata vila de Orphea, na costa leste dos Estados Unidos, assiste ao grande espectáculo de abertura do festival de teatro. Mas o presidente da Câmara está atrasado para a cerimónia… Ao mesmo tempo, Samuel Paladin percorre as ruas desertas da vila à procura da mulher, que saiu para correr e não voltou. Só para quando encontra o seu corpo em frente à casa do presidente da Câmara. Dentro da casa, toda a família do presidente está morta.

A investigação é entregue a Jesse Rosenberg e Derek Scott, dois jovens polícias do estado de Nova Iorque. Ambiciosos e tenazes, conseguem cercar o assassino e são condecorados por isso. Vinte anos mais tarde, na cerimónia de despedida de Rosenberg da Polícia, a jornalista Stephanie Mailer confronta-o com uma revelação inesperada: o assassino não é quem eles pensavam, e a jornalista reclama ter informações-chave para encontrar o verdadeiro culpado.

Dias depois, Stephanie desaparece.

Assim começa este thriller colossal, de ritmo vertiginoso, entrelaçando tramas, personagens, surpresas e volte-faces, sacudindo o leitor e impelindo-o, sem possibilidade de parar, até ao inesperado e inesquecível desenlace.

O que aconteceu a Stephanie Mailer?

E o que aconteceu realmente no Verão de 1994?

A minha opinião: 
Depois do sucesso com A Verdade Sobre o Caso Harry Quebert e O Livro dos Baltimore era expectável que o novo livro de Joel Dicker criasse burburinho. A pergunta que todos fazem é se este novo livro acompanha o sucesso dos anteriores ou se é um flop.

Para mim foi mais uma excelente leitura. Adoro a forma com Dicker escreve, sempre entre saltos temporais, que nos cativa com personagens fortes e interessantes. E a dose de mistério continua lá, sempre a espicaçar o leitor e a colocar questões sobre os acontecimentos.

O primeiro festival de teatro numa pequena localidade é o mote para um acontecimento trágico. Numa noite quente de julho de 1994, no dia de espectáculo de abertura para o festival de teatro, o único evento relevante daquela pacata vila, o presidente da câmara e a sua família são assassinados em casa sem que ninguém dê por ela.
De facto, toda a população se encontra no local onde o espectáculo se vai realizar e não há testemunhas de tão macabro incidente. Mas as coisas acabam por ficar mais misteriosas porque, além do edil ter morrido e restante família, há uma vítima morta no passeio ao lado da casa que poderá ter sido um dano colateral. É precisamente essa primeira vítima que dá o alerta. Samuel Paladim, procura a sua mulher que todos os dias tem o mesmo ritual: dar a sua corrida diária. Como não regressa a casa no tempo esperado, Samuel dá o alerta. É assim que se descobre o crime atroz.

Encarregues da investigação estão dois jovens policias: Jesse Rosenberg e Derek Scott. Facilmente chegam ao assassino e acabam por ser condecorados pelo acto. Mas, 20 anos mais tarde, surge a jornalista Stephanie Mailer que deita toda esta investigação por terra. Stephanie vai ter com Rosenberg e diz-lhe que o assassino que ele capturou não é o verdadeiro culpado.

Mas Stephanie desaparece. E é aqui que tudo começa. Personagens atrás de personagens, desde os polícias protagonista do primeiro caso, até um crítico de arte completamente desacreditado, um director de um jornal que vive com um segredo que o está a arruinar, passando por um ex-polícia cujo sonho é ser um realizador famoso e consagrado.

São estes ingredientes o suficientes para prender o leitor? Para mim foram e, mais uma vez, Joël Dicker escreveu um livro que se tornou nos meus preferidos do ano.



segunda-feira, 2 de julho de 2018

Novo livro de Joël Dicker | O Desaparecimento de Stephanie Mailer, amanhã nas livrarias

Título: O Desaparecimento de Stephanie Mailer
Autor: Joël Dicker
N.º de Páginas: 672
PVP: 22,00€

Apenas Joël Dicker poderia superar-se a si mesmo, com o thriller mais poderoso dos últimos anos, uma obra que não dá tréguas, tão sofisticada e viciante quanto
A verdade sobre o caso Harry Quebert.

