quarta-feira, 10 de julho de 2019

Pratas Conquistador - Paulo M. Morais [Opinião]

Título: Pratas Conquistador
Autor: Paulo M. Morais
Editor: Casa das Letras
N.º de Páginas: 264

Sinopse:
No meio da tarefa de esvaziar uma casa de família, a descoberta inesperada de um conjunto de cartas, fotografias e recortes revela ao narrador a existência de um tio-bisavô pioneiro do cinema em Portugal. Será o misterioso tio Emídio, curiosa personagem das anedotas familiares, o mesmo Emygdio Ribeiro Pratas, autor e intérprete, em 1917, da primeira comédia cinematográfica portuguesa ao estilo de Charlot? Que destino foi, afinal, o deste homem que teve uma vida absolutamente aventurosa? E porque terá sido votado ao esquecimento?

Partindo da história desta figura multifacetada e do papel que representou na vida dos seus contemporâneos e dos seus descendentes, Paulo M. Morais explora os limites da ficção e da não-ficção, conduzindo o leitor ao Portugal das primeiras décadas do século XX, entre a queda da Monarquia e o advento da Sétima Arte, numa viagem ao mesmo tempo intimista e coletiva, poética e documental, que prende da primeira à última página.

A minha opinião: 
Estava a recepcionar livros na livraria onde trabalho e fiquei logo curiosa com o seu sub-título: A História desconhecida de um Charlot Português. Não descansei enquanto não peguei nele. Tal como indica na capa, desconhecia a existência de um Charlot em Portugal e achei estranho pouco ou nada se falar de tal personagem. 

Pratas Conquistador é uma obra ficcionada mas que anda em torno de Emídio Ribeiro, um jovem na altura, que tinha o sonho de ser realizador e ator. 
Pratas, autor e intérprete, decide fazer a primeira comédia cinematográfica portuguesa, em 1917. 



O narrador vê-se na incumbência de começar a "esvaziar" a casa da avó Julieta, ainda viva, quando se depara com uma carta manuscrita, acompanhada de uma fotocópia de um artigo de jornal. 
A fotocópia do jornal chamava a atenção para um filme intitulado "Pratas Conquistador" rodado há um século pela tio-bisavô do narrador. Depois de investigar melhor, o narrador, acaba por descobrir que aquele seu parente teria sido uma réplica nacional de Charlot. 

O verdadeiro Charlot aparece em 1914, mas poucos anos depois surgem em Portugal dois atores que o tentam imitar: uma de um ator espanhol conhecido por Cardo e outra por Emídio Ribeiro. 

Emídio seria depois votado ao esquecimento porque depois desse filme, apareceria apenas como figurante nalguns filmes, talvez daí se ter deixado de falar dele.

Paulo M. Morais dá vida a este narrador, baseado na sua história pessoal, que aquando de arrumações numa casa da família, vem a descobrir que é sobrinho bisneto do próprio Emídio Ribeiro. 

Gostei deste livro, de conhecer um figura interessante da nossa história cinematográfica, mas acho que o autor se perdeu um pouco na ficção, relegando, para segundo plano, a história principal. Penso que um dos motivos será o facto de Paulo M. Morais não ter reunido informação suficiente sobre o seu parente para poder explanar mais a sua vida. 

Ao mesmo tempo, o autor tem o cuidado de enquadrar o leitor no tempo em que se vai decorrendo toda a narrativa. Desde a monarquia até ao início da Sétima Arte no nosso país.  
Gostei





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