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segunda-feira, 8 de novembro de 2021

Marilyn - Uma Biografia - María Hesse [Opinião]

 

Título: Marilyn - Uma Biografia
Autor: María Hesse
Editor: Suma de Letras
N.º de Páginas: 184

Sinopse: 
Quem era a verdadeira Norma Jeane Baker?
A actriz mais conhecida da História do cinema, o símbolo sexual de uma era inteira, o protótipo, por excelência, de loira burra e, sobretudo, alguém que, até hoje, permanece uma grande incógnita.

Depois de fazer os corações de Frida Kahlo e Bowie florescer, descobrindo o seu lado mais humano, María Hesse revela a alma de Marilyn Monroe, uma mulher que, como tantas outras das suas contemporâneas, explodiu todos os cânones e merece ser lembrada, hoje mais do que nunca, pelo seu talento, a sua sensibilidade, a sua inteligência e as barreiras que quebrou.









As biografias ilustradas de Maria Hesse são sempre um sucesso. Dá-nos a conhecer a vida de uma personalidade famosa e, mesmo que de forma reduzida, acabamos por saber sempre um pouco mais sobre a pessoa em questão.

O último livro publicado pela Suma de Letras é dedicado ao símbolo sexual Marilyn Monroe, mas depressa constatamos que Norma Jean foi muito mais do que uma cara bonita.

Leitora ávida, Marilyn estudou literatura e representação e o seu espólio contava com mais de 400 livros. Mais tarde, viria a descobrir-se que escrevia poesia.

Dona de uma inteligência e de uma beleza estonteante, Marilyn rompeu preconceitos e amou muito, apesar de nunca ter sido verdadeiramente feliz.

Filha desprezada, quer pela mãe, quer pelo pai que nunca conheceu, dividiu a infância entre várias famílias de acolhimento e lares infantis. Acabaria, contudo, por alcançar o sonho antigo da mãe, ser atriz, mas os seus papéis eram quase todos de loira burra, coisa que a entristecia.

"Com o tempo, recebemos uma imagem de Marilyn Monroe como um símbolo sexual, quando na realidade há mais fotos dela lendo do que nua", diz Hesse.




sábado, 3 de abril de 2021

Fui Roubada Aos Meus Pais - Céline Giraud [Opinião]

Título: Fui Roubada Aos Meus Pais
Autor: Céline Giraud
Editor: Editorial Presença
N.º de Páginas: 184

Sinopse: 
A vida de Céline Giraud, 27 anos, desabou a 22 de Fevereiro de 2004, o dia em que tomou conhecimento de que não tinha sido abandonada em criança mas roubada à sua mãe biológica com alguns dias de vida. Roubada para ser vendida por 3000 dólares a um casal francês que desconhecia o processo de tráfico de que Céline tinha sido alvo. Só quando tentou contactar a mãe biológica conseguiu descobrir a verdade, procurando a partir deste momento, com a ajuda dos pais de Fernando, o seu namorado, pistas para o seu rapto, conseguindo localizar mais de vinte crianças também de origem peruana que tinham sido raptadas. Os seus pais adoptivos, alheios à ilegalidade, tinham contactado uma organização francesa que lhes tinha conseguido uma menina com apenas duas semanas em tempo recorde. Quando se apercebeu da situação dos outros bebés, Céline tentou contactar as suas famílias criando a Associação La Voix des Adoptés, que procura dar apoio a crianças adoptadas. Um livro de memórias, escrito na primeira pessoa com um tom quase detectivesco, informativo e que pode servir de base a uma análise social.

A minha opinião: 
Este é um livro perturbador de uma história verídica de roubo de bebés e crianças.
Nos anos 80 foram muitas as crianças roubadas a famílias carenciadas no Peru por um grupo de pessoas com alguma influência, desde juízes a médicos.
 
As famílias adoptantes, a maior parte oriunda de França, nada sabiam e o dinheiro que tinham de pagar seria para cobrir todas as despesas com o processo de adopção.

Depois de ter sido mãe e começado a apaixonar-se pela cultura peruana Céline decide partir para a descoberta das suas origens e é aqui que tudo se desmorona. Afinal a sua mãe não a tinha abandonado, mas que por culpa da sua ingenuidade e pobreza Célia tinha-lhe sido retirada sem qualquer pena e "vendida" a um casal francês que não conseguia ter filhos biológicos.
 
O livro é um relato impressionante sobre o que dezenas de famílias passaram quando lhes foi retirado o bem mais precioso, mas também as condições com que essas mesmas famílias vivem. Aquando da visita de Céline à sua terra natal, esta descreve a forma com estas pessoas vivem, num autêntico bairro de lata, sem luz, água, sem chão.
 
Uma das coisas que mais me impressionou foi quando a autora do livro decide dar uma estadia de um noite a uma das suas irmãs, que fica impressionada com uma grande tina na casa de banho. A sua irmã nunca tinha visto uma banheira em toda a sua vida!

Através da sua experiência e investigação cria uma associação "La voix des Adoptés" com o intuito de ajudar outros jovens que tenham ou estejam a passar pelo mesmo. De referir ainda que quando Céline investigava a sua própria adopção descobriu que, no mesmo período em que foi roubada, mais 22 crianças tinham sido sequestradas pelo mesmo grupo.




sábado, 6 de março de 2021

Dez Mulheres que Amaram Demais - Helena Sacadura Cabral [Opinião]

Título: Dez Mulheres que Amaram Demais
Autor: Helena Sacadura Cabral
Editor: Clube do Autor
N.º de Páginas: 304

Sinopse: 
O que têm em comum mulheres como Maria Callas Marie Curie, Coco Chanel, Wallis Simpson, Marguerite Yourcenar e Jackie Onassis?
Todas marcaram o século XX, desafiaram convenções, alcançaram o poder e amaram sem limites.

