segunda-feira, 27 de março de 2017 | By: Maria Manuel Magalhaes

Porto Editora - O primeiro romance de Francisco José Viegas

Título: Regresso por um rio
Autor: Francisco José Viegas
Págs.: 144
PVP: 15,50 €

Francisco José Viegas tinha 26 anos quando publicou o seu primeiro romance, Regresso por um rio. Três décadas depois é lançada uma nova edição deste livro, a 30 de março, pela Porto Editora.
Tendo como pano de fundo uma estranha vaga de mortos no rio Douro, este romance é sobretudo uma homenagem à terra onde o autor nasceu e cresceu, a região de Trás-os-Montes e Alto Douro, ao Pocinho e outras vilas vizinhas, mas também às pessoas, principalmente aos mais velhos vistos pelos olhos da infância. Regresso por um rio é ainda um livro de memória, mistério e beleza onde já são dadas algumas pistas do que viria a ser a vasta obra deste autor que conta já com mais de 12 romances publicados, mas também livros de poesia, crónica, teatro e viagens.

Sinopse:
História íntima do rio do autor, o Douro destas páginas, muito longe do cartão de visita dos dias de hoje, surge como um enigma de dimensão mágica que invade a própria linguagem de que se faz este livro. Fantasmagoria que encerra em si algo de sagrado, puro, pode ser lido como num sonho, as personagens pairando sobre as palavras sem um traçado completamente definido. Há, no entanto, um triângulo que podemos identificar: Aníbal, Catarina - o vestido branco, claro, comprido, as rendas, os braços nus - e Henrique, cujo destino, entregue à vontade da poeira e dos ventos, não resistirá ao chamamento do rio.
Publicado originalmente há trinta anos, neste que foi o seu primeiro romance, Francisco José Viegas regressa, com o rio para lá da janela do comboio, às memórias da sua infância, aos seus cheiros e sons, à terra e às suas vozes. Uma homenagem aos segredos e à vida do Douro, que indicia pistas de uma carreira literária que o futuro veio a confirmar e de um género que viria a reinventar à sua medida, o policial.

«Podes vasculhar por toda a eternidade em baús cheios de fotografias antigas, pequenas e grandes maravilhas, arquivos e papéis velhos, o rosto dela está aí: um anjo bate as asas levemente, o seu rosto é o de uma mulher cuja melancolia arrasta consigo a poeira da tarde. Quando o viste pela primeira vez?» 

Sobre o autor:
Francisco José Viegas nasceu em 1962. Professor, jornalista e editor, é responsável pela revista Ler e foi também diretor da revista Grande Reportagem e da Casa Fernando Pessoa. De junho de 2011 a outubro de 2012 exerceu o cargo de Secretário de Estado da Cultura.
Colaborou em vários jornais e revistas, e foi autor de vários programas na rádio (TSF e Antena Um) e televisão (Livro Aberto, Escrita em Dia, Ler para Crer, Primeira Página, Avenida Brasil, Prazeres, Um Café no Majestic, A Torto e a Direito, Nada de Cultura). Da sua obra destacam-se livros de poesia (Metade da Vida, O Puro e o Impuro, Se Me Comovesse o Amor) e os romances Regresso por um Rio, Crime em Ponta Delgada, Morte no Estádio, As Duas Águas do Mar, Um Céu Demasiado Azul, Um Crime na Exposição, Um Crime Capital, Lourenço Marques, Longe de Manaus (Grande Prémio de Romance e Novela da Associação Portuguesa de Escritores 2005), O Mar em Casablanca, O Colecionador de Erva e A Poeira que Cai sobre a Terra e Outras Histórias de Jaime Ramos.

Imprensa:
«Contam-se pelos dedos (de uma mão?) os anti-heróis da ficção portuguesa que perduram, ganhando substância na memória dos leitores. Um desses heróis é Jaime Ramos.» Visão
«Com os seus livros, Francisco José Viegas dá uma reviravolta no modelo do romance policial. Um estilo de alto voo.» Le Point
«A sua meteorologia atormentada transforma-se numa metáfora do destino humano.» Le Monde
«Viegas reinventa um género (o policial), e, acima de tudo, faz uma notável biografia de Portugal.» Expresso
«O que menos interessa é o enigma policial. Viegas constrói seus personagens como seres abandonados no mundo, e desenha paisagens únicas, de cinema.» Folha de São Paulo