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sexta-feira, 24 de abril de 2020

A Lucidez - Célia Correia Loureiro [Opinião]

Título: A Lucidez
Autor: Célia Correia Loureiro
Formato: Ebook
N.º de Páginas: 15

"A noite estrelada - pinceladas de um Monet que almejava mostrar-te -, insinuou-se sobre as nossas cabeças. Um a um extinguiram-se os candeeiros, lavaram-se as vitrinas e as portas arrastaram-se, para depois se dar duas voltas à chave e se fazer caso de cada passo. Do Chave de Ouro vinha a única luz e, à distância, a Laurinda despedia-se com um último aceno de mão enluvada. Voltei a perguntar-me que espécie de contento lhe encurva os lábios quando sorri."
Apesar de inspirado na vida de Maria Adelaide Coelho Cunha, este conto não tem a pretensão de ser um relato biográfico. Trata-se de pura ficção aplicada a um episódio conhecido de uma tentativa de emancipação por uma mulher de meios durante a I República.

A minha opinião: 
Conto publicado em 2016 conta a história amorosa de uma mulher, casada, filha do proprietário de um jornal, que se apaixona pelo motorista da família e decide fugir com ele. 

A Lucidez é inspirado na história verídica de Maria Adelaide Coelho Cunha, filha do proprietário do Diário de Notícias, cuja história descobri com o livro de Manuela Gonzaga publicado há uns anos, Doida não e não. 

Este é um conto que está de forma gratuita na loja do Kobo e em boa hora o descarreguei e li. Gostei muito da abordagem que, de uma forma breve, contou com toda a angústia, mas também com a coragem desta mulher pertencente à alta sociedade portuguesa que enfrentou tudo e todos para viver uma vida feliz, da forma que ela escolheu. 



terça-feira, 20 de junho de 2017

Sono - Haruki Murakami [Opinião]

Título: Sono
Autor: Haruki Murakami
Páginas: 96

Sinopse:
«Há dezassete dias que não durmo.»
Assim tem início a história que Haruki Murakami imaginou e escreveu sobre uma mulher que, certo dia, deixou de conseguir dormir. Pela calada da noite, enquanto o marido e o filho dormem o sono dos justos, ela começa uma segunda vida. E, de um momento para o outro, as noites tornam-se de longe mais interessantes do que os dias... mas também, escusado será dizer, mais perigosas.

A minha opinião: 
A protagonista é uma mulher dada a rotinas. Todos os dias faz a mesma coisa, dedica-se à família e vai nadar 30 minutos. 
Até que numa noite, um pesadelos faz com que perca a vontade e a necessidade de dormir. 
As noites são passadas a ler, e as manhãs são a continuidade da noite, De 30 minutos passa a nadar 1 hora, mas se encontra conhecidos não para para conversar. A vontade de sociabilizar é cada vez menor e mesmo os momentos me que passa com o marido são feitos como uma obrigação. 

"Por obrigação eu fazia sexo com o meu marido. O hábito torna as tarefas simples de serem realizadas.
Pode-se dizer que elas se tornam fáceis. Basta desconectar a mente do corpo. Enquanto o meu corpo se movimentava à vontade,a minha mente parava no seu próprio espaço exclusivo."

Este conto de Murakami peca precisamente por ser um conto. Depois de terminado fica o gosto amargo que ficou algo por contar. A história até me cativou, mas o final foi um valente balde de água fria. 

A segunda vida da protagonista, completamente alheia aos restantes membros da família, fascinou-me. Uma mulher que passa de uma vida rotineira para uma vida de clandestina. Durante a noite a vida é só dela, só a ela pertence De dia continua a fazer as coisas que fazia anteriormente, mas com outra intensidade. Vive mais para si, acaba por achar aborrecido estar com o marido, mas continua a farsa que é o seu casamento. É aqui que a história não encaixa. Preferia um outro final para o livro. 




terça-feira, 20 de dezembro de 2016

Aamir - Um pária em Lisboa - Ricardo Gomes [Opinião]

Sinopse
Aamir veio para Lisboa para tentar sair da pobreza a que parecia irremediavelmente condenado. Os anos passaram entre esquemas e uma indigência banhada a álcool na baixa da cidade. Um acaso mudou-lhe a vida, levando o indiano a acreditar que poderia contrariar os deuses, ousando traçar o seu próprio destino.

