quinta-feira, 30 de abril de 2020

Os Outros - C. J. Tudor [Opinião]

Título: Os Outros
Autor: C. J. Tudor
Editor: Editorial Planeta
N.º de Páginas: 368

Sinopse: 
Uma rapariga pálida num quarto branco…

Ao conduzir uma noite para casa, Gabe vai atrás de um velho carro, quando vê a cara de uma menina aparecer na janela.
Ela diz uma palavra: papá.
É a sua filha de cinco anos, Izzy.
E nunca mais a vê.

Três anos mais tarde, Gabe passa os dias a conduzir na auto-estrada à procura do carro que levou a filha, recusando-se a desistir. Apesar de todos pensarem que Izzy está morta.
Fran e a filha, Alice, também estão na auto-estrada.
Não estão à procura. Estão em fuga. Tentando manter-se um passo à frente das pessoas que lhes querem fazer mal. Porque Fran sabe a verdade. Ela sabe o que aconteceu à filha de Gabe.
Sabe quem é o responsável e o que lhe farão a si e a Alice se a apanharem.

A minha opinião: 
O Homem de Giz foi das melhores leituras que fiz em 2018. Por isso, quando saiu o segundo livro dce C. J. Tudor fiquei exultante para saber se Levaram Annie Thorne estava ao mesmo nível do primeiro. Infelizmente não superou as expectativas e este livro não foi além das três estrelas, muito puxadas.

Logo que saiu Os Outros não resisti a comprar, embora não tenha lido logo. Foi preciso estar de quarentena e fazer uma leitura conjunta com duas amigas para que me impelisse a ler. E ainda bem que o fiz. Não posso dizer que Os Outros seja um livro melhor ou igual a O Homem do Giz, mas foi uma leitura excelente. De tal forma, que levou 5 estrelas.

C. J. Tudor faz novamente uma história centrada em dois períodos espaciais. A atualidade e três anos antes, altura em que a filha e a mulher de Gabe são assassinadas. Porém Gabe, apesar de acreditar que a sua mulher está morta de facto, não acredita que a sepultura contém o corpo de Izzy, a sua filha de cinco anos. Isto porque Gabe tem a certeza de que, quando ia a caminho de sua casa, viu Izzy numa carrinha velha e cheia de autocolantes. Apesar de ter ido atrás dela, acaba por perdê-la de vista e quando chega a casa o cenário é devastador.

Três anos depois, Gabe continua com a certeza de que a sua filha está viva e passa o dia a percorrer a estrada onde viu a carrinha. A sua vida muda completamente depois desse trágico episódio e Gabe vive em função da procura de Izzy, desleixando-se completamente e tendo desistido, inclusive, de trabalhar.

"A esperança devora-nos por dentro como um parasita. Deixa-nos pendurados como um isco por cima de um tubarão. Mas a esperança não nos mata. Não é assim tão generosa."

"Desaparecer é diferente de morrer. De certa maneira, é pior. A morte oferece finalidade. A morte dá-nos licença para chorar. Para fazer um serviço fúnebre, para acender velas e pôr flores. Para deixar ir... Desaparecer é um limbo. Ficamos perdidos, num lugar estranho e sombrio onde a esperança brilha como uma débil chama no horizonte e a infelicidade e o desespero voam em círculos no céu, como abutres."

De facto, a esperança devasta o ser humano. O saber que não existe corpo para velar, um corpo para chorar, faz com que se deixe tudo e passe a viver em função da dor. E esse aspecto está muito bem retratado por C. J. Tudor, tendo resultado numa leitura fantástica. Só posso recomendar.



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