segunda-feira, 11 de julho de 2016 | By: Maria Manuel Magalhaes

Quetzal Editores lança «Bicha» de William S. Burroughs

Título: Bicha
Autor: William S. Burroughs
Género: Literatura / Romance
N.º de páginas: 192
Data de lançamento: 8 de julho
PVP: € 16,60

Na passada sexta-feira, chegou às livrarias portuguesas o desconcertante Bicha/Queer, um dos romances mais importantes da carreira de William S. Burroughs. Escrito em 1952, depois da morte acidental da sua mulher por uma arma de fogo, Bicha foi publicado apenas em 1985, acabando por se tornar num clássico da Geração Beat.
Com uma enorme carga pessoal e uma forte componente política, este livro acompanha um homem na procura da identidade e reconhecimento na sociedade. Mas Bicha é muito mais do que a procura do «eu»: é uma narrativa que mergulha na fantasia e no inesperado, deixando o leitor desconcertado e indignado, mas capaz de soltar as mais autênticas gargalhadas.
Passada no México dos anos 40, Bicha conta uma história de amor não correspondido, no qual Lee, o protagonista, tenta chamar a atenção de Eugene, outro jovem norte-americano. A história desenrola-se em torno de vários bares e pontos de encontro homossexuais nos quais Lee passa os seus dias entre bebidas e drogas. Prendendo a atenção com um humor inusitado e inteligente, Bicha/Queer tornou-se um livro de leitura obrigatória.

Sinopse
É implacavelmente pessoal, mas também deslumbrantemente político, uma narrativa de aspeto realista que irrompe nas mais fantásticas fantasias, incluindo matérias de tom tão indeterminado que é difícil saber se havemos de desatar aos uivos de riso ou de consternação. Uma vez que não há livros «convencionais» [straight] na obra de Burroughs – cada um deles podia intitular-se Queer – o seu segundo romance é perversamente típico e corresponde ao significado do título como substantivo (homossexual – usado pejorativamente ou com orgulho), adjetivo (esquisito, falso, dúbio), e verbo (frustrar,irritar, desorientar). É verdade que, desde a sua escrita em 1952 até à sua publicação tardia em 1958 e à reputação que o acompanhou ao longo dos vinte e cinco anos que se seguiram, tudo em Queer é desconcertante.
O tiro que matou Joan Vollmer teve um peso imenso na lenda de Burroughs e dos círculos Beat por razões óbvias, mas a associação dessa morte ao segundo romance só veio a fazer-se por volta de 1985, graças a duas linhas, que são mais citadas do que quaisquer outras que Burroughs tenha escrito: «O livro é motivado e moldado por um acontecimento que nunca é mencionado, antes é de facto cuidadosamente evitado: a morte acidental da minha mulher, Joan, com um tiro, em setembro de 1951»; e: «Sou forçado a chegar à perturbante conclusão de que nunca viria a tornar-me escritor se não fosse a morte de Joan.» [Da introdução, de Oliver Harris]

«O humor negro, a energia avassaladora e a visão inquietante deste escritor empurraram-no para dentro da nossa consciência e da nossa história da literatura.» - The New York Times -

Sobre o autor
William S. Burroughs nasceu em 1914 no Missouri. O seu primeiro e mais autobiográfico romance, Junky, é o retrato clássico do constante ciclo da dependência das drogas de que foi vítima toda a sua vida. Em 1951, ao fazer o número de um Guilherme Tell bêbado e exibicionista, matou acidentalmente a mulher com quem era casado. Membro fundador do movimento Beat, Burroughs celebrizou-se através do cut-up, método de escrita que utilizou no romance Naked Lunch (Festim Nu), mas também da sua intervenção noutras área, como a pintura, ou as artes performativas. Morreu em 1997. A Quetzal publicou anteriormente E os Hipopótamos Cozeram nos Seus Tanques e Cidades da Noite Vermelha.