A minha opinião: 
Aamir é um indiano a viver há 25 anos em Lisboa. Sem trabalho certo, sem dinheiro, o seu dia a dia passa-o nas ruas da capital portuguesa, a tentar enganar turistas para amealhar algum dinheiro para uma sandes, cerveja e ginja.

Com este pequeno livro, Ricardo Gomes prendeu-me à história de Aamir, uma personagem pitoresca, que se apaixona perdidamente e cuja história nos faz querer ler mais para saber onde vai Aamir parar.

Enquanto frequentava um curso de escrita criativa, e num dia em que passava nos Restauradores, o indiano que passou por si levou Ricardo Gomes a escrever uma história cujo protagonista fosse alguém parecido com ele.

Pena que este curto livro tenha sido tão curto porque a história envolvente do personagem faz com que o leitor deseje um pouco mais do que um conto.



terça-feira, 28 de junho de 2016

Pequenos Vigaristas - Gillian Flynn [Opinião]

Título: Pequenos Vigaristas
Autor:
Gillian Flynn
Género: narrativa curta
N.º de páginas: 80
PVP: 9,90

Sinopse
Uma jovem astuta tenta sobreviver num universo marginal, mas sobretudo inofensivo. Numa manhã chuvosa de abril, está a ler Palmas Espirituais quando chega a Susan Burke. Excelente observadora do comportamento humano, a nossa narradora faz imediatamente o diagnóstico: uma mulher rica e infeliz, ansiosa por um pouco de drama e de emoção. Mas quando vai visitar a estranha casa vitoriana onde Susan vive, e que é a causa do seu terror e angústia, percebe que talvez já não seja preciso fingir que acredita em fantasmas… Miles, o enteado de Susan, também não ajuda. Não tarda a que os três se debatam para descobrir onde reside efetivamente o mal, e se existe alguma possibilidade de fuga.

A minha opinião: 
O conto não é, de todo, o meu género literário preferido. Mas como o livro era de Gillian Flynn fiquei muito curiosa e desejosa de começar a lê-lo.

Com um começo peculiar e até com algum humor à mistura, depressa me apaixonei pela personagem principal, uma jovem que, desde muito nova teve de aprender a fazer pela vida, já que a mãe dela era uma delinquente, pedinte, cuja única ordem que dava à filha desde pequena era que ela pedisse, e pedisse bem.

"Quer dizer, eu preferia ser bibliotecária, mas preocupa-me não ser um trabalho estável. Os livros podem ser temporários; as pilas são para sempre." pag. 19

Astuta e ambiciosa, a protagonista passa de pedinte a masturbadora de homens. Função que, mais tarde, acumula com a de vidente. Dotada de uma excelente capacidade para ludibriar os outros, a personagem consegue sair-se bem. Até que conhece Susan Burke e o seu enteado.

Quando descobre que o mal estar de Susan Burke pode estar na casa vitoriana, ou no seu enteado sociopata, a vigarista não consegue disfarçar. Dividida entre quem acreditar, entra numa espiral de medo.

Apesar de curto, e de deixar o final em aberto, (o que pode deixar alguns leitores desagradados) eu adorei este "Pequenos Vigaristas", um conto escrito a pedido de George R. R. Martin para ser parte integrante da antologia “Rogues”.

Com três personagens complexas, ambíguas, e com uma história um tanto ou quanto dúbia, o que imprime um interesse ainda maior à narrativa, eu simplesmente adorei este livro e só posso recomendar. E o final em aberto que nos deixa a pensar sobre o final da trama ainda lhe dá maior realce.
Muito bom.




sexta-feira, 18 de dezembro de 2015

Uma Prenda para a Marian - Paula Hawkins - o conto de Natal - já leram?

"...a melhor parte de oferecer uma prenda a alguém é ver a expressão que faz quando a recebe. Acelera-me a pulsação, faz-me bater intensamente o coração. 
Mal posso esperar por ver a expressão de surpresa no rosto dela quando lhe contarem."

