segunda-feira, 26 de outubro de 2015

Vai e Põe uma Sentinela - Harper Lee [Opinião]

Título: Vai e Põe uma Sentinela
Autor:
Harper Lee
Título Original: Go Set a Watchman
Tradução: Isabel Nunes e Helena Sobral
Páginas: 240
Coleção: Grandes Narrativas N.º 619
Género: Ficção e Literatura / Clássicos Estrangeiros.
Público-Alvo: Diversas gerações de leitores.
PVP: 16,90€


Jean Louise Finch - Scout - a inesquecível heroína de Matar a Cotovia, regressa de Nova Iorque a Maycomb, a sua cidade natal no Alabama, para visitar o pai, Atticus. Decorre o turbulento período de meados de 1950, numa nação dividida em torno das dramáticas questões raciais. É com este pano de fundo que Jean Louise descobre verdades perturbadoras acerca da sua família, da cidade e das pessoas de quem mais gosta, o que a leva a interrogar-se sobre os seus valores e princípios, e a confrontar-se com complexos problemas de ordem pessoal e política.

A minha opinião: 
Parti para a leitura deste livro completamente em branco já que não li o premiado livro "Matar a Cotovia". De facto, apesar de ter o livro em casa há anos, por nenhuma razão válida, nunca o li, apesar de ter uma ou outra vez ter pegado nele para o fazer. Depois de ter terminado de ler "Vai e Põe uma Sentinela" chego à conclusão que o devia ter mesmo feito. 


Se no primeiro livro Jean Louise, Scout, a protagonista é uma criança de seis anos que vê o pai, advogado, a defender um negro que é falsamente acusado de violar uma branca, e que acaba por pô-lo num pedestal de rectidão e de modelo a seguir, neste segundo livro, só encontrado em 2014, a mesmo protagonista é uma jovem adulta que regressa à sua terra natal e apanha uma desilusão. Maycomb, uma localidade completamente fictícia, mas que pode muito bem ter sido baseada na terra natal da própria Harper Lee, Monroeville, vive um período onde as grandes questões raciais são verdadeiramente dramáticas. As pessoas ficam completamente divididas e brancos e negros raramente se juntam. Outrora amigos, naquela altura pouco se falavam. Scout que vem de uma cidade como Nova Iorque repara na mudança da sua localidade e fica chocada com a alteração de comportamentos das pessoas, nomeadamente do seu pai e do seu amigo de infância. O choque é evidente.

Scout é forçada a lidar com questões pessoais e políticas por forma a tentar entender a atitude do pai, assim como de outras pessoas da sociedade de Maycomb, mas tudo isso a deixa  desiludida com o local onde passou a sua infância. 
Completamente diferente das amigas de escola, tanto no que concerne às ideias de família, do que é o ser humano, do papel da mulher na sociedade, a jovem vê-se completamente desenquadrada naquela terra que já não vê como sua. E Nova Iorque está tão longe, mas bem mais perto dos seus ideais, onde as raças se vêem como um todo, onde homens e mulheres trabalham e são todos iguais. 

Vai e Põe uma Sentinela foi uma verdadeira surpresa. Um livro que me transportou para os anos 50 de Martin Luther King e para a luta dos direitos civis dos negros nos Estados Unidos. Excelente leitura. 




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