segunda-feira, 27 de março de 2017 | By: Maria Manuel Magalhaes

Papa Francisco aborda, em «Quem Sou Eu para Julgar», ​temas fortes e polémicos para a Igreja

Já nas livrarias, Quem Sou Eu para Julgar, de Papa Francisco, aborda diversos temas, entre os quais alguns fortes e polémicos para a Igreja: divorciados, separados, recasados, famílias em crise, presos, homossexuais, novos escravos, idosos, crianças jovens, fundamentalismo, pedofilia, máfia, eutanásia, fé e religião, homens e mulheres, sexualidade, famílias e futuro, uniões civis e laicidade, vida em comum, matrimónio, género, marxismo, ecumenismo e outras religiões, o drama do desemprego, ambiente e ecologia, o aborto, a eutanásia, a homossexualidade, a contraceção.


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Não julgueis para não serdes julgados; Não condeneis para não serdes condenados.

Segundo o Papa Francisco, a humildade evangélica leva-nos a não apontar o dedo aos outros para julgá-los, mas a estender-lhes a mão para levantá-los, sem nunca nos sentirmos superiores. Se quisermos seguir o caminho de Jesus, mais do que acusadores, deveremos ser defensores dos outros diante do Pai. Convém recordá-lo na vida de todos os dias, quando por vezes sentimos vontade de falar mal dos outros, de os julgar.

Em Quem Sou Eu para Julgar (Nascente l 240 pp l 14,99€), e com base nesta advertência, o Papa Francisco foca-se em diversos temas, sem excluir assuntos polémicos no seio da Igreja Católica – homossexualidade, aborto, contraceção, divórcio, pedofilia, eutanásia, alterações climáticas, liberdade religiosa, entre muitos outros igualmente controversos e aqui abordados.

A posição de Sua Santidade em relação a todas estas matérias e a sua profunda visão humana sobre as grandes questões da atualidade tem constituído incentivo para um frutífero debate dentro da comunidade cristã, além de ter conseguido atrair também a curiosidade e simpatia dos não crentes.

Sobre a Homossexualidade

«Escreve-se tanto acerca do lobby gay. Eu ainda não encontrei quem me apresentasse um bilhete de identidade, no Vaticano, em que estivesse escrito «gay». Dizem que os há. Creio que, quando nos encontramos com uma pessoa assim, deveremos distinguir o facto de se ser gay do facto de se criar um lobby, porque os lobbies — todos os lobbies — não são bons. São maus. Se uma pessoa é gay e procura o Senhor e tem boa vonta­de, quem sou eu para julgá-la? O problema não é ter essa tendência. Não é. O problema é fazer dessa tendência um lobby: lobby de avarentos, lobby de políticos, lobby de maçons, tan­tos lobbies. (…)Os homossexuais devem ser tratados com delicadeza e não devem ser marginalizados. Antes de mais, gosto que se fale de «pessoas homossexuais»: primeiro, há a pessoa, na sua integridade e dignidade. E a pessoa não é definida apenas pela sua tendência sexual — não esqueçamos que todos nós somos criaturas amadas por Deus, destinatárias do seu amor infinito.

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Sobre a Pedofilia 
Um bispo que muda um sacerdote de paróquia quando se verifica um caso de pedofilia é um inconsciente, e a melhor coisa que pode fazer é apresentar a renúncia.​


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Sobre os Divorciados

Que fazemos com os divorciados que voltaram a casar? Que porta se lhes pode abrir? Existe, a este propósito, uma inquietação pastoral: devemos então dar-lhes a comunhão? Dar-lhes a comunhão não é uma solução. Só isso não é a solu­ção. A solução é a integração. Não estão excomungados. Contudo, não podem ser padri­nhos de batismo, não podem ler as leituras na missa, não podem distribuir a comunhão, não podem ensinar o catecis­mo, não podem fazer sete coisas… — tenho a lista ali. Se eu vos contasse tudo, pareceria até que estão excomungados de facto! Então, há que abrir um pouco mais as portas. Porque é que não podem ser padrinhos?