Quem já leu o conto de Natal "Uma Prenda para a Marian que Paula Hawkins escreveu para a Revista Sábado?
É pequeno, é certo, deixa água na boca, sim, mas é muito bom, e muito ao jeito de A Rapariga no Comboio. Gostei muito.

quarta-feira, 16 de dezembro de 2015

Conto de Natal de Paula Hawkins, amanhã, na Sábado

Enquanto não chega o próximo livro da autora best-seller de 2015, Paula Hawkins oferece aos seus leitores um presente de Natal! A revista Sábado publica amanhã um conto exclusivo da autora.

A Rapariga no Comboio, o livro sensação de 2015 em todo o mundo, já conta, em Portugal, com mais de 60 mil exemplares editados em 11 edições. As filmagens da adaptação ao cinema pela DreamWorks, com Emily Blunt no papel principal, já arrancaram.

Eu vou comprar!

quarta-feira, 20 de março de 2013

Acho que Posso Ajudar - David Machado [Opinião]

Título: Acho Que Posso Ajudar (DN Contos Digitais #15)
Autor:
David Machado, Mafalda Milhões (illustrator)

"Acho que posso ajudar" é a história de uma menina que acredita estar ao seu alcance resolver os problema de qualquer pessoa, monstro ou bruxa no mundo. Mas ela não sabe que cada gesto seu pode provocar uma cadeia de acontecimentos que deixará tudo pior do que estava. 


A minha opinião: 
Ao contrário da maioria dos contos desta colecção, gostei bastante deste conto infantil de David Machado. De um forma simples, o autor coloca uma responsabilidade numa menina de oito anos que vai trazer consequência. A protagonista pensa conseguir resolver todos os problemas que lhe surgem, não pensando com isso que vai deixar tudo pior do que o que estava.
Tudo começa quando o vento despenteia a avó, fazendo com que a menina decida prender o vento para que este não mais a chateie. Esquece-se é que o vento também é precioso, sobretudo quem precisa dele para o seu ganha pão como é o caso do moleiro que necessita que os moinhos de vento trabalhem. Por momentos, esta pequena história fez-me lembrar uma outra, que me era contada na minha infância: O Macado de Rabo Cortado, também ele vítima do próprio desenrolar de acontecimentos.

segunda-feira, 18 de fevereiro de 2013

O Homem Que Existia Demais - Possidónio Cachapa [Opinião]

Título: O Homem Que Existia Demais (DN Contos Digitais #14)
Autor: Possidónio Cachapa


Quando Savage Danny nasceu prematuramente na beira da estrada já se poderia adivinhar que a sua existência não seria vulgar. Acordar no meio de tigres ou viajar sobre o tejadilho de um carro eram muito mais do que acasos. Antes a essência de um homem maior do que a vida que lhe calhou. 


A minha opinião:
Não consegui gostar, em nenhum momento, deste conto. Não gostei da história, demasiado simplista, nem dos cenários que ela se foi desenrolando. 
Savage Danny é um feirante, fazedor de farturas, que deseja mais para a sua vida, completamente monótona. Lindo de morrer, atrai as raparigas todas dos locais onde passa, mas deseja ainda mais acção. Acorda rodeado de tigres, e passado pouco tempo, decide partir rumo ao desconhecido. 
Não me encantou.

sábado, 16 de fevereiro de 2013

Amo-te Para Sempre - Fernando Alvim [Opinião]

Título: Amo-te Para Sempre (DN Contos Digitais #13)
Autor:
Fernando Alvim


Uma história de amor que muitos dizem ser autobiográfica. Um conto que finta o amor e o transforma em definitivo. 


A minha opinião: 
Este conto vem provar que apesar de se amar muito uma pessoa há limites. Por muito que tentemos mudar, de modo a ficarmos a pessoa ideal aos olhos da pessoa amada, nem sempre as coisas correm bem. Esta é uma lição para os que não têm personalidade e que tudo fazem para ser o par ideal, mesmo que para isso façam o que não pretendem fazer. 
De uma forma engraçada e leve, Fernando Alvim aborda o amor de uma forma que me prendeu. Um amor incondicional, um amor à primeira vista, arrebatador, que deixa o homem completamente doido pela personagem feminina, ao ponto de fazer por ela, tudo o que ela deseja. 
Nunca tinha lido nada do autor, mas fiquei curiosa para ler um dos seus livros.

sexta-feira, 25 de janeiro de 2013

Defensor do Vínculo - Pedro Mexia [Opinião]

Título: Defensor do Vínculo (DN Contos Digitais #12)
Autor:
Pedro Mexia


O defensor do vínculo é uma figura processual nos casos de tentativa de anulação de um casamento católico. A sua função não é representar nenhuma das partes, mas defender o vínculo, ou seja, a persistência daquele casamento. Mas é possível defender o vínculo por princípio, independentemente do caso? Que espécie de convicção é que isso supõe ou dispensa? E um casamento anulado também anula uma relação entre duas pessoas? 