Dez Mulheres Que Amaram Demais é um livro sobre histórias de vida fascinantes que revelam a sabedoria, a determinação e a resiliência feminina de dez mulheres inesquecíveis.

A minha opinião: 
O amor é o mote do livro de Helena Sacadura Cabral. 
Amor pelo país, por um homem, pelo sucesso, por uma crença, pela arte seja ela literatura, música, cinema, ciência.

A autora reune dez pequenas biografias sobre mulheres que fazem parte da nossa história. Mulheres fortes, que sempre se destacaram das mais variadas formas. E que fizeram tudo por amor. Mas contrariamente ao que pensei inicialmente, Helena Sacadura Cabral não se debruçou apenas na parte amorosa destas mulheres, nas relações entre homens ou mulheres, ou ambos. A autora destacou o amor destas por diversas áreas e que fizeram com que as mesmas ganhassem mais destaque. 

Coco Chanel é disso um grande examplo tendo dedicado a sua vida à moda e à mudança de costumes na época. Marie Curie que dedicou parte da sua existência à ciência deixando muitas vezes para trás os filhos. Só não deixou o marido porque este partilhava a mesma paixão. 

Apesar de conhecer a história de todas estas dez mulheres gostei de a ver compilada neste livro. Desfrutei de umas boas horas de boa leitura e gostei da forma como autora abordou o tema do amor. De facto, o amor posse incidir sobre vários aspectos.




segunda-feira, 26 de outubro de 2020

António Variações - Uma Biografia - Bruno Horta e Helena Soares [Opinião]

Título: António Variações - Uma Biografia

Autor: Bruno Horta e Helena Soares
Editor: Suma de Letras
N.º de Páginas: 152


Sinopse:
Diz-se que António Variações era um artista à frente do seu tempo. Que era talvez demasiado moderno para um Portugal ainda tão cinzento e conservador, um país cujas aldeias perdidas no interior tinham parado no tempo e não tinham espaço para espíritos inquietos como o de António Joaquim Rodrigues Ribeiro. Variações, que assim decidiu chamar-se, fez-se sozinho. E quando conseguiu aquilo que sempre sonhou, quando todos na rua o cumprimentavam, quando a sua música explodiu nas rádios, morreu. Demasiado cedo, dizemos todos. Mas mesmo com pouco tempo de vida e música, deixou-nos a todos um legado único e extraordinário que ainda hoje inspira tantos músicos e artistas portugueses. Este livro é resultado dessa inspiração e também uma homenagem a um homem que nos deu tudo o que tinha para dar.

"Viveu sozinho, à sua maneira, muito incompreendido, se é que ele próprio se compreendeu. Exigente e dono da razão, exótico, louco, apontado, foi até ao fim o mesmo miúdo que chegou a Lisboa sem nada, que falava baixinho e tinha vergonha e por isso desejou tantas vezes regressar à origem: "Adeus que me embora vou/ Vou daqui prà minha terra/ Que eu desta terranão sou."

A minha opinião: 
Depois de ter lido há uns anos a biografia de António Variações escrita por Manuela Gonzaga, e ter visionado o filme, era lógico que esta biografia ilustrada, publicada pela Suma de Letras, não me podia escapar. Tenho adorado a coleção que a editora tem dedicado aos artistas, com excelentes ilustrações e com uma biografia, que apesar de sucinta, é bastante cuidada. Exemplos disso foram os livros dedicados a David Bowie, Freddy Mercury, Frida Khalo e a Zé Pedro. 

Esta dedicada a um dos maiores artistas portugueses não é exceção. 

A forma como Bruno Horta conta a história de Variações está muito bem conseguida e agarra o leitor. Aliado a isso, as excelentes ilustrações de Helena Soares, tornam este livro magnífico.  

Toda a história do artista português é contada, apesar de uma forma sucinta. Desde a sua infância, até à partida para Lisboa para trabalhar. O homem enquanto artista, enquanto homem à frente do seu tempo, mas também enquanto ser solitário é bem retratado. A sua paixão pela música, apesar de não perceber nada de como se fazia, a persistência em alcançar o seu sonho, a forma como compôs a suas músicas tudo está bem explanado neste livro, a juntar as ilustrações de Helena Soares que se foca sobretudo no gosto pessoal de Variações, quer seja no vestuário, quer na forma como decora a sua casa. 

Posto isto, só posso recomendar esta preciosidade. 

Deixo-vos a minha música favorita do artista










terça-feira, 24 de março de 2020

Zé Pedro - André Rito [Opinião]

Título: Zé Pedro
Autor: André Rito
Editor: Suma de Letras
N.º de Páginas: 120

Sinopse:
A vida, a alegria, rebeldia e carreira de Zé Pedro, um dos mais importantes nomes do rock português.

Do primeiro concerto dos Xutos & Pontapés onde a banda tocou seis músicas em cinco minutos, ao concerto numa prisão em Macau, à consagração da banda com o disco Circo de Feras, passando pela morte da mãe de Zé Pedro, o afastamento e reaproximação dos Xutos, e o famoso bar Johnny Guitar - episódios contados pelos amigos e família do guitarrista.

A minha opinião: 
André Rito, amigo de Zé Pedro, conta a história de vida deste mítico músico português que nos deixou há dois anos. A importância da família, sobretudo da mãe e dos avós, a paixão pela rádio e pela música, a formação dos Xutos e Pontapés e a dependência de drogas, tudo é relatada neste livro de André Rito, naquela que é a primeira biografia ilustrada do guitarrista português.

