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quarta-feira, 6 de abril de 2022

Gente Ansiosa - Fredrik Backman [Opinião]

 

Título: Gente Ansiosa
Autor: Fredrik Backman
Editor: Porto Editora
N.º de Páginas: 368

Sinopse: 
Visitar um apartamento que está à venda não costuma redundar numa situação de perigo. A menos que seja antevéspera de Ano Novo, e um ladrão inexperiente tenha decidido assaltar um banco onde não há dinheiro. Quando assim é, torna-se inevitável que não haja sequer um plano de fuga, e se acabe com uma data de reféns acidentais.
Felizmente, podemos confiar na pronta intervenção das autoridades. A menos que os dois polícias responsáveis pelo caso não se entendam nem saibam o que fazer.
Ainda assim, acreditamos que tudo correrá bem, em particular se os reféns permanecerem calmos. A menos que sejam os reféns mais idiotas de todos os tempos: uma analista bancária com ideias suicidas, uma adorável velhinha com motivações pouco transparentes, um casal reformado com uma paixão enorme pelo IKEA, duas recém-casadas, prestes a serem mães, que andam sempre às turras, uma agente imobiliária com entusiasmo a mais e talento a menos, e uma pessoa vestida de coelho.
Com um sentido de humor excecional, que cativou milhões de leitores em todo o mundo, e personagens tão imperfeitas quanto tocantes, Fredrik Backman volta a surpreender com esta história sobre gente idiota e ansiosa e os laços invisíveis que (n)os unem.


Fredrik Backman sabe como ninguém criar personagens e histórias peculiares e que ficam para sempre na nossa memória. Depressa nos lembramos de Britt-Marie e a avó peculiar do livro A Minha Avó Pede Desculpa.
 
A tentativa de assalto a um banco é o mote para esta nova história de Backman. Um ladrão inexperiente decide assaltar um banco em véspera de ano novo, mas sem saber que este é um banco digital onde não há dinheiro. A fuga é o primeiro passo e o ladrão acaba num apartamento que está à venda, fazendo reféns todos os que estavam a visitá-lo.




A história, mais uma vez caricata, vai dar-nos a conhecer aprofundadamente uma série de personagens peculiares, mas também ricas que nos levam a pensar no sentido da vida.
 
Uma mãe sem dinheiro para pagar a renda de casa, uma futura mãe com muitas dúvidas acerca da maternidade, um casal em que um dos elementos se anula profissionalmente em prol da ascensão do outro, a solidão de uma viúva... e depois há ainda os dois polícias responsáveis pelo caso que tem uma relação muito próxima, o que por vezes dificulta a investigação.
 
Por todas estas razões e mais algumas é fácil cativar-nos por esta gente ansiosa, mas com um fundo bom que tudo faz para resolver o problema que lhes surge no último dia do ano.
 
Mais um livro a não perder.





quarta-feira, 14 de julho de 2021

Beartown - Fredrik Backman [Opinião]

 

Título: Beartown
Autor: Fredrik Backman
Editor: Porto Editora 
N.º de Páginas: 424

Sinopse: 
As pessoas dizem que Björnstad, a Cidade do Urso, está acabada. A pequena localidade aninhada nas profundezas da floresta tem vindo lentamente a perder terreno para as árvores, sempre invasoras. Mas junto ao lago existe um velho rinque, construído há gerações pelos trabalhadores que fundaram a cidade. E esse rinque é o motivo pelo qual as pessoas acreditam que o dia de amanhã será melhor do que o de hoje. A equipa de juniores de hóquei no gelo está prestes a competir nas meias-finais nacionais e tem realmente hipóteses de vencer. Todas as esperanças e sonhos deste lugar repousam agora sobre os ombros de uma mão-cheia de rapazes adolescentes.

Mas ser o responsável pelas ambições da povoação inteira é um fardo pesado, e o jogo das meias-finais torna-se o catalisador de um ato violento, que traumatizará uma rapariga e deixará Björnstad em pé de guerra. São feitas acusações que, como uma pedrada no charco, percorrem a cidade, afetando todos.

Beartown explora os grandes desejos que unem uma comunidade pequena, os segredos que a separam e a coragem necessária para um indivíduo lutar contra a corrente.






Desde que li A Minha Avó Pede Desculpas há uns três anos que fiquei fã da escrita e das personagens peculiares criadas por Fredrik Backman. 

E era isso que estava à espera quando peguei em Beartown, mas, apesar de não ter encontrado nada disso no mais recente livro do autor sueco, encontrei muito mais. Backman dá-nos a conhecer uma cidade que vive para uma única modalidade desportiva. E não, não é o futebol. 

Em Björnstad todos são aficionados pelo hóquei no gelo, ao ponto de serem completamente fanáticos. Esta é a modalidade que une a pequena comunidade existente no local e todos vivem para o hóquei, de tal forma que tudo gira à volta do torneio das meias-finais nacionais que se vão realizar. 

