segunda-feira, 15 de agosto de 2016 | By: Maria Manuel Magalhaes

Deixei-te Ir - Clare Mackintosh [Opinião]

Título: Deixei-te Ir
Autor: Clare Mackintosh
Páginas: 360

Sinopse:
Numa fração de segundos, um acidente trágico faz desabar o mundo de Jenna Gray, obrigando uma mãe a viver o seu pior pesadelo. Nada poderia ter feito para evitar esse acidente.
Ou poderia? Essa é a pergunta que a inquieta quando tenta deixar para trás tudo o que conhece, procurando um novo recomeço refugiada num chalé isolado na costa de Gales.

Também o detetive Ray Stevens, responsável pela investigação por este caso que procura a verdade, começa a ser consumido pela sua entrega ao mesmo, deixando a vida pessoal e profissional à beira do precipício.
À medida que o detetive e a sua equipa vão juntando as pontas do mistério, Jenny, lentamente, permite-se vislumbrar uma luz de esperança no futuro, o que lhe dá alguma segurança, mas é o passado que está prestes a apanhá-la, e as consequências serão devastadoras

A minha opinião: 
Deixei-te ir é um thriller psicológico daqueles que eu adoro ler. A morte de uma criança por atropelamento e a fuga do lugar do crime, vai levar a uma espiral de perguntas e contradições que vou adivinhando à medida que o livro caminha para o fim.

O detective Ray Stevens é responsável pela investigação, mas poucos meses depois a mesma chega a um impasse e é levado a desistir de procurar um culpado. No entanto, tanto ele como a colega Kate, não se resignam e querem encontrar, a todo o custo, o culpado, mesmo que para isso tenham de fazer horas extras. Isso poderá ter repercussões na vida familiar de Ray, que se recente com as ausências do detective.

Jenna é uma pessoa que facilmente gostamos. Apesar de pouco social, leva uma vida pacata, não se mete com ninguém, e faz da fotografia uma forma de vida. Mas os fantasmas que carrega levam-na a ser desconfiada por natureza e a não se entregar facilmente. Vive com a dor e a culpa o que a tornam numa pessoa bastante infeliz.

Estas três personagens são muito bem exploradas na primeira parte do livro, e de tal forma, que o mesmo se torna numa leitura chata e com pouca acção. Mas o fim da primeira parte revela que tudo pode mudar e que há que dar uma segunda oportunidade à leitura. E que segunda parte.

Aqui tudo se começa a desenrolar de uma forma vertiginosa, que nos faz voltar de novo ao início dos acontecimentos. Só aí percebemos porque é que Clare Mackintosh nos dá uma primeira parte tão descritiva, e aborrecida.
Com uma reviravolta impressionante, Deixei-te ir tornou-se um dos melhores livros que li este ano, dentro do género.