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quarta-feira, 3 de dezembro de 2014
quarta-feira, 29 de outubro de 2014
segunda-feira, 14 de julho de 2014
Entrevista a Pedro Garcia Rosado no Nós Aqui
Entrevista na íntegra:
Conhecido como o mestre do thriller português, Pedro Garcia Rosado é uma autor em ascensão. Quem conhece a sua escrita sabe que alia a ficção a questões sociais e políticas como a corrupção, abuso de poder e a máfia de leste. O seu último livro, "Morte nas Trevas", é disso exemplo.
Maria Manuel (MM)- Autor das séries "O Estado do crime", "Não Matarás" e "As Investigações de Gabriel Ponte", Pedro Garcia Rosado sempre escreveu policiais. Nunca sentiu vontade em mudar de registo?
Pedro Garcia Rosado (PGR) - Já, mais recentemente. Tenho em projecto uma história de jornais e jornalistas que gostaria um dia de escrever. Conheço bem os jornais por dentro e por fora (trabalhei como jornalista mais de vinte anos) e fui articulando recordações e acontecimentos que poderiam dar um bom romance.
A minha opção pelo “thriller” teve a ver com o meu gosto e o meu interesse pelo género que, mais na televisão e na literatura do que no cinema, se tem sabido renovar ao longo dos anos, ao contrário de outros géneros literários.
Esta capacidade de renovação e de reinvenção e o facto de estar a trabalhar agora com personagens fixas (Gabriel Ponte ou Ulianov, por exemplo) ainda me puxa para o “thriller”. E há histórias ainda por contar. Os outros projectos vão ter de esperar mais um pouco.
MM- Baseou-se em alguém para criar as suas personagens Gabriel Ponte e Joel Franco, protagonistas de duas das séries?
PGR - Não. Posso inspirar-me em pessoas reais para compor algumas personagens mas Gabriel Ponte, Joel Ponte, ou mesmo Ulianov, têm de ter a sua própria individualidade como personagens ficcionais. Podem reter traços de pessoas que eu conheça mas não podem estar colados à realidade ou serem ecos de pessoas já existentes.
Em termos de criatividade e de literatura ficcional isso seria uma perversão.
MM - Quais são os seus escritores de referência na área policial?
PGR - Gosto muito de Lee Child mas senti-me atraiçoado pela captura da personagem de Jack Reacher por um actor que tem cerca de meio metro a menos do que Reacher. John Le Carré é uma referência imprescindível tal como Ruth Rendell, cuja escrita acho admirável. Carl Hiaasen, desconhecido em Portugal, sabe contar uma boa história e tem um fantástico sentido de humor. Karin Slaughter (uma excelente aposta da Topseller em Portugal) é uma escritora muito criativa e tem uma obra notável. Já gostei mais de Harlan Coben, que está agora a repetir alguns tiques e que é muito melhor na série com Myron Bolitar. E também gosto muito de John Grisham, James Elroy e do falecido Elmore Leonard.
MM - Depois de "Morte nas Trevas", publicado no mês passado, já está a trabalhar noutro livro? É seguimento do anterior?
PGR - Ainda não. Inclino-me mais, nesta altura, para a necessidade de fixar melhor a personagem de Ulianov, de conhecer melhor as suas peripécias na antiga União Soviética (como oficial do KGB e, depois, dos spetsnaz). Esta personagem já entrou em três livros meus (“Ulianov e o Diabo”, “Vermelho da Cor do Sangue” e agora “Morte nas Trevas”) e irá em princípio assumir maior protagonismo no futuro. Convirá por isso conhecê-lo melhor.
MM - Nos seus thrillers quase sempre aparece um escândalo de corrupção, abusos de poder... Até que ponto é importante para si falar desses temas?
PGR - Uma das vertentes mais importantes deste género é a possibilidade que tem de abordar um leque muito vasto de questões sociais e políticas, ou porque quer ou porque os melhores autores (na literatura, na cinema e na televisão) souberam sempre compreender e esclarecer o enquadramento social, económico e político dos comportamentos criminosos que trazem para a ficção. Eu identifico-me com essa perspectiva social do “thriller”, sem a considerar obrigatória.
Por isso, e por querer ligar as minhas histórias à realidade nacional, tenho abordado esses e outros temas, tanto numa perspectiva genérica como numa perspectiva muito específica, como foi o caso do “processo Casa Pia”, em que me inspirei para escrever “O Clube de Macau” (que me parece ser o único romance policial sobre esse tema).
MM - Os livros anteriores, pertencentes ao "Estado do Crime" e o independente "A Guerra do Gil" são raridades difíceis de encontrar. Não sente vontade de os reeditar?
