terça-feira, 6 de maio de 2014

Entrevista a Flávio Capuleto no Nós Aqui


O Marcador de Livros aceitou o convite do Jornal Nós Aqui, de Gondomar, para preencher uma nova rubrica: uma páginas dedicada aos livros. É certo que os jornais, e muito menos os regionais, dão pouco destaque à literatura e, só por isso, este novo jornal já ganha uns valentes pontos em relação a outros.
Para quem não deseja ou não consegue ver a entrevista na íntegra na imagem, deixo-a aqui em texto.


O segredo reside em escrever com alma e coração

Flávio Capuleto é o mais recente sucesso literária em Portugal. Apesard e já ter publicado diversos livros, Inferno no Vaticano foi o que lhe granjeou o primeiro lugar no top de vendas da maior parte das livrarias portuguesas. Romântico por natureza, adoptou o apelido Capuleto por ter em Romeu e Julieta a sua fonte de inspiração.

Maria Manuel (MM): Inferno no Vaticano não é o seu primeiro livro, mas, de todos, é o que está a ter mais sucesso. Podemos falar já de um best-seller, uma vez que alcançou o 1.º lugar no “Top” Nacional. Qual a fórmula para tanto êxito?

Flávio Capuleto (FC): Diria que o segredo reside em escrever com alma e coração. Também é necessária inspiração e ela nem sempre ocorre. Às vezes, sinto-me bloqueado. Mas não desisto e a persistência é importante. A certa altura, as coisas começam a fluir e o momento criativo acontece. É o momento em que me ligo a tudo o que me rodeia, sobretudo os meus leitores.

MM: Capuleto não é um nome verdadeiro. Porque o adoptou?

FC: Embora realista, tenho um fundo romântico. Li aos onze anos Romeu e Julieta, de William Shakespeare e senti-me tão apaixonado que não resisti a adoptar, como pseudónimo literário, o nome de uma personagem do imortal romance.

MM: O que sente ao tornar-se um escritor reconhecido aos 71 anos?

FC: Qualquer coisa parecida com o Céu e o Inferno ao mesmo tempo. Inicialmente, senti uma grande alegria quando soube que o meu livro estava em todos os “tops” e que a GFK, que é uma empresa internacionalmente reconhecida na medição das vendas de livros nas livrarias, tinha colocado “Inferno no Vaticano” no primeiro lugar do “TOP” nacional. Depois, as solicitações para ir à TV, dar entrevistas a rádios e jornais, fazer apresentações do livro em bibliotecas, ir falar a escolas, dar sessões de autógrafos em livrarias começaram a roubar-me o tempo para aquilo que gosto de fazer: escrever. Não é fácil lidar com isto, sobretudo porque sou uma pessoa de hábitos simples. Sobretudo, tenho medo do deslumbramento e a pior coisa que me pode acontecer é ser mal interpretado. Quero continuar a ser a pessoa humilde que sempre fui.

MM: Como se tornou escritor?

FC: Descobri na adolescência que a minha vocação era a literatura e segui o meu caminho. Além da vocação, são necessárias duas coisas para alcançarmos sucesso: paixão e ambição. Paixão por aquilo que fazemos e ambição de chegarmos sempre mais longe.

MM: Quais as suas principais referências a nível literário?

FC: Adorei uma trilogia da autoria do escritor russo Máximo Gorki: “A Minha Infância”, “Ganhando o Meu Pão” e “A Minha Universidade”. Li com entusiasmo Jorge Amado e Paulo Coelho. Alguns livros de Saramago e Lobo Antunes fascinaram-me, tal como Equador, de Miguel Sousa Tavares. José Rodrigues dos Santos e Luís Miguel Rocha são escritores que aprecio bastante. Na área da teoria conspirativa, Dan Brown é um mestre.

MM: Como surgiu a ideia de criar um romance centrado no Vaticano?

FC: Ao longo do tempo, a cidade do Vaticano exerceu uma inegável influência em escritores de todo o mundo. É um campo inesgotável de enigmas, e o que se passa ali continua a prender a atenção de mais de mil milhões de católicos em todo o planeta. Quer queiramos quer não, o fenómeno religioso está entranhado no nosso sangue e comanda muitos actos da nossa vida. Sou humanista cristão e gosto de escrever sobre temas que preocupam a Humanidade.

MM: O facto de aconteceram episódios amorosos entre o inspector Luís Borges, detective privado do Papa, e uma simbologista convidada para as investigações, a sedutora Valéria Del Bosque, poderá ter despertado ainda mais a curiosidade dos leitores?

FC: Sem dúvida que sim. Um bom livro tem de ser um caldo com todos os ingredientes e o amor é o ingrediente mais fascinante num romance. Não podemos viver sem amor. De contrário, o planeta Terra seria um gigantesco cemitério a girar no espaço. Em “Inferno no Vaticano”, misturei religião, intriga, investigação, mistério, crime e sensualidade. Picante e sumo, perpassam habitualmente nas páginas dos meus romances.

MM: A saga do Vaticano, iniciada com este romance, é para continuar?

FC: Deixei isso em aberto neste romance e muitos leitores aperceberam-se do facto. Estou a pensar numa trilogia tendo o Vaticano como pano de fundo, mas, antes de lhe dar continuidade, quero publicar um livro fora desse campo, embora o tema central da obra gire à volta da religião.



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