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terça-feira, 17 de março de 2020

O avô tem uma borracha na cabeça - Rui Zink [Opinião]

Título: O avô tem uma borracha na cabeça
Autor: Rui Zink
Editor: Porto Editora
N.º de Páginas: 48

Sinopse:
O que fazer quando alguém de quem gostamos nos começa a esquecer?

Esta é a história da amizade entre um avô que lentamente vai perdendo as memórias e o neto inventor que se dedica a descobrir uma cura.
Através da sensibilidade de uma criança, chega-nos a lição mais importante: o amor é mais forte do que o esquecimento.

A minha opinião: 
Logo que este livro chegou à livraria onde trabalho, o título saltou-me à vista e no intervalo para almoço não resisti em lê-lo. 

De uma forma brilhante, Rui Zink conta a história de um avô que com o tempo e a idade vai perdendo a memória. A história, contada através dos olhos do seu neto, é tão comovente que me levou às lágrimas. Li-o numa fase mais sensível e também eu lidei com a demência num familiar muito próximo, que, embora não tenha sido alzheimer, fez com que perdesse algumas faculdades mentais. 

A acompanhar a leitura existem ilustrações muito bem conseguidas de Paula Delecave, que surgem associadas a colagens de fotografias que, descobrimos no final do livro, pertencem à própria ilustradora. Já Rui Zink teve na família um tio que sofreu da doença. 

Realmente o avô passou a ter uma borracha na cabeça, mas o amor que os une prevalece. 

Este livro é para ser lido pelos mais pequenos, mas também pelos mais graúdos. Porque a demência pode tocar a todos. 



terça-feira, 8 de janeiro de 2013

Um Romance - Rui Zink [Opinião]

Título: Um Romance
Autor:
Rui Zink

Anos 80. O narrador improvável. Um restaurante ao lado de uma sala de cinema. Ele, Artur. Ela, Carolina. Cannelloni e lasagna. Romance anunciado? Já agora, também a vida.

A minha opinião:

Rui Zink encarna aqui o papel de narrador, que qual voyeur, ouve uma conversa privada entre um casal com um problema entre mãos. De forma irónica, comparando o tempo dos anos 80 à actualidade, Zink vai contando o teor da conversa ao mesmo tempo que faz o seu próprio juízo do tema.

É o momento em que Artur termina com Carolina que mostra o lado mais sarcástico do autor. Num tempo em que a inexistência de telemóveis, e em que as pessoas iam ao teatro e em que ainda havia bailado na Gulbenkian...

Gosto da escrita de Zink, gosto da forma como ele crítica a sociedade, e gostei deste conto, tendo ficado com vontade de ler mais.

Excerto:

Uma análise comezinha à realidade provaria, suponho, que a crise é permanente. Sempre foi mais fácil destruir do que construir. Criticar do que fazer.
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