Sobre o livro:
Na noite de 30 de Julho de 1994, a pacata vila de Orphea, na costa leste dos Estados Unidos, assiste ao grande espectáculo de abertura do festival de teatro. Mas o presidente da Câmara está atrasado para a cerimónia… Ao mesmo tempo, Samuel Paladin percorre as ruas desertas da vila à procura da mulher, que saiu para correr e não voltou. Só pára quando encontra o seu corpo em frente à casa do presidente da Câmara. Dentro da casa, toda a família do presidente está morta. A investigação é entregue a Jesse Rosenberg e Derek Scott, dois jovens polícias do estado de Nova Iorque. Ambiciosos e tenazes, conseguem cercar o assassino e são condecorados por isso. Vinte anos mais tarde, na cerimónia de despedida de Rosenberg da Polícia, a jornalista Stephanie Mailer confronta-o com uma revelação inesperada: o assassino não é quem eles pensavam, e a jornalista reclama ter informações-chave para encontrar o verdadeiro culpado. Dias depois, Stephanie desaparece. Assim começa este thriller colossal, de ritmo vertiginoso, entrelaçando tramas, personagens, surpresas e volte-faces, sacudindo o leitor e impelindo-o, sem possibilidade de parar, até ao inesperado e inesquecível desenlace.O que aconteceu a Stephanie Mailer? E o que aconteceu realmente no Verão de 1994?

O que diz a imprensa:
«Stephanie Mailer, tal como Harry Quebert antes dela, mantém-nos agarrados. Felizmente, escrever não é meramente “juntar palavras que formam frases”. Escrever também é construir, e nisso Dicker é excelente.» La Liberté

«Como é o novo Dicker? Podemos responder, sem hesitação: extraordinário!» Le Point

«Cinco temporadas de uma série de televisão viciante num só livro. O desaparecimento de Stephanie Mailer mostra em pleno o talento do escritor: uma teia de intrigas que mantém o leitor preso por um fio.» Le Temps

«O autor redescobre a sua força sedutora: a combinação de eficácia visual à americana com a elegância do detalhe à europeia.» 24 Heures

«Dicker não larga a mão do leitor que, apesar da variedade de personagens, da avalanche de pistas falsas, nunca perde o fio à meada. A cada cinquenta páginas, o leitor pensa ter encontrado o verdadeiro assassino. Mas para isso terá de esperar: o autor é muito hábil e diverte-se como um louco a induzir o leitor em erro.» Le Figaro Littéraire

«Romance após romance, Joël Dicker impõe-se como um mestre de ilusionismo.» Elle

«Preciso, denso, dinâmico, rápido, divertido, atravessado por uma ironia refrescante. Mas a sua maior qualidade, e a sua evolução em relação aos livros anteriores, é que esta complexidade, esta rapidez de acção, não impede o romance de ser comovente e poético ao mesmo tempo. É um livro com alma.» Matin Dimanche

«Enquanto Agatha Christie punha em cena “apenas” dez suspeitos, Joël Dicker joga com dezenas de personagens a um ritmo inacreditável. De tirar o fôlego!» Madame Figaro

«Conhece aquele sentimento terrível de se sentir sozinho depois de acabar um romance incrível? Foi o que me aconteceu com este livro. Joël Dicker vai ainda mais longe do que antes com este livro.» Cosmopolitan

