segunda-feira, 14 de julho de 2014 | By: Maria Manuel Magalhaes

Morte numa Noite de Verão - Kjell Ola Dahl [Opinião]

Título: Morte numa Noite de Verão
Autor:
Kjell Ola Dahl
Tradução: Miguel Caldas
Págs.: 368
PVP: 16,60 €

Sinopse:
De tronco nu e cabelo ao vento, Katrine Bratterud está eufórica: celebra a conquista de uma nova liberdade, agora que está prestes a terminar com sucesso um programa de reabilitação para toxicodependentes. Mas é no culminar dessa noite de furor e romance que Katrine se afasta para se refrescar num lago e morre brutalmente às mãos de um estranho, desaparecendo com ela os segredos que lhe trouxeram aquela felicidade recente.
Os inspetores Frølich e Gunnarstranda não acreditam em coincidências e, por isso, também não vêm a morte de Katrine como uma mera questão de azar. Rapidamente mergulham numa série de investigações, cada vez mais profundas, que não descuram nem a vida de drogas e de prostituição de Katrine, nem tão pouco as intervenções de médicos e funcionários na sua reabilitação. Todos os homens que conheceu e amou são imediatamente suspeitos e só de uma certeza os inspetores podem estar seguros: uma mulher cativante e vulnerável como Katrine transforma até o mais reto dos seres em pecador.


A minha opinião: 
Morte numa Noite de Verão é o segundo livro da série Detectives Oslo, constituída pelo inspector Frølich, embora este seja o primeiro livro editado em Portugal.

Katrine Bratterud está prestes a ser livre. Livre das drogas, livre da clínica de reabilitação, livre para fazer o que quer. Mas na noite da despedida acontece o pior. Quando sai do carro para se refrescar num lago, morre misteriosamente.

É aqui que entra os inspectores Frølich e Gunnarstranda que vão investigar o que se passou nessa noite em casa dos directores da clínica e depressa constatam que esta foi uma noite atípica, com Katrine a sentir-se mal ao ponto de vomitar e de os convidados se dispersarem entre o ficar em casa e sair para um bar.

Todos notam que Katrine não está bem, mas ninguém parece saber o que se passa realmente com ela. Durante o dia, no trabalho, aparece um homem misterioso, com um ar ameaçador, que coloca em alerta a sua colega. Durante a festa, o seu namorado não para de fazer olhinhos e de ter conversas intermináveis com uma outra mulher, Katrine sente-se pouco à vontade com o director da clínica, a mulher deste hostiliza-a. O único que parece compreendê-la não se encontra presente, mas depressa Katrine lhe telefona para a ir buscar. E é depois disso que a jovem é assassinada.

A informação recolhida pela dupla de detectives abunda e acaba por se tornar um pouco repetitiva, também para que se perceba o ponto de vista de cada um dos intervenientes e perceber onde é que poderá falhar o seu depoimento.

Algumas alusões ao passado de Katrine também são fundamentais para a resolução do caso. Apesar de parecer solitária e abandonada pela família, o certo é que Katrine tem um mãe adoptiva, um pouco disfuncional, que pouco sabe do passado da sua filha.


Os inspectores não criam grande empatia, até porque pouco se sabe sobre a vida deles, um pouco usual nos policiais nórdicos, em que a vida dos detectives quase que se sobrepõe à investigação propriamente dita, mas a história consegue cativar pelo mistério em torno de Katrine, sobre a sua vida passada, mas também pela presente, dado tratar-se de uma personagem que todos conhecem mal.

Fiquei bem impressionada com esta estreia e só espero que a Porto Editora continue com a série. Serei uma seguidora fiel.

Excerto:
"A Katrine não percebeu que não vale a pena fugir para a liberdade. A liberdade não é um estado de espírito, nem um lugar para onde possa ir. A liberdade tem de ser conquistada; está aqui, dentro de nós, e está nas coisas que se fazem e se pensam; consiste em ser-se dono de si mesmo e da situação em que se está. Não se pode fugir para a liberdade, mas pode-se fugir dela. Isso acontece no momento em que nos pomos de pé e aceitamos que o mundo é como é, situamo-nos nele, tendo consciência da nossa própria realidade pessoal. Só então se é verdadeiramente livre." - pag. 95