quarta-feira, 11 de fevereiro de 2015 | By: Maria Manuel Magalhaes

O regresso de Jorge Araújo à literatura com 'O Cemitério dos Amores Vivos'

Título: O Cemitério dos Amores Vivos
Autor: Jorge Araújo
N.º de Páginas: 148
PVP: 13,50€


Deixei-me ficar, as mãos enfiadas no mais fundo dos bolsos, os dedos a aconchegarem as arestas do mau agoiro. O olhar ajoelhado ao peso do destino. (…) Desde que recebi aquele telegrama, não penso em mais nada, a voz de dentro não se cala, as palavras morrem-me nos lábios, falam mais alto mas não querem ser grito, apenas pensamento. Tinha tanta coisa para lhe dizer, imaginara o discurso mas, no fundo, sabia que acabaria por quase nada falar. O que é que se diz a uma pessoa que se ama, que se ama assim, que se ama tanto que até se odeia, que se ama e odeia no mesmo respirar? (…) ─ Um telegrama do meu filho? ─ A incredulidade a estender o tapete vermelho ao pavor. O meu filho. (…) Não vejo o meu filho, o meu único filho, há mais de dezassete anos, três meses e vinte e três dias - sou fraco a matemática, mas nunca me engano na aritmética dos sentimentos. (…) ─ O teu pai morreu – foi assim que a mãe o arrancou de mim. Aquela frase tinha licença de porte de arma. Cirúrgica, assassina, desferida a tiro, à queima-roupa. Doeu muito ouvi-la, muito é nada, ainda hoje o meu coração morre só de recordar a entoação com que foi pronunciada. 

O novo romance de Jorge Araújo é sobre a história de um amor incondicional e de um ódio sem limites. Do amor de um pai pelo filho, do ódio de uma mulher abandonada que faz do filho arma de destruição. Destruição do pai. Nestas páginas, caminha a dor de um pai privado do filho, a força avassaladora desse inferno. Como é possível um pai enterrar um filho que respira? Onde fica o cemitério dos amores vivos? Quanto tempo resta para que o início do amor regresse?
O Cemitério dos Amores Vivos vale pela intensidade dramática e autenticidade da história. Chega amanhã às livrarias nacionais.

Sobre o autor:
Jorge Araújo nasceu na cidade do Mindelo, em São Vicente. Em Portugal, colaborou com diversas publicações e é atualmente o editor da revista do semanário Expresso. Enquanto jornalista venceu o Grande Prémio Gazeta e o Prémio AMI – Jornalismo contra a indiferença. Tem várias obras publicadas, entre elas Comandante Hussi, vencedor do prémio Gulbenkian para a qualidade literária, Nem Tudo Começa com um Beijo, Paralelo 75 e Beija-Mim.