domingo, 27 de maio de 2018

Novidade Cavalo de Ferro: «A Lã e a Neve», de Ferreira de Castro

«Estamos perante uma obra literária não só bela, mas bem documentada e de um humanismo profundo. Diante disto, que mais poderemos exigir à literatura?» Manuel da Silva Ramos

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A Lã e a Neve, de Ferreira de Castro (Cavalo de Ferro | A Lã e a Neve | 360 pp | 17,69€).

A Lã e a Neve, um dos livros de maior sucesso de Ferreira de Castro, é indiscutivelmente, um dos grandes romances da literatura portuguesa do século XX, com o estatuto de clássico intemporal: ao mesmo tempo crónica de um regime político e social que marcou o nosso país, e romance de formação onde a paisagem se funde com o homem.

Horácio, jovem pastor de Manteigas, volta à Serra depois da tropa em Lisboa decidido a mudar de vida. Deixar o pastoreio, fugir da miséria e empregar-se numa fábrica de tecelagem é o sonho que lhe permitirá ter uma vida digna junto de Idalina, e formar uma família só sua. Ascende à condição de operário e casa-se, mas vê-se obrigado a viver num casebre. A lã é também um trabalho duro. O horizonte continua estreito. Entretanto, a guerra rebenta e outros operários nutrem a esperança de um mundo melhor para os deserdados da fortuna…

«E, assim, nas fábricas e nos humildes casebres da cidade quase ignorada do Mundo, a meia encosta da brava serra de lobos, os homens das lãs iam vivendo também as angústias e as esperanças universais.»
Sobre o autor:
José Maria Ferreira de Castro (1898 –1974), oriundo de uma família de camponeses pobres, fica órfão de pai aos oito anos e emigra, com doze anos para o Brasil, onde foi expedido para o interior da selva amazónica. Com 14 anos escreve Criminoso por Ambição, o seu primeiro romance. Regressa a Portugal em 1919. Vive períodos de absoluta miséria e passa dias inteiros sem comer quando reinicia a sua dupla faina de repórter e escritor.
Publica Emigrantes em 1928, e A Selva em 1930, acompanhados de estrondoso êxito nacional e internacional, onde a literatura portuguesa pouca expressão tinha. Seguir-se-á, a um ritmo regular, a publicação de outros romances: Eternidade (1933), Terra Fria (1934), A Tempestade (1940) e A Lã e a Neve (1947). No período imediato ao pós-guerra, torna-se um dos autores mais lidos em Portugal e no estrangeiro. As suas obras estão editadas com sucesso em mais de dez línguas e, com a 10.ª edição de A Selva, atinge a fasquia de meio milhão de exemplares vendidos em todo o mundo com um só livro. Nos anos cinquenta publica o romance A Curva da Estrada e, entre outras obras, a famosa novela A Missão. De 1968 data o romance O Instinto Supremo, onde o autor regressa ficcionalmente à selva amazónica. Ferreira de Castro, uma das maiores figuras da literatura portuguesa, foi, diversas vezes, proposto para o Prémio Nobel e, outras tantas, recusou sê-lo, em prol de outros escritores portugueses.


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