domingo, 11 de setembro de 2016 | By: Maria Manuel Magalhaes

Legado nos Ossos - Dolores Redondo [Opinião]

Título: Legado nos Ossos
Autor:
Dolores Redondo
N.º de Páginas: 504
PVP: 19,95€

Sinopse:
O julgamento do padrasto da jovem Johana Márquez está prestes a começar. A ele assiste uma grávida Amaia Salazar, a inspectora da Policía Foral que há um ano resolveu os crimes do denominado Basajaun, que semearam de terror o vale do Baztán. Amaia também reuniu as provas incriminadoras contra Jasón Medina, que imitando o modus operandi do Basajaun assassinou, violou e mutilou
Johana, a filha adolescente da mulher.
De repente, o juiz anuncia que o julgamento será cancelado: o réu acaba de se suicidar na casa de banho do tribunal. Face à expectativa e à irritação que a notícia provoca entre a assistência, Amaia é chamada pela polícia: o réu deixou um bilhete de suicídio dirigido à inspectora, um bilhete que contém uma mensagem concisa e inquietante: Tarttalo.
Essa única palavra que remete para a personagem fabulosa do imaginário popular basco desvendará uma trama terrífica que envolve a inspectora até culminar num trepidante desfecho.

A minha opinião: 
Segundo livro da trilogia Baztán, O Legado nos Ossos traz de novo a protagonista Amaia Salazar, inspectora de polícia, para resolver mais um caso. Tendo como pano de fundo o vale de Baztán e as suas crenças e mitologias, este é mais um livro misterioso, que agarra o leitor a uma história consistente e intrigante.

Profanações de cadáveres para rituais religiosos proliferam na zona, embora os casos relatados pela comunicação social sejam bem inferiores à realidade. Apelidados de Santeria, pessoas vindas de países como Haiti, República Dominicana, Cuba e algumas regiões de África praticam a profanação e gozam de bastante aceitação entre os europeus.

Um ano desde a investigação do caso Basajun, Amaia passou de inspectora designada para conduzir o caso e é agora chefe de departamento de homicídios. Um suicídio na casa de banho do tribunal, quando o réu iria finalmente ser julgado e um estranho bilhete deixado pelo mesmo com a palavra Tarttalo deixa Amaia intrigada. Isto porque a estranha palavra remete para uma personagem do imaginário popular basco.

Mais uma vez Amaia vê-se enredada numa investigação que junta o real com o profano e vai descobrindo, ao longo da mesma, uma cadeia de suicídios que têm a mesma palavra em comum.
Aliado a isto, a autora explora, e muito bem, a vida da jovem inspectora. A sua família um tanto ou quanto peculiar, uma marido que a apoia a cem por cento e um juiz que a assedia...

"Quando uma pessoa decide que ama tanto uma pessoa que renuncia a todas as outras não fica cega nem se torna invisível, continua a ver e a ser vista. Não há nenhum mérito em ser-se fiel quando o que vemos não nos tenta ou quando ninguém olha para nós. A verdadeira prova apresenta-se quando aparece alguém por quem nos apaixonaríamos se não fôssemos comprometidos, alguém que nos enche as medidas, que nos agrada e nos atrai. Alguém que seria a pessoa perfeita não fosse o caso de já termos escolhido outra pessoa perfeita. E isso é a fidelidade." 

Com todas estas dificuldades, Amaia prova que está à altura do cargo que ocupa e, mais uma vez, é a peça chave para o desvendar de mais uma história misteriosa.

Melhor ainda que o primeiro, Legado nos Ossos foi uma grande surpresa. Melhor dizendo, esta trilogia tem sido uma descoberta surpreendente. Eu, que não aprecio histórias fantásticas, estes ambientes no vale de Baztán, tem sido uma leitura que me conquista a cada página que leio.
Muito, muito bom.


Opinião do primeiro livro da trilogia aqui