É raro encontrar alguém que não seja fã dos Xutos ou que não conheça pelo menos uma música da banda. De facto, são transversais a todas as idades e gerações, marcando muitos momentos da nossa vida. Quando Zé Pedro morreu em 30 de novembro de 2017 quase todo o país chorou a perda do músico, pelo que esta biografia faz todo o sentido.

O autor explorou bem os primeiros anos de vida de Zé Pedro, não esquecendo as várias viagens que teve de fazer com a família (o pai era militar) e as estadas naqueles países. Mas o mais caricato é o facto de Zé Pedro querer ter uma banda, mas não perceber nada de música. Até que Pedro Ayres Magalhães, na altura vocalista e líder da banda punk Os Faíscas, o incentivou a pegar numa guitarra.
Daí conheceu Kalú, um beto do Restelo, e com outros membros acabariam por formar os Xutos.

A obra conta ainda outros episódios da vida de Zé Pedro, desde o primeiro concerto que viu aos 15 anos de Miles Davis, até ao concerto dos Genesis, e à caricata história no Rock in Rio no Brasil, em 1991, quando segurança o confundiu com um músico internacional e passou-o à frente de uma fila com mais de 300 pessoas.

Referências ainda ao Johnny Guitar, o bar que abriu com Luís Tomás, manager dos Rádio Macau e que foi palco para o primeiro concerto dos Da Weasel e onde se ouviu pela primeira vez o álbum Nevermind dos Nirvana.

André Rito conta, de forma sucinta mas agradável, os aspectos mais importantes da vida do músico, acompanhada pelas ilustrações de Pedro Lourenço, que deram ainda mais valor ao livro.

Este faz parte de um conjunto de biografias ilustradas que a Suma de Letras está a publicar e que tenho adorado ler. Este livro junta-se assim aos livros de Freddy Mercury, David Bowie e Frida Khalo.



sábado, 9 de novembro de 2019

Eu, Elton John: a biografia de uma lenda viva do mundo da música

No dia 14 de novembro, a Porto Editora faz chegar às livrarias a primeira e única autobiografia de uma das grandes lendas vivas do mundo da música: Eu, Elton John.

Nada indicava que Reginald Dwight, um Tiny Dancer residente em Pinner, cinzento subúrbio de Londres, se transformaria em Elton John, nome incontornável da música pop e rock n’roll. Excêntrico, personagem maior do que os grandes palcos que pisou, resultado do seu carisma e de performances eletrizantes, Elton John é um verdadeiro Rocket Man: no ativo há quase 50 anos (o seu primeiro concerto em nome próprio foi aos 23 anos) é um dos artistas com maior número de álbuns vendidos, vencedor de múltiplos prémios (como um Oscar e 6 Grammy) e cantor-compositor de músicas intemporais.

Agora, a par com a sua tournée final, Sir Elton John decide contar a história da sua vida. Ao longo de 360 páginas, estão descritas sete décadas de altos e baixos. Da infância e da relação conturbada com os pais às mais recentes revelações sobre o seu estado de saúde, Eu, Elton John não deixa nenhum assunto de fora. Num registo polvilhado com um fino humor britânico, o cantor-compositor desvenda como nasceram canções que fazem parte da vida de milhões de fãs, as amizades com outras lendas da música (como John Lennon, George Michael ou Freddie Mercury), e revelações sobre as noites loucas e as festas espampanantes que o afundaram numa espiral de dependência. Brutalmente honesto, o autor não poupa palavras para descrever os seus maus momentos, tentativas de suicídio e a viagem emocional para a reabilitação. Nada ficou fora deste livro, nem a amizade com a Princesa Diana e Gianni Versace, nem o amor e a paternidade com David Furnish. É uma vida inteira, de luz e sombra, agora em livro.

Com 72 anos e a meio da sua última digressão (que durará três anos), este é um testemunho imperdível de um artista que não deixa de dizer I’m still standing.


SOBRE O LIVRO

Elton John é o cantor-compositor de sucesso com a carreira mais longa de todos os tempos. São sete décadas - até agora - de uma vida extraordinária pautada por constantes altos e baixos. Agora, na primeira pessoa e com a habitual frontalidade e bom humor, Elton John partilha a sua história – todos os momentos, dos mais hilariantes aos mais comoventes.
Reginald Dwight era um miúdo tímido, de Pinner, nos subúrbios de Londres, com uma relação conturbada com os pais, que adorava música e sonhava ser uma estrela pop. Tinha 23 anos quando deu o primeiro concerto nos EUA: com umas jardineiras amarelas, uma T-shirt às estrelas e botas com asas deixou uma imensa plateia absolutamente deslumbrada. Elton John tinha chegado e o mundo da música nunca mais seria o mesmo.
À imagem da vida de Elton, não falta drama nesta autobiografia: desde as rejeições iniciais das editoras a ser considerado o artista pop mais famoso do mundo; das amizades com Jonh Lennon, Freddie Mercury e George Michael às noites loucas no Studio 54; das tentativas de suicídio à dependência que escondeu até de si próprio durante anos e que quase o destruiu.
Elton descreve de forma emocionada o processo de reabilitação, a criação da Elton John AIDS Foundation, como encontrou o verdadeiro amor ao lado de David Furnish, as férias com Versace e a participação no funeral da princesa Diana. E ficamos também a saber como e quando percebeu que queria ser pai e como isso acabou por mudar novamente toda a sua vida.
Excentricamente divertido, mas também profundamente emocionante, Eu, Elton John levá-lo-á numa viagem inesquecível pela intimidade de uma lenda viva.


