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terça-feira, 2 de novembro de 2021

Raparigas em Chamas - C. J. Tudor [Opinião]

 

Título: Raparigas em Chamas
Autor: C. J. Tudor
Editor: Editorial Planeta
N.º de Páginas: 384

Sinopse: 
Uma vigária pouco convencional tem de exorcizar o passado sombrio de uma aldeia remota, assombrada pela morte e por desaparecimentos misteriosos, no novo thriller explosivo e inquietante da autora best-sellerde O Homem de Giz.
Há quinhentos anos, mártires protestantes foram queimados. Há trinta anos, duas adolescentes desapareceram sem deixar rasto. Há algumas semanas, o responsável da paróquia local enforcou-se na nave da igreja.
A reverenda Jack Brooks, mãe solteira de uma filha de quinze anos e dona de uma consciência pesada, chega à pequena aldeia com esperança de um novo começo. Em vez disso, encontra Chapel Croft repleta de conspirações e segredos, e é recebida com um estranho presente de boas-vindas: um kitde exorcismo e um cartão que a avisa: «Nada há encoberto que não venha a descobrir-se, nem oculto que não venha a conhecer-se.»

Quanto mais Jack e a sua filha, Flo, exploram a localidade e conhecem os seus estranhos habitantes, mais elas são atraídas para as antigas divisões, mistérios e suspeitas. E quando Flo começa a ver imagens de raparigas em chamas, torna-se evidente que há fantasmas que se recusam a ficar enterrados.

Descobrir a verdade pode ser mortal, num lugar com um passado sangrento, onde todos têm algo a esconder e ninguém confia num estranho.







Depois de ter conhecido C.J. Tudor com O Homem de Giz, o seu livro de estreia, sempre que sai um novo coloco-o à frente da minha lista de leituras.

Apesar de Levaram Annie Thorne ter sido uma pequena desilusão, reconciliei-me com a sua escrita em Os Outros. Por isso, estava em pulgas para ler Raparigas em Chamas.

Jack Brooks é reverenda e mãe. Chegada a uma nova aldeia, vinda de uma cidade grande como Londres, Jack tem muita coisa para provar, até porque todos se conhecem e não veem logo com bons olhos uma intrusa. A provar isso é o presente de boas vindas que recebe logo no seu primeiro dia: uma caixa de exorcismo.

A nova reverenda está à procura de uma nova vida, mais tranquila, para educar a sua filha de 15 anos. Com o desenrolar da história vamos percebendo que não é só isso que Jack procura. A vigária também tem segredos que deseja não serem descobertos.

No entanto, esta pequena localidade vai provar não ser tão pacata com a reverenda estava à espera e no final até esconde segredos bastante macabros.

Nos primeiros tempos Jack vai ser confrontada com um sem número de acontecimentos: o vigário que vem substituir suicidou-se; há 500 anos, durante o reinado da rainha Maria, oito pessoas foram queimadas vítimas de perseguições religiosas, incluindo duas raparigas que ficaram conhecidas como Raparigas em Chamas, que tendem a aparecer recorrentemente na zona da igreja.

A par disso, há 30 anos desapareceram duas adolescentes e nunca se descobriu o que se passou com elas.

Tal como já estamos habituados nos livros da autora, C. J. Tudor junta o mistério, ao misticismo, não descurando temas como saúde mental, as crises da adolescência e a religião.

Gostei muito.




quinta-feira, 30 de abril de 2020

Os Outros - C. J. Tudor [Opinião]

Título: Os Outros
Autor: C. J. Tudor
Editor: Editorial Planeta
N.º de Páginas: 368

Sinopse: 
Uma rapariga pálida num quarto branco…

Ao conduzir uma noite para casa, Gabe vai atrás de um velho carro, quando vê a cara de uma menina aparecer na janela.
Ela diz uma palavra: papá.
É a sua filha de cinco anos, Izzy.
E nunca mais a vê.

Três anos mais tarde, Gabe passa os dias a conduzir na auto-estrada à procura do carro que levou a filha, recusando-se a desistir. Apesar de todos pensarem que Izzy está morta.
Fran e a filha, Alice, também estão na auto-estrada.
Não estão à procura. Estão em fuga. Tentando manter-se um passo à frente das pessoas que lhes querem fazer mal. Porque Fran sabe a verdade. Ela sabe o que aconteceu à filha de Gabe.
Sabe quem é o responsável e o que lhe farão a si e a Alice se a apanharem.

A minha opinião: 
O Homem de Giz foi das melhores leituras que fiz em 2018. Por isso, quando saiu o segundo livro dce C. J. Tudor fiquei exultante para saber se Levaram Annie Thorne estava ao mesmo nível do primeiro. Infelizmente não superou as expectativas e este livro não foi além das três estrelas, muito puxadas.

Logo que saiu Os Outros não resisti a comprar, embora não tenha lido logo. Foi preciso estar de quarentena e fazer uma leitura conjunta com duas amigas para que me impelisse a ler. E ainda bem que o fiz. Não posso dizer que Os Outros seja um livro melhor ou igual a O Homem do Giz, mas foi uma leitura excelente. De tal forma, que levou 5 estrelas.

