domingo, 11 de setembro de 2016 | By: Maria Manuel Magalhaes

Naquela Ilha - Ana Simão [Opinião]

Título: Naquela Ilha
Autor: Ana Simão
Editor: Marcador
Páginas: 224

Sinopse: 
Uma ilha onde nada acontece.
Um destino implacável.
Uma jovem apaixonada por um homem mais velho.
Um farol cheio de segredos.
Uma história única.

O que separa um amor do resto do mundo?

«Parece que ainda estou a ouvir aquela voz nova. Fecho os olhos e procuro-a dentro de mim. Consigo escutá-la. Gosto dela. É uma voz rouca de mel, serena e macia. Foi a única voz que ouvi quando regressei a mim. Estava tão perto e as outras tão longe. Não sei quanto tempo estive ausente, mas foi aquela voz que me trouxe à vida. Nunca a vou esquecer. Nem quero. Percebi naquele instante que estava viva e em segurança. E isso foi bom. Não sei quem é. Queria tanto agradecer-lhe: salvou-me a vida. Não sei como o vou encontrar. Já perguntei, mas ninguém sabe.»

A minha opinião: 
Estreei-me com a escrita de Ana Simão com A Menina dos Ossos de Cristal, que conta a história de Inês, uma menina que sofre de Ostogénese Imperfeita (OI), também conhecida como doença dos ossos de vidro. 

Naquela Ilha é a estreia da autora no romance. Tendo as Berlengas como pano de fundo, que infelizmente não conheço, este é um livro que fala de amor, um amor pouco provável, entre uma jovem mulher de vinte e poucos anos e o homem, maduro, que a salvou de morrer afogada. Apesar de não ter visto a cara dele, Giovanna nunca o esqueceu, nem à sua voz, e decide procurar por ele desenfreadamente. Essa procura leva-a à Ilha da Berlenga e ao farol. Lá vivem uma história de amor intensa e única, mas nem tudo são rosas.

A diferença de idades, os habitantes da ilha, que ao imiscuirem-se na vida alheia resulta em mal-entendidos, leva a que o casal tenha alguns desaguisados. 

Gostei do romance entre os dois protagonistas, mas gostei ainda mais da história da ilha, dos seus habitantes, na sua grande maioria idosos e que olham pelo bem-estar da ilha e dos seus vizinhos, quase fazendo dela uma espécie de condomínio fechado. 

A autora repete-se um pouco ao longo da história, e a alternância entre a primeira e a terceira pessoa leva a que, por vezes, o livro fique um pouco confuso. À parte disso, Naquela Ilha é um livro de agradável leitura. 

Capítulos curtos, uma história de amor quase perfeita e uma ilha linda, são os ingredientes que resultam numa boa leitura, leve para ler numa tarde de verão.