segunda-feira, 14 de julho de 2014

Quem Matou o Almirante? - The Detection Club [Opinião]

Título: Quem Matou o Almirante?
Crime à Hora do Chá - Volume 5
Autor: Vários
Tradução: Mário Dias Correia
Páginas: 344
Coleção: Crime À Hora do Chá
PVP: 13, 90€

Sinopse:
O inspetor Rudge não se depara com muitos crimes na pacata vila costeira de Whynmouth. Por isso, quando um cadáver é encontrado num barco à deriva, a sua perplexidade é total. Os obstáculos multiplicam-se.
Torna-se óbvio que o vigário da vila, infeliz dono do barco, não está a contar tudo o que sabe. A sobrinha da vítima desaparece… e até a identidade do próprio morto é posta em causa. Perante tantas pistas contraditórias, o perplexo inspetor começa a questionar o número de pessoas envolvidas no crime extraordinário e, pior, se conseguirá um dia desvendá-lo.

Em 1931, Agatha Christie, Dorothy L. Sayers, G.K. Chesterton e outros membros notáveis do lendário The Detection Club juntaram os seus talentos na escrita de um único mistério. As regras do desafio ditaram que cada autor escrevesse um capítulo, deixando para G.K Chesterton a escrita de um paradoxal prólogo e nas mãos de Anthony Berkeley a tarefa de atar as pontas soltas. No final, cada um dos escritores entregou a "sua" solução para o mistério num envelope fechado.


A minha opinião: 
Em 1931 um grupo de escritores de livros policiais juntou-se e formou The Detection Club. Depressa partiram para a escrita de um livro por estafetas e assim surgiu Quem Matou o Almirante?

Este género de romance por estafetas já não é para mim desconhecido. Comecei com O Código d'Avintes escrito por uma grupo de escritores portugueses (Rosa Lobato de Faria, Mário Zambujal, Luísa Beltrão, Alice Vieira, José Fanha, João Aguiar, José Jorge Letria) e fiquei rendida ao género, de tal forma que li todos (e foram poucos) os romances publicados por este conjunto de escritores.

Daí que quando vi que o 5.º livro da série de Crime à Hora do Chá seria um livro escrito neste formato e tendo como um dos escritores a minha autora preferida de policiais Agatha Christie tivesse ficado em pulgas para lê-lo.

O que mais gosto neste género de livros é descortinar a imaginação de um determinado autor, que de um momento para o outro pode mudar completamente o rumo da história, deixando-nos um pouco à deriva. Mas isso mesmo que eu admiro.

Tudo começa quando o cadáver do almirante Penistone é encontrado num barco à deriva no rio. É encontrado por um homem experiente em correntes Neddy Ware que, apesar de velho, coloca dúvidas em relação ao assassinato e à própria vítima. Depressa se começa a investigar o crime, e se chega à conclusão que o almirante tinha estado na anterior noite num jantar em casa do vigário, juntamente com a sua sobrinha, que trajava um bonito vestido branco. Ao que tudo indica a sobrinha regressou com ele a casa, mas as suas declarações são ambíguas assim como as do próprio vigário, que se tornam por demais evidentes. Ambos, se bem que de forma não planeada entre ambos e sem qualquer relação, escondem algo que não desejam que seja tornado público.

Em cada capítulo. constituído e escrito por um autor diferente, é-nos revelado pistas do que será que as personagens, e principais suspeitos podem esconder, mas como tudo muda no capítulo seguinte, faz com que tenhamos pensado anteriormente seja deitado por terra. O que pode deixar o leitor um pouco à deriva...

Dúvidas em relação às marés, em relação ao desaparecimento do vestido, ao corte das cordas do barco onde o almirante foi encontrado, para onde o vigário foi e o que foi fazer estão sempre presentes na narrativa e só no final do livro é que tudo vai sendo explicado. Os autores brindam-nos ainda com vários finais possíveis embora quase todos sejam convergentes em relação ao assassino.

Gostei.


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