Sobre o autor: 
Os êxitos alcançados por Sir Elton John ao longo da sua carreira são insuperáveis. É um dos artistas a solo mais vendidos de todos os tempos com 26 álbuns de ouro e 38 de platina ou multi-platina e um álbum de diamante. Elton John conta também no seu currículo com 6 Grammys, 13 Ivor Novellos e um BRITT Award. Em 2018 foi nomeado o artista masculino a solo de maior sucesso pela Billboard Hot 100. A sua Fundação já angariou mais de 450 milhões de dólares para a luta contra o VIH. É casado com David Furnish com quem tem dois filhos.


quinta-feira, 1 de agosto de 2019

Freddie Mercury - Alfonso Casas [Opinião]

Título: Freddie Mercury
Autor: Alfonso Casas
Editor: Suma de Letras
N.º de Páginas: 144

Sinopse:
Freddie Mercury nasceu três vezes. A primeira, como Farrokh Bulsara. A segunda, como Freddie. A terceira, como lenda. A intenção deste livro: traçar, de modo literal e metafórico, um retrato do enorme Freddie Mercury.

Uma homenagem ao que a sua música e a sua pessoa significaram (e significam) para muitos, incluindo para aqueles que talvez não tenham nascido sendo já fãs dos Queen, mas o serão quando morrerem.

A minha opinião: 
Sou fã dos Queen desde muito nova. Algumas das músicas dos Queen fizeram parte da história da minha vida, sobretudo da minha vida adolescente. Não é a minha banda favorita, mas é uma das minhas bandas de eleição. E o facto do seu vocalista ser tão diferente fez com que gostasse ainda mais. 

Obviamente que Bohemian Rhapsody, filme baseado na história dos Queen e de Freddie Mercury, fez com que o meu interesse pela leitura do livro fosse ainda maior. Até porque a história de Freddie, apesar de trágica, é maravilhosa e mostra como a preserverança e ambição faz com que os nossos sonhos se tornem em realidade. 


E se gostei do filme, posso adiantar que o livro não lhe fica atrás. 

A capa apelativa e as imagens do seu interior são um complemento enorme à história, bastante resumida, do elemento mais importante dos Queen. Pegando precisamente na música Bohemian Rhapsody, o livro está organizado por capítulos que lhe fazem analogia. E é um prazer à vista ver imagens tão bonitas e tão bem conseguidas. 
 
Não trata nada do que já não soubesse, mas é um livro de coleção, de que todos os leitores que gostem dos Queen, de Freddie Mercury, mas também de música vão apreciar.





quarta-feira, 10 de julho de 2019

Pratas Conquistador - Paulo M. Morais [Opinião]

Título: Pratas Conquistador
Autor: Paulo M. Morais
Editor: Casa das Letras
N.º de Páginas: 264

Sinopse:
No meio da tarefa de esvaziar uma casa de família, a descoberta inesperada de um conjunto de cartas, fotografias e recortes revela ao narrador a existência de um tio-bisavô pioneiro do cinema em Portugal. Será o misterioso tio Emídio, curiosa personagem das anedotas familiares, o mesmo Emygdio Ribeiro Pratas, autor e intérprete, em 1917, da primeira comédia cinematográfica portuguesa ao estilo de Charlot? Que destino foi, afinal, o deste homem que teve uma vida absolutamente aventurosa? E porque terá sido votado ao esquecimento?

Partindo da história desta figura multifacetada e do papel que representou na vida dos seus contemporâneos e dos seus descendentes, Paulo M. Morais explora os limites da ficção e da não-ficção, conduzindo o leitor ao Portugal das primeiras décadas do século XX, entre a queda da Monarquia e o advento da Sétima Arte, numa viagem ao mesmo tempo intimista e coletiva, poética e documental, que prende da primeira à última página.

A minha opinião: 
Estava a recepcionar livros na livraria onde trabalho e fiquei logo curiosa com o seu sub-título: A História desconhecida de um Charlot Português. Não descansei enquanto não peguei nele. Tal como indica na capa, desconhecia a existência de um Charlot em Portugal e achei estranho pouco ou nada se falar de tal personagem. 

Pratas Conquistador é uma obra ficcionada mas que anda em torno de Emídio Ribeiro, um jovem na altura, que tinha o sonho de ser realizador e ator. 
Pratas, autor e intérprete, decide fazer a primeira comédia cinematográfica portuguesa, em 1917. 



O narrador vê-se na incumbência de começar a "esvaziar" a casa da avó Julieta, ainda viva, quando se depara com uma carta manuscrita, acompanhada de uma fotocópia de um artigo de jornal. 
A fotocópia do jornal chamava a atenção para um filme intitulado "Pratas Conquistador" rodado há um século pela tio-bisavô do narrador. Depois de investigar melhor, o narrador, acaba por descobrir que aquele seu parente teria sido uma réplica nacional de Charlot. 

O verdadeiro Charlot aparece em 1914, mas poucos anos depois surgem em Portugal dois atores que o tentam imitar: uma de um ator espanhol conhecido por Cardo e outra por Emídio Ribeiro. 

Emídio seria depois votado ao esquecimento porque depois desse filme, apareceria apenas como figurante nalguns filmes, talvez daí se ter deixado de falar dele.

Paulo M. Morais dá vida a este narrador, baseado na sua história pessoal, que aquando de arrumações numa casa da família, vem a descobrir que é sobrinho bisneto do próprio Emídio Ribeiro. 