PGR - Não tenho pensado nisso, até por considerar que uma reedição poderia exigir um trabalho de reescrita que acabaria por alterar a história original. Em geral, não gosto muito de regressar a textos que já escrevi porque desejaria sempre fazer melhor, mesmo que não fosse necessário.
MM - Também é tradutor. Qual o livro que lhe deu mais gozo traduzir?
PGR - Da meia centena que já traduzi desde 2007, penso que os que mais me entusiasmaram foram “Cornos” (“Horns”), de Joe Hill, para a colecção 1001 Mundos na sua época áurea, “Tríptico”, de Karin Slaughter, e o primeiro volume de “A História dos Judeus”, de Simon Schama (Temas e Debates). Os dois primeiros são prodígios ficcionais e o segundo é um o livro de História que todos os livros de História deviam ser.
MM - Sabemos que viver da escrita em Portugal é muito difícil e um privilégio só para alguns. Mas gostava de viver apenas da escrita?
PGR - Julgo que não. Embora seja desejável a profissionalização dos escritores, coisa que é muito difícil num mercado pequeno e limitado como o português, há o risco de ela não estimular a criatividade. Há sempre autores que vão vivendo dos leitores que compram tudo o que eles publicam, da fama de outros tempos e de reedições de antigos êxitos quando já não conseguem fazer mais nada ou se esgotaram. A criatividade e a imaginação não duram sempre.
MM - Para quem não conhece Pedro Garcia Rosado, qual o livro que recomendaria para quem quer conhecer a sua obra?
PGR - Diria que o próximo, sempre. Mas, retrospectivamente, recomendaria “Ulianov e o Diabo”, porque é a estreia de Ulianov como personagem e de uma outra personagem, o sem-abrigo mutilado na guerra que dá pelo nome de Diabo. E depois “Morte com Vista para o Mar”, que é a estreia de Gabriel Ponte e desta nova série e onde estão alguns dos meus temas mais permanentes.
Conhecido como o mestre do thriller português, Pedro Garcia Rosado é uma autor em ascensão. Quem conhece a sua escrita sabe que alia a ficção a questões sociais e políticas como a corrupção, abuso de poder e a máfia de leste. O seu último livro, "Morte nas Trevas", é disso exemplo.
Maria Manuel (MM)- Autor das séries "O Estado do crime", "Não Matarás" e "As Investigações de Gabriel Ponte", Pedro Garcia Rosado sempre escreveu policiais. Nunca sentiu vontade em mudar de registo?
Pedro Garcia Rosado (PGR) - Já, mais recentemente. Tenho em projecto uma história de jornais e jornalistas que gostaria um dia de escrever. Conheço bem os jornais por dentro e por fora (trabalhei como jornalista mais de vinte anos) e fui articulando recordações e acontecimentos que poderiam dar um bom romance.
A minha opção pelo “thriller” teve a ver com o meu gosto e o meu interesse pelo género que, mais na televisão e na literatura do que no cinema, se tem sabido renovar ao longo dos anos, ao contrário de outros géneros literários.
Esta capacidade de renovação e de reinvenção e o facto de estar a trabalhar agora com personagens fixas (Gabriel Ponte ou Ulianov, por exemplo) ainda me puxa para o “thriller”. E há histórias ainda por contar. Os outros projectos vão ter de esperar mais um pouco.
MM- Baseou-se em alguém para criar as suas personagens Gabriel Ponte e Joel Franco, protagonistas de duas das séries?
PGR - Não. Posso inspirar-me em pessoas reais para compor algumas personagens mas Gabriel Ponte, Joel Ponte, ou mesmo Ulianov, têm de ter a sua própria individualidade como personagens ficcionais. Podem reter traços de pessoas que eu conheça mas não podem estar colados à realidade ou serem ecos de pessoas já existentes.
Em termos de criatividade e de literatura ficcional isso seria uma perversão.
MM - Quais são os seus escritores de referência na área policial?
PGR - Gosto muito de Lee Child mas senti-me atraiçoado pela captura da personagem de Jack Reacher por um actor que tem cerca de meio metro a menos do que Reacher. John Le Carré é uma referência imprescindível tal como Ruth Rendell, cuja escrita acho admirável. Carl Hiaasen, desconhecido em Portugal, sabe contar uma boa história e tem um fantástico sentido de humor. Karin Slaughter (uma excelente aposta da Topseller em Portugal) é uma escritora muito criativa e tem uma obra notável. Já gostei mais de Harlan Coben, que está agora a repetir alguns tiques e que é muito melhor na série com Myron Bolitar. E também gosto muito de John Grisham, James Elroy e do falecido Elmore Leonard.