Sobre o autor:
Joël Dicker nasceu em Genève, Suíça, em 1985. Estreou-se na literatura com Os últimos dias dos nossos pais (Alfaguara, 2014). Mas foi a publicação do segundo romance que fez dele um fenómeno literário global: A verdade sobre o caso Harry Quebert (Alfaguara, 2013) foi publicado em trinta e três países, vendeu mais de três milhões de exemplares e venceu o prémio de melhor romance da Academia Francesa de Letras, o Prix Goncourt des Lycéens e o prémio da revista Lire para melhor romance em língua francesa. Seguiu-se, em 2016, O Livro dos Baltimore. O desaparecimento de Stephanie Mailer é o seu quarto romance e confirma a mestria de Dicker no género do mistério literário. www.joeldicker.com


quinta-feira, 2 de junho de 2016

O Livro dos Baltimore - Joël Dicker [Opinião]

Título: O Livro dos Baltimore
Autor:
Joël Dicker
Editor: Alfaguara
Páginas: 552
PVP: 21,90€

Sobre o livro:
Se encontrar este livro, por favor leia-o. Queria que alguém conhecesse a história dos Goldman de Baltimore.

Até ao dia do Drama, existiam dois ramos da família Goldman: os de Baltimore e os de Montclair. O ramo de Baltimore, próspero e bafejado pela sorte, mora numa luxuosa mansão. Encarna a imagem da elite americana, abastada e influente, que vive nos bairros exclusivos, passa férias nos Hamptons e frequenta colégios privados.. Já os Goldman de Montclair são uma típica família de classe média e vivem numa casa banal em Nova Jérsia. É a esta família modesta que pertence Marcus Goldman, autor do romance A Verdade sobre o Caso Harry Quebert. mas era à família feliz e privilegiada de Baltimore que Marcus secretamente desejava pertencer. Mas tudo isto se transforma com o Drama.
Oito anos depois do dia que tudo mudou, é a história da sua família que Marcus Goldman decide investigar. Movido pelas memórias felizes dos tempos áureos de Baltimore, procura descobrir o que se passou no dia do Drama, que mudaria para sempre o destino da família.
O que aconteceu realmente aos Goldman de Baltimore?

A minha opinião: 
Neste terceiro livro publicado, Joël Dicker volta a Marcus Goldman e em boa hora o fez. Se gostou de A Verdade sobre o Caso Harry Quebert vai render-se ao O Livro dos Baltimore.

Neste livro Dicker conta a saga da família Goldman. A família abastada que vive em Baltimore e a família remediada, da qual faz parte Marcus, que vive em Montclair.  E é no presente e em frequentes viagens ao passado que vamos acompanhando Marcus na sua busca pela verdade e do que aconteceu no dia do Drama.

A história, contada sempre do ponto de vista de Marcus, é bastante comovente. Atualmente um escritor de sucesso, mas que está a passar por um bloqueio criativo, refugia-se num local calmo tendo por vizinho Leo, uma personagem que me cativou por ser uma espécie de conselheiro bom, tal qual anjo da guarda, sempre presente nos maus momentos para o aconselhar. E é através deste local que Marcus vai recordando o passado, e como invejava os Goldman de Baltimore, a vida faustosa e de pleno sucesso que levavam e a boa escola que os primos frequentavam. Por isso mesmo, aproveitava todos os tempos livres para se juntar a eles e daí terem formado  o «Gangue dos Goldman».

No entanto, à medida que se vai descobrindo a história dos Goldman, vão ser desvendados muitos esqueletos no armário e nem tudo o que parece é. A tão maravilhosa família tem problemas como qualquer outra e não é tão feliz como faz parecer.

As questões familiares, os primeiros amores, a amizade levada ao limite, a relação entre primos/irmãos, o bullying nas escolas, tudo vai sendo relatado à medida que Marcus vai revelando o percurso da sua família.

Cheio de personagens fantásticas e marcantes, que nos deixa um misto de sensações: não querer largar o livro para saber como termina, e ao mesmo tempo prolongar a leitura por tempo indeterminado para que dure e dure e dure.

Para quando o próximo livro senhor Dicker? Alguém que esteve com ele na Feira do Livro de Lisboa lhe perguntou? Que inveja que tive de vocês meninas. Além de talentoso é guapo.

Recomendadíssimo.

