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quarta-feira, 1 de abril de 2020

Elevação - Stephen King [Opinião]

Título: Elevação
Autor: Stephen King
Editor: Bertrand Editora
N.º de Páginas: 120

Sinopse:
Castle Rock é uma pequena cidade, cenário de muitos livros de Stephen King, e as notícias correm depressa. É por isso que Scott Carey quer confiar o seu estranho segredo apenas ao Dr. Bob Ellis: anda a perder peso sem emagrecer e a balança regista o mesmo peso independentemente da roupa que usa.
Scott tem duas vizinhas que abriram uma «requintada experiência de jantar» na cidade, mas a população não está convencida. Deidre e Missy Donaldson é um casal de lésbicas que não encaixa muito bem nas expectativas da comunidade. E agora Scott parece estar em guerra com elas, porque os cães do casal gostam de ir fazer as necessidades ao seu relvado.

Scott começa a compreender a vida difícil das vizinhas e tenta ajudar. Enquanto a comunidade se une e se prepara para mais uma comemoração do Dia de Ação de Graças, alianças improváveis são criadas, mostrando que podemos encontrar uma base comum apesar das nossas diferenças tão enraizadas.

A minha opinião: 
Neste último livro de Stephen King, publicado  pela Bertrand Editora, Castle Rock é palco para mais uma história/novela do mestre do terror.

Elevação conta a história de Scott Carey, um homem que perde peso desenfreadamente sem que isso se note a nível visual. Carey continua robusto, com forças, mas a perda de peso não se compreende porque o homem continua a fazer a mesma alimentação desregrada que fazia antes. Pior, Scott acaba por comer ainda mais do que comia para ver se tinha alterações no peso diário, mas isso não acontece.

Procura, assim, o apoio do amigo Bob Ellis, um médico aposentado, revelando-lhe o segredo que carrega consigo. Ellis não consegue encontrar explicações para o sucedido, mas fica intrigado e cada vez mais preocupado com o amigo Será que vai chegar ao peso de 0 quilos?

Apesar de centrado na perda de peso de Scott, Elevação traz também a vida difícil das suas vizinhas. Duas mulheres, lésbicas, que procuram procurar o êxito nesta pequena cidade, cujos habitantes são muito conservadores. Completamente ostracizadas, até mesmo por Scott, as duas mulheres, sentem-se encostadas à parede uma vez que o seu restaurante vegetariano está praticamente às moscas.

Li este livro num ápice e, apesar de não gostar de livros tão pequenos porque fico sempre com a sensação que falta sempre algo para justificar, algo para aprofundar, gostei muito.

A perda de peso de Scott fez-me lembrar o Estranho Caso de Benjamin Button,conto de F. Scott Fitzgerald, cujo personagem principal nascia velho e ia ficando cada vez mais novo até chegar ao estado de bebé.

Por outro lado, a história secundária acabou por ser mais interessante. Com a perda de peso e ao constatar que o seu fim poderá estar próximo, Scott acaba por reavaliar a sua forma de estar na vida e começa a olhar para o preconceito de uma outra forma.





quinta-feira, 25 de outubro de 2018

Fim de Turno - Stephen King [Opinião]

Título: Fim de Turno
Autor: Stephen King
Editor: Bertrand Editora
Páginas: 376

Sinopse: 
Bill Hodges, que agora gere uma agência com a colega Holly Gibney, fica intrigado com a letra Z escrita a marcador na cena de um crime para que são chamados.
À medida que se vão acumulando casos idênticos, Hodges fica espantado ao perceber que as pistas apontam para Brady Hartsfield, o célebre «assassino do Mercedes» que eles ajudaram a condenar. Devia ser impossível: Brady está confinado a um quarto de hospital num estado aparentemente vegetativo.

Mas Brady Hartsfield tem novos poderes letais. E planeia uma vingança, não só contra Hodges e os seus amigos, mas contra a cidade inteira.
O relógio bate de formas inesperadas…

A minha opinião: 
Fim de Turno é o término da série Bill Hodges, uma das trilogias que mais me deu gozo ler nestes últimos tempos. 

Como já tinha referido anteriormente em Perdido e Achado, conheci Bill Hodges através da série Mr. Mercedes, pelo que acabei por não ler o primeiro livro da trilogia. No entanto, não achei que essa falha fizesse com que perdesse o fio à meada, nem criasse desmotivação. Pelo contrário. Gostei tanto da série que fui lendo os dois livros que restavam com vontade de querer saber mais de Bill Hodges, que mudou bastante desde o primeiro livro. 

