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sábado, 12 de fevereiro de 2022

Violeta - Isabel Allende [Opinião]

 

Título: Violeta
Autor: Isabel Allende
Editor: Porto Editora
N.º de Páginas: 360

Sinopse: 
Violeta del Valle é a primeira rapariga numa família de cinco irmãos truculentos. Nasce num dia de tempestade, em 1920, quando ainda se sentem os efeitos devastadores da Grande Guerra e a gripe espanhola chega ao seu país natal, na América do Sul.
Graças à ação determinada do pai, a família sairá incólume desta crise, apenas para ter de enfrentar uma outra: a Grande Depressão. A elegante vida urbana que Violeta conhecia até então muda drasticamente. Os Del Valle são forçados a viver numa região selvagem e remota, onde Violeta atinge a maioridade e viverá o primeiro amor.
Décadas depois, numa longa carta dirigida ao seu companheiro espiritual, o mais profundo amor da sua longa existência, Violeta relembra desgostos amorosos e apaixonadas relações, momentos de pobreza e de prosperidade, perdas terríveis e alegrias imensas. A sua vida será moldada por alguns dos momentos mais importantes da História: a luta pelos direitos da mulher, a ascensão e queda de tiranos, os ecos longínquos da Segunda Guerra Mundial.
Contado a partir do olhar de uma mulher determinada, de paixões intensas, com uma vida plena de sobressaltos, Violeta é um romance épico, inspirador e emotivo, ao melhor estilo de Isabel Allende.


Isabel Allende é sinónimo de uma boa história aliada a uma boa escrita. Conjugados estes dois fatores só pode resultar num excelente livro.

Violeta nasce em pleno início da década de 20 do século passado, em plena chegada da gripe espanhola ao seu país natal, algures na América do Sul. Ainda a sentirem os efeitos devastadores da Primeira Guerra Mundial, mas oriunda de uma família abastada, Violeta acaba por ter uma educação permissiva, o que a torna numa criança birrenta e pouco tolerante. É aqui que entra Miss Taylor, uma mulher que vai ser tudo na sua vida e acabará por substituir o papel de uma mãe ausente, sempre com achaques de saúde. se os Del Valle conseguem sair incólumes da Guerra, efeito oposto vai acontecer com a Grande Depressão que começa nos EUA, mas que inevitavelmente vai destruir as economias de muitos outros países.

Aí Violeta e família terão de sair do conforto de um lar na grande cidade e partir para uma região selvagem que desconhecem e viver da caridade de uma família fantástica. Isso vai fazer crescer Violeta que se torna numa mulher belíssima e com um forte carácter. À medida que vamos conhecendo a vida deste menina mulher, Isabel Allende, vai-nos fazendo uma retrospectiva de todo o século XX e início de XXI que, tal como começou, também terminará numa pandemia que assolará todo o Planeta.

A emancipação da mulher, a violência doméstica, as diferentes crises mundiais, quer económicas, que de guerra, os poderes ditatoriais, tudo isso é retratado com mestria pelas mãos de Allende, tornando este livro uma excelente companhia.
Adorei.




quinta-feira, 26 de março de 2020

Longa pétala de mar - Isabel Allende [Opinião]

Título: Longa pétala de mar
Autor: Isabel Allende
Editor: Porto Editora
N.º de Páginas: 392

Sinopse: 
Espanha, final da década de 1930. A vitória iminente das tropas franquistas na Guerra Civil obriga milhares de pessoas a abandonar o país, numa perigosa viagem através dos Pirenéus. Entre eles, Roser Bruguera, uma jovem viúva, e Víctor Dalmau, médico e irmão do falecido marido de Roser.
Em França, conseguem embarcar no Winnipeg, um navio fretado pelo poeta Pablo Neruda que transportou mais de 2 mil espanhóis até ao Chile - essa «longa pétala de mar, de vinho e de neve» -, onde são recebidos como heróis.
Víctor e Roser integram-se com sucesso na vida social do país de acolhimento, durante várias décadas, até ao golpe de Estado que derruba Salvador Allende, parceiro de xadrez de Víctor Dalmau. Os dois amigos de toda uma vida são de novo forçados ao exílio, mas, como diz a autora, «se vivermos o suficiente, todos os círculos se fecharão».

A minha opinião: 
Todos sabemos que Isabel Allende tem o dom de criar personagens marcantes, envolvendo-os numa história apaixonante. 
Em Longa Pétala de Mar, a autora chilena apresenta-nos a família Dalmau, que tem como protagonista Víctor, que vê o curso de medicina ser interrompido quando é obrigado a lutar na Guerra Civil Espanhola. Pelos vastos conhecimentos na área da medicina Víctor é colocado fora dos campos de batalha e acaba por sair ileso de uma guerra que dizimou milhares (30 mil) de espanhóis. 