A minha opinião:
Anulação ou não anulação de um casamento católico. O defensor do vínculo, nomeado para defender o matrimónio, é colocado numa posição complicada uma vez que terá obrigatoriamente de defender o casamento, mas que não concorde com o caso. 
Este conto não me prendeu em nenhum ponto, tornando-se cada vez mais chato e sem qualquer interesse.  
As frases longas não ajudaram à melhor compreensão do texto, tornando-o muito aborrecido. 

Excerto:
"... o fracasso e a nulidade não se confundem." 

quarta-feira, 23 de janeiro de 2013

Coisas Que Acarinho E Me Morrem Entre Os Dedos - Dulce Maria Cardoso [Opinião]

Título: Coisas Que Acarinho E Me Morrem Entre Os Dedos (DN Contos Digitais #11)
Autor:
Dulce Maria Cardoso


Uma mulher tem um encontro marcado com um desconhecido. O desconhecido tem sempre tanto de sedutor quanto de ameaçador. Que fazer? A mulher demora-se, frente ao computador. Atrasa-se. Talvez se afunde nos abismos que um psicólogo garantiu existirem no seu interior. Talvez se perca no outro lado do mundo, em Bangladesh, onde nunca faz frio. Ou talvez, ainda, se entregue nos braços de Machina ex Deus.


A minha opinião: 

terça-feira, 22 de janeiro de 2013

A Porrada - Mário de Carvalho [Opinião]

Título: A Porrada (DN Contos Digitais #10)
Autor:
Mário de Carvalho


Um bom amigo, de estirpes vetustas, fundadoras da Pátria, ou lá perto, contou-me que um fidalgo seu familiar, em certas noites, saía de casa só para a pancadaria.

A minha opinião:
Este pequeno conto de Mário de Carvalho deixou-me com água na boca para saber mais destas personagens um tanto ou quanto misteriosas. Por um lado vemos um casal com uma certa aristocracia ou com pretensões a isso, já que a mulher, Mafalda, trata o seu marido, Gonçalo, por você. Depois há um fetiche do marido pela pancadaria que acontece todas as primeiras quintas-feiras do mês.

Porém, penso que muito ficou por dizer, e tornar-se-ia uma história interessante se fosse maior.

sexta-feira, 18 de janeiro de 2013

As saudades que tenho de Inácia - Manuel Jorge Marmelo [Opinião]

Título: As saudades que tenho de Inácia (DN Contos Digitais #9)
Autor:
Manuel Jorge Marmelo

Inácia é uma mulher da ilha de São Nicolau, em Cabo Verde. É feia e porca, e a sua vida resume-se a carregar, para trás e para a frente, cargas de lenha, água e sacos e grão. Na memória de um homem, porém, nha Nácia pode transformar-se numa doce recordação. 


A minha opinião:
Um velho caboverdiano recorda com saudade Inácia, uma mulher, segundo ele, feia, com um grande bigode e porca. Uma mulher que todos gozavam... 
Mas aquela velha feia conquistaria o coração do velho que recorda dos momentos de paixão, fugazes, que teve com ela, quanto ainda eram novos e lamenta não ter assumido a relação dos dois enquanto podia. 
O conto de Manuel Jorge Marmelo gira à volta do mesmo, com o protagonista a relembrar-se das conversas que tinha com os seus amigos de café sobre Inácia e como todos desdenhavam da pobre coitada.
Apesar de não ser cativante não desgostei.  

quinta-feira, 17 de janeiro de 2013

A Moeda - Gonçalo M. Tavares [Opinião]

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Título: A Moeda (DN Contos Digitais #8)
Autor:
Gonçalo M. Tavares

Kartopeck, homem rude, avesso à cidade, vê o seu rosto desfigurado por manchas enigmáticas que lhe causam um enorme desconforto. Pensa que vai morrer. A prostituta que lhe vende os serviços conta-lhe as moedas, mas também as manchas. E ri-se.

