terça-feira, 6 de outubro de 2015

O Olhar e a Alma - Cristina Carvalho [Opinião]

Título: O Olhar e a Alma
Autor: Cristina Carvalho
N.º de Páginas: 144
Editor: Editorial Planeta
PVP: 14,90€

Sinopse:
Alguém comparou a mulher que se viu voar naquela manhã da janela de um quinto andar de Paris a um anjo. Mas não era um anjo, era Jeanne: Jeanne Hébuterne, a menina-viúva, grávida de nove meses, de um dos artistas mais desprezados em vida e mitificados na morte que o século XX viu surgir - Amedeo Modigliani.

Diz-se que no funeral de Modigliani, para além de artistas, amigos e população dos bairros boémios de Paris, abundavam os marchands, fazendo ofertas pelas obras que o pintor, que dependera da bondade de amigos para a sobrevivência básica, nunca conseguira vender. Tinha 35 anos e estava gasto.

Cristina Carvalho reconstitui mais uma vida extraordinária, marcada pela paixão e pelo génio, numa obra que segue o percurso da sua vida, da sua arte e das mulheres - sempre as mulheres - que o amaram. Um olhar perspicaz e intenso, que acompanha a escrita de uma narradora poderosa e, também ela, apaixonada pelo extraordinário da vida.

A minha opinião: 
Viveu pouco. 35 anos de doença, de trabalho, de fome, de álcool, ,as também de muito talento. Desperdiçado, é certo. Só notado depois da sua morte. Aos 35 anos estava gasto. Sempre dependeu da vontade de outrém. Primeiro da sua mãe, que por ser o filho mais novo, o mais frágil de quatro irmãos, sempre viu nele o que tinha de proteger, ("ela não passava sem mim e eu não passava sem ela")depois dos amigos, muitos deles artistas, das muitas mulheres que conheceu, primeiro em Itália depois em Paris. Amedeo Modigliani era um génio, mas um génio incompreendido, como muitos outros do seu tempo. Não conseguia vender o seu talento, o seus quadros, as suas esculturas...
Com o agravamento da sua doença terá de deixar a escultura, mas as pinturas que não pertencem a qualquer movimento, não deixam de fazer furor, mesmo não conseguindo vendê-las.

"Fui feliz, em certo aspecto. Fui feliz mesmo sem nenhyuma moeda nos bolsos. Amei a vida como só um tuberculoso pode amá-la. Sem esperança alguma. Quantas vezes rodopiei e cantei sob o frio intenso, à luz molhada dos candeeiros da rua, encharcado até aos ossos?"

Um dos seus amigos consegue expô-las, mas os seus nus provocam tamanho escândalo que são obrigados a encerrar a exposição logo no dia seguinte.
Seria em Paris que conheceria grandes artistas como Toulouse-Lautrec, Picasso ou até o português Amadeo de Souza-Cardozo.

Cristina Carvalho e cento e poucas páginas consegue descrever a vida boémia do pintor e escultor italiano, sob o olhar do próprio, da sua mãe, da sua mulher, embora de uma forma ficcionada, mas tudo de uma maneira atractiva e que leva o leitor a desejar mais. Tal como a autora nos revela logo no início do livro, poucos relatos existem sobre a vida de Modigliani, o que  faz com que aguce ainda mais a nossa curiosidade. O facto de ter tido uma filha que morreu em 1984 e que não explorou muito a vida do pai também me deixa um pouco desiludida. Será que ficou isolada? O que terá acontecido? Fiquei ainda mais curiosa, confesso.

"Contudo, eu acredito em mim. Com todas as minhas forças. Acredito que um dia serei admirado e reconhecido pela minha arte."






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