MM - Depois de "Morte nas Trevas", publicado no mês passado, já está a trabalhar noutro livro? É seguimento do anterior?
PGR - Ainda não. Inclino-me mais, nesta altura, para a necessidade de fixar melhor a personagem de Ulianov, de conhecer melhor as suas peripécias na antiga União Soviética (como oficial do KGB e, depois, dos spetsnaz). Esta personagem já entrou em três livros meus (“Ulianov e o Diabo”, “Vermelho da Cor do Sangue” e agora “Morte nas Trevas”) e irá em princípio assumir maior protagonismo no futuro. Convirá por isso conhecê-lo melhor.
MM - Nos seus thrillers quase sempre aparece um escândalo de corrupção, abusos de poder... Até que ponto é importante para si falar desses temas?
PGR - Uma das vertentes mais importantes deste género é a possibilidade que tem de abordar um leque muito vasto de questões sociais e políticas, ou porque quer ou porque os melhores autores (na literatura, na cinema e na televisão) souberam sempre compreender e esclarecer o enquadramento social, económico e político dos comportamentos criminosos que trazem para a ficção. Eu identifico-me com essa perspectiva social do “thriller”, sem a considerar obrigatória.
Por isso, e por querer ligar as minhas histórias à realidade nacional, tenho abordado esses e outros temas, tanto numa perspectiva genérica como numa perspectiva muito específica, como foi o caso do “processo Casa Pia”, em que me inspirei para escrever “O Clube de Macau” (que me parece ser o único romance policial sobre esse tema).
MM - Os livros anteriores, pertencentes ao "Estado do Crime" e o independente "A Guerra do Gil" são raridades difíceis de encontrar. Não sente vontade de os reeditar?
PGR - Não tenho pensado nisso, até por considerar que uma reedição poderia exigir um trabalho de reescrita que acabaria por alterar a história original. Em geral, não gosto muito de regressar a textos que já escrevi porque desejaria sempre fazer melhor, mesmo que não fosse necessário.
MM - Também é tradutor. Qual o livro que lhe deu mais gozo traduzir?
PGR - Da meia centena que já traduzi desde 2007, penso que os que mais me entusiasmaram foram “Cornos” (“Horns”), de Joe Hill, para a colecção 1001 Mundos na sua época áurea, “Tríptico”, de Karin Slaughter, e o primeiro volume de “A História dos Judeus”, de Simon Schama (Temas e Debates). Os dois primeiros são prodígios ficcionais e o segundo é um o livro de História que todos os livros de História deviam ser.
MM - Sabemos que viver da escrita em Portugal é muito difícil e um privilégio só para alguns. Mas gostava de viver apenas da escrita?
PGR - Julgo que não. Embora seja desejável a profissionalização dos escritores, coisa que é muito difícil num mercado pequeno e limitado como o português, há o risco de ela não estimular a criatividade. Há sempre autores que vão vivendo dos leitores que compram tudo o que eles publicam, da fama de outros tempos e de reedições de antigos êxitos quando já não conseguem fazer mais nada ou se esgotaram. A criatividade e a imaginação não duram sempre.
MM - Para quem não conhece Pedro Garcia Rosado, qual o livro que recomendaria para quem quer conhecer a sua obra?
PGR - Diria que o próximo, sempre. Mas, retrospectivamente, recomendaria “Ulianov e o Diabo”, porque é a estreia de Ulianov como personagem e de uma outra personagem, o sem-abrigo mutilado na guerra que dá pelo nome de Diabo. E depois “Morte com Vista para o Mar”, que é a estreia de Gabriel Ponte e desta nova série e onde estão alguns dos meus temas mais permanentes.
terça-feira, 3 de junho de 2014
Entrevista a Megan Maxwell no Nós Aqui
O Marcador de Livros aceitou o convite do Jornal Nós Aqui, de Gondomar,
para preencher uma nova rubrica: uma páginas dedicada aos livros. É
certo que os jornais, e muito menos os regionais, dão pouco destaque à
literatura e, só por isso, este novo jornal já ganha uns valentes pontos
em relação a outros.
Para quem não deseja ou não consegue ver a entrevista na íntegra na imagem, deixo-a aqui em texto.
A trilogia Pede-me o que Quiseres arrasou os tops de venda em Espanha, com mais de 140.000 exemplares, em apenas seis meses. Os dois primeiros livros da série chegaram ao top dos livros mais vendidos em Portugal.
