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quarta-feira, 7 de maio de 2014

A Volta ao Medo em 80 Dias - José Jorge Letria [Opinião]

Título: A Volta ao Medo em 80 Dias
Autor: José Jorge Letria
N.º de Páginas: 208 páginas
PVP: 14,99 €
Guerra e Paz|Clube do Livro SIC

Sinopse:
Este livro é acima de tudo uma história de amor a Portugal, à vida e às mulheres.

A Volta ao Medo em 80 Dias é a história de um homem, de um cidadão português que, vivendo intensamente os conflitos e as utopias do seu tempo, nunca desiste de ser feliz. Nascido num Portugal marcado pelo espectro do medo, revisita, neste livro, todas as situações que, antes e depois do 25 de Abril, na ditadura e na democracia, na guerra e na paz, o fizeram pronunciar essa palavra – a palavra medo – com um misto de reserva e inquietação interior.

A Volta ao Medo em 80 Dias é também uma história de amor. Fragmento da nossa história colectiva e dos sonhos que ficaram por cumprir, este livro é acima de tudo uma história de amor a Portugal, à vida e às mulheres que representaram os afectos mais perenes de um percurso longo e tantas vezes doloroso. O herói deste livro é um homem que tem de vencer uma maldição – é o homem português.

A minha opinião:
A Volta ao Medo em 80 dias é a história de Gustavo, um homem que nasceu na ditadura e teve de conviver com ela durante parte da sua vida. Um homem que viu partir o seu primo para a guerra do Ultramar, uma guerra que não era deles, e que o viu voltar com uma revolta enorme, cego de um olho e sem poder andar. Um homem que, internado num hospício, acabaria por se suicidar com uma dose letal de comprimidos.

Gustavo vivia numa família um tanto ou quanto repressora, com um pai autoritário, que desejava que o filho fosse para Direito, não o deixando sonhar os seus sonhos. Gustavo vivia com a vontade de ensinar, vivia no mundos das letras e dos livros e não entendia porque é que o pai não o queria ver feliz.

O Portugal daquele tempo, austero e proibitivo era contra os livres pensadores, contra os revolucionários, contra aqueles que desejam o melhor para as suas vidas. Daí o protagonista não poder dar também largas às suas paixões, amorosas e profissionais, vivendo sempre num clima de medo.

Gustavo tem também um primo pertencente à PIDE, portanto, inimigo, mas cuja amizade se tem de manter. Um homem execrável que tudo vê, tudo sente e tudo bufa...

Até que veio o 25 de Abril e a vida de Gustavo ficou melhor. "Que dizer de uma noite que pode transformar vidas inteiras, entrando pelo história de uma país e tentando mudar-lhe o rumo?"

Afastado dos ideais políticos Gustavo começa a viver a sua vida tal como gostaria que tivesse sido desde o início.

A Volta ao Medo em 80 dias é um livro fantástico, que se lê de uma assentada e que, por fim, nos deixa aquela sensação de uma tarde bem passada. Mas que livro tão bom!

Bem escrito, com uma história envolvente, José Jorge Letria conseguiu reunir num pequeno livro tudo aquilo que gosto numa leitura.

Recomendo vivamente!



quarta-feira, 2 de outubro de 2013

Urbano Tavares Rodrigues, O Livro Aberto de uma Vida Impar - José Jorge Letria [Opinião]

Título: Urbano Tavares Rodrigues, O Livro Aberto de uma Vida Impar
Autor: José Jorge Letria
Editora: Guerra  Paz
N.º de Páginas: 128
PVP: 13,99€

Para inaugurar a colecção o fio da memória, a Sociedade Portuguesa de Autores e a Guerra e Paz Editores publicam um livro de homenagem a Urbano Tavares Rodrigues, romancista, poeta, dramaturgo e ensaísta. Urbano Tavares Rodrigues: O Livro Aberto de Uma Vida Ímpar é, pela voz do próprio Urbano, o retrato de uma vida e o retrato de uma obra. Da infância à idade adulta, da política à literatura, Urbano Tavares Rodrigues, numa longa e exaltante conversa com José Jorge Letria, não só se expõe sem medos ou reticências, como ilumina, pela evocação de episódios, figuras e factos, a nossa história dos últimos 50 anos. Um livro para conhecermos ainda melhor Urbano. Um livro, afinal, para nos conhecermos melhor a nós próprios.

A minha opinião:
Urbano Tavares Rodrigues, O Livro Aberto de uma Vida Ímpar é a prova de como um pequeno livro pode conter algo tão bom.