C. J. Tudor faz novamente uma história centrada em dois períodos espaciais. A atualidade e três anos antes, altura em que a filha e a mulher de Gabe são assassinadas. Porém Gabe, apesar de acreditar que a sua mulher está morta de facto, não acredita que a sepultura contém o corpo de Izzy, a sua filha de cinco anos. Isto porque Gabe tem a certeza de que, quando ia a caminho de sua casa, viu Izzy numa carrinha velha e cheia de autocolantes. Apesar de ter ido atrás dela, acaba por perdê-la de vista e quando chega a casa o cenário é devastador.

Três anos depois, Gabe continua com a certeza de que a sua filha está viva e passa o dia a percorrer a estrada onde viu a carrinha. A sua vida muda completamente depois desse trágico episódio e Gabe vive em função da procura de Izzy, desleixando-se completamente e tendo desistido, inclusive, de trabalhar.

"A esperança devora-nos por dentro como um parasita. Deixa-nos pendurados como um isco por cima de um tubarão. Mas a esperança não nos mata. Não é assim tão generosa."

"Desaparecer é diferente de morrer. De certa maneira, é pior. A morte oferece finalidade. A morte dá-nos licença para chorar. Para fazer um serviço fúnebre, para acender velas e pôr flores. Para deixar ir... Desaparecer é um limbo. Ficamos perdidos, num lugar estranho e sombrio onde a esperança brilha como uma débil chama no horizonte e a infelicidade e o desespero voam em círculos no céu, como abutres."

De facto, a esperança devasta o ser humano. O saber que não existe corpo para velar, um corpo para chorar, faz com que se deixe tudo e passe a viver em função da dor. E esse aspecto está muito bem retratado por C. J. Tudor, tendo resultado numa leitura fantástica. Só posso recomendar.



terça-feira, 16 de janeiro de 2018

O Homem de Giz - C. J. Tudor [Opinião]

Título: O HOMEM DE GIZ
Autor:
C. J. TUDOR
N.º de Páginas: 320
PVP: 18,85€

Sinopse:
A história começa quando aos doze anos Eddie e os amigos tiveram contacto com o misterioso Homem de Giz. Uma personagem central na trama e Eddie será assombrado por ela.
As estranhas figuras de giz conduzem Eddie e os amigos a um cadáver de uma rapariga pouco mais velha que eles e esta descoberta irá marcá-los para sempre.
Tudo aconteceu há trinta anos, e Eddie convenceu-se de que o passado tinha ficado para trás. Até ao dia em que recebeu uma carta que continha apenas duas coisas: um pedaço de giz e o desenho de uma figura em traços rígidos.
À medida que a história se vai repetindo, Eddie vai percebendo que o jogo nunca terminou.

A minha opinião: 
Atualidade: Eddie, personagem central de O Homem de Giz, agora professor na escola local, vai-nos dando a conhecer o que se passou no longínquo ano de 1986 e que mudaria para sempre a vida do pequeno grupo de crianças, do qual ele fazia parte.

Se pensarmos que todos guardamos segredos durante parte da nossa vida há alguns que são mais importantes que outros. Durante todo o livro vamo-nos deparando que cada uma das personagens esconde algo que poderá ser determinante para percebermos parte do que se passou naquele ano. E não, não foi apenas a morte daquela jovem bonita, que foi descoberta através de uma enigma escrito a giz, qual quebra-cabeças, que os levaria a encontrar o corpo.

Aquele grupo de miúdos composto por Gav Gordo, Metal Mickey, Hoppo e Nicky, a única rapariga, remonta-nos mesmo àquela época. Quem viveu nos anos 80 sabe do que estou a falar. A liberdade que os pais davam às crianças naquela altura permitiam-lhes fazer quase tudo sem que ninguém se preocupasse muito com isso. Aquele grupo era um grupo como qualquer outro: gostavam de andar de bicicleta, brincar no parque, estar na rua até às tantas e andar pelo bosque. Todos diferentes entre si, mas que tinham em comum a amizade. A misteriosa figurinha do homem de giz que muito nos faz lembrar do jogo da forca vai acompanhá-los sempre.

Entre 1986 e 2016 muita coisa muda. Os amigos estão diferentes, distantes. O grupo tão coeso aos 12 anos não tem agora nada em comum a não ser a história da rapariga morta. Mas um estranho acontecimento vai fazer com que se juntem novamente e todas as dúvidas que surgiram no passado vão ser colocadas na mesa e pouco a pouco vamos descobrindo algumas brechas.

O interessante na autora, além de uma história bem fundamentada e sombria, é que nos vai dando pistas para prender o leitor. Qual detective, também pensei que já tinha descoberto quem teria sido o assassino da rapariga ou quem estaria por detrás de outras situações que vão surgindo no livro, mas em todas elas me enganei.

Além do thriller são abordados temas como violência doméstica, religião, demência, bullying e o aborto, temas que enriqueceram cada umas das personagens, dando mais vivacidade ao livro. Destaque ainda para a capa e para a lombada que são muito bonitas.

O romance de estreia de C. J. Tudor, apesar de ter sido uma das minhas primeiras leituras do ano, arrisca-se a ser um dos melhores de 2018. Li-o em conjunto com a Dora Santos Marques do canal de Youtube Books & Movies e ambas ficamos vidradas nele, desde que o começamos a ler, no sábado à noite. 




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