quinta-feira, 6 de janeiro de 2011

D. Dinis A Quem Chamaram O Lavrador - Cristina Torrão [Opinião]


Título: D. Dinis A Quem Chamaram O Lavrador
Autor:
Cristina Torrão
Editora: Ésquilo
N.º de páginas: 416
PVP: 19, 80€


«E este foi o melhor rei e mais justiceiro e mais honrado que houve em Portugal desde o tempo do rei D. Afonso, o primeiro»
(D. Pedro, Conde de Barcelos)

D. Dinis, sexto monarca português, marcou profundamente a consolidação do reino através dos seus quarenta e seis anos de governação. Fundou a primeira universidade portuguesa, substituiu o latim pela língua portuguesa nos documentos oficiais, reformou quase todos os castelos, foi um diplomata de excepção, admirado, inclusivamente pelo Papa, incrementou a agricultura, a pesca e o comércio, amante da poesia e da música, ficou imortalizado pelos seus cantares.

Mas a tragédia também assolou a sua alma, primeiro foi o conflito armado com o irmão, no final da vida, a dilacerante guerra com o seu próprio filho herdeiro. A seu lado, estava uma rainha de excepção, Isabel de Aragão, com a qual nem sempre as relações foram fáceis…

Neste romance, o leitor é conduzido à intimidade de um Rei justo, sábio e poeta. Nunca a esfera íntima de D. Dinis foi descrita com tanto detalhe e faceta humana.

A minha opinião:
Primeiro rei hispânico com esse nome, Dinis foi um homem de excepção. O pai e o avô castelhano eram as referências de D. Dinis que desde muito novo se mostrou ser forte em relação a todas s adversidades que lhe iam surgindo no caminho.
D. Dinis é nome de empreendedor, de lutador, de conquistador. Conquistador de mulheres, sobretudo, mas também de tudo o que achava bom para o reino que defendia.

Cristina Torrão mostra um rei amoroso, que se apaixona constantemente pelas lindas mulheres com quem convivia e para quem escrevia as cantigas de amor que chegaram aos nossos dias e que aprendemos na Secundária. Mas era também um rei apaixonado pela sua mulher, a quem chamaram Santa.

De facto, Isabel era piedosa, uma rainha que se preocupava com os mais pobres ao ponto de jejuar várias vezes e de dar toda a comida que sobrava dos soberbos banquetes organizados pelo monarca. Era conhecida a sua bondade por todo o reino, e os pobres recorriam a ela constantemente. No entanto, nem sempre as relações do casal foram boas. Quando o filho de ambos, e futuro rei de Portugal, Afonso (futuro D. Afonso IV), se mostra com vontade de reinar, destronando D. Dinis, O Lavrador, mostrou-se mais uma vez um rei guerreiro, defensor da sua vontade e fez frente ao seu filho, como anteriormente tinha feito com o seu irmão, também ele chamado Afonso.

D. Dinis afirmou-se sempre por defender os Templários, que foram perseguidos pelo papa Clemente V e Filipe IV de França. Contrariando a perseguição que estes dois faziam aos Templários, D. Dinis protegeu-os sempre, até que estes criaram a Ordem de Cristo, nova ordem militar e religiosa autorizada pelo Vaticano a pedido do rei português.

Um livro que se lê de um trago e, ao contrário de alguns livros históricos, isso acontece devido a uma narrativa bastante envolvente. A autora não se centrou num aspecto de D. Dinis, mas aproveitou tudo o que ele tinha de bom: o seu empreendedorismo, o seu amor pelas mulheres, as discussões frequentes com o seu irmão Afonso que pretendia o reino para si, e mais tarde com o seu próprio filho pelo mesmo motivo, a posição política nos reinados de Castela, a oposição ao Papa em relação aos templários, a criação da primeira universidade, a plantação do Pinhal em Leiria. Um excelente e rico monarca só podia dar um bom livro.

1 comentário:

Mlle disse...

Também gostei bastante do livro.
Dá-nos uma ideia geral do homem que foi D. Dinis, um homem bastante empreendedor para o seu tempo!