Acompanhar a evolução das personagens é o que mais me interessa neste tipo de séries. Bill Hodges é, sem dúvida, a minha personagem preferida da série, mas convenhamos que só evolui com a entrada em cena de Brady Hartsfield. Se não fosse a mente completamente perversa e maquiavélica do antagonista, Bill não conseguiria sair do estado decrépito e degradante em que se encontrava antes do assassino do Mercedes aparecer. 

Aposentado da polícia Bill, que tem agora uma agência de detetives, é chamado para investigar uma cena de crime que intriga todos à sua volta. Na casa de um suicida aparece a letra Z escrita a marcador e parece não estar relacionada com nada. 
Tudo se adensa quando casos idênticos começam a surgir, revelando que as vítimas têm algo mais em comum do que uma simples letra: Brady Hartsfield. 

Achei interessante como que King deu a volta ao facto de o cruel assassino do Mercedes estar num completo vegetal e ter conseguido engendrar todo um plano para se vingar do ex-polícia. 

Se tinha achado maravilhoso o Perdido e Achado de King este supera qualquer livro que tenha lido do autor. 

Gosto mais de Stephen King escritor de policiais do que de livros de terror. E aqui mostra que é de facto bom naquilo que faz. Fim de Turno leva-nos às lágrimas com o seu final, mas é assim que se deve acabar com uma trilogia, sem pontas soltas.

Excelente. 



quinta-feira, 14 de junho de 2018

Perdido e Achado - Stephen King [Opinião]

Título: Perdido e Achado
Autor: Stephen King
Editor: Bertrand Editora
N.º de Páginas: 392

Sinopse: 
1978:
Morris Bellamy está tão obcecado por John Rothstein, um icónico autor norte-americano, que era capaz de matar para conseguir um livro inédito do escritor.

2009:
Pete Saubers, um rapaz cujo pai foi brutalmente ferido por um Mercedes roubado, descobre uma mala cheia de dinheiro e os cadernos de Rothstein.

2014:
Depois de trinta e cinco anos na prisão, Morris sai em liberdade condicional. E está determinado a recuperar o seu tesouro.

Cabe agora a Bill Hodges, detetive reformado que gere uma empresa de investigação chamada Finders Keepers, salvar Pete de um Morris cada vez mais desvairado e com sede de vingança...

A minha opinião: 
Divido em três espaços temporais, Perdido e Achado é o segundo livro da trilogia Bill Hodges que começou com Mr. Mercedes. Não li o primeiro, mas como vi a série baseada no livro, senti-me completamente confortável para iniciar a sua leitura.

1978 - John Rothstein tem uma visita inesperada em sua casa. Três indivíduos, que nos são apresentados apenas pela cor das suas roupas, surpreendem-no durante o sono e acabam por descobrir o cofre que tem muito dinheiro, acumulado durante anos. Mas o cofre que Rothstein tão afincadamente defende não contém apenas dinheiro. Nele estão guardados muitos cadernos Moleskine que têm rascunhos de livros inacabados seus.
Depressa vamos percebendo que Rothstein é um escritor bastante conhecido, estudado na maior parte das universidade americanas e que um dos assaltantes o idolatra.
É aqui que entra Morris Bellamy, um rapaz com uma personalidade bastante marcada pelas histórias de Jimmy Gold, a personagem que levaria Rothstein a ser capa da Time. Bellamy mostra-nos uma personalidade fraca, fragilizada, e que se mostra revoltado pelo rumo que o famoso escritor levou a sua personagem principal, tendo essa revolta influenciado tudo o que aconteceu naquela noite do ano de 1978.

2009  - Família Saubers - Casal com dois filhos que está a atravessar uma fase financeira mais complicada. Depois de Tom ter ficado sem emprego resultado da crise imobiliária do ano anterior, esta família jovem está a atravessar uma fase menos boa. Até que Tom decide visitar uma Feira de Emprego local que poderá mudar ainda mais a vida de todos. Nesta fase King liga esta história com o livro anterior, onde um sociopata decide conduzir um Mercedes sobre uma multidão que espera pela abertura da Feira de Emprego. Tom acaba por ficar entre os feridos, mas a personagem mais relevante será o seu filho, Pete Saubers que descobir uma mala cheia de dinheiro e com os Moleskines de Rothstein.

