quinta-feira, 20 de abril de 2017 | By: Maria Manuel Magalhaes

Escrito na Água - Paula Hawkins [Opinião]

Título: Escrito na Água
Autor: Paula Hawkins 
1ª Edição: maio de 2017
N.º de Páginas: 384
Lançamento Mundial: 2 de Maio

«Um dos livros mais aguardados de 2017.» Revista TIME

CUIDADO COM AS ÁGUAS CALMAS.
NÃO SABEMOS O QUE ESCONDEM NO FUNDO.

Nel vivia obcecada com as mortes no rio.

O rio que atravessava aquela vila já levara a vida a demasiadas mulheres ao longo dos tempos, incluindo, recentemente, a melhor amiga da sua filha. Desde então, Nel vivia ainda mais determinada a encontrar respostas.

Agora, é ela que aparece morta.

Sem vestígios de crime, tudo aponta para que Nel se tenha suicidado no rio. Mas poucos dias antes da sua morte, ela deixara uma mensagem à irmã, Jules, num tom de voz urgente e assustado. Estaria Nel a temer pela sua vida?

Que segredos escondem aquelas águas?

Para descobrir a verdade, Jules ver-se-á forçada a enfrentar recordações e medos terríveis há muito submersos naquele rio de águas calmas, que a morte da irmã vem trazer à superfície.

Um livro profundamente original e surpreendente sobre as formas devastadoras que o passado encontra para voltar a assombrar-nos no presente. Paula Hawkins confirma, de forma triunfal, a sua mestria no entendimento dos instintos humanos, numa história com tanta ou maior intensidade.

A minha opinião: 
Depois do sucesso de A Rapariga no Comboio aguardava com grande expectativa o novo livro de Paula Hawkins. 

Escrito na Água chega às livrarias a 2 de maio, mas o blogue foi um dos privilegiados e recebeu a ARC - Leitura de Avanço bem mais cedo. Obrigada Topseller pela preferência e pelo gesto. 

Muito diferente do livro anterior devido ao misticismo envolto na vítima principal, mas semelhante quando à dose de mistério, Escrito na Água acompanhou-me durante alguns dias e preencheu-me as horas. 

Tal como o anterior, este livro está muito bem escrito, com cenas de suspense de cortar a respiração, com descrição das personagens até ao seu âmago. É isso que aprecio numa leitura. Sentir que a personagem é familiar, sentir como ela sente naquele momento. Nisso Hawkins é exímia. 

Todas as personagens, sem excepção, são demasiado problemáticas, com segredos do passado que nos levam, por vezes, a exasperarmo-nos com algumas atitudes que tomam. No entanto, à medida que a história desenrola, vamos percebendo o porquê de determinadas reacções.

"Algumas das relações mais perfeitas que tive não duraram mais do que uma semana, outras, vários anos. Não é a duração que interessa, na verdade. Apenas a qualidade."

A história é passada num local inóspito, sombrio. Um meio pequeno que se envolve com as mortes misteriosas de mulheres... na água. 

Os habitantes, com características peculiares, são todos próximos uns dos outros, todos se conhecem. Tanto pelas suas virtudes como pelos seus defeitos. E, depois, é criada uma ideia de determinada pessoa que poderá não ser a mais correta... 

No centro de tudo está Nel, uma mulher muito popular na sua juventude. Como revivi os tempos em que também andei no liceu, onde havia os miúdos populares e aqueles que eram postos de parte ou "gozados" por serem diferentes... A juventude pode, por vezes, ser tão cruel!

E é dessa juventude de Nel que muitos desentendidos surgem. Será que o tempo vai trazer o perdão que tanto necessita? 

Mas não é só de perdão que trata o livro. O suicídio é que aqui explanado da melhor forma possível, assim como a violência doméstica, a homossexualidade, o machismo, até ao conhecimento do eu. 

Lena é uma personagem forte, que está em pleno crescimento enquanto mulher capaz de tomar as suas decisões, mas de quem gostei mais foi de Jules ou Júlia. Uma personagem marcada pela vida, com pouca auto-estima, mas que vai mostrar a força que guarda consigo. 

O final não é surpreendente porque descobri o assassino no primeiro momento, mas a forma como está escrito é excelente. 

Gostei.