Mas como bem sabemos e vamos constatando ao longo do livro, tudo o que vira um obsessão e fanatismo pode trazer outros dissabores e um acontecimento dramático vai colocar em causa tudo aquilo em que acreditam. 

Um ato violento vai chocar e dividir a pequena comunidade que vai começar a tirar partidos mesmo sem saber ao certo o que se passou. 

Björnstad é uma pequena localidade, cuja maioria da população é idosa, com ideias fixas e com tradições muito vincadas. A juntar a isso famílias influentes, que abusam do poder instituído achando que estão acima de tudo, o racismo e homofobia, a violência sobre as mulheres, tudo isso será vivenciado pelo leitor ao longo de mais de 400 páginas e isso vai incomodando. 
Isto porque à primeira vista, ou primeira leitura estamos a achar que vamos ler um romance sobre o hóquei no gelo, e vai-nos sendo apresentado muito mais que isso, que nos coloca numa dualidade: espectador e juíz. 

Mais uma vez um livro soberbo. 










quarta-feira, 15 de janeiro de 2020

Britt-Marie esteve aqui - Fredrik Backman [Opinião]

Título: Britt-Marie esteve aqui
Autor: Fredrik Backman
Editor: Porto Editora
N.º de Páginas: 304

Sinopse:
Não é que Britt-Marie seja uma pessoa crítica, exigente ou difícil - ela apenas espera que as coisas sejam feitas de uma determinada forma. Uma gaveta de talheres desarrumada está no topo da sua lista de pecados imperdoáveis. Os seus dias começam, impreterivelmente, às seis da manhã, porque apenas os lunáticos acordam mais tarde do que essa hora. E não é passivo-agressiva. De modo nenhum. As pessoas é que, às vezes, interpretam as suas sugestões úteis como críticas, o que não é, de todo, a sua intenção. Afinal, Britt-Marie não é alguém que julgue os outros, não importa o quão mal-educados, desleixados ou moralmente suspeitos possam ser.
Quando Britt-Marie descobre que Kent, o marido, lhe é infiel, a sua vida perfeitamente organizada, de repente, desorganiza-se. Tendo de passar a sustentar-se sozinha, arranja um emprego temporário como zeladora do centro recreativo de Borg. Nessa posição, a exigente Britt-Marie tem de lidar com muita sujidade, eletrodomésticos temperamentais, indisciplina a rodos e até uma ratazana como companheira. Britt-Marie vê-se então arrancada da sua zona de conforto e arrastada para a vida dos seus concidadãos de Borg, uma estranha mistura de seres desesperados, canalhas, bêbedos e vagabundos, sendo incumbida da impossível tarefa de levar a equipa de futebol local, composta por várias crianças sem qualquer tipo de talento para acertar numa bola, à vitória. E, quando um dia Kent aparece a pedir-lhe desculpa, ela tem de decidir, de uma vez por todas, o que realmente deseja da vida. Nesta pequena localidade de gente inadaptada, pode Britt-Marie encontrar o lugar a que realmente pertence?
Engraçado e comovente, perspicaz e humano, Britt-Marie esteve aqui celebra as amizades inesperadas que nos mudam para sempre e o poder do mais gentil dos espíritos, para tornar o mundo um lugar melhor.

A minha opinião: 
Britt-Marie não é uma pessoa fácil de se gostar. Obsessiva com muitas das coisas que a rodeiam acaba por se tornar uma valente chata de quem qualquer pessoa quer fugir a sete pés. 

Depois de ter sido traída pelo marido Kent, que a deixa para viver com uma mulher mais nova, Britt-Marie, que lhe dedicou toda a sua vida e aos seus filhos, vê-se sozinha e sem qualquer ocupação. E é aqui que o livro começa: no centro de emprego. E uma conversa caricata entre a idosa e a funcionária de centro de emprego surge, fazendo-me soltar alguns sorrisos. 

"Quero um emprego porque não acho que seja muito digno incomodar os vizinhos com maus cheiros. Quero que alguém saiba que eu estou aqui."

Como forma de a afastar do centro de emprego e com o intuito de a ocupar lá arranjam um emprego para esta velha rezingona, no centro recreativo de uma estranha localidade. 

Borg é o local ideal para Britt-Marie se estabelecer. Com poucos habitantes, todos com as suas particularidades, a forma de ser de Britt é facilmente compreendida por todos e não é que aos poucos vão gostando dela?

Ao longo da sua estada em Borg é-nos dado a conhecer a vida de Britt, como foi tratada enquanto criança, até conhecer Kent, uma segunda escolha para companheiro de uma vida. 

