segunda-feira, 31 de outubro de 2016 | By: Maria Manuel Magalhaes

As cartas de Jorge de Sena e Eugénio de Andrade. Um acontecimento literário

Título: Correspondência 1946-1978
Jorge de Sena e Eugénio de Andrade
Organização Mécia de Sena
N.º de Páginas: 608
PVP: 26,00 €
Não Ficção/Correspondência
Nas livrarias a 2 de Novembro
Guerra e Paz Editores

Sinopse
Este livro reúne a correspondência que, de 1949 a 1978, Jorge de Sena e Eugénio de Andrade trocaram um com o outro. São as cartas em que dois grandes poetas – tão diferentes nos seus temas e na essencialidade da sua obra –, de uma forma franca e sem subterfúgios, falam da literatura, que era o centro das suas vidas. Mas estas cartas são também testemunho de uma límpida e surpreendente amizade, porta aberta à partilha das dificuldades da vida, dificuldades familiares ou profissionais. São cartas emotivas, retrato da vida social e política portuguesa, e nelas vemos, década a década, o rosto de Portugal, o rosto da literatura, o rosto da vida, mudar, ruga a ruga, letra a letra.

Sobre os autores:
Jorge de Sena. É natural de Lisboa. Inicia intensa actividade literária no final dos anos 30, envolve-se na luta contra a Ditadura e acaba por auto-exilar-se no Brasil. É nesse país, e mais tarde nos Estados Unidos, que lecciona em várias universidades. Foi ensaísta, poeta, dramaturgo, contista e romancista. Revolucionou os estudos sobre Fernando Pessoa e Luís de Camões e escreveu, entre muitos outros textos, o intemporal romance Sinais de Fogo. Portugal não soube conceder -lhe em vida a consagração que a sua obra merecia.

Eugénio de Andrade. Um dos grandes poetas portugueses, nos seus livros encontramos, disse Sena, uma «poesia do ser e do amor, entre a carne e o espírito, lá onde as almas não existam para torturar-se e os corpos não saibam o que seja traírem-se». O seu primeiro livro é de 1939, mas é com As Mãos e os Frutos (1948) que ganha consagração crítica. É certo que foi funcionário público e viveu no Porto, para onde se mudou em 1950, até ao fim dos seus dias, mas a sua autêntica vida foi a poesia, esse lugar onde, disse ele, «o desejo ousa fitar a morte nos olhos». Publicou dezenas de obras, das quais se destacam Os Amantes sem Dinheiro (1950), As Palavras Interditas (1951), Escrita da Terra (1974), Matéria Solar (1980), Rente ao Dizer (1992), Ofício da Paciência (1994), O Sal da Língua (1995) e Os Lugares do Lume (1998).