Gostei deste livro, de conhecer um figura interessante da nossa história cinematográfica, mas acho que o autor se perdeu um pouco na ficção, relegando, para segundo plano, a história principal. Penso que um dos motivos será o facto de Paulo M. Morais não ter reunido informação suficiente sobre o seu parente para poder explanar mais a sua vida. 

Ao mesmo tempo, o autor tem o cuidado de enquadrar o leitor no tempo em que se vai decorrendo toda a narrativa. Desde a monarquia até ao início da Sétima Arte no nosso país.  
Gostei





quinta-feira, 25 de outubro de 2018

Frida Kahlo - María Hesse [Opinião]

Título: Frida Kahlo
Autor: María Hesse
Editor: Suma de Letras
Páginas: 160

Sinopse:
A vida de Kahlo, desde a sua infância, passando pelo acidente traumático que mudaria sua vida e sua arte, seu amor complicado por Diego Rivera e a feroz determinação que a levou a se tornar uma grande artista.

Inspirado pelas experiências da icônica pintora mexicana, este livro oferece um belo passeio ilustrado pela vida e obra de Frida Kahlo.

Uma obra de arte dentro de uma obra de arte.

A minha opinião: 
Interessei-me mais pela vida de Frida Khalo a partir do momento em que vi, há uns anos, o filme Frida de Julie Taymor. Quem me segue aqui no blogue sabe que gosto de biografias, sobretudo biografias de artistas e escritores, pelo que fiquei deliciada quando recebi este livro tão, mas tão bonito da Suma de Letras.
 
Já é sabido o que Frida sofreu ao longo da sua curta vida, mas também constatamos que ela viveu intensamente a vida. Amou muito, sofreu muito, viajou, granjeou sucesso e morreu muito jovem. Tudo isso María Hesse retrata nesta espécie de novela gráfica que adorei folhear. 


Apesar de o gosto pela pintura ter começado após ter sofrido o acidente que marcaria para sempre a sua vida, Frida tornar-se-ia uma das artistas mais importantes do México. Conheceu o marido quando entrou para o partido comunista mexicano e Diogo Rivera seria o seu verdadeiro amor. 

Em forma muito resumida, María Hesse alia a biografia de Frida com ilustrações magníficas da pintora, tornando este livro uma perfeita obra de arte.

Recomendo sem quaisquer reservas.





quarta-feira, 18 de maio de 2016

Príncipes da Medicina - Mário Cordeiro [Opinião]

Título: Príncipes da Medicina
Autor: Mário Cordeiro
Editor: Saída de Emergência
N.º de Páginas: 474
PVP: 16,90€


A vida e obra de alguns dos mais fascinantes e inspiradores médicos da História Na medicina sempre existiram pessoas que se dedicaram ao próximo de forma abnegada, sem outro desejo que não o de melhorar a sua arte, dando apoio nas horas mais terríveis de qualquer ser humano, como a falta de saúde e o sofrimento físico, psicológico e social. Entre este incontável número de pessoas extraordinárias, sobressaíram algumas que adicionaram à arte médica outras faces do prisma complexo que é o ser humano. E que foram, para além disso, mestres na pintura, escultura, poesia, música, literatura, política, filosofia, história ou na defesa intransigente e corajosa dos direitos humanos. São verdadeiros príncipes, que representam exemplos a analisar, admirar e seguir. Neste livro, Mário Cordeiro conta o percurso de vida de alguns destes Príncipes da Medicina desde a Antiguidade até aos nossos dias. Conheça um pouco mais da vida deste conjunto de pessoas extraordinárias cujo legado permanece até aos dias de hoje.

A minha opinião: 
Ao longo de quase 500 páginas o pediatra Mário Cordeiro reuniu as histórias de 93 médicos que se destacaram na área da medicina, mas também na literatura, na pintura e na política. 

De alguns destaquei algumas curiosidades que retive ao longo da leitura que achei engraçadas.
Interessante saber que Galeno, médico e filósofo de origem grega, nascido no ano 129, foi o primeiro a descobrir que as respostas do corpo eram comandas pelo cérebro. 

Apesar de a maioria da sobra obra e estudos se terem perdido ao longo dos tempos, o que perdurou foi que Galeno conseguia distinguir veias de artérias, o sangue venoso do arterial, e os nervos sensoriais dos motores. 

O nosso único Papa, Pedro Hispano, nascido Pedro Julião, leccionou nas mais importantes universidades da época. Diz-se que quando Miguel Ângelo adoeceu gravemente com uma lesão ocular, devido ao esforço da visão, decorrente da pintura do tecto da Capela Sistina, terá sido Pedro Julião quem o terá assistido. 

Gabriel Fallopio que deu nome às trompas femininas e que descreveu pela primeira vez o clitóris como uma das zonas erógenas. Foi também o inventor do preservativo para combater a sífilis, no século XVI. 

Edward Jenner foi considerado o pai das vacinas. No século XVIII a variola (vulgarmente conhecida como a doença das bexigas) afectava grande parte da população. Até que ao observar as tetas de uma vaca Jenner apercebeu-se que as mesmas tinham o aspecto semelhante às que a varíola deixavam no corpo humano. O médico decidiu fazer a experiência: inoculou o filho do jardineiro com pus extraído de feridas de vacas contaminadas e, apesar da criança de oito anos ter feito febre recuperou rapidamente. Posteriormente exposto ao vírus da doença o rapaz não a desenvolveu. Estava descoberto o princípio da vacinação. A varíola seria a primeira doença a desaparecer por ação do homem. 

