terça-feira, 30 de janeiro de 2018

O Pavilhão Púrpura - José Rodrigues dos Santos [Opinião]

Título: O Pavilhão Púrpura
Autor: José Rodrigues dos Santos
Editor: Gradiva
Páginas: 702

Sinopse:
Pode uma ideia mudar o mundo?

Nova Iorque, 1929. A bolsa entra em colapso, milhares de empresas fecham, milhões de pessoas vão para o desemprego. A crise instala-se no planeta.
Salazar é o ministro das Finanças em Portugal e a forma como lida com a Grande Depressão granjeia-lhe crescentes apoios. Conta com Artur Teixeira para subir a chefe de governo, mas primeiro terá de neutralizar a ameaça fascista.
O desemprego lança o Japão no desespero. Satake Fukui vê o seu país embarcar numa grande aventura militarista, a invasão da Manchúria, na mesma altura em que tem de escolher entre a bela Harumi e a doce Ren.
Lian-hua escapa a Mao Tse-tung e vai para Peiping. É aí que a jovem chinesa e a sua família enfrentam as terríveis consequências da invasão japonesa da Manchúria.
A crise mundial convence os bolcheviques de que o capitalismo acabou. Estaline intensifica as coletivizações na União Soviética e o preço, em mortes e fome, é pago por milhões de pessoas. Incluindo Nadezhda.

O mundo à beira do abismo.

A minha opinião: 
No rescaldo da Primeira Guerra Mundial, as grandes tendências ditatoriais da década de 20 começam a definir-se. No segundo livro da Trilogia do Lótus, vamos acompanhar novamente a vida de quatro personagens: Artur, Nadezhda, Lian-Hua e Satake Fukui e assim perceber o que se vai passando nos
seus países.

28 de maio de 1926 - Artur, jovem tenente, a quem Catarina ainda não conseguiu dar filhos, coube-lhe a missão de convencer Salazar a assumir a pasta das Finanças, numa altura em que a democracia estava em descrédito.

Salazar vai trazer uma política repressiva e de contenção que, apesar de estar a resultar no que diz respeito à dívida pública, gera descontentamento na maior parte da população,que começa a manifestar-se contra as políticas do ministro.

Na União Soviética Estaline sucede a Lenine e prepara-se para avançar com o comunismo puro e duro que vai incidir na coletivização das terras. Nadezhda vive numa região praticamente agrícola, cujas políticas de Estaline vão deixar a sua família completamente de rastos. É através do relato da vida da ainda criança que vamos presenciar as provações que aquela população teve de enfrentar.
A política de Estaline estava a resultar na fome dos pequenos agricultores, que eram obrigados a dar toda a produção ao exército.

"O comunismo viera para os libertar, mas estava a escravizá-los."

China vivia o período unificador das Expedições do Norte, quando o Kuomintang e o Partido Comunista se uniram contra os senhores da guerra e depois se desentenderam.
Lian-Hua apenas 1 ano mais velha que Nadezhda, vivia na quinta da família, no Jardim das Flores. quando foi raptada pelos comunistas do bando de Mao Tse Tung. Mais tarde acaba por escapar.
Em resultado do colapso da Bolsa de Nova Iorque, em outubro de 1929 as exportações diminuem, devido às dificuldades económicas. Os pais de Lian-Hua são diretamente afectados por isso, visto começarem a ter dificuldades para vender a sua seda a um custo justo. Sem exportações, o comércio pura e simplesmente parou.

No Japão, Fukui, cujo pai foi morto por assassinos Shikaku, embrenha-se na ciência política e acaba por concluir que o Japão devia afastar-se das ideias tradicionais do Xintoísmo e modernizar-se com as ideias do ocidente. 
A Eugenia, a seleção genética de raças, começa a tornar forma. 
E o conflito na Manchúria leva a que os chinenes cortem com as importações do Japão. 

"Se um assassino pode matar várias pessoas, um pensamento pode ameaçar a vida de uma nação inteira."

Tudo isto são ingredientes para deixar o leitor, ávido de saber o que se passou no mundo nesta altura, mas também no evoluir das personagens já conhecidas do livro anterior, As Flores de Lótus, que me prenderam na leitura.

Artur continua a ser levado pelas ideias de Salazar, mesmo que não concorde com tudo o que o líder quer implementar. Talvez por isso me tenha desapegado a esta personagem, que tanto me tinha agradado no primeiro livro. Pelo contrário, adorei Nadezhda, que se tem revelado uma rapariga forte apesar de tudo o que tem passado. Estou mesmo curiosa para saber como vai evoluir.
A curiosidade e o interesse em saber mais sobre o ocidente leva a que Fukui seja uma personagem relevante para a história. E depois temos Lian-Hua que, tal como Nadezhda se mostra uma mulher forte, contrariando o que se espera de uma mulher naquela altura.

Confesso que o primeiro livro me interessou mais, talvez por não ter sido tão maçudo nas descrições, mas não deixei de apreciar ler sobre os principais acontecimentos da década de 20 nos vários países envolvidos.
No entanto, esta é uma trilogia a seguir até porque nos ensina muito, através dos longos diálogos das personagens, da história mundial.

Ansiosa por pegar no terceiro volume, que será, certamente, uma das minhas leituras de fevereiro.







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