A minha opinião:

Sem palavras para descrever este conto.

Kartopeck, um homem “labrego” como ele próprio se intitula, ruma à cidade com a mãe, doente mental, a fim de saber se as manchas que lhe vão desfigurando a cara são malignas. Apesar do enorme desconforto, o médico diz-lhe que não tem nada de mal.

Noutro cenário, vemos o homem com uma prostituta que lhe conta as manchas na cara ao mesmo tempo que lhe conta as moedas, pagamento pelo serviço...

É certo que o texto está pejado de metáforas, que nos remetem para uma outra visão do conto, no entanto, isso não foi suficiente para me prender.

quarta-feira, 16 de janeiro de 2013

A Queda de um Anjo - Afonso Cruz [Opinião]

Título: A Queda De Um Anjo (DN Contos Digitais #7)
Autor:
Afonso Cruz

Uma octogenária descontente com o Paraíso, pois não tem junto a si a pessoa que mais ama, decide viajar para o Inferno. Para ela, o Paraíso pode ser infernal e, ao contrário, o Inferno poderá ser uma fonte de felicidade.

A minha opinião:
Afonso Cruz narra a história de uma idosa que, estando no Paraíso, se mostra descontente por não ter a companhia do marido. Daí desejar ardentemente descer ao Inferno, local onde pensa que o marido está.

Assim, vamos acompanhando a octogenária, em contagem decrescente, pelos andares que a levam ao Inferno, ao mesmo tempo que vamos conhecendo um pouco mais da sua vida, através das suas memórias. Como se de uma pessoa ingénua ou até criança se tratasse, a idosa vai desfiando a sua extensa vida, mostrando um marido que lhe infligia maus tratos físicos, e que dava mais valor à leitura do jornal desportivo que a ela.

A revelação final torna este conto ainda mais especial. É, sem dúvida, o melhor conto até agora.


Excertos:
"Que o mundo não fosse perfeito, compreende-se, mas um paraíso assim é inaceitável."
"Porque uma pessoa não tem só o seu passado, tem também os passados de todos os seus familiares, dos seus amigos, das histórias que leu ou que ouviu."

sábado, 12 de janeiro de 2013

Quartos de hotel - Inês Pedrosa [Opinião]

Título: Quartos de Hotel (DN Contos Digitais #6)
Autor:
Inês Pedrosa


Quartos de Hotel. Quartos de encontros, desencontros, reencontros, despedidas. A literatura. O amor. A Paixão. Desilusão. Quartos de Hotel. Quartos de Vidas.

A minha opinião:

De Inês Pedrosa já tive oportunidade de ler Fazes-me Falta; Fica comigo esta noite; A instrução dos amantes (o meu livro de estreia) e a Antologia de poesia portuguesa escolhida por ela. Portanto, já dá para perceber que gosto da autora, apesar de não ter lido os seus últimos livros. Por isso, esperava mais deste conto. Talvez por ter escrito muitas histórias paralelas em tão poucas páginas, não me conseguiu prender a uma história que seja, contrariamente ao que me aconteceu quando li os seus livros. Gosto da sua forma de escrever, e aí não me desiludiu, mas desejei saber mais do passado e do presente das diversas personagens para ter uma opinião mais bem formada do conto.

No entanto, é interessante o facto da autora ter pegado nas diversas vidas que se cruzaram naquele hotel em 2024e com histórias de amor tão diferentes entre si. Todos da área literária, já que iam reunir-se num congresso, regressam ao hotel onde já foram felizes...

sexta-feira, 11 de janeiro de 2013

Um rio chamado Angústia - Eduardo Madeira [Opinião]

Título: Um rio chamado Angústia (DN Contos Digitais #5)
Autor:
Eduardo Madeira

Há Um Rio Chamado Angústia. E há uma história sobre o nome deste rio. O tom escolhido é o científico. Claro que também existe um ou outro apontamento de humor, mas apenas para disfarçar o facto de o Angústia ser um mastodôntico e sensaborão acidente da Natureza. Não é para isso mesmo que serve a ficção?