Por outro lado, vamos conhecer Roser Bruguera, uma rapariga pobre, acolhida pelos pais de Víctor que acaba por se tornar da família ao ficar grávida de Guillem, o membro mais novo da família. Infelizmente Guillem acaba por morrer em combate e nunca chegará a saber que deixou a sua amada grávida de um filho seu. 

A história, que tem início no final dos anos 30, vai sendo contada através do da vida de Víctor e Roser, mostrando os dias duros que ambos têm de passar até encontrar uma certa estabilidade na sua vida.
 
A guerra traz fome e poucas perspectivas de vida a não ser fugir de tudo e todos. A chegada de Franco ao poder também não traz nada de bom, o que faz com que ambos, de maneiras completamente diferentes, fujam para França. Mas este também acaba por se tornar num país inseguro quando entra a Segunda Guerra Mundial. 

"A guerra é um vendaval que não deixa senão um monte de escombros à sua passagem." 

Refugiados e a tentar fugir de um país que os despreza, o caminho dos dois cunhados vai cruzar-se precisamente em França e, quando vêm uma oportunidade única para partirem para o Chile, não pensam duas vezes. 

Partem assim no navio Winnipeg, numa viagem organizada pelo poeta Pablo Neruda, que transportou 2 mil refugiados republicanos espanhóis.

Isabel Allende faz uma retrospectiva fantástica da maior parte do século XX, contando de uma uma forma brilhante, episódios importantes da história mundial, sobretudo em países como Espanha e Venezuela, mas também na história política do Chile, com a chegada de Salvador Allende até à entrada no poder pelo ditador Pinochet.

"Poesia é tudo o que fica na cabeça e jamais se esquece..." 

A história, arrebatora e as personagens ricas e cativantes fazem com que este livro seja quase perfeito. Só não leva as 5 estrelas por ter demasiadas descrições históricas que fazem com que se torne, em algumas alturas, numa leitura um pouco mais arrastada. 







sábado, 25 de novembro de 2017

Para lá do inverno - Isabel Allende [Opinião]

Título: Para lá do inverno
Autor:
Isabel Allende
Tradução: Ângela Barroqueiro
Capa: mole com badanas
N.º páginas: 336
PVP: 18,80€

Sinopse:
«No meio do inverno, aprendi por fim que havia em mim um verão invencível»
Isabel Allende parte da célebre frase de Albert Camus para nos apresentar um conjunto de personagens próprios da América contemporânea que se encontram «no mais profundo inverno das suas vidas»: uma mulher chilena, uma jovem imigrante ilegal guatemalteca e um cauteloso professor universitário.
Os três sobrevivem a uma terrível tempestade de neve que se abate sobre Nova Iorque e acabam por perceber que para lá do inverno há espaço para o amor e para o verão invencível que a vida nos oferece quando menos se espera.
Para lá do inverno é um dos romances mais pessoais da autora: uma obra absolutamente atual que aborda a realidade da migração e a identidade da América de hoje através de personagens que encontram a esperança no amor e nas segundas oportunidades.

A minha opinião: 
Um pequeno acidente em pleno inverno na cidade de Nova Iorque vai juntar três personagens completamente diferentes: Um professor universitário, uma imigrante ilegal, e uma mulher vinda do Chile com um contrato provisório. 

Richard é um homem solitário. Sovina, tem por companhia quatro gatos que alimenta e dá tecto, mas cujo carinho é praticamente inexistente. Lúcia, uma chilena que está em Nova Iorque provisoriamente, até terminar o seu contrato na Universidade. E Evelyn, guatemalteca, que se encontra nos EUA ilegalmente. 

Numa manhã fria de inverno, numa tempestade de neve, os três vão unir-se numa aventura, numa viagem a si próprios, numa espécie de expiação de pecados passados.

Durante três dias, e praticamente dentro de um carro, vamos conhecendo cada uma destas três personagens a fundo. O seu passado sombrio, que os transformou noutras pessoas no presente, e a vontade de querer mudar. A história de Evelyn foi a que mais me tocou, mas a cada página lida comecei a nutrir mais carinho pelo frio Richard. Um homem ferido pelo passado, que transformou o seu coração completamente em gelo. 

"Aos necessitados não se pergunta quem são nem de onde vêm, Richard. Na desgraça somos todos iguais."

É fácil gostar da escrita de Allende. As descrições, que para alguns leitores podem ser um pouco exageradas, são fundamentais para conhecermos a fundo as suas personagens, sempre ricas em histórias, sobretudo histórias de países sul americanos. 

