segunda-feira, 13 de outubro de 2014 | By: Maria Manuel Magalhaes

Herdeiros do Ódio - Virginia C. Andrews [Opinião]

Título: Herdeiros do Ódio
Autor: Virginia C. Andrews
Páginas: 400
Editor: Quinta Essência
PVP: 15,50€

Sinopse:
Os quatro filhos da família Dollanganger levavam vidas perfeitas - uma bela mãe, um pai amoroso e dedicado, uma linda casa. De repente, o pai morre num acidente de viação e a mãe fica endividada e não possui qualificações para ganhar a vida e sustentar a família. Assim, decide escrever aos pais - os seus pais milionários, dos quais as crianças nunca tinham ouvido falar.
A mãe fala-lhes dos avós ricos, de como Chris, Cathy e os gémeos irão levar vidas de príncipes e princesas na luxuosa mansão dos avós. As crianças deleitam-se com as perspetivas da nova vida, até descobrirem que existem algumas coisas que a mãe nunca lhes contou. Nunca lhes contou que eram consideradas pelos avós «filhos do demónio» e que nunca deviam ter nascido. Não lhes conta que é obrigada a ocultá-las do avô porque deseja herdar a fortuna dele. Não lhes conta que devem permanecer trancadas numa ala isolada da casa, tendo apenas o sótão escuro e abafado onde brincar. Prometeu-lhes, porém, que seriam apenas alguns dias... Contudo, os dias transformaram-se em meses, os meses em anos. Desesperadamente isolados, aterrorizados pela avó, Chris e Cathy tornam-se tudo um para o outro e para os gémeos. Agarram-se ao amor mútuo como última esperança, única força sólida - uma força quase mais poderosa que a morte. Herdeiros do Ódio é um romance de terror, traição e salvação através do amor. 


A minha opinião: 
Não conhecia este livro, e consequente saga, até ser reeditado, agora pela chancela Quinta Essência.

A sinopse é esclarecedora no que ao conteúdo do livro diz respeito e só posso dizer que adorei!

V. C. Andrews pega na história de um casal e quatro filhos que se vê privado de tudo quando o marido morre num acidente. Corrine, que nunca trabalhou, não consegue arranjar emprego e perde tudo. E vê uma única solução: voltar a casa dos pais ricos. No entanto, tudo o que promete aos filhos para que estes saiam com ela de casa, é em vão e nada se concretiza. É certo que os avós são ricos, mas a vida opulenta que diz que os filhos terão nunca chega a acontecer e logo que chega a casa dos pais Corrine tranca os seus quatro filhos no sótão privando-os até da luz do dia. A fúria do pai, avô das crianças, por uma coisa que Corrine fez no passado é a desculpa que ela dá para a reclusão dos filhos, que terão de estar calados durante parte do dia para que o avô não descubra que tem netos.

Pelas 400 páginas vamos vivendo o dia a dia destas quatro crianças acompanhando os horrores pelos quais vão passando. Os dois filhos mais velhos, de 14 e 12 anos, vão ter de ser os verdadeiros pais para os gémeos de 4 anos, tentando dar-lhes uma vida boa dentro do possível. O que à partida pensavam que seria apenas um dia que viveriam naquele quatro, passa a ser meses e anos...




Cathy é a narradora, e segunda filha de Corrine. Avaliadora da sua situação sob um perspectiva mordaz, mas verídica, Cathy é um jovem esperta, sonhadora, mas responsável, que trata dos seus irmãos como seus filhos. E com elas vamos acompanhando o crescimento de todos o que torna o livro ainda mais real.

Confesso que a atitude da mãe nunca me convenceu e chocou-me bastante. É completamente incompreensível como é que uma mãe deixa os filhos presos num quarto, andando feliz da vida em liberdade, em troco de uma promessa futura de um herança choruda. Não há dinheiro que pague a prisão dos filhos, ver os seus desenvolvimentos, sentir o que pensam sobre determinado assunto.

A descrição pormenorizada do dia a dia das crianças pode tornar-se um pouco maçudo para alguns leitores, mas é essa descrição que torna o livro mais intenso.

Gostei muito e a parte final é chocante.

Fica o desejo de esperar pelos próximos livros (mais quatro), que continuarão com a saga dos Dollanganger.

Excertos: