quinta-feira, 12 de abril de 2018

Antes de Sermos Vossos - Lisa Wingate [Opinião]

Título: Antes de Sermos Vossos
Autor: Lisa Wingate
Editor: Edições Chá das Cinco
N.º de Páginas: 368

Sinopse:
Inspirado em factos verídicos, esta é a história de duas famílias e da terrível injustiça que as mudou para sempre. Nascida num mundo de riqueza e privilégio, Avery Stafford tem tudo. Filha adorada de um senador americano, com a sua própria carreira como advogada e um noivo maravilhoso à espera em Baltimore, ela vive uma vida encantada.

Mas quando regressa a casa para ajudar o pai com um problema de saúde, um encontro casual com May Crandall, uma idosa desconhecida, deixa Avery profundamente abalada. Ao decidir descobrir mais sobre a vida de May irá embarcar numa viagem pela história oculta de crianças roubadas e adoções ilegais. E cedo irá desvendar um segredo que pode levar à devastação... ou à redenção.

Baseado num dos mais conhecidos escândalos da América — em que uma instituição de adoção vendeu crianças a famílias ricas —, este romance comovente e fascinante recorda-nos como, apesar de os caminhos que tomamos levarem a muitos lugares, o coração nunca esquece onde pertencemos.

A minha opinião:
Gosto muito de policiais, mas os livros que se inspiram em factos verídicos são dos meus preferidos.
Por isso mesmo, não podia deixar de ler este Antes de Sermos Vossos que, além de uma sinopse atraente, tem também sido alvo de críticas excelentes.

O livro de Lisa Wingate foca-se no sistema de adopções ilegais levadas a cabo por Georgia Tann (personagem verídica) numa instituição liderada por si designada Sociedade de Acolhimento de Crianças de Tennessee. 

A história principal é ficcionada, tendo como personagens principais Avery , uma jovem advogada, filha de pessoas muito influentes na política de uma pequena localidade e a história de uma família pobre, de beira-rio, que acaba por ser separada dos pais quando a mãe destes vai ter mais um filho. A história da família pobre passa-se no passado e é contada pela irmã mais velha, a Reel, que acaba por ser a pessoa que irá retratar mais fidedignamente a história da instituição.

E como é que estas histórias se juntam?
Simples. Aquando de uma visita da jovem Avery a um lar de idosos depara-se com uma mulher que a interpela. Apesar de não ter tido qualquer ligação com aquela estranha, ela fica curiosa em relação à idosa e quando sabe que esta lhe ficou com a pulseira de família volta ao lar para a reaver. E mais intrigada fica quando esta lhe diz que a pulseira que lhe roubou lhe pertence. E quando vê uma fotogafia no seu quarto acha que se parece muito com a sua avó.

Mas como saber mais dessa história se a avó Judy padece de Alzheimer e pode não ser grande ajuda em desvendar o mistério de May? Mas quando Avery lhe mostra a fotografia Judy tem uma reação estranha, embora não lhe diga nada.

A história vai ser desencadeada a partir daí com Avery a descobrir cada vez mais coisas sobre o passado destas duas idosas.

Christina e Joan Crawford, uma das crianças adoptadas
Paralelamente, noutros capítulos que se passam no passado, vamos descobrindo as histórias sórdidas que se passam no lar dirigido por Georgia Tann. Nele as crianças são quase todas roubadas das suas famílias, criadas histórias e nomes novos para as crianças e com um sistemas de adopções em que o dinheiro fala mais alto. Pessoas influentes e com dinheiro acabam por adoptar (comprar?) muitas dessas crianças, nomeadamente a atriz Joan Crawford.

Apesar da história principal ser ficcionada é fácil percebermos que isso aconteceu mesmo na realidade, com crianças reais. Crianças que eram roubadas das suas famílias, servindo apenas como moeda de troca para Georgia Tann ganhar poder, influência e bastante dinheiro com elas. As coisas pioram quando sabemos que as crianças da instituição eram maltratadas e abusadas sob os mais diferentes aspectos.


Georgia Tann
Georgia Tann, como referi anteriormente, era a cabecilha da sociedade de adopções, tendo sido apenas desmascarada em 1950, depois de mais de 30 anos a roubar crianças às famílias mais pobres. Além disso, persuadia os pais a deixarem os filhos ao cuidado da instituição e, mais tarde, em muitos casos, dizia-lhes que a criança tinha falecido.
Operava em círculos poderosos social e politicamente e era admirada no que fazia.
"Ela mudou a ideia generalizada de que os órfãos eram bens danificados."
"Mas a realidade é que aquela instituição era completamente podre. As crianças eram negociadas."
Tann morreu de cancro antes de as acusações sobre ela serem tornadas públicas.



Depois de descoberta toda a história pode detrás da sociedade, tornou-se um dos maiores escândalos dos Estados Unidos.

Este foi um livro que me tocou muito, levando-me a pensar que, infelizmente, há muita coisa que se passa em instituições deste género sem que a verdade salte cá para fora, ou quando se descobre já muitas crianças sofreram na mão de oportunistas como Georgia.
Isto podia perfeitamente ser o retrato de muitas instituições.

Um livro de leitura obrigatória.






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