2014 - atualidade . Bellamy sai da prisão na esperança de tentar reaver tudo o que perdeu durante os mais de 30 anos que esteve enclausurado...

Relativamente à primeira história penso que o detetive está aqui um pouco mais apagado, se bem que continua a ser eficaz na descoberta do caso principal. Gostei imenso desta história, a forma como foi desenrolando nos diferentes espaços temporais e a forma como foram bem interligados uns nos outros. 
Apesar de ter sido bastante previsível, gostei de acompanhar a história em todos os passos que foi tomando, tendo a história, o enredo, me prendido desde o primeiro momento. 
Além do crime central da história, King leva-nos a questionar sobre diversos aspectos: 
O que leva um fã a matar o seu próprio ídolo? 
Se, por mero acaso, encontrássemos um saco cheio de dinheiro o que fariam com ele? E manuscritos de um escritor já falecido?

Gostei imenso deste livro e estou em pulgas para começar a ler o último da trilogia que sairá a 6 do próximo mês. 




terça-feira, 17 de setembro de 2013

Misery - Stephen King [Opinião]

Título: Misery
Autor: Stephen King

Tradutor: Magda Viana
N.º de Páginas: 480

PVP: 9€

Paul Sheldon, um escritor famoso de romances cor-de-rosa, tornado célebre pela personagem principal das suas obras, Misery Chastain. Porém, Sheldon entendeu que estava na hora de virar a página e decidiu "matar" Misery. É então que sofre um terrível acidente de viação e é socorrido por Annie Wilkes, uma ex-enfermeira que o leva para sua casa para o tratar. O que Paul não sabe é que Annie, a sua salvadora, é também a sua maior fã, a mais fanática e obcecada de todas  -  e está furiosa com a morte de Misery.
Ferido e incapaz de andar, totalmente à mercê de Annie, Paul é obrigado a escrever um novo livro para "ressuscitar" Misery, como uma Xerazade dos tempos modernos nas mãos de uma psicopata tresloucada que há muito deixou de distinguir realidade de ficção .

Repleto de complexos jogos psicológicos entre refém e captor, Misery é uma obra de suspense e terror no seu estado mais puro.

A minha opinião:
Paul Sheldon é um escritor best-seller, arrecadando múltiplos seguidores dos seus livros. Escrevendo sobretudo para o público feminino, Sheldon criou uma personagem que o tornou famoso: Misery Chastain.

Mas Paul, decidido a mudar o rumo da sua vida, e com a ambição de prémios literários que o tornem um autor reconhecido, decide matar Misery, optando por focar a partir daí os seus livros para um público mais erudito.

O que Paul não imaginava é que numa noite de tempestade iria ter um acidente, que iria resultar no salvamento por parte da sua fã n.º 1: Annie Wilkes. O que o autor não imaginava é que além de ser sua fã, Annie foi antiga enfermeira em vários hospitais, e que esconde um passado sombrio.

Rapidamente Paul constata que algo de errado de passa com Annie já que no lugar de o tratar e o levar para o hospital, a mulher solitária mantém-no preso em sua casa obrigando-o a "ressuscitar" Misery e escrever uma nova história da saga.

A loucura de Annie é constantemente relatada sob a perspectiva do próprio Paul, o que melhora ainda mais a história. Com momentos macabros, King consegue prender o leitor, dando-lhe episódios emocionantes e ao mesmo tempo surpreendentes do que uma pessoa pode fazer a outra, caso não lhe seja feita a vontade. À medida que a história se vai desenvolvendo vai-se descobrindo o passado macabro de Annie, que ela guarda religiosamente numa espécie de diário feito por recortes de jornal. O que nos leva a pensar que o futuro de Paul naquela casa tem os dias contados.

O tom maquiavélico com que a mulher tem para com o seu prisioneiro, a forma dela ver a realidade, mostra ccada vez mais que esta sofre de perturbações mentais, levando-nos a estranhar como é que a polícia não anda mais por perto de sua casa... Ainda para mais sabendo que um escritor famoso está desaparecido.

Este é o segundo livro que leio de Stephen King e gostei bastante da forma como está descrito todo o horror pelo qual Paul passa, a forma tenebrosa que Annie o trata e a loucura de uma fã, que tudo faz para ler de novo um livro sobre a sua pesrsonagem.

Tem ainda outro lado, que é todo o processo criativo de uma escritor até à criação final, o horror de ver uma obra sua ser destruída, e a vontade de querer continuar a escrever, mesmo que as dores que sente sejam atrozes.

Muito bom.