quarta-feira, 14 de julho de 2021

Beartown - Fredrik Backman [Opinião]

 

Título: Beartown
Autor: Fredrik Backman
Editor: Porto Editora 
N.º de Páginas: 424

Sinopse: 
As pessoas dizem que Björnstad, a Cidade do Urso, está acabada. A pequena localidade aninhada nas profundezas da floresta tem vindo lentamente a perder terreno para as árvores, sempre invasoras. Mas junto ao lago existe um velho rinque, construído há gerações pelos trabalhadores que fundaram a cidade. E esse rinque é o motivo pelo qual as pessoas acreditam que o dia de amanhã será melhor do que o de hoje. A equipa de juniores de hóquei no gelo está prestes a competir nas meias-finais nacionais e tem realmente hipóteses de vencer. Todas as esperanças e sonhos deste lugar repousam agora sobre os ombros de uma mão-cheia de rapazes adolescentes.

Mas ser o responsável pelas ambições da povoação inteira é um fardo pesado, e o jogo das meias-finais torna-se o catalisador de um ato violento, que traumatizará uma rapariga e deixará Björnstad em pé de guerra. São feitas acusações que, como uma pedrada no charco, percorrem a cidade, afetando todos.

Beartown explora os grandes desejos que unem uma comunidade pequena, os segredos que a separam e a coragem necessária para um indivíduo lutar contra a corrente.






Desde que li A Minha Avó Pede Desculpas há uns três anos que fiquei fã da escrita e das personagens peculiares criadas por Fredrik Backman. 

E era isso que estava à espera quando peguei em Beartown, mas, apesar de não ter encontrado nada disso no mais recente livro do autor sueco, encontrei muito mais. Backman dá-nos a conhecer uma cidade que vive para uma única modalidade desportiva. E não, não é o futebol. 

Em Björnstad todos são aficionados pelo hóquei no gelo, ao ponto de serem completamente fanáticos. Esta é a modalidade que une a pequena comunidade existente no local e todos vivem para o hóquei, de tal forma que tudo gira à volta do torneio das meias-finais nacionais que se vão realizar. 

Mas como bem sabemos e vamos constatando ao longo do livro, tudo o que vira um obsessão e fanatismo pode trazer outros dissabores e um acontecimento dramático vai colocar em causa tudo aquilo em que acreditam. 

Um ato violento vai chocar e dividir a pequena comunidade que vai começar a tirar partidos mesmo sem saber ao certo o que se passou. 

Björnstad é uma pequena localidade, cuja maioria da população é idosa, com ideias fixas e com tradições muito vincadas. A juntar a isso famílias influentes, que abusam do poder instituído achando que estão acima de tudo, o racismo e homofobia, a violência sobre as mulheres, tudo isso será vivenciado pelo leitor ao longo de mais de 400 páginas e isso vai incomodando. 
Isto porque à primeira vista, ou primeira leitura estamos a achar que vamos ler um romance sobre o hóquei no gelo, e vai-nos sendo apresentado muito mais que isso, que nos coloca numa dualidade: espectador e juíz. 

Mais uma vez um livro soberbo. 










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