sexta-feira, 6 de junho de 2014 | By: Maria Manuel Magalhaes

A Amante do Papa - Jeanne Kalogridis [Opinião]

Título: A Amante do Papa
Autor: Jeanne Kalogridis
N.º de Páginas: 464
PVP: 19,95 €

Um romance histórico irresistível sobre a vida notável de Catarina Sforza, uma corajosa e brava mulher do Renascimento italiano, que teve os amantes que lhe apeteceu, entre os quais o cardeal Bórgia, que viria a ser eleito papa Alexandre.

Tendo como pano de fundo uma corte exuberante e vibrante com personagens inesquecíveis e figuras históricas, a autora recria com rigor histórico o ambiente da Renascença italiana. Uma história de coragem e ambição sobre uma condessa cuja vontade e paixão não conheciam limites. Jeanne Kalogridis consegue de forma magistral mostra-nos a história verdadeira da Itália renascentista, através da vida de uma mulher nascida na época errada que mostrou uma força surpreendente num mundo dominado pelos homens, na segunda metade do século XV.
Filha do duque de Milão e mulher do conivente conde Girolamo Riario, Catarina Sforza foi a guerreira mais corajosa do Renascimento italiano.
Governou os seus territórios, travou as suas lutas e teve sempre os amantes que lhe apeteceu, sem consequências até ter um caso com Rodrigo Bórgia.
A sua história notável é contada pela dama de companhia, Dea, uma mulher conhecida por ler as cartas de sorte, as antecessoras do tarô dos nossos dias.



A minha opinião:
Em pleno renascimento nasce Catarina Sforza, uma mulher lindíssima quanto ambiciosa, que usa todos os meios que tem ao seu alcance, e são poucos, para atingir os seus fins. Obviamente, as mulheres naquela época pouca influência tinham nas decisões políticas do país, mas Catarina soube usar da sedução e da sua paixão pelo sexo, para atrair os homens mais poderosos, incluindo aquele que viria a ser o Papa Alexandre VI.

Jeanne Kalogridis pega numa personagem fictícia, Dea, suposta meia-irmã de Catarina, para contar a história desta brava mulher, que depois de casar com Girolamo Riario, sobrinho do Papa Sisto IV, decidiu, juntamente com o seu marido, governar Forli.

De uma forma simples, mas apaixonante, a autora descreve os ambientes da época, as guerrilhas entre as duas facções, (Sforza contra os Bórgia) e também a vida nas grandes casas senhoriais.

Filha de um monstro tirano, Galeazzo Sforza, Catarina sempre quis seguir as pegadas do pai no que diz respeito à conquista de territórios. Com a ajuda de Dea, que lhe vai deitando cartas, (Dea consegue prever o futuro) Catarina vai tentando, com a sua força de vontade, conquistar tudo e todos. 


Dona de uma inteligência nata, tinha apenas uma fragilidade: querer sempre a companhia da sua meia-irmã.

Após a morte do seu marido, o poder de Catarina ganha ainda mais força. Comandando ela própria as tropas militares, não deixa de estar presente nas tomadas de decisões e na vontade dela própria estar presente nas batalhas. Mesmo sabendo de antemão, pelas cartas, que a sua vida não vai ser facilitada, e que poderá sofrer grandes revezes na sua vida, um deles será a morte de um dos filhos logo que nasce, Catarina não se demove.

Apesar dos inúmeros amantes, apenas conhece o amor com um: Giovanni Di Pierfrancesco dei Médici, de quem tem um filho, que herda da mãe o seu espírito audaz e combativo.

Para quem gosta de romances históricos este é um excelente livro. Cheio de personagens ricas, bem caracterizadas, com imensos factos históricos verídicos e com uma escrita absorvente.

O único senão é o título. Contrariamente, pouco se falou das relações íntimas de Catarina e Bórgia, para que A Amante do Papa desse o título ao livro.