A minha opinião:

Do que necessita um texto para ser designado conto? E de que necessita um conto ser escolhido como fazendo parte de um grupo de contos para figurar no DN? Sinceramente não sei o que este texto de Eduardo Madeira se encontra a fazer neste grupo, já que não entendo como é que uma lição de geografia e história se encaixa neste contexto, ao mesmo tempo que não tive nenhum interesse em ler a história deste rio. Se já não gostava de Eduardo Madeira como humorista, muito menos gosto dele como autor.

quarta-feira, 9 de janeiro de 2013

Mania - Luísa Costa Gomes [Opinião]


Título: Mania (DN Contos Digitais #4)
Autor:
Luísa Costa Gomes

Um escritor recebe um telefonema. Parece engano. Ao aceitar o jogo equívoco e de equívocos, o escritor produz uma realidade híbrida, de limites indefinidos: que inclui o falso, o fictício e o indecidível.

A minha opinião:

Da autora já tinha lido Olhos Verdes da autora há uns anos e até fiquei agradada com a sua escrita. No entanto, fiquei completamente desiludida com este conto. 

Não entendi onde a autora queria chegar com Sáurio, para mim um personagem completamente esquizofrénico, cuja companhia era Bóris, uma pessoa inventada pela sua mente. Mas será isso? Confesso que não entendi de todo a história, confusa demais. Um escritor sem ideias, Sáurio aproveita-se de um telefonema que surge por engano e entra numa história rocambolesca de amor, desconfiança e ciúme e que vai terminar em tragédia. Uma história com suspense que não me atraiu.

terça-feira, 8 de janeiro de 2013

Um Romance - Rui Zink [Opinião]

Título: Um Romance
Autor:
Rui Zink

Anos 80. O narrador improvável. Um restaurante ao lado de uma sala de cinema. Ele, Artur. Ela, Carolina. Cannelloni e lasagna. Romance anunciado? Já agora, também a vida.

A minha opinião:

Rui Zink encarna aqui o papel de narrador, que qual voyeur, ouve uma conversa privada entre um casal com um problema entre mãos. De forma irónica, comparando o tempo dos anos 80 à actualidade, Zink vai contando o teor da conversa ao mesmo tempo que faz o seu próprio juízo do tema.

É o momento em que Artur termina com Carolina que mostra o lado mais sarcástico do autor. Num tempo em que a inexistência de telemóveis, e em que as pessoas iam ao teatro e em que ainda havia bailado na Gulbenkian...

Gosto da escrita de Zink, gosto da forma como ele crítica a sociedade, e gostei deste conto, tendo ficado com vontade de ler mais.

Excerto:

Uma análise comezinha à realidade provaria, suponho, que a crise é permanente. Sempre foi mais fácil destruir do que construir. Criticar do que fazer.

sexta-feira, 4 de janeiro de 2013

Cidade Líquida - João Tordo [Opinião]

Título: Cidade Líquida (DN Contos Digitais #2)
Autor:
João Tordo


O conto Cidade Líquida recupera as personagens de um outro conto do autor, Águas Passadas, que decorre em Veneza. Agora em Lisboa, as mesmas personagens - o narrador e Roque dos Santos, um realizador de cinema - tornam a encontrar-se. 


A minha opinião: 
Esta foi a minha estreia com João Tordo e, apesar de ter achado o conto um pouco estranho até que gostei. 
Perdido entre a realidade e a ficção o protagonista, um professor de filosofia obcecado por Roque dos Santos, um realizador estranho, comparado (pelo professor) a George Harrison dos Beatles. 
Com a mulher ausente da sua vida, e completamente só do restante mundo, leva-o a arrendar uma casa na baixa e a recordar Veneza e um filme passado lá, Cidade Líquida, cujos protagonistas o marcaram para a vida. 
Para os curiosos, este conto tem as mesmas personagens de um outro conto anteriormente publicado por João Tordo, Águas Passadas, que decorre em Veneza, e onde o protagonista conhece Roque dos Santos. Eu fiquei curiosa. Alguém me sabe dizer onde o posso encontrar?



Excerto:
"...a vida é uma ficção escrita diariamente na qual tudo se torce e retorce de acordo com a vontade de alguém"
 
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