sexta-feira, 27 de abril de 2018

Todos os Dias São Meus - Ana Saragoça [Opinião]

Título: Todos os Dias São Meus
Autor: Ana Saragoça
Editor: Editorial Planeta
N.º de Páginas: 112

Sinopse:
Um thriller surpreendente e de ir às lágrimas que é também um retrato irónico da sociedade portuguesa, seus tiques e manias.
Um livro cheio de inteligência e humor que explora os tiques e as vicissitudes de personagens que todos reconhecemos do prédio, do local de trabalho ou até mesmo das nossas amizades.
É raro a literatura portuguesa apresentar uma mistura tão fina de sensibilidade e ironia. Mais ainda quando garante uma grande dose de humor.

A minha opinião: 
Mais do que um thriller, Todos os Dias são Meus é uma caricatura da sociedade portuguesa. Nele estão representados os vários extratos sociais, desde a ex-porteira que, apesar de dizer que não se mete na vida de ninguém, sabe do tudo o que se passa no prédio onde mora e onde aconteceu o assassinato, até ao homem divorciado, pai de dois filhos gémeos que são o terror em forma de gente.

"Ah, isso. Não, disso não sei nada. Eu moro no quinto, ela morava no terceiro, não sei o que é que se passou. Pronto, sei aquilo que toda a genta sabe, que morava sozinha, até diziam que alguém lhe tinha posto casa, mas ela de bonita não tinha nada, e dali não entrava nem saía ninguém senão ela, quero dizer, acho que não saía, eu nunca vi, se lá entrava ou não não sei, nem quero saber, que eu não sou de me meter na vida de ninguém."

É pequeno, o livro, mas grande em personagens que me deliciaram ao longo de pouco mais de 100 páginas. Adorei cada uma delas. Porque cada uma delas tem particularidades fortes, marcantes, e com vidas completamente díspares.

A vida dos moradores do prédio vão-nos sendo apresentado através dos depoimentos que vão dando à polícia. E, apesar de alegarem não conhecer a maior parte das pessoas que lá vivem, todos têm algo a dizer, quer sobre a vítima, quer sobre o vizinho do lado.

Tudo começa quando a vizinha do 3.º andar é encontrada morta no elevador. Elevador esse bastante concorrido, quer pela porteira e pelo seu cão, quer pelos gémeos, filhos do engenheiro, que serão os primeiros a ver a mulher, tímida e apagada, morta no elevador.

Pelo meio conhecemos um professor reformado, que vive sozinho e praticamente abandonado pelos filhos, um formador do Porto que alugou um apartamento por um mês, e muitas histórias hilariantes que serão a parte mais importante do livro.

Relativamente à investigação do crime, quem quer saber? Eu, amante de thrillers, nunca estive curiosa em saber quem teria sido o assassino. Qualquer uma das personagens poderia ter sido, mas isso nunca foi relevante para o enriquecimento da história.

Uma leitura rápida, mas surpreendente.


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