sábado, 25 de março de 2017 | By: Maria Manuel Magalhaes

O Leitor do Comboio - Jean-Paul Didierlaurent [Opinião]

Título: O Leitor do Comboio
Autor:  Jean-Paul Didierlaurent
Editor: Clube do Autor
N.º Páginas: 196

Sinopse:
O poder dos livros através da vida das pessoas que eles salvam. Uma obra que é um hino à literatura, às pessoas comuns e à magia do quotidiano.
Jean-Paul Didier Laurent é um contador de histórias nato. Neste romance, conhecemos Guylain Vignolles, um jovem solteiro, que leva uma existência monótona e solitária, contrariada apenas pelas leituras que faz em voz alta, todos os dias, no comboio das 6h27 para Paris.
A rotina sensaborona do protagonista desta história muda radicalmente no dia em que, por mero acaso, do banquinho rebatível da carruagem salta uma pendrive que contém o diário de Julie, empregada de limpeza das casas de banho num centro comercial e uma solitária como ele… Esses textos vão fazê-lo pintar o seu mundo de outras cores e escrever uma nova história para a sua vida.
O Leitor do Comboio revela um universo singular, pleno de amor e poesia, em que as personagens mais banais são seres extraordinários e a literatura remedia a monotonia quotidiana. Herdeiro da escrita do japonês Haruki Murakami, dotado de uma fina ironia que faz lembrar Boris Vian, Jean-Paul Didierlaurent demonstra ser um contador de histórias nato.

A minha opinião:
A vida de Guylain Vignolles é feita de rotinas. Mas mesmo assim não deixa de ser uma vida peculiar. Todos os dias apanha o comboio para Paris, onde lê, alto e bom som, alguns excertos dos livros que traz consigo. Os outros ocupantes do comboio acham piada a esta particularidade do seu companheiro de viagens, mas não imaginam que o seu trabalho é destruir livros. Sim, Guylain Vignolles trabalha numa empresa de reciclagem de papel, mas o papel dos livros que são publicados e que já não interessam a ninguém. É um trabalho triste, mas é o seu trabalho e quando consegue Guylain Vignolles ainda consegue "roubar" algumas folhas para ir lendo no comboio.

Como a sinopse diz, a vida dele muda quando encontra uma pen, esquecida, num banco da carruagem onde viagem e não resiste à curiosidade de a abrir. O que ela contém vai mesmo mudar a sua vida.

O Leitor do Comboio atrai logo pela capa, muito bem conseguida. Depois, o comboio remete logo para boas e longas leituras. Quem já devorou livros enquanto fazia viagens de comboio, no meu caso, de duas horas e meia todos os dias, sabe do que estou a falar. E a par das leituras encontra-se, de facto. gente bastante peculiar nas nossas viagens. Uns mais que outros.

Mas o livro está muito para além da capa. Escrito de uma forma simples, relata o dia a dia da personagem principal e das pessoas que lhe estão próximas. É um hino à amizade, aos livros, e uma grande crítica à máquina destruidora de livros, esse monstro com uma boca enorme, que com a sua lâmina, pode destruir bem mais do que um simples papel.

É tão bom que sabe a pouco.

Recomendo.





1 marcadores:

Túlio disse...

Parece ser sim uma boa história.
Hei de ler.

Beijinhos.