sábado, 3 de março de 2018

A longa noite de Camilo



Os últimos dias de Camilo Castelo Branco deram o mote para, juntamente com umas amigas, ir ao Teatro Carlos Alberto, no Porto.
Um espectáculo dedicado aos últimos dias do escritor português, a sua angústia perante uma cegueira permanente, a impotência de não conseguir reverter a situação. O tempo em que Camilo dispara (às 15h15) até à sua morte (17h) do dia 1 de junho de 1890 são parte angustiante da peça. 
A peça é um cartão de visita à obra camiliana, quer através de três jovens autores que "decidem" fazer uma peça sobre o escritor e que se juntam à mesa para dissertar sobre ele. As duras críticas que o mesmo lhes faz, como que aparecendo como um deus ominpresente, traz um toque de humor à peça, já de si tão sombria. 
Há ainda os desabafos de Ana Plácido e do Dr. Edmundo Magalhães Machado, um médico oftalmologista, que acabará por ser o seu último médico. 
Mário Moutinho está um Camilo tão genuíno, que me fez muitas vezes achar que estava perante o escritor. 

“Sou o cadáver representante de um nome que teve alguma reputação gloriosa neste país durante 40 anos de trabalho. Chamo-me Camilo Castelo Branco e estou cego. Ainda há quinze dias podia ver cingir-se a um dedo das minhas mãos uma flâmula escarlate. Depois, sobreveio uma forte oftalmia que me alastrou as córneas de tarjas sanguíneas. Há poucas horas ouvi ler no Comércio do Porto o nome de V. Exa. Senti na alma uma extraordinária vibração de esperança. Poderá V. Exa. salvar-me?”

Deixo-vos uma peça da sic 



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