domingo, 8 de outubro de 2017

Marta - PJ Vulter [Opinião]

Título: Marta
Autor: PJ Vulter
Editor: Coolbooks
N.º de Páginas: 172

Sinopse:
Peixelim, verão de 1972. Todos se preparam para as festas da Vila e Teresa aguarda, ansiosa, o reencontro com os primos, Maria Alva e Rodrigo.

Teresa sempre viveu sob a sombra de Marta, a irmã que nunca conheceu, falecida 20 anos antes. Ao completar 16 anos, tudo piora. De repente, Marta parece ressuscitar para a atormentar ainda mais. Ela era uma assombração para toda a família, mas, inexplicavelmente, nunca se falava dela.

Toda a esperança de Teresa estava naquele alento que os primos lhe davam, nas festividades. Mas, nesse ano, nem eles conseguirão valer-lhe; Marta, e tudo o que ela significa - seja lá isso o que for -, está de regresso para atormentar a sua vida.

Marta leva-nos aos últimos tempos do Estado Novo e ao clima de suspeição e opressão reinantes. Este belíssimo romance retrata um modo de vida que para a maioria dos jovens de hoje nunca existiu, mas é parte da nossa História recente… E é bom lá voltar, de vez em quando, para sabermos dar valor à liberdade que temos.

A minha opinião: 
Marta foi ofertada pelo autor PJ Vulter, um escritor sob anonimato, mas que promete revelar algo mais no seu próximo livro. 

Fiquei logo agradada com a sinopse: uma rapariga que morre misteriosamente e mesmo 20 anos depois atormenta a família e persegue a sua irmã de 16 anos que nunca a conheceu, mas que é constantemente comparada com ela. 

Escrito de uma forma atrativa, facilmente viajei ao passado, aos anos 50 e 70, época de casamentos combinados e onde existe uma grande disparidade entre os ricos e os pobres. Uma altura em que seria impensável para uma menina de uma família rica se relacionar com um membro de uma família pobre. 

Podemos, à primeira vista, pensar que tanto Marta como depois Teresa têm tudo para ser felizes, já que não lhes falta nada. Mas será que não falta mesmo? De facto, em termos materiais pouco ou nada falta, mas o mais importante, o amor, o afeto, a felicidade familiar há muito que não existe, se é que alguma vez existiu. 

E isso acontecia em muitas dessas famílias, levando-nos a pensar que muitas vezes a felicidade estava na família pobre, que teria de repartir o pouco que tinha. 

Aliado ao dia a dia destas personagens, não nos podemos esquecer que estamos na época da ditadura, também retratada no livro. Onde a pessoa ao nosso lado, que julgamos amigo, pode ser um bufo que nos colocará em maus caminhos. 

Ditadura, casamentos arranjados e a frescura da juventude estão presentes no livro, mas achei que foi muito superficial, não tendo o autor explorado cada um destes temas. Apesar de ser um livro que se lê bastante bem, depois de terminado fiquei com a sensação de que ficou algo mais por dizer. 

O mistério está bem presente, embora desconfiasse desde o início da morte de Marta, mas as personagens podiam ter crescido mais e tinham espaço para isso. 

No entanto, é um livro cheio de mistério que me faz querer ler mais sobre o autor mistério. 




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