quinta-feira, 3 de novembro de 2016 | By: Maria Manuel Magalhaes

A Célula Adormecida - Nuno Nepomuceno [Opinião]

Título: A Célula Adormecida
Autor: Nuno Nepomuceno
Editor: TopBooks
N.º de Páginas: 592
PVP: 19€

Sinopse:
«Assim queira Deus, o Califado foi estabelecido e iremos invadir-vos como vocês nos invadiram. Iremos capturar as vossas mulheres como vocês capturaram as nossas mulheres. Vamos deixar os vossos filhos órfãos como vocês deixaram órfãos os nossos filhos.» Daesh, o autoproclamado Estado Islâmico, 2014.

Em plena noite eleitoral, o novo primeiro-ministro português é encontrado morto. Ao mesmo tempo, em Istambul, na Turquia, uma reputada jornalista vive uma experiência transcendente. E em Lisboa, o pânico instala-se quando um autocarro é feito refém no centro da cidade. O autoproclamado Estado Islâmico reivindica o ataque e mostra toda a sua força com uma mensagem arrepiante.
O país desperta para o terror e o medo cresce na sociedade. Um grande evento de dimensão mundial aproxima-se e há claros indícios de que uma célula terrorista se encontra entre nós. Todas as pistas são importantes para o SIS, sobretudo, quando Afonso Catalão, um conhecido especialista em Ciência Política e Estudos Orientais, é implicado.
De antecedentes obscuros, o professor vê-se subitamente envolvido numa estranha sucessão de acontecimentos. E eis que uma modesta família muçulmana refugiada em Portugal surge em cena.
A luta contra o tempo começa e a Afonso só é dada uma hipótese para se ilibar: confrontar o passado e reviver o amor por uma mulher que já antes o conduziu ao limiar da própria destruição.

Com uma escrita elegante e o seu já tão característico estilo intimista e sofisticado, inspirado em acontecimentos verídicos, Nuno Nepomuceno dá-nos a conhecer A Célula Adormecida. Passado durante os 30 dias do mês do Ramadão, este é um romance contemporâneo, onde ficção e realidade se confundem num estranho mundo novo e aterrador que a todos nos perturba. Um thriller psicológico de leitura compulsiva, inquietante, negro e inquestionavelmente atual.

A minha opinião: 
Logo após o término da trilogia Freelancer que esperava com muita ansiedade e expetativa o novo livro de Nuno Nepomuceno.

Depois do enorme sucesso da trilogia será que Nuno conseguiria ver-se livre de André Marques Smith e da espionagem? Como seria o novo livro? Eram questões que me colocava frequentemente.

Quando vi que o autor ia mudar um pouco de registo (deixou a espionagem, ou nem tanto assim), fiquei ainda mais curiosa para saber se tinha feito bem.

A Célula Adormecida (que capa!) começa com o ataque a uma autocarro em Lisboa, que logo é reivindicado pelo autoproclamado Estado Islâmico. E quase ao mesmo tempo o vencedor das eleições para o cargo de Primeiro-Ministro suicida-se. Mas será tudo assim tão linear? Será que foi mesmo o autoproclamado Estado Islâmico que esteve envolvido na explosão que mataria várias pessoas? E relativamente à morte do futuro Primeiro-Ministro? Tudo aponta para um suicídio, mas a sua mulher diz que Henrique Brandão Melo não se suicidaria...

Estas são duas das questões que vão estar no centro do thriller , tornando a sua leitura extremamente viciante.

Com uma verdadeira visita guiada pela Turquia, assim como pela cultura Árabe, este novo livro de Nuno Nepomuceno é ainda melhor do que qualquer um dos anteriores.

O seu protagonista, Afonso Catalão, um conhecido especialista em Ciência Política e Estudos Orientais, é uma personagem atrativa e com uma cultura acima da média, que ajuda o leitor a compreender melhor a religião Árabe.

Atual, A Célula Adormecida fala de terrorismo e do medo da cultura Árabe em geral presente no Ocidente, dos refugiados, (lembrando as péssimas condições a que se votam para puderem chegar a um porto seguro e a um país que os acolha bem), mas também o quão fascinante é a mesma cultura Árabe que, por ser tão diferente da nossa, a torna tão rica e misteriosa aos nossos olhos.

Recomendo sem reservas.