O livro fica ainda mais rico com a descrição da pequena localidade e dos poucos habitantes que lá existem. Por momentos também nos apercebemos que são pessoas que desistiram de viver. Com a chegada desta nova habitante curiosamente tudo muda e Borg torna-se numa localidade cada vez mais visitada. 

Frederik Backman é exímio em escrever sobre sentimentos e em criar personagens marcantes. Prova disso é A Minha Avó Pede Desculpas cuja opinião está aqui. 
Com uma ironia presente desde o início até ao final da história o autor dá-nos a perceber que nunca é tarde para darmos uma segunda oportunidade à nossa vida. A idade e a experiência não podem, nem devem ser impeditivo de nada, pelo que temos de ser persistentes até conseguirmos atingir os nossos sonhos. 
Britt-Marie é exemplo disso. 

Adorei. 


 


quinta-feira, 26 de abril de 2018

A minha avó pede desculpa - Fredrik Backman [Opinião]

Título: A minha avó pede desculpa
Autor: Fredrik Backman
Páginas: 336

Sinopse:
Elsa tem sete anos de idade, quase oito, e é diferente. Para já, tem como melhor - e única - amiga a avó de setenta e sete anos de idade, que é doida: não levemente taralhoca, mas doida varrida a sério, capaz de se pôr à varanda a tentar atingir pessoas que querem falar sobre Jesus com uma arma de paintball, ou assaltar um jardim zoológico porque a neta está triste. Todas as noites, Elsa refugia-se nas histórias da Avozinha, cujo cenário é o reino de Miamas, na Terra-de-Quase-Acordar, um reino mágico onde o normal é ser diferente.

Quando a Avozinha morre de repente e deixa uma série de cartas a pedir desculpa às pessoas que prejudicou, tem início a maior aventura de Elsa. As cartas levam-na a descobrir o que se esconde por detrás das vidas de cada um dos estranhíssimos moradores de um prédio muito especial, mas também à verdade sobre contos de fadas, reinos encantados e a forma como as escolhas do passado de uma mulher ímpar criam raízes no futuro dos que a conheceram.

A minha avó pede desculpa é uma belíssima história, contada com o mesmo sentido de humor e a mesma emoção que o romance de estreia de Fredrik Backman, o bestseller internacional Um homem chamado Ove.

A minha opinião: 
Este livro começou por ser uma bela surpresa. Depois de ter estado em trabalho no sul, chego a casa e vejo uma leitura de avanço personalizada. A avó pedia-me desculpa e fiquei desde logo curiosa. A capa é espectacular e o título deixava a adivinhar que devia ser um livro amoroso. 

Avó e neta são as protagonistas desta história tão comovente. E não são os avós o universo dos netos? Este livro não podia assentar melhor no meu universo de criança. Não tive uma avó tão maluca com a da Elsa, mas tive uma avó (única por sinal) muito presente na minha vida, sobretudo na minha infância. E dela guardo excelentes recordações. Foi uma das pessoas mais importantes na minha vida. Ainda continua a sê-lo, esteja onde estiver. Não há um dia em que não pense nela. E, também por isso, é que este livro foi tão bom e tão marcante.

“Ter uma avó é como ter um exército. É o derradeiro privilégio dos netos: saberem que têm alguém sempre do seu lado sejam quais forem as circunstâncias. Mesmo quando estão errados. Na verdade, principalmente quando estão errados.”

A avozinha é a parte fulcral de toda a história. Uma mulher irreverente, que nunca deixa de ser criança e que leva Elsa para um imaginário que ela própria inventou. E, à medida que vamos avançando na leitura, vamos percebendo que há muita coisa interligada e que tudo pode fazer sentido, cruzando-se com a vida real. 

Elsa também é uma menina especial. Muito inteligente, madura para a idade, não tem amigos da idade dela, sofrendo de bullying na escola, Elsa é a menina da avó e juntas conseguem ultrapassar e vencer os monstros que vivem no país imaginário que inventaram. Mas a avó morre e Elsa fica, por momentos sozinha. No entanto, a avozinha tem tudo preparado e decide pedir desculpa a toda a gente que acha que fez mal durante a sua vida. E a mensageira dos diversos pedidos é a pequena Elsa que, com quase oito anos, se vê envolvida numa teia que vai mudar para sempre a vida de toda a gente que a rodeia. E, aos poucos, vamos conhecendo os segredos de todas as personagens presentes no livro. 

Sem me querer alongar na história, até porque o livro perderia toda a graça, posso apenas adiantar que A minha avó pede desculpa é de leitura obrigatória e que nos leva às lágrimas.  

"Mas, depois disso, uma a uma, outras crianças diferentes começam a aproximar-se de Alex e Elsa no recreio e nos corredores. Até serem tantas que já ninguém se atreve a persegui-las. Até serem um exército. Porque, se um número suficiente de pessoas for diferente, ninguém precisa de ser normal."




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