terça-feira, 8 de novembro de 2022

Todos os Lugares Desfeitos - John Boyne [Opinião]

 

Título: Todos os Lugares Desfeitos
Autor:  John Boyne
Editor: Porto Editora
Ano: 2022
N.º de Páginas: 368

A aguardada sequela do bestseller mundial O Rapaz do Pijama às Riscas
Gretel Fernsby tem 91 anos e vive em Londres há décadas, sempre no mesmo quarteirão de luxo. Leva uma vida confortável e tranquila, apesar do seu passado sombrio. Nunca fala da sua fuga da Alemanha, mais de setenta anos antes. Nunca fala dos anos do pós-guerra, passados em França com a mãe. Sobretudo, nunca fala do pai, o comandante de um dos mais infames campos de concentração nazis.
É então que uma jovem família se muda para o apartamento por baixo do seu, e Gretel acaba por fazer amizade com Henry, o filho do casal, apesar de o seu rosto lhe trazer memórias que ela prefere esquecer. Quando Gretel é confrontada com a escolha entre a sua própria segurança e a de Henry, sabe que está perante a oportunidade de expiar a sua culpa, mesmo que isso a obrigue a revelar os segredos que passou a vida a proteger.
Todos os lugares desfeitos é uma história devastadora e imensamente bela sobre uma mulher marcada por um terrível passado e por um presente onde nunca é tarde para a coragem e para a redenção.


14 anos depois do sucesso do Rapaz de Pijama às Riscas, John Boyne aventura-se na sequela daquele que foi um emblemático livro sobre o Holocausto.

Portanto, foi também há 14 anos que li o livro e que vi, posteriormente o filme, e recordo o quanto me marcou. Saber que a sequela ia ser publicada por cá deixou-me deveras feliz, porque estava muito curiosa em saber o que John Boyne ia fazer com as personagens que sobreviveram.

O autor decidiu humanizar Gretel a filha de um dos oficiais nazis mais atrozes, e irmã de Bruno, o menino que fez amizade com o rapaz de pijama às riscas. E esteve bem. Os filhos não têm de sofrer pelas atrocidades que os pai fazem, embora sofram sempre danos colaterais. Durante toda a narrativa vamos percebendo isso.

Apesar de todo o passado reprovável que viveu na companhia dos pais, Gretel consegue sobreviver à queda do regime nazi e foge da Alemanha na companhia da mãe.

Agora, com uns provectos 91 anos, Gretel é uma outra mulher. Leva uma vida boa, tranquila, num dos prédios mais chiques de Inglaterra, mas a vinda de um jovem casal para o apartamento debaixo do seu vai trazer de volta os tormentos do passado. Henry, filho do casal, traz memórias que Gretel deseja esquecer, mas quando a segurança da criança é colocada em causa, Gretel não se coíbe de colocar a nu os seus segredos mais sombrios.

Gretel é uma mulher extraordinária. Cúmplice das atrocidades dos nazis, mais por não as ter denunciado do que propriamente por tê-las cometido, até porque era uma pequena adolescente, esta mulher nunca se perdoou pelo que o seu pai fez ao povo judeu. A par disso, a morte do seu irmão Bruno sempre a atormentou e ao longo do livro vamos percebendo porquê.


Uma história comovente e que tem o condão de prender o leitor até à última página.


Adorei.




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