segunda-feira, 4 de agosto de 2014 | By: Maria Manuel Magalhaes

Um Gosto pela Imperfeição - Francisco José Viegas [Opinião]

Título: Um Gosto pela Imperfeição
Autor: Francisco José Viegas
PVP: 3.99€

Sinopse:
O assassínio de uma jovem é o ponto de partida para mais uma investigação do inspector Jaime Ramos e da sua equipa. Mas o que parece ser um simples caso de vingança ou de ajuste de contas no mundo da noite portuense, puramente policial, acaba por transformar-se num trabalho à medida de Jaime Ramos, envolvendo famílias do Douro, ingleses no Porto, episódios sentimentais, personagens diabólicas e, até um bisavô germanófilo que lutou em França ao lado dos alemães durante a I Guerra. O ritmo ora é suave ou tem canções dos Buraka, ora respira ironia ou se aproxima da melancolia habitual dos livros do autor.

A minha opinião: 
Por iniciativa da revista Sábado, que convidou seis autores portugueses para escrever um pequeno livro onde se retratasse um cenário da Primeira Guerra Mundial surgiu o primeiro livro da série e em grande, com Jaime Ramos o detective das histórias policiais de Francisco José Viegas.

No entanto, se o leitor pensa que vai ter uma história centrada, de alguma forma, na Primeira Guerra desengane-se. Nesta nova investigação de Ramos praticamente nada surge que nos remeta àquela época.

Uma jovem morre numa conhecida discoteca da noite portuense. Elena (sem agá) Vieira de Sá é a vítima e, juntamente com ela, encontrava-se a melhor amiga Lydia. Aparentemente poderá tratar-se de um crime comum, mas Ramos depressa é remetido para histórias antigas, que envolvem famílias do Douro, sempre bem retratado pelo filho da terra, e até pela história de um antepassado que terá combatido na batalha de La Lys, mas que poderá ter, secretamente, apoiado a causa alemã.

Com uma perspicácia um tanto invulgar, Jaime Ramos consegue resolver o crime num abrir e fechar de olhos, o que poderá deixar num leitor um gostinho amargo de uma narrativa curta demais. Confesso que desejava ter lido um livro mais desenvolvido, onde as provas do crime fossem aparecendo, ao mesmo tempo, que as personagens nos fossem dando a conhecer melhor.

No entanto, não era isso que se pretendia, uma vez que a coleção é uma espécie de reunião de contos de diversos autores.

Vou, certamente, continuar com a coleção.
Excerto:
"Funcionário da morte, é isso que eu sou, um biógrafo com défice de reconhecimento." - pag. 48