O drama de se nascer num país pobre leva muitos jovens a ingressar em cartéis de droga, opção nada feliz para muitos deles, nem para as suas famílias. A dificuldade de fugirem de toda esta infelicidade e pobreza faz com que muitos outros arrisquem a vida, numa travessia penosa e longínqua para os levar para a terra das grandes oportunidade, onde tudo é mais fácil e onde podem ser felizes. Mas será a América isso tudo? 

Allende apresenta-nos uma história plena de esperança, companheirismo e amor, mas também com críticas duras à nova política de Donald Trump. Esta foi sem dúvida uma leitura dura, mas plena de intensidade. 
O amor, o envelhecimento, a pobreza, a devoção aos animais, problemas políticos, tudo isto é abordado por Allende, transformando Para Lá do Inverno um livro excepcional. A não perder. 

 






quarta-feira, 26 de fevereiro de 2014

O Jogo de Ripper - Isabel Allende [Opinião]

Título: O Jogo de Ripper
Autor:
Isabel Allende
Tradução: Ângela Barroqueiro
Págs.: 400
Capa: mole com badanas
PVP: 18,80 €

Sinopse:
Indiana e Amanda Jackson sempre se apoiaram uma à outra. No entanto, mãe e filha não poderiam ser mais diferentes. Indiana, uma bela terapeuta holística, valoriza a bondade e a liberdade de espírito. Há muito divorciada do pai de Amanda, resiste a comprometer-se em definitivo com qualquer um dos homens que a deseja: Alan, membro de uma família da elite de São Francisco, e Ryan, um enigmático ex-navy seal marcado pelos horrores da guerra.
Enquanto a mãe vê sempre o melhor nas pessoas, Amanda sente-se fascinada pelo lado obscuro da natureza humana. Brilhante e introvertida, a jovem é uma investigadora nata, viciada em livros policiais e em Ripper, um jogo de mistério online em que ela participa com outros adolescentes espalhados pelo mundo e com o avô, com quem mantém uma relação de estreita cumplicidade. Quando uma série de crimes ocorre em São Francisco, os membros de Ripper encontram terreno para saírem das investigações virtuais, descobrindo, bem antes da polícia, a existência de uma ligação entre os crimes. No momento em que Indiana desaparece, o caso torna-se pessoal, e Amanda tentará deslindar o mistério antes que seja demasiado tarde.


A minha opinião:
Sempre que sai um livro de Isabel Allende eu fico sempre com curiosidade. De todos os livros que li não houve um de que não gostasse, pelo que aliar o estilo de Allende a um policial só podia resultar num livro extremamente bom.

Confesso que a primeira parte não me entusiasmou muito. Demasiadas descrições, demasiadas personagens, o que tornou a sua leitura um pouco maçuda. Mas depois da ligação de todos os crimes, a narrativa começou a evolui e a partir daí nunca mais o larguei.

Com duas personagens chave: Indiana e Amanda, mãe e filha,que viriam a ser cruciais para a descoberta do assassino, O Jogo de Ripper é constituído ainda por um grupo de jovens, formado na internet, que se dedica a investigar as cenas de crimes, tentando, com isso, descobrir o criminoso. Um dos elementos do Ripper, grupo baseado nos crimes de Jack, o Estripador, é Amanda, bastante ajudada pelo seu avô, o participante mais velho. Este grupo de jovens, espalhados pelo mundo, mas próximos (à distância de um clique), mostra uma grande maturidade em resolver crimes, e depressa chegam a uma e única conclusão, crucial para a descoberta de um assassino em série.

Amanda é uma jovem amante de livros policiais, que certamente quando foi grande dará uma excelente polícia investigadora de crimes.

Por outro lado, Indiana, mãe muito jovem, é uma espírito livre. Sem preocupações em relação a dinheiro, trabalha numa clínica de ciências alternativas e adora o que faz. Dividida entre dois homens, um ex-rico, e outro ex-soldado com muitos traumas, Indiana é amada por muitos mais que a visitam na clínica para por ela serem curados.

Allende é uma excelente contadora de histórias e isso está bem latente nos seus livros. O problema deste é precisamente esse. Dispersa-se muito na história passada e presente das personagens, relegando para um plano bastante inferior os assassinatos e a investigação. O policial só se começa a ver a mais de metade do livro, sobretudo nas últimas 150 páginas. Aí é que o livro se tornou interessante.

Sobretudo para os fãs de Allende este é um livro a ler. Para os que gostam de policiais não desanimem pelo facto de ser bastante descritivo porque no final se torna realmente um óptimo livro. Recomendo.

Excerto:
"No momento em que Amanda, o avô e os companheiros de Ripper transformaram aquele jogo num método de investigação criminal, não imaginavam no que se estavam a meter."


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