Excerto:
"Muitos de nós procuramos dar um sentido às nossas vidas, mas as nossas vidas não têm sentido se não formos capazes de cumprir estes três destinos: amar, ser amado e saber perdoar. O resto não passa de tempo perdido."







segunda-feira, 9 de fevereiro de 2015

Os Últimos Dias dos Nossos Pais - Joël Dicker [Opinião]

Título: Os Últimos Dias dos Nossos Pais
Autor: Joël Dicker
Edição/reimpressão: 2014
Páginas: 432
Editor: Alfaguara Portugal
PVP: 18,90€

Sinopse:
E se os ingleses tivessem sido os verdadeiros artesãos da vitória dos Aliados na Segunda Guerra Mundial? Após a pesada e preocupante derrota do exército britânico em Dunquerque, Churchill tem uma ideia que viria a mudar o curso da história: criar um Executivo de Operações Especiais dentro dos Serviços Secretos. Paul-Émile, um jovem e patriótico parisiense, chega a Londres uns meses mais tarde para integrar o movimento da Resistência e é imediatamente recrutado pelo Executivo de Operações Especiais.
Apesar do patriotismo, ninguém nasce resistente, pelo que aí, junto com outros jovens franceses, irá ser sujeito a uma formação e treinos intensos, de forma a poder voltar a França e assim contribuir para a construção de uma rede de Resistência. Serão estes jovens aprendizes de guerreiros os verdadeiros protagonistas deste romance que nos revela, finalmente, a verdadeira natureza da relação entre o movimento da Resistência e a Inglaterra de Churchill.

A minha opinião:
Depois de A verdade sobre o caso Harry Quebert, um dos melhores livros que li o ano passado, se não o melhor, parti para a leitura deste livro com um misto de emoções. Primeiro com muita curiosidade, depois com algumas reservas, com medo que fosse uma desilusão. Depois de ler a sinopse sabia perfeitamente que seria um livro completamente diferente do primeiro. Até aí tudo bem. Mas isso também já me colocava com receio. O facto de ser um género totalmente diferente do livro anterior (e que amei tanto ler), podia fazer com que me desiludisse e fizesse com que não quisesse não quer ler mais nada do autor no futuro. Mas mesmo assim decidi arriscar. E fiz bem.

De facto, Os Últimos Dias dos Nossos Pais nada tem a ver com A Verdade sobre o caso de Harry Quebert, mas é igualmente bom. Tudo bem, não tão bom como o primeiro, porque o primeiro foi sublime, mas a escrita de Joël Dicker está lá, o saber contar a história continua bem imprimido no leve passagem das páginas, de tal forma que desejamos que a narrativa nunca termine.

Neste livro temos como protagonista Paul-Émile, Pal, um jovem que decide partir para Londres a fim de ingressar na Resistência. Aí, torna-se membro das Forças Especiais, numa espécie de agente secreto e é impedido de ver o pai, a quem é tão dedicado. É na fase de preparação que "forma" uma quase família com os outros membros, também eles agentes secretos.

E é essa convivência que vamos acompanhando e conhecendo todos os membros, todos diferentes, mas todos iguais na vontade de terminar com o domínio alemão rumo à vitória dos Aliados. A amizade, camaradagem, o amor, vão fazer crescer todo o grupo, mas sobretudo Pal. Mas os erros também estão sempre à espreita e podem deitar tudo a perder. O amor está na génese de tudo e na génese deste livro.

Recomendo.

Excerto:
"- Mas é para partirmos juntos? Para estamos juntos! Não interessa para onde vamos, desde que estejamos juntos! Porque tu és o meu pai e eu sou o teu filho" - pag. 264



 

sexta-feira, 10 de janeiro de 2014

A verdade sobre o caso Harry Quebert - Joël Dicker [Opinião]

Título: A verdade sobre o caso Harry Quebert
Autor: Joël Dicker
Edição/reimpressão: 2013
Páginas: 664
Editor: Alfaguara Portugal
PVP: 22,09€

