domingo, 14 de fevereiro de 2010

Derrocada - Ricardo Menéndez Salmón [Opinião]

Título: Derrocada
Autor: Ricardo Menéndez Salmón
N.º Págs.: 176
P.V.P.: 13,90€

Uma continuação do Mal
Derrocada marca o regresso de um dos mais aplaudidos escritores espanhóis da actualidade com uma história que levanta a dúvida: quem é a vítima e quem é o carrasco?

Neste segundo livro da trilogia que Salmón dedica ao Mal, uma terrível ameaça recai sobre Promenadia, uma pacata cidade costeira. Um assassino em série, que seduz vítimas e verdugos, actores e espectadores, transforma-se na sombra da comunidade. Os pilares de uma sociedade de escassos valores são infectados pela chaga do Terror – um prenúncio da derrocada – a que ninguém, nem mesmo Manila, o cismático polícia encarregado da investigação dos vários crimes, fica imune.
Um homem perverso que não tem nada a perder; duas famílias que crêem ter perdido tudo; três jovens que encontram na violência uma forma de expulsar o tédio. Em Derrocada, a única justiça é o horror, a única vocação é a atracção pelo Mal.

A minha opinião:
Depois de ter lido A Ofensa no ano passado a expectativa era grande em relação a este segundo livro da trilogia que Menéndez Salmón apelidou de Mal. Se no primeiro livro o autor retratou os horrores do holocausto através do protagonista Kurt, em Derrocada, livro dividido em três partes, Salmón debruça-se sobre uma pequena cidade, Promenadia, que é assaltada pela violência de um assassino em série, que mata desenfreadamente vítimas que, supostamente, escolhe ao acaso, dificultando o trabalho da polícia. Na cena do crime deixa sempre um sapato correspondente à vítima que matou anteriormente. O polícia Manila é quem parece mais afectado pelo caso, acabando por ser, ele próprio uma vítima do misterioso assassino. Mas Derrocada não aborda apenas o assassino em série. Numa segunda parte retrata ainda a vida de três jovens rapazes que decidem divertir-se praticando o mal das mais diferentes formas, desde colocar agulhas em pacotes de leite, até provocar um crime ainda maior que vai afectar para sempre a vida das pessoas da pacata cidade. Na terceira parte Salmón volta novamente a Manila e à sua tentativa de recuperação. Apesar de ter gostado mais de ler o primeiro livro da trilogia de Salmón, Derrocada não me desiludiu. Um livro muito bem escrito que me deixou com curiosidade de conhecer aquele que será o último livro da trilogia El Corrector que, à semelhança dos restantes, irá ser igualmente editado pela Porto Editora.