Nascido no Porto mas incompreendido pelos seus conterrâneos por ter vontade em querer implementar uma melhor higienização nos seus costumes a fim de evitar doenças tão comuns na época (inícios do séc. XX), para a eliminação da peste, sugeriu o isolamento dos doentes e a desinfecção das suas casas, Ricardo Jorge viu-se obrigado a ir viver para Lisboa onde fez carreira.
Carolina Beatriz Ângelo foi a primeira cirurgiã portuguesa. Politicamente também teve destaque e defendeu os direitos políticos aderindo aos ideiais feminisitas, defendendo a emancipação da mulher, a sua educação para a independência e o divórcio. 

Não se destacaram na medicina, mas deram cartas no mundo da literatura e das artes. Foram eles Júlio Diniz, Arthur Connan Doyle, Anton Tchekhov, William Somerset Maugham, Céline, Miguel Torga, Fernando Namora, Carlos Paião. 

Príncipes da Medicina é um livro para saborear, para ir lendo. Foi um livro que me deu muito prazer ler. Ao longo de XX séculos de História vamos percorrendo o avanço da medicina e os génios que nela habitam. Recomendo. 





terça-feira, 6 de outubro de 2015

O Olhar e a Alma - Cristina Carvalho [Opinião]

Título: O Olhar e a Alma
Autor: Cristina Carvalho
N.º de Páginas: 144
Editor: Editorial Planeta
PVP: 14,90€

Sinopse:
Alguém comparou a mulher que se viu voar naquela manhã da janela de um quinto andar de Paris a um anjo. Mas não era um anjo, era Jeanne: Jeanne Hébuterne, a menina-viúva, grávida de nove meses, de um dos artistas mais desprezados em vida e mitificados na morte que o século XX viu surgir - Amedeo Modigliani.

Diz-se que no funeral de Modigliani, para além de artistas, amigos e população dos bairros boémios de Paris, abundavam os marchands, fazendo ofertas pelas obras que o pintor, que dependera da bondade de amigos para a sobrevivência básica, nunca conseguira vender. Tinha 35 anos e estava gasto.

Cristina Carvalho reconstitui mais uma vida extraordinária, marcada pela paixão e pelo génio, numa obra que segue o percurso da sua vida, da sua arte e das mulheres - sempre as mulheres - que o amaram. Um olhar perspicaz e intenso, que acompanha a escrita de uma narradora poderosa e, também ela, apaixonada pelo extraordinário da vida.

A minha opinião: 
Viveu pouco. 35 anos de doença, de trabalho, de fome, de álcool, ,as também de muito talento. Desperdiçado, é certo. Só notado depois da sua morte. Aos 35 anos estava gasto. Sempre dependeu da vontade de outrém. Primeiro da sua mãe, que por ser o filho mais novo, o mais frágil de quatro irmãos, sempre viu nele o que tinha de proteger, ("ela não passava sem mim e eu não passava sem ela")depois dos amigos, muitos deles artistas, das muitas mulheres que conheceu, primeiro em Itália depois em Paris. Amedeo Modigliani era um génio, mas um génio incompreendido, como muitos outros do seu tempo. Não conseguia vender o seu talento, o seus quadros, as suas esculturas...
Com o agravamento da sua doença terá de deixar a escultura, mas as pinturas que não pertencem a qualquer movimento, não deixam de fazer furor, mesmo não conseguindo vendê-las.

"Fui feliz, em certo aspecto. Fui feliz mesmo sem nenhyuma moeda nos bolsos. Amei a vida como só um tuberculoso pode amá-la. Sem esperança alguma. Quantas vezes rodopiei e cantei sob o frio intenso, à luz molhada dos candeeiros da rua, encharcado até aos ossos?"

Um dos seus amigos consegue expô-las, mas os seus nus provocam tamanho escândalo que são obrigados a encerrar a exposição logo no dia seguinte.
Seria em Paris que conheceria grandes artistas como Toulouse-Lautrec, Picasso ou até o português Amadeo de Souza-Cardozo.

Cristina Carvalho e cento e poucas páginas consegue descrever a vida boémia do pintor e escultor italiano, sob o olhar do próprio, da sua mãe, da sua mulher, embora de uma forma ficcionada, mas tudo de uma maneira atractiva e que leva o leitor a desejar mais. Tal como a autora nos revela logo no início do livro, poucos relatos existem sobre a vida de Modigliani, o que  faz com que aguce ainda mais a nossa curiosidade. O facto de ter tido uma filha que morreu em 1984 e que não explorou muito a vida do pai também me deixa um pouco desiludida. Será que ficou isolada? O que terá acontecido? Fiquei ainda mais curiosa, confesso.

"Contudo, eu acredito em mim. Com todas as minhas forças. Acredito que um dia serei admirado e reconhecido pela minha arte."






quarta-feira, 15 de julho de 2015

Rainhas Malditas - Cristina Morató [Opinião]

Título: Rainhas Malditas
Autor:
Cristina Morató
N.º de Páginas: 528
PVP: 24,40 €


Seis histórias de seis rainhas que se transformaram em lendas.
Excêntricas, voluntariosas, rebeldes, corajosas, ambiciosas... seis mulheres reais que não puderam escolher o seu destino.

A fascinante vida de seis mulheres que deixaram uma marca profunda na história.
Descubra como viviam as seis rainhas lendárias que inspiraram Hollywood: Sissi, Alexandra Romanov, Cristina da Suécia, Eugénia de Montijo, a rainha Vitória, e Maria Antonieta.
Por detrás das paredes dos palácios nem sempre existem contos de fadas. Para muitos dos membros da realeza essas paredes não passaram de gaiolas douradas
A vida destas rainhas está longe de ser um romântico conto de fadas.