Megan Maxwell esteve recentemente em Portugal para divulgar esta trilogia onde falou da sua estreia no mundo do romance erótico.
Maria Manuel (MM): “Pede-me o que quiseres” deu a conhecer Megan Maxell aos leitores portugueses.
Como é que planeou escrever esta trilogia?
Megan Maxwell (MM): Foi algo casual. Quando a minha editora me perguntou se me atrevia a escrever um romance erótico disse logo não. Depois, pensei melhor e aceitei escrevê-la e tenho de dizer que desfrutei muito imaginar a sexualidade e a sensualidade dos protagonistas.
MM: Não teme ser comparada a E. L. James?
MM: Na hora de escrever o romance erótico, o meu estilo e o de E. L. James é completamente distinto. Mas entendo que, sendo romance erótico nos comparem.
MM: Em que é os seus livros diferem da trilogia As Cinquenta Sombras de Grey?
MM: As diferenças são várias. Destaco como exemplo o carácter de Judith Flores e o tipo de sexo que praticam os protagonistas. Estes são apenas dois exemplos, há outros.
MM: Pede-me o que Quiseres é uma trilogia que vai deixar saudades. Já está a escrever outro livro? Vai dar continuidade a alguma das personagens noutra obra?
MM: A trilogia Pede-me o que Quiseres culmina com a história posterior de Björn, o amigo de Eric, chamada “Sorpréndeme” [No original]. Actualmente acabo de terminar outro romance erótico, com outros personagens. Mas nunca se sabe se não se voltará alguma história sobre Eric e companhia.
MM: Jud é uma personagem engraçada e espelha na perfeição a mulher espanhola. Em quem se baseou para criar esta personagem? E Eric?
MM: A inspiração para a personagem de Jud foi precisamente a mulher espanhola. Quanto a Eric, eu sempre disse que a minha inspiração sempre foi, infelizmente, Paul Walker [actor entretanto falecido num acidente de viação].
MM: O romance erótico é o único género literário que já escreveu?
MM: Sou uma escritora de romances e o sexo sempre esteve presente. A única diferença é que quando escrevo romances eróticos não coloco quaisquer barreiras no que ao sexo diz respeito.
MM: Como surgiu a ideia de ser escritora?
MM: Sempre gostei de ler e a ideia de me tornar escritora estava sempre presente. Um dia, entediada em casa, reuni um papel e uma caneta e comecei a escrever. Meses depois terminei o meu primeiro romance e, a partir daí, não tenho parado de escrever.
MM: Quais são as suas referências literárias?
MM: Gosto de Julie Garwood, mas a nível contemporâneo são muitas as escritoras que me agradam, não posso decidir-me por uma apenas.
Para quem não deseja ou não consegue ver a entrevista na íntegra na imagem, deixo-a aqui em texto.
A ideia de me tornar escritora esteve sempre presente
A trilogia Pede-me o que Quiseres arrasou os tops de venda em Espanha, com mais de 140.000 exemplares, em apenas seis meses. Os dois primeiros livros da série chegaram ao top dos livros mais vendidos em Portugal.
Megan Maxwell esteve recentemente em Portugal para divulgar esta trilogia onde falou da sua estreia no mundo do romance erótico.
Maria Manuel (MM): “Pede-me o que quiseres” deu a conhecer Megan Maxell aos leitores portugueses.
Como é que planeou escrever esta trilogia?
Megan Maxwell (MM): Foi algo casual. Quando a minha editora me perguntou se me atrevia a escrever um romance erótico disse logo não. Depois, pensei melhor e aceitei escrevê-la e tenho de dizer que desfrutei muito imaginar a sexualidade e a sensualidade dos protagonistas.
MM: Não teme ser comparada a E. L. James?
MM: Na hora de escrever o romance erótico, o meu estilo e o de E. L. James é completamente distinto. Mas entendo que, sendo romance erótico nos comparem.
MM: Em que é os seus livros diferem da trilogia As Cinquenta Sombras de Grey?
MM: As diferenças são várias. Destaco como exemplo o carácter de Judith Flores e o tipo de sexo que praticam os protagonistas. Estes são apenas dois exemplos, há outros.
MM: Pede-me o que Quiseres é uma trilogia que vai deixar saudades. Já está a escrever outro livro? Vai dar continuidade a alguma das personagens noutra obra?
MM: A trilogia Pede-me o que Quiseres culmina com a história posterior de Björn, o amigo de Eric, chamada “Sorpréndeme” [No original]. Actualmente acabo de terminar outro romance erótico, com outros personagens. Mas nunca se sabe se não se voltará alguma história sobre Eric e companhia.
MM: Jud é uma personagem engraçada e espelha na perfeição a mulher espanhola. Em quem se baseou para criar esta personagem? E Eric?
MM: A inspiração para a personagem de Jud foi precisamente a mulher espanhola. Quanto a Eric, eu sempre disse que a minha inspiração sempre foi, infelizmente, Paul Walker [actor entretanto falecido num acidente de viação].
MM: O romance erótico é o único género literário que já escreveu?
MM: Sou uma escritora de romances e o sexo sempre esteve presente. A única diferença é que quando escrevo romances eróticos não coloco quaisquer barreiras no que ao sexo diz respeito.
MM: Como surgiu a ideia de ser escritora?
MM: Sempre gostei de ler e a ideia de me tornar escritora estava sempre presente. Um dia, entediada em casa, reuni um papel e uma caneta e comecei a escrever. Meses depois terminei o meu primeiro romance e, a partir daí, não tenho parado de escrever.
MM: Quais são as suas referências literárias?
MM: Gosto de Julie Garwood, mas a nível contemporâneo são muitas as escritoras que me agradam, não posso decidir-me por uma apenas.
terça-feira, 6 de maio de 2014
Entrevista a Flávio Capuleto no Nós Aqui
O Marcador de Livros aceitou o convite do Jornal Nós Aqui, de Gondomar, para preencher uma nova rubrica: uma páginas dedicada aos livros. É certo que os jornais, e muito menos os regionais, dão pouco destaque à literatura e, só por isso, este novo jornal já ganha uns valentes pontos em relação a outros.
Para quem não deseja ou não consegue ver a entrevista na íntegra na imagem, deixo-a aqui em texto.
O segredo reside em escrever com alma e coração
Flávio Capuleto é o mais recente sucesso literária em Portugal. Apesard e já ter publicado diversos livros, Inferno no Vaticano foi o que lhe granjeou o primeiro lugar no top de vendas da maior parte das livrarias portuguesas. Romântico por natureza, adoptou o apelido Capuleto por ter em Romeu e Julieta a sua fonte de inspiração.
Maria Manuel (MM): Inferno no Vaticano não é o seu primeiro livro, mas, de todos, é o que está a ter mais sucesso. Podemos falar já de um best-seller, uma vez que alcançou o 1.º lugar no “Top” Nacional. Qual a fórmula para tanto êxito?
Flávio Capuleto (FC): Diria que o segredo reside em escrever com alma e coração. Também é necessária inspiração e ela nem sempre ocorre. Às vezes, sinto-me bloqueado. Mas não desisto e a persistência é importante. A certa altura, as coisas começam a fluir e o momento criativo acontece. É o momento em que me ligo a tudo o que me rodeia, sobretudo os meus leitores.
MM: Capuleto não é um nome verdadeiro. Porque o adoptou?
FC: Embora realista, tenho um fundo romântico. Li aos onze anos Romeu e Julieta, de William Shakespeare e senti-me tão apaixonado que não resisti a adoptar, como pseudónimo literário, o nome de uma personagem do imortal romance.
MM: O que sente ao tornar-se um escritor reconhecido aos 71 anos?
FC: Qualquer coisa parecida com o Céu e o Inferno ao mesmo tempo. Inicialmente, senti uma grande alegria quando soube que o meu livro estava em todos os “tops” e que a GFK, que é uma empresa internacionalmente reconhecida na medição das vendas de livros nas livrarias, tinha colocado “Inferno no Vaticano” no primeiro lugar do “TOP” nacional. Depois, as solicitações para ir à TV, dar entrevistas a rádios e jornais, fazer apresentações do livro em bibliotecas, ir falar a escolas, dar sessões de autógrafos em livrarias começaram a roubar-me o tempo para aquilo que gosto de fazer: escrever. Não é fácil lidar com isto, sobretudo porque sou uma pessoa de hábitos simples. Sobretudo, tenho medo do deslumbramento e a pior coisa que me pode acontecer é ser mal interpretado. Quero continuar a ser a pessoa humilde que sempre fui.
MM: Como se tornou escritor?
FC: Descobri na adolescência que a minha vocação era a literatura e segui o meu caminho. Além da vocação, são necessárias duas coisas para alcançarmos sucesso: paixão e ambição. Paixão por aquilo que fazemos e ambição de chegarmos sempre mais longe.
MM: Quais as suas principais referências a nível literário?
FC: Adorei uma trilogia da autoria do escritor russo Máximo Gorki: “A Minha Infância”, “Ganhando o Meu Pão” e “A Minha Universidade”. Li com entusiasmo Jorge Amado e Paulo Coelho. Alguns livros de Saramago e Lobo Antunes fascinaram-me, tal como Equador, de Miguel Sousa Tavares. José Rodrigues dos Santos e Luís Miguel Rocha são escritores que aprecio bastante. Na área da teoria conspirativa, Dan Brown é um mestre.
MM: Como surgiu a ideia de criar um romance centrado no Vaticano?
FC: Ao longo do tempo, a cidade do Vaticano exerceu uma inegável influência em escritores de todo o mundo. É um campo inesgotável de enigmas, e o que se passa ali continua a prender a atenção de mais de mil milhões de católicos em todo o planeta. Quer queiramos quer não, o fenómeno religioso está entranhado no nosso sangue e comanda muitos actos da nossa vida. Sou humanista cristão e gosto de escrever sobre temas que preocupam a Humanidade.
MM: O facto de aconteceram episódios amorosos entre o inspector Luís Borges, detective privado do Papa, e uma simbologista convidada para as investigações, a sedutora Valéria Del Bosque, poderá ter despertado ainda mais a curiosidade dos leitores?
FC: Sem dúvida que sim. Um bom livro tem de ser um caldo com todos os ingredientes e o amor é o ingrediente mais fascinante num romance. Não podemos viver sem amor. De contrário, o planeta Terra seria um gigantesco cemitério a girar no espaço. Em “Inferno no Vaticano”, misturei religião, intriga, investigação, mistério, crime e sensualidade. Picante e sumo, perpassam habitualmente nas páginas dos meus romances.
MM: A saga do Vaticano, iniciada com este romance, é para continuar?
FC: Deixei isso em aberto neste romance e muitos leitores aperceberam-se do facto. Estou a pensar numa trilogia tendo o Vaticano como pano de fundo, mas, antes de lhe dar continuidade, quero publicar um livro fora desse campo, embora o tema central da obra gire à volta da religião.
segunda-feira, 21 de dezembro de 2009
Entrevista a Sandra Carvalho autora de A Saga das Pedras Mágicas
Através de uma iniciativa levada a cabo pelo Marcador de Livros e a Editorial Presença os seguidores deste blogue tiveram oportunidade de colocar algumas questões à autora da Saga das Pedras Mágicas, Sandra Carvalho. Eis o resultado final: Marcador de Livros (ML) - Como surgiu a ideia de escrever um livro e de como torná-lo numa saga?
Sandra Carvalho (SC) - Não consigo precisar o momento em que esta história começou a tomar forma. Só para terem uma ideia, fiz apontamentos sobre o modo de vida dos Viquingues nos meus cadernos do 7º. ano, que inspiraram algumas cenas dos primeiros livros. Por isso não será exagero dizer que a Saga das Pedras Mágicas me acompanha desde sempre. Ao longo do tempo fui fazendo pesquisa sobre as civilizações Celta e Viquingue, porque despertavam o meu imaginário e a minha paixão. Escrevia por puro prazer, para a família e os amigos, sem nenhumas pretensões. Publicar era algo que nem ocupava o meu pensamento, como um sonho impossível de realizar, até porque tinha consciência de que as editoras não aceitariam apostar em alguém desconhecido, principalmente quando o que estava em causa era um romance fantástico. Entretanto, a Saga foi ganhando forma e crescendo, a par de outras histórias. O meu marido foi o primeiro a ler o manuscrito, que mais tarde chegaria até vós como “A Última Feiticeira” e “O Guerreiro Lobo”. Ficou tão entusiasmado que “decretou” de imediato que este devia ser submetido ao parecer de uma editora. E eu entrei literalmente em pânico! Achava que a crítica de um profissional ao meu trabalho seria o fim do mundo… bem, pelo menos o fim da enorme satisfação que retirava da escrita! No entanto, como sabia que ele ia persistir nessa convicção, comecei a ler e a reler a história. Levei cerca de três anos a corrigir o que estava mais do que corrigido, e a tecer um esboço do rumo que pretendia dar à Saga, desde as “Lágrimas do Sol e da Lua, até à “Sacerdotisa dos Penhascos” e ao desenlace final. Por fim, o meu marido cansou-se de esperar que eu me decidisse. Foi ele quem pôs o manuscrito num envelope e o enviou para a Editorial Presença, porque era a editora que tinha acabado de abrir as portas a autores portugueses, nomeadamente no género fantástico, com a publicação das Crónicas de Allaryia, do Filipe Faria. E assim se iniciou esta aventura…
ML - Em que baseou para escrever esta saga, qual foi a inspiração?
SC - A par do interesse pelas culturas Celta e Viquingue, acho que fui bastante influenciada pelo facto de ter nascido e crescido em Sesimbra, entre a serra e o mar, no seio de uma família de pescadores. Depois, tudo o que fui aprendendo ao longo da vida, a família, os amigos, os amores, os risos, as lágrimas, os medos, as decepções e as esperanças acabaram por formar a minha personalidade e compor a minha escrita. A Saga é um acto de paixão, por isso não é difícil despertar a inspiração.
ML - As personagens dos seus livros têm algo a ver com quem a rodeia?
SC - Sim e não. Sempre que imagino uma personagem faço um pouco o trabalho de um actor. Esqueço quem sou e mergulho nesse ser, quer ele esteja destinado a ser um herói ou um vilão. Por isso as personagens da Saga são tão complexas e “humanas”. Ninguém é linearmente bom ou mau e todos chegaram onde estão com uma história para contar. É óbvio que isso exige muito esforço e concentração… Por vezes é mesmo desgastante, devido à intensidade das emoções envolvidas, que eu experimento como se fossem minhas. No fim, as personagens acabam por reflectir algumas das minhas vivências, mas nunca tracei um perfil a pensar especificamente numa pessoa.
ML - Qual foi a sensação quando viu o seu primeiro livro à venda?
SC - Sem querer ofender susceptibilidades, a mesma de ver um filho nascer e de o segurar nos braços pela primeira vez. O sonho que eu não me atrevia a sonhar tinha-se tornado realidade! É uma alegria impossível de descrever… Porém, ao mesmo tempo, senti o peso da responsabilidade. De repente, algo absolutamente íntimo e espontâneo estava exposto ao olhar e à crítica de todos. Sou tímida, por isso não foi fácil “revelar a alma”. Mas, no fim, tudo resultou numa experiência muito gratificante, que me tornou mais forte e me dá novos prazeres a cada dia.
ML - Costuma procurar saber as opiniões dos seus leitores?
SC - Tenho de dividir a escrita com o trabalho, a família e os amigos, por isso resta-me pouco tempo para navegar na rede à procura de algo que não esteja relacionado com a pesquisa para a Saga. O meu contacto com os leitores é pessoal. Todos os dias recebo mensagens que me deixam bastante satisfeita e emocionada, e às quais faço questão de responder. É muito bom saber que, através da escrita, tive a honra de colorir os sonhos de alguém e, até, por vezes, influenciar positivamente a sua vida. Daí o peso da responsabilidade! Também gosto muito de visitar as escolas e contactar com os jovens, para lhes contar a minha experiência e deixar a mensagem de que, por mais que os seus sonhos pareçam impossíveis, vale sempre a pena lutar para realizá-los. E ADORO estar nas Feiras do Livro e conversar com os meus leitores. Nessas ocasiões, o entusiasmo de partilhar esta aventura é tão grande que até esqueço que sou tímida e falo pelos cotovelos!
ML - Quando vai na rua já aconteceu conhecerem-na?
SC - Em Sesimbra, sim. De resto, faço questão de promover o meu trabalho e não a minha imagem. Quero que as pessoas comprem os meus livros porque alguém lhes disse que a história era apaixonante, e não porque tenho olhos castanhos e cabelos aos caracóis.
ML - Porquê escrever para os mais novos? É mais fácil ou, por outro lado, são mais exigentes que os adultos?
SC - Após quase cinco anos de contacto com os leitores, estou à vontade para dizer que o interesse pela Saga atravessa todas as idades. Inclusive, nas Feiras do Livro já tive a satisfação de ter três gerações sentadas ao meu lado. Por vezes até são as mães que compram os livros e depois os passam aos filhos, que ficam tão envolvidos com a história que convencem os avós a ler... E, se é verdade que os mais novos são mais exigentes do que os adultos, no que se refere ao Fantástico é mais difícil encantar um adulto com um cenário místico do que um jovem. Porém, essa questão acaba por não se colocar com a Saga, pois, apesar de a magia estar presente, a base da narrativa é uma linda história de amor, que também contém alguns elementos históricos, pois gosto de dar a conhecer aos meus leitores um pouco das culturas Celta e Viquingue, como viviam, o que comiam, como se vestiam, navegavam e guerreavam, as suas lendas e rituais…
ML - É uma leitora assídua? Qual a sua referência a nível literário?
SC - Até começar a trabalhar era uma leitora compulsiva; uma devoradora de livros, em vários géneros literários. Depois, infelizmente, comecei a ter cada vez menos disponibilidade para ler. Agora, todos os meus tempos livres são ocupados a escrever. Contudo, logo que possível, voltarei a dedicar-me a essa paixão que me dá tanto prazer. Tenho muitos autores de referência, entre os quais se encontram Hans Christian Andersen, Enid Blyton, Agatha Christie, Conan Doyle, Emilio Salgari, Edgar Rice Burroughs, Robert Heinlein, Tolkien, Juliet Marillier, Marion Zimmer Bradley, Michael Crichton…
ML - Qual o maior sonho que gostaria de atingir com a sua escrita?
SC - Ver o projecto da Saga a ganhar vida e receber o apoio dos meus leitores já é a concretização de um grande sonho. Agora, há que continuar a trabalhar com afinco, para que esse sonho não se desvaneça. É óbvio que, um dia, gostaria de poder dedicar-me inteiramente à escrita. Contudo, por enquanto, vou dando passos pequeninos, enquanto desfruto da alegria de partilhar esta aventura.
ML - Qual a melhor altura para escrever? É disciplinada na escrita ou só escreve quando tem inspiração?
SC - Eu adoro escrever por isso qualquer altura é boa, quer seja de dia ou de noite. A Saga está sempre presente na minha cabeça. Inclusive, algumas situações complicadas já foram resolvidas em sonhos. Sempre que posso sentar-me diante do computador deixo a imaginação voar e perco a noção da realidade. Quando estou mais cansada aproveito para reler o que escrevi. O tempo é pouco e há que aproveitá-lo ao máximo. A escrita exige muita concentração e dedicação. No entanto, nenhum sacrifício é demais, quando se trabalha com amor. E é com muito carinho que me despeço.
Resta-me agradecer ao blogue Marcador de Livros e aos seus leitores pelas questões que colocaram, assim como aos meus companheiros de aventura. Desejo-vos um Feliz Natal e um Próspero Ano Novo. Que 2010 testemunhe a concretização de todos os vossos sonhos. Muitos beijinhos Sandra Carvalho
quinta-feira, 3 de dezembro de 2009
Proposta aos seguidores do Marcador de Livros e fãs da escrita de Sandra Carvalho
A Editorial Presença publica hoje, dia 3 de Dezembro, o livro A Sacerdotisa dos Penhascos, da autoria de Sandra Carvalho, o sexto volume da série «A Saga das Pedras Mágicas». Sendo uma autora portuguesa, e estando ela disponível para entrevistas, a Editorial Presença e o Marcador de Livros gostava de propor algo diferente aos seus seguidores: que nos enviem para o email marcadordelivros@gmail.com perguntas que gostariam de ver respondidas pela escritora. O que dizem? Aceitam o desafio?
As perguntas podem ser remetidas para o email até ao próximo dia 9 de Dezembro.
Aqui fica mais alguma informação sobre o livro e a autora:
Os Guardiães das Lágrimas do Sol e da Lua vivem finalmente em plena união. Dos seus amores nasceram Halvard e Kelda, os gémeos sobre quem pairam profecias grandiosas e temíveis. Halvard está nas mãos de Sigarr, o Mestre da Arte Obscura, que espera treiná-lo para ser o Guardião do Conhecimento Absoluto, e usar o imenso poder deste em seu proveito. Kelda, no topo da mais alta fraga da Ilha dos Penhascos, entrega o seu corpo dorido e o espírito destroçado à violência da tempestade, enquanto as palavras da sua melhor amiga Oriana lhe ressoam aos ouvidos qual maldição: «Hás-de acabar sozinha e devorada pelo mal como o teu irmão!» Como poderá lutar contra as forças negras do destino, se todos aqueles que ama lhe viram as costas? Será capaz de provar que os pais estavam enganados acerca da sua índole perversa? E resgatar Halvard do jugo dos Feiticeiros, cumprir os desígnios da Pedra do Tempo e salvar a sua própria alma? Ou estará condenada a ceder ao apelo da Arte Obscura que pulsa no seu sangue e a tombar no abismo?
Sandra Carvalho é uma jovem descendente de pescadores nascida «numa rua antiga virada para o mar». Tem vindo a afirmar-se como uma das escritoras de maior sucesso na literatura fantástica portuguesa. A sua Saga das Pedras Mágicas, publicada pela Presença, desperta um interesse crescente e entusiástico entre os apreciadores do género e os seus inúmeros fãs. Até ao momento saíram já A Última Feiticeira, O Guerreiro Lobo, Lágrimas do Sol e da Lua, O Círculo do Medo e Os Três Reinos. A Sacerdotisa dos Penhascos é o novo e muito aguardado volume que dá continuação à Saga.
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