quinta-feira, 14 de agosto de 2014 | By: Maria Manuel Magalhaes

Moscas nos Olhos - Luísa Beltrão [Opinião]

Título: Moscas nos Olhos
Autor: Luísa Beltrão
N.º de Páginas: 92
Editora: Glaciar

Sinopse:
Acompanhando o marido, capitão Miguel Menezes, Filippa vai para Arras, em plena frente de batalha da 1.ª Guerra Mundial, como enfermeira voluntária.
No hospital britânico, Bon Secours, ela entra em contacto com os horrores de um confronto cuja violência desumana tem sido abafada pelo que se seguiu em 39/45.
Ali encontra um doente terminal, André, médico escocês que se tornara uma lenda nos campos de batalha, e com quem vai ter uma estranha relação de amor.
Várias personagens entrecruzam-se nos planos individuais, familiares e bélicos, permitindo um olhar sobre este 1.º conflito mundial e a entrada portuguesa na guerra.

A minha opinião:  
Moscas nos Olhos é o segundo livro de uma série cujo cenário é a Primeira Guerra Mundial, publicado pela Revista Sábado.

Este é também o primeiro livro que leio de Luísa Beltrão, não contando com O Código d'Avintes , Eça Agora, 13 Gotas ao Deitar e Os Novos Mistérios de Sintra escrito em conjunto com outros autores portugueses.

Filippa, esposa de um combatente de guerra, Miguel, decide, por insistência da mãe francesa, ir ter com o marido para a frente de batalha. Contrariando os desejos do seu avô, que lhe dá o ultimato de que se partir nunca mais entrará na casa de família, e um pouco também Miguel, que acha perigoso demais o seu desejo, Filippa decide mesmo ir.

O patinho feio da família, acabará por acatar os desejos da mãe e acaba como enfermeira voluntária num hospital britânico.

Moscas nos Olhos retrata sobretudo o dia a dia de Filippa no hospital, ajudando os estropiados da guerra, até que conhece André, um doente em fase terminal, que acaba por arrebatar o seu coração. É junto dele que passa a maior parte dos dias, conversando sobre tudo um pouco, até à sua morte.

A sua relação como o marido continua a mesma, embora o coração de Filippa seja partilhado pelo seu paciente preferido. Privilegiada em relação a outras, Filippa encontra-se com Miguel amiúde, uma forma de matar saudades e de estar com o marido. As transformações do marido também começam a ser evidentes, mostrando o que a guerra faz a um ser humano.

Gostei deste segundo livro, embora não tivesse adorado.
Excerto: 
"Afluíram-lhe rugosas as saudades dos filhos, que má mãe lhes saíra na rifa, deixá-los por uma guerra que não era a sua, uma guerra de morte, de perdição e lama, os filhos eram a vida."