A minha opinião:
Rainhas Malditas foi um livro que me demorou muito tempo a ler. Não porque não estivesse a gostar, não por falta de tempo, mas porque um livro tão bom e tão bem escrito e sobre um tema que aprecio muito leva o seu tempo e a ser degustado.
Através de cartas, diários. Cristina Morató consegue seis biografias, de seis rainhas surpreendentes, que fizeram casamentos de interesse , que apesar de estar na sombra do império, tiveram papéis determinantes em certos momentos da História.
A autora conta, sobretudo, a história infeliz das mulheres dos mais poderosos do mundo, que tiveram que deixar os seus países de origem e partir ao desconhecido, sem conhecer o povo, nem língua, nem costumes do país de acolhimentos, tendo de enfrentar, na maior parte das vezes, uma sogra que não gosta delas e um povo que é contra aquela aliança.
Além da solidão que têm de enfrentar, ainda têm sobre si o fardo de ter de dar à luz um filho barão para suceder ao trono, o que nem sempre foi fácil... 


«A casar com Francisco José, caem sobre ela o peso e a glória de todo o império. A jovem imperatriz da Áustria perdeu o que mais aprecia: a sua liberdade.» - Sissi, imperatriz da Áustria

Sissi, vinha de uma ambiente liberal e boémio e passa a enfrentar a corte mais pomposa e antiquada de toda a Europa. Sentia-se prisioneira. Dava-se mal com a sogra, sua tia direita, que cria ter sempre ao seu cuidado a educação dos seus netos e Sissi assim o fez, a partir do momento em que a sua filha primogénita morreu. Refugia-se nas viagens, na ilha da Madeira, em Corfu, na Grécia e em Budapesta, num castelo de que era proprietária. 

  «A calúnia, é isso que me vai matar.»
«Nada posso dizer sobre o estado da minha alma; existimos, é tudo.» - Maria Antonieta


Afilhada dos reis de Portugal, Maria Antonieta acreditou que a sua vida estava marcada pela fatalidade. A começar pelo dia do seu nascimento: o dia de finados.
Foi a melhor representante da moda rococó, tendo gasto muito dinheiro na moda. Mas era uma pessoa muito vulnerável e infeliz. Vive em completa solidão, com intrigas na corte e lutas entre as suas favoritas, além das imensas dívidas de jogo. 

Cristina da Suécia foi uma rainha com várias sequelas devido à morte prematura do pai, de quem gostava muito e à instabilidade emocional da mãe.
Era muito curiosa em relação ao estudos e tinha uma memória prodigiosa.
Com uma figura completamente masculina, nunca se interessou por nenhum homem. Acabaria por abdicar do trono e aliar-se ao catolicismo.






«Dorme-se com uma menina Montijo, não se casa com ela.» - Eugénia de Montijo

Eugénia de Montijo, 2.ª filha dos condes de Teba, haveria de casar com o imperador de França, Luís Napoleão III. Apesar de ter sido bastante contestada por parte da família do imperador e mesmo por parte dos franceses criaria orfanatos e asilos, impulsionaria a educação gratuita para raparigas órfãs e para pais sem recursos. Instaurou o ensino público superior feminino e lutou, à sua maneira, pelos direitos das mulheres, defendendo o sufrágio feminino. 



Usaria a coroa durante mais de seis décadas e com pulso de ferro. Vitória de Inglaterra era uma mulher de armas e só foi abaixo com a morte precoce do seu marido, tendo pensado em desistir. No entanto, acabou por não fazer e acabou por levar o reinado em frente. Teve muitos filhos, mas não gostava muito deles.


Neta de Vitória de Inglaterra, Alexandra Romanov acabaria por ter um fim trágico, tal como Maria Antonieta, uma rainha que tanto admirava. Não era dada a luxos, muito tímida e acabaria por se casar com o homem por quem estava apaixonada. No entanto, a sociedade russa não gostava dela chamando-a de puritana, provinciana, desinteressante a altaneira.
Apesar de tímida e um pouco fechada, dentro de portas influenciava muito o czar na tomada de decisões. Viviam alheios às necessidades do povo russo e acabariam por pagar caro. A Rússia estava muito atrasada em relação ao resto da Europa e não lhes restou mais nada do que fazer uma revolução: em 1918 a polícia secreta mataria tos czares e seus descendentes tendo apenas os seus corpos sido encontrados nos anos de 1980. 


Este pequeno "resumo" que fiz destas seis rainhas que muito me alegraram descobrir um pouco mais, espero que aumentem a curiosidade de leitura deste fantástico livro.
Recomendo sem reservas para os amantes de biografias e de história.

 


quarta-feira, 2 de outubro de 2013

Urbano Tavares Rodrigues, O Livro Aberto de uma Vida Impar - José Jorge Letria [Opinião]

Título: Urbano Tavares Rodrigues, O Livro Aberto de uma Vida Impar
Autor: José Jorge Letria
Editora: Guerra  Paz
N.º de Páginas: 128
PVP: 13,99€

Para inaugurar a colecção o fio da memória, a Sociedade Portuguesa de Autores e a Guerra e Paz Editores publicam um livro de homenagem a Urbano Tavares Rodrigues, romancista, poeta, dramaturgo e ensaísta. Urbano Tavares Rodrigues: O Livro Aberto de Uma Vida Ímpar é, pela voz do próprio Urbano, o retrato de uma vida e o retrato de uma obra. Da infância à idade adulta, da política à literatura, Urbano Tavares Rodrigues, numa longa e exaltante conversa com José Jorge Letria, não só se expõe sem medos ou reticências, como ilumina, pela evocação de episódios, figuras e factos, a nossa história dos últimos 50 anos. Um livro para conhecermos ainda melhor Urbano. Um livro, afinal, para nos conhecermos melhor a nós próprios.