Sinopse:
Verão de 1975. Nola Kellergan, uma jovem de quinze anos, desaparece misteriosamente da pequena vila costeira de Nova Inglaterra. As investigações da polícia são inconclusivas. Primavera de 2008, Nova Iorque. Marcus Goldman, escritor, vive atormentado por uma crise da página em branco, depois de o seu primeiro romance ter tido um sucesso. Junho de 2008, Aurora. Harry Quebert, um dos escritores mais respeitados do país, é preso e acusado de assassinar Nola, depois de o cadáver da rapariga ser descoberto no seu jardim. Meses antes, Marcus, discípulo de Harry, descobrira que o professor vivera um romance com Nola, pouco tempo antes do seu desaparecimento. Convencido da inocência de Harry, Marcus abandona tudo e parte para Aurora para conduzir a sua própria investigação.
A minha opinião: 
Curiosa com o facto de A Verdade Sobre o Caso Harry Quebert ser uma fenómeno literário, decidi partir para a leitura do livro com grandes expectativas. Desde que o comecei a ler, aproveitei todos os momentos livres para o apreciar e devorar.

"Um bom livro, Marcus, é um livro que lamentamos ter acabado de ler". E é precisamente o que eu sinto depois de ter terminado este livro. Bem escrito, com uma intriga interessante, embora não original, e, apesar de extenso, não se nota pela imensidão de páginas porque se lê extremamente bem.

30 de Agosto de 1975 será uma data importante para a vida da população de Aurora, na Nova Inglaterra. Nola Kallergen, uma jovem de 15 anos que residia naquela localidade, desaparece sem deixar rasto. Ou melhor, desconfianças do que lhe poderá ter-lhe acontecido sempre houve, porque juntamente com o seu desaparecimento aparece o corpo ensanguentado de uma idosa, que poucos minutos antes telefonara para a polícia relatando que uma jovem estava a ser perseguida na floresta...

33 anos depois, Marcus Goldman um escritor cujo primeiro livro foi um sucesso, mas que está com um bloqueio criativo, decide visitar o seu mentor Harry Quebert, um escritor consagrado, cujo segundo livro "As Origens do Mal" ganhou vários prémios literários. Sem imaginar, Marcus vai encontrar em Aurora, o local onde Harry vive, muitos motivos para se inspirar, sobretudo depois do corpo de Nola aparecer.

Marcus, um jovem escritor, discípulo de Harry, é um jovem determinado, cujo apelido de "Formidável" lhe granjeou sempre sucesso, tanto na escola, como nos meios sociais. Harry, como mentor, dará conselhos, que surgirão como capítulos no livro de Dicker, de como se pode transformar num bom escritor, num escritor de sucesso, e que Marcus segue religiosamente.

É aí que descobre o amor imenso de Harry por Nola, um amor clandestino e ilegal, já que Harry, há 33 anos, tinha 34 anos e Nola apenas 15. Terá sido apenas um amor platónico, já que Dicker nunca revela que tipo de relacionamento tiveram, apesar de terem passado uma semana juntos num hotel? O certo é que este romance tem um toque de Nabokov. Harry poderá ser uma espécie de Humbert Humbert e Nola a jovem Lolita de doze anos. Até porque atrevimento tem q.b.

Já o seu desaparecimento faz lembrar o desaparecimento de uma personagem conhecidíssima do público, Laura Palmer, que também desapareceu sem deixar rasto tendo colocado uma pequena localidade em alvoroço. O que é certo é que Dicker conseguiu juntar duas fórmulas (ou mais) de sucesso.

O que é certo é que com apenas 28 anos, Dicker, tal como Marcus e Harry (parece uma premonição) viria a ganhar vários prémios em França tais como o Grande Prémio de Romance da Academia Francesa, o Prémio Goncourt des Lyséens e o Prémio da Revista Lire para o Melhor Romance em Língua Francesa.

Apesar da controvérsia de opiniões (há quem ame, há quem odeie) eu adorei. Apesar de previsível em alguns aspectos, fui suspeitando ao longo do livro de algumas situações, recomendo para os fãs do género. Excelente.







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