Conheci os livros do autor quando era muito jovem, num tempo em que não tinha tantos livros ao meu gosto para ler em casa (apesar das estantes estarem cheias) e frequentar a biblioteca municipal do concelho onde vivia. Certo é que a pequena biblioteca de Marco de Canaveses tinha poucos livros, baseando-se em clássicos. Foi nessa altura que conheci Camilo, Eça, Miguel Torga e Urbano Tavares Rodrigues, entre muitos outros autores. E que sortuda que fui.

Mas de Urbano apenas fiquei a conhecer a sua obra e não o homem que ele foi. Com este livro, recentemente publicado pela Guerra & Paz e pela Sociedade Portuguesa de Autores, escrito por José Jorge Letria, Urbano tornou-se ainda mais humano. José Jorge Letria partilhava com Urbano uma amizade de quase 45 anos, quando Urbano já era um jornalista consagrado. Mesmo assim mostrava modéstia nas palavras do autor do livro "Estando connosco ele era mais um de nós."


Escritor desenfreado, só parou de escrever praticamente na véspera do seu internamento do qual resultaria a sua morte, aos 89 anos. "Urbano era um lutador incansável." Para aquele que seria um livro aberto, deu uma entrevista para o seu longo amigo, mais de 3 horas de conversa.

Escrito de uma forma leve, intimista e bastante aberta, José Jorge Letria conseguiu em poucas páginas, que Urbano abarcasse um pouco da sua vida. Desde que nasceu até quase ao dia da sua morte. "Fez questão que a entrevista fosse livre e solta como sempre foi a sua vida." Filho de um grande jornalista [Urbano Rodrigues], Urbano teve porém uma relação bem mais forte com a sua mãe. Com o pai o relacionamento foi distante.

Ao longo da sua longa vida privou com os mais variados escritores portugueses e estrangeiros, tendo conhecido, entre outros, Simone de Bouvoir, Jorge Amado, Jean Paul Sartre, Fernando Namora. Antes disso formou-se em letras, mas foi impedido de leccionar devido às suas ideias políticas. Pela mesma razão esteve preso onde sofreu várias privações. Mesmo assim não parou de escrever, em pedaços duros de papel higiénico. Apesar de comunista apenas conheceu Cunhal após o 25 de Abril


Casado com uma grande escritora, Maria Judite de Carvalho do qual resultaria uma filha, Isabel Fraga, este foi talvez o ponto que menos explorado foi no livro...

De salientar ainda o bonito poema que dá início ao livro de José Jorge Letria, dedicado a Urbano em 2011.

domingo, 6 de novembro de 2011

Quem Assim Falou – Grandes Frases de Todos os Tempos - José Jorge Letria [Opinião]


Título: Quem Assim Falou – Grandes Frases de Todos os Tempos
Autor: José Jorge Letria
PVP: 13,90 €
N.º de Páginas: 240
Sobre o Livro:
Ao longo dos tempos, têm sido proferidas frases por grandes figuras da história da Humanidade que a memória colectiva registou e imortalizou. Apenas dois exemplos: «Não sois vós que me expulsais, sou eu que vos condeno a ficar», pronunciada por Demóstenes, na Grécia Antiga, e «os tempos que nos esperam serão de sangue, suor e lágrimas», da autoria de Winston Churchill, ao anunciar a entrada do Reino Unido na II Guerra Mundial. Como estas, existem centenas de frases, incluindo várias de origem portuguesa («Obviamente, demito-o!», de Humberto Delgado, ou «Sou socialista, republicano e laico», de Mário Soares, entre outras), que merecem ser recordadas e recontextualizadas de uma forma criativa, colocando em cena os autores e as circunstâncias históricas em que foram pronunciadas. Até já temos o «Porreiro, pá», dito pelo (nosso) Sócrates…
Prefácio de Irene Flunser Pimentel, ilustre historiadora e Prémio Pessoa.
A minha opinião:
Com frases sobejamente conhecidas outras nem tanto, gostei imenso de ler Quem Assim Falou – Grandes Frases de Todos os Tempos de José Jorge Letria. Acompanhadas por uma breve explicação e da situação histórica em que estão inseridas, e ordenadas cronologicamente, vamos lendo ao longo de duzentas e poucas páginas frases dos grandes filósofos gregos (e não só) que ainda hoje estão tão actuais e ainda hoje são proferidas constantemente, como frases de grandes estadistas, de escritores, não esquecendo frases de origem portuguesa ditas por Salazar, Sidónio Pais a Américo Tomás.
De Jorge Amado destaco “Mais difícil do que publicar um livro é publicar um bom livro”, ou “Talvez através do sofrimento dos judeus o mundo aprenda a tornar-se melhor” de Anne Frank ou “O génio é um por cento de inspiração e 99 por cento de transpiração” de Thomas Alva Edison.