A minha opinião:
Urbano Tavares Rodrigues, O Livro Aberto de uma Vida Ímpar é a prova de como um pequeno livro pode conter algo tão bom.

Conheci os livros do autor quando era muito jovem, num tempo em que não tinha tantos livros ao meu gosto para ler em casa (apesar das estantes estarem cheias) e frequentar a biblioteca municipal do concelho onde vivia. Certo é que a pequena biblioteca de Marco de Canaveses tinha poucos livros, baseando-se em clássicos. Foi nessa altura que conheci Camilo, Eça, Miguel Torga e Urbano Tavares Rodrigues, entre muitos outros autores. E que sortuda que fui.

Mas de Urbano apenas fiquei a conhecer a sua obra e não o homem que ele foi. Com este livro, recentemente publicado pela Guerra & Paz e pela Sociedade Portuguesa de Autores, escrito por José Jorge Letria, Urbano tornou-se ainda mais humano. José Jorge Letria partilhava com Urbano uma amizade de quase 45 anos, quando Urbano já era um jornalista consagrado. Mesmo assim mostrava modéstia nas palavras do autor do livro "Estando connosco ele era mais um de nós."


Escritor desenfreado, só parou de escrever praticamente na véspera do seu internamento do qual resultaria a sua morte, aos 89 anos. "Urbano era um lutador incansável." Para aquele que seria um livro aberto, deu uma entrevista para o seu longo amigo, mais de 3 horas de conversa.

Escrito de uma forma leve, intimista e bastante aberta, José Jorge Letria conseguiu em poucas páginas, que Urbano abarcasse um pouco da sua vida. Desde que nasceu até quase ao dia da sua morte. "Fez questão que a entrevista fosse livre e solta como sempre foi a sua vida." Filho de um grande jornalista [Urbano Rodrigues], Urbano teve porém uma relação bem mais forte com a sua mãe. Com o pai o relacionamento foi distante.

Ao longo da sua longa vida privou com os mais variados escritores portugueses e estrangeiros, tendo conhecido, entre outros, Simone de Bouvoir, Jorge Amado, Jean Paul Sartre, Fernando Namora. Antes disso formou-se em letras, mas foi impedido de leccionar devido às suas ideias políticas. Pela mesma razão esteve preso onde sofreu várias privações. Mesmo assim não parou de escrever, em pedaços duros de papel higiénico. Apesar de comunista apenas conheceu Cunhal após o 25 de Abril


Casado com uma grande escritora, Maria Judite de Carvalho do qual resultaria uma filha, Isabel Fraga, este foi talvez o ponto que menos explorado foi no livro...

De salientar ainda o bonito poema que dá início ao livro de José Jorge Letria, dedicado a Urbano em 2011.

domingo, 24 de março de 2013

O Diabo e a Gemada - Sveva Casati Modignani [Opinião]

Título: O Diabo e a Gemada
Autor:
Sveva Casati Modignani
Edição/reimpressão: 2013
Páginas: 168
Editor: Porto Editora

Sinopse:
Em 1943, Milão está sob as bombas dos Aliados, e nas proximidades da via Padova, uma criança extraordinariamente curiosa, inicia a sua aprendizagem de vida. Chama-se Sveva e tem 5 anos. É este o contexto de O Diabo e a Gemada, um relato autobiográfico em que a autora percorre os anos da Segunda Guerra Mundial, que se desenrolam entre a casa de família em Milão e uma quinta, nos arrozais de Trezzano sul Naviglio, na Lombardia. A comida é o fio condutor que atravessa os episódios deste relato, em que se entrelaçam memórias e emoções, sabores e receitas e cujos acontecimentos estão sempre ligados à elaboração de um prato ou a uma refeição partilhada.

Com uma descrição cuidada e rigorosa de pessoas, sabores e costumes, Sveva Casati Modignani devolve-nos um mundo, não tão longínquo, mas do qual estamos a perder a memória.



A minha opinião:
Com um forte odor a comida, comida italiana, feita, na sua grande maioria por sobras e por aquilo que conseguiam muitas vezes comprar no mercado negro, Sveva vai desenrolando a história da sua infância, até aos 10 anos, dando-nos a conhecer os momentos de privação durante os tempos de guerra, mas também a sua vida enquanto criança numa quinta na Lombardia.

Resultado: um livro forte em tradições, pleno de boas receitas, que constituem boa parte do livro, e algumas privações no seio de uma família que desejava, acima de tudo, dar o ar de abastada. Com uma educação bastante severa (não se livrava de receber umas valentes palmadas), Sveva guarda melhores recordações da avó, com quem viveu grande parte da sua infância, do que da sua mãe que nunca demonstrou o interesse de ter filhos. 
No entanto, não era isso que a impedia de fazer tropelias, próprias de infância, que levavam a avó a dizer que tinha o diabo no corpo. Oriunda de uma família profundamente religiosa, não admira que a avó trouxesse muitas vezes padres para examinarem a neta. 
Um livro de memórias, mas também com episódios caricatos que me fizeram soltar o riso em algumas partes. 

Perfil da autora no facebook: 
http://www.facebook.com/SvevaCasatiModignani?ref